Notas iniciais
Oi gente, como vão? Quem nunca disse "foi nada não!" , mas no fundo querendo dizer um monte de coisas? Pois é, a Rebecca irá passar por isso... não vou dar mais detalhes, bora ler e descobrir o que é! :p

— Vamos fazer alguma coisa, hoje? – perguntei animada.

Ao desfazer o abraço a primeira coisa que quis dizer foi essa. Após ver a carinha do Gui, mesmo não querendo sair e sim ficar aqui quietinha com ele, pensei que se fossemos para algum lugar quem sabe ele poderia melhorar.

— Não quero ir a lugar algum. – respondeu.

Bem seco, para ser sincera. Simplesmente virou as costas e foi se trocar. Guilherme não tinha o costume de agir assim e muito menos fazia esse papel na minha frente, para não me preocupar quando havia um problema. Era um método de proteção e independência de querer resolver tudo sozinho, sendo em vão às vezes, é claro.

O esperei voltar e fui fazer mais um “teste”. Me aproximei para dar-lhe um beijo e fui recusada.

— Tudo bem, o que está havendo? – perguntei cruzando os braços.

Estava nitidamente irritada.

— Não foi nada, Rebecca! – respondeu.

Me chamou pelo nome, é porque tem encrenca no meio, certeza!

— Olha na boa, eu já estou cheia! Tudo o que eu pergunto para você ou para Letícia logo me re respondem: “Não foi nada.” Que coisa mais chata, caramba! – disse em tom mais alto.

O que eles pensam que sou? Uma criança que não pode saber de assuntos “adultos”? Ah, deve ser porque não sou confiável o bastante. Tá certo. Não deve ser por isso.

Consequentemente é pelo motivo que citei mais acima, o de sempre quererem me proteger. Porém isso já está passando dos limites aceitáveis.

— São coisas que não valem a pena serem comentadas, Becca! Só isso. – respondeu de uma forma calma, me chamando pelo apelido novamente.

— Gui, se fossem coisas bobas as quais nem mereciam ser comentadas, porque motivo então você está com essa cara fechada para mim? Recusando qualquer gesto de carinho? O problema foi algo que fiz e não estou sabendo? – questionei.

Ele me olhou com um certa dúvida e cautela sobre o que falaria.

— Você nunca gostou da Gabriela, certo? – perguntou e ficou me olhando.

Que coisa, essa garota era o quê, um fantasma? Ou era daquelas lembranças que a gente se esforça para não recordar e sempre vem alguém falando sobre?

— Não. – respondi direta- Mas ainda não entendi, o que isso tem a ver com o seu estado de espírito? – disse devolvendo uma pergunta.

— Talvez eu devesse ter aberto meus olhos antes. – começou. – Muitos diziam para mim que ela era atirada e não respeitaria ninguém caso houvesse alguém que ela se interessasse. Vi que você ficou receosa quando ela apareceu e tentava ao máximo fazê-la distante, mas preferi ignorar esse seu início de ciúmes, porque para mim não fazia sentido algum as suas inseguranças. – respirou como se quisesse se acalmar.

— Eis, que um dia ela veio até aqui e confessou tudo. Disse que me amava desde sempre e que pouco importava o que os outros fossem pensar. Afinal, nem éramos primos de sangue como tudo mundo sempre pensou...

— Como assim, vocês não são primos de sangue? – perguntei o interrompendo.

— Meu tio adotou Gabriela quando ainda criança. Fora deixada em seus braços pelos pais que afirmavam não ter condições para criá-la, e sabendo que meu tio sempre quis uma filha, porém sua esposa encontrava dificuldades para engravidar, a deixaram com ele. Logo resolveu adotar Gaby como sua filha, e anos depois de tanto tentarem, conseguiram ter um filho biológico. O que hoje Gabriela chama de irmão. – me explicou a situação.

Estava boquiaberta. Bem que eu reparei que era impossível uma homem tão bacana e distinto como o tio do Gui, ter Gabriela como filha. Era por isso, não era de sangue. Não estou banalizando os pais biológicos dela, não sei como são e acredito que esse mau caráter não é genético e sim uma característica própria daquela pessoa sem escrúpulos que ela é.

— Estou surpresa, muito surpresa. E você está certo, pensei que não houvesse reparado no quanto sua prima sempre me incomodou, nunca gostei dela como já disse e continuo gostando menos ao saber que vocês não têm o laço de sangue que eu pensei, que fosse o que poderia mantê-la longe de você como homem. – disse logo tudo de uma vez.

— Percebo que desde o início viu que ela queria algo a mais. – comentou com calma de mais.

Respira fundo Rebecca, vai 1, 2, 3, 4, 5.. 1000! Não quero saber de contar, quero é escutar o que ele tem para dizer.

— Guilherme, o que ela fez após ter te contado que gostava de você? Pergunto o que ela fez porque recuso imaginar que você, tenha feito algo. – disse bem brava com ele e com essa situação.

— Ela veio se insinuar e tentou me beijar, me convencer de que eu e você não combinamos, e mais um monte de coisas sem sentido. – finalizou o relato.

Eu estava assustada demais com o que ele havia me contado. Quando isso aconteceu? Porque ele não me contou, porque tive que colocá-lo contra a parede para ficar sabendo disso? Esse é o motivo dele estar me evitando?

— É por esse motivo que está correndo de mim? Porque se for, eu não vejo razão. – perguntei.

— Eu estava me sentindo mal com você, por isso ter acontecido. Eu fiquei com receio de te contar e você surtar, não sei, mas achar que eu tive culpa. Não converso mais com Gabriela e nem sei por onde anda. Pedi para que sumisse da minha frente e que parasse de dizer coisas mentirosas, porque já estava claro demais que é você quem eu amo. – respondeu todo fofo e se aproximando de mim.

— Espera – disse colocando a mão em seu peito. – Desculpa, mas foi informação demais de uma só vez, e por mais que eu saiba que você não fez nada... depois, amanhã eu ligo pra você. Tenho que resolver umas coisas e imagino que precise também cuidar dos seus estudos. Enfim. – dei um selinho nele.

Saí após fazer isso e deixei Guilherme com os braços estendidos e com um olhar triste, pelo o que eu acabara de fazer. Não estou brigando com ele, só que imaginei que se algo acontecesse ele me contaria por livre e espontânea vontade, coisa que não aconteceu.

Pra mim um relacionamento tem que ser baseado em verdade e muito respeito. Pensei que ele não soubesse o quanto me incomodava Gabriela e ele sabia. Não tinha conhecimento desse grau de parentesco não verdadeiro, muito menos imaginei que ele já estivesse avisado sobre ela, em relação a sua indiscrição com o que sentia por ele.

Estou confusa com o que ele quis fazer, ao me esconder todos esses fatos. Me proteger, não era. Talvez fosse medo de que eu não entendesse a situação, mas por me conhecer tão bem como imaginei que conhecesse ele não deveria ter feito isso.

Voltei para casa e fiquei pensando a noite toda no que aconteceu. Não ousei ligar para Lê, mesmo sabendo que ela saberia o que me dizer, afinal ela já passava por problemas demais para agora ter que lidar com mais um vindo desse relacionamento que ela já conhece bem. É bom que assim aprendo sozinha a enxergar as N possibilidades que existem de ver com clareza a verdade e a mentira, que no caso sempre precisei que Lê fizesse isso.

Amanhã, quando estiver melhor, ligo para ele. Por enquanto cada vez que meu telefone tocar e for ele, lhe responderei com a mensagem:

“ Não foi nada. Eu só estou cansada.”

Assim como ele fez comigo. Que ele entenda que esse “não foi nada”, é um foi tudo, com medo de ser dito em detalhes.

Notas finais
O que será que vai acontecer, hein? Esses dois não podem voltar a estaca zero do início da história... Deixem seus comentários! Mil beijos!