20 Primaveras

8 Ele me provou quanto amor sentia


Notas iniciais
Oi gente! Como estão indo meus leitores lindos? Já vem mais filosofia nessa capítulo.

—E aí, como foi com o Guilherme?

— Não foi

—Como assim?

— Nós nem conversamos direito

— Brigaram?

— Nem sei se foi briga, não foi uma briga para falar a verdade. Eu apenas o pedi para ir que depois conversaríamos, quando minha ideias estivessem no lugar- foi nesse ping pong que eu contei pra Lê o que havia acontecido com o meu encontro com o Guilherme.

— Pode dar detalhes? – pediu.

— Não foi como eu acreditei durante esses 2 anos- disse.

— Como? – perguntou confusa.

— Ele não me abandonou sem mais nem menos, eu interpretei tudo errado, acreditei que era o certo e me auto convenci que era melhor sofrer como uma criança por ter sido abandonada pelo namorado. Eu fui imatura amiga, você sabe bem como eu tapei os ouvidos e não deixei ninguém falar sobre ele, se eu não tivesse feito isso teria descoberto que nada foi como eu pensei – confessei deixando a bolsa com os materiais sobre o banco no pátio da faculdade.

— Então, ele não te abandonou? – perguntou fazendo o mesmo com a bolsa.

— Ele deixou isso – disse e peguei o bilhete que ele deixou e a entreguei – em meio aos livros que ele me deu, esse estava perdido entre as folhas daquele que ele me deu um dia antes de partir- finalizei.

Ela leu o que estava escrito e suspirou. Dobrou o papel me entregou e me olhou firmemente.

— Você percebeu o que ele fez, por você? – perguntou e eu balancei a cabeça para ela continuar dizendo – Amiga, ele preferiu sair da sua vida mesmo te amando, porque teve plena consciência de que não seria capaz de amar da forma que você merecia, e não, não era porque ele te amava pouco, é porque ele não se doaria a você na proporção do amor que ele sentia porque era imaturo e achava que não queria amar alguém tanto assim.- começou a dizer o que pensava e eu escutava tudo com muita calma.

— Ele saiu da sua vida só para você não depositar nele tanta esperança, só para você não amar demais e receber menos. Ele te deu uma prova de amor e não uma prova de que não te amava, como a gente pensou que fosse.- terminou e começou a sorrir olhando pro nada, parece que encantada com o verdadeiro Guilherme, que era totalmente o oposto do que a gente imaginou.

Eu fiquei parada olhando pro nada também só que pensando no que ela disse. Ela tinha completa razão eu não havia interpretado as palavras dele dessa forma, e era realmente isso que havia acontecido. O Guilherme me amava ao ponto de fazer isso por mim, pensou em mim ao invés de pensar no que ele sentia, foi capaz de filtrar tudo e decidir fazer o que seria melhor pra mim.

Agora percebo que de imaturo o Guilherme não tinha e nem tem nada, ele se mostrou muito mais maduro do que eu pensei, porque me diz, quem com tanta “Imaturidade” se doaria pela pessoa que ama? Mas agora eu sinto medo e surge uma dúvida.

— Será que ele ainda me ama? – falei pensando alto na dúvida que eu tinha e Letícia me olhou e gargalhou.

— Se ele não te ama mais, porque então tem tanta vontade de te fazer entender que ele não foi o cafajeste que você pensou que fosse? E porque doeu tanto saber que durante dois anos você imaginou que ele não te amou quando namoravam? –questionou me deixando sem resposta.

Poxa, ela está certa! Ele ainda deve me amar, não teria motivos para voltar depois disso se eu não tivesse importância. Saímos do pátio e fomos para as nossas salas, as aulas correram normalmente, mas eu sempre pensava no bilhete, no que a Letícia disse e no Guilherme. Eu precisava conversar com ele, o único problema é que eu nem fiz questão de perguntar para ele aonde ele estava morando, estava com tanta raiva dele ter voltado que nem pensei nisso. Agora como eu vou encontrá-lo?

— Como eu vou descobrir aonde ele está morando? – perguntei para a Letícia dentro do taxi de volta pra casa.

— Amiga, eu não sei- disse desanimada.

— Sou tão anta, que nem perguntei aonde ele estava- disse.

— Você não é anta, você só não tinha vontade de saber nada dele, então não tinha o porquê perguntar se ele pegava flores no jardim todas as manhãs, se tinha insônia, ou muito menos aonde estava morando.- falou.

— Até porque as antas são animais de grande porte e você é baixinha e magra, então.. – disse já começando a rir e eu bati em seu ombro e comecei a rir também.

—Para com isso – disse rindo e pensando no que ela disse,mais uma vez.

A Letícia foi fundamental para eu entender tudo o que havia acontecido, e isso só foi capaz por ela ter esse coração gigante que como ela mesma diz: tem espaço para todos os tipos de aventuras. E é verdade, quem dera se todos estivessem dispostos a amar assim, sem se preocupar se não der certo e nunca perder a esperança de que o amor verdadeiro ainda posso ser encontrado mesmo depois de tantos desencontros. Eu preciso achar uma forma de encontrar o Guilherme e que Deus me ajude a não deixar ele ir mais uma vez.

Notas finais
Letícia Lispector, prazer. Hahaha, a Lê mandou muito bem nesse raciocínio, não é? Comentem o que acharam! Beijos!