Notas iniciais
Oi! Hoje veremos o quanto é importante ter amor próprio. Anote as dicas *-*

Saí tropeçando em tudo o que eu via pela frente, estava com apenas um pé calçado, pulando como o Saci indo atrás do outro par do meu Scarpin.

“ Aonde esse sapato se meteu?”

Fiquei me perguntando em voz alta, como se o meu sapato tivesse vida própria para escolher aonde ele iria, sem a anta aqui ter o jogado de uma forma desajeitada em qualquer lugar. Eu sou a rainha da desorganização e isso não tinha mais jeito. Ou isso era descaso meu mesmo, ou então falta de uns puxões de orelha quando era criança.

“Achei!”

Comemorei quando ao abaixar, achei o Scarpin embaixo da cama jogado. Me estiquei, levantei e o calcei, agora sim eu estava como uma mocinha decente. Estava bem arrumada e linda. Dessa vez me arrumei realmente para causar inveja nas pessoas que estariam por lá.

Dizem que mulher não se veste para o namorado e sim para as mulheres que estarão na festa. Eu nunca acreditei nisso até porque achava essa frase de um machismo enorme, porém hoje terei que começar a aceitar que talvez isso sim, seja verdade. Me arrumei o tempo inteiro pensando em como deixar a Gabriela se roendo de raiva pelo o Guilherme ter uma namorada tão maravilhosa como eu.

Sim minha gente! A terapia da Lê e as palavras de papai me fizeram um bem enorme. Sei que não sou melhor do que ninguém nem pior, sou apenas eu e me sinto confortável sendo assim.

O interfone tocou e ao atender ainda ajeitando o vestido, pedi para o porteiro avisar para Gui que eu já iria descer.

Olhei mais umas trezentas vezes no espelho antes de apagar as luzes e ir descendo.

— Nossa, minha namorada está se superando hoje na beleza – disse Guilherme.

Eu sorri de uma forma ingênua por fora, porque por dentro eu estava me sentindo.

— Que isso meu amor, eu só me arrumei um pouquinho – disse fazendo charme e dei um beijo no Gui.

Ele abriu a porta para mim e eu entrei, ele deu a volta no carro, entrou e deu partida. Guilherme estava lindo demais, e eu agradeci a mim mesma por ter decido enfrentar a vida como disse papai, e acompanhá-lo nessa festa. Também mereço meu tempo de distração, e não mereço ficar presa dentro de casa só porque aqui fora tem gente que quer o meu mal.

Apesar do trânsito chegamos relativamente rápido a festa. A casa era gigante, parecia aquelas de novelas e eu fiquei encantada olhando pela janela do carro, enquanto Gui fazia o mesmo que fez ao me pegar em casa. Sair do carro, dar a volta de abrir a porta pra mim.

Para ser um príncipe ele só precisava de um cavalo branco.

Assim que eu saí, Guilherme me cedeu seu braço para eu entrelaçar ao meu e assim fomos até a porta da casa. Gui, tocou a campanhinha e adivinha quem abriu a porta? Sim a oferecida da Gabriela.

Assim que ela me viu ao lado do Guilherme fechou o largo sorriso que estampava no rosto e eu não perdi a oportunidade.

— Oi Gaby, como vai? – fui logo cumprimentando ela com um beijinho na bochecha e um sorriso simpático.

Ela retribuiu com uma vontade enorme, creio eu, de me descabelar por completa. Guilherme também a cumprimentou e nem ele ela fez questão de dar um ‘oi” descente.

— A festa está linda, onde está o dono? – perguntei para Gui e também inevitavelmente comentando com Gabriela.

— É mesmo Gaby, aonde está o Luiz? – perguntou Gui e nessa hora de prontidão escutei a voz da Gabriela surgir.

Logo ela foi correndo trazer o dono da festa, claro Guilherme pediu é uma ordem!

Manterei a calma, eu prometo.

Quando Luiz me foi apresentado, de imediato vi o porquê ele era amigo do Gui. Era um cara extremamente simpático e com uma energia boa. Nos demos muito bem e eu realmente gostei do Guilherme ter um amigo tão bacana assim.

— Rebecca, posso roubar seu namorado só um pouquinho? Queria mostrar para ele a coleção que eu trouxe da minha última viagem aos Estados Unidos – disse gentilmente.

— Claro que pode, só me devolva ele sã e salvo,ok? – disse em tom de brincadeira arrancando um sorriso de todos.

A única que riu da forma mais falsa possível foi a Gabriela. Tadinha dela se está pensando que eu vou cair no joguinho dela, hahaha, mas não vou mesmo!

Luiz saiu levando o Guilherme para mostrá-lo a coleção que ele disse, e eu fiquei sozinha com a Gabriela. Para não incentivar possíveis provocações, fui em direção ao bar da festa pegar uma bebida. Estava com muita sede e com muita vontade de fugir da espécie ainda não descoberta que era a Gabriela.

— Amei o seu vestido – comentou Gabriela quando surgiu ao meu lado.

— Obrigada – agradeci direta e bem seca.

Ela ficou intercalando os olhares para mim e para a pista de dança. Eu sabia que já vinham mais comentários e fui me preparando para eles.

— Você e o Guilherme já namoram a quanto tempo? – perguntou também pedindo uma bebida.

É pelo o que eu estava vendo ela não sairia do meu lado tão cedo.

— Nos conhecemos a alguns anos e já namoramos a um bom tempo também – respondi sem dar muitos detalhes.

Gabriela estava se achando a jornalista e eu começando a me achar o Mike Tyson , porque eu a qualquer hora daria um golpe de esquerda nela.

— Você realmente acha que o namoro de vocês, vai durar muito tempo?- perguntou dando um gole na bebida.

Eu respirei fundo.

— Do nosso futuro só Deus sabe, mas o que estiver ao meu alcance para fazer o relacionamento dar certo eu farei e o Gui também agirá da mesma forma – respondi e voltei a encarar a pista.

— Não tenha tanta segurança, vai que aparece alguém disposta a tomar ele de você... e pelo o que eu vejo você é meio sem sal, sabe? Nada contra você, mas eu sou sincera e só estou te alertando – disse cinicamente.

Só está me alertando? Pois bem querida, eu não vou ter a mesma consideração por você quando eu decidir deixar minha mão voar na sua cara de peixe boi.

— Ah é? E você já conhece alguém que vai fazer isso? – perguntei largando o copo e a encarando.

Meu sangue fervia e borbulhava de tanta raiva, mas eu não aparentava estar assim, não queria dar esse gostinho a ela.

— Ah você sabe! Você não é boba... Eu! Eu, sou uma ótima concorrente ao cargo de nova namorada do Gui não acha? – disse isso também largando o copo e passando o dedo indicador ao redor dos lábios.

Garota vulgar como essa ainda está para nascer.

— Sinceramente eu acho que não! – disse séria.

— Sério? – perguntou.

— Sim! E o que te leva a pensar que você seria a garota ideal? – perguntei querendo saber até aonde esse filhote de Camelo poderia chegar.

— Olha pra mim e olha para você! Não é muito difícil achar nossas diferenças, valendo ressaltar que eu sou mais favorecida em tudo. Eu tenho um corpo de dar inveja em qualquer uma e deixar qualquer homem louco por mim. Eu tenho um rosto de boneca e lábios extremamente desejáveis. Sei como conquistar qualquer um e como deixá-los caidinhos na minha, sei falar diversas línguas e sei falar principalmente a língua do amor. Já você queridinha...bem... você é uma garotinha comum e sem valor nenhum – disse jogando aqueles cabelos lavados com Shampoo de Laranja e dando mais um gole na sua bebida.

Eu a olhei de cima em baixo sem saber como uma pessoa pode ser tão escrota assim, como uma pessoa pode fugir tanto da própria realidade.

— Bom, vejo que de baixa estima você nunca sofrerá, mas de falta de vergonha na cara sim, e desculpa, mas isso não tem mais solução. Pouco me importa se você tem um corpo que você julga ser daqueles de darem inveja, eu não me importo pra isso porque eu pelo menos como o que eu quero e vivo como uma pessoa normal, não tenho que chegar em uma festa regrando tudo porque qualquer caloria vai me “fazer perder o meu valor”. – ajeitei meu vestido e cruzei os braços.

— Falando nisso, do que adianta você saber falar diversas línguas se não sabe que um corpo “perfeito” não faz ninguém melhor do que ninguém, e que uns quilinhos a mais não torna ninguém feio. Talvez você realmente saiba como conquistar um homem e deixá-lo louco, mas se esqueceu que essa sua artimanha só o satisfaz por um noite, e que no dia seguinte você volta a ser para ele aquela que ninguém sabe quem é na fila do pão. Você vive presa dentro desse seu mundinho fantasioso e preconceituoso, esquecendo que aqui fora todo mundo batalha, todo mundo ama, sente e principalmente que todo mundo aprende a como não se importar com bolhufas ditas por uma pessoa sem sentimentos como você... então querida Gaby, aprende a viver, aí depois disso você pensa em voltar a tentar argumentar comigo- respondi.

Encarei uma Gabriela engolindo seco e com os ombros baixos, e senti dentro de mim um orgulho tremendo por não ter me sentido mal com tudo o que ela disse. Eu entendi que eu podia sim ser eu e ter o maior orgulho disso, porque ser você mesmo é um prêmio que a vida te dá. E que ninguém é feliz desmerecendo ninguém. Agradeci ao garçom pela bebida que sorriu para mim, passei por Gabriela e disse:

— Obrigada por me mostrar o quão insignificante você é. Tentando me fazer sentir mal vi a proporção da sua insegurança. Então por você faça um seguinte: cresça e se ame. Ninguém poderá fazer isso por você

Ao dizer isso mandei um beijinho para ela e acenei para Gui que de longe me chamava para perto dele.

Saí andando como uma Angel em desfile da Victória Secrets, estava me sentindo a Gisele com 1, 65 de altura. E sabe o que é melhor: eu estava me sentindo eu! E eu nunca me senti tão bem assim em todo a minha vida.

Notas finais
Espero que a Gabriela nunca mais se atreva a mexer com a Becca, porque essa doeu até em mim! hahahaha Leitores fantasmas, apareçam! Quero saber o que acham! Deixem seus comentários. Beijos!