18 Primaveras
2 8 ou 80
A vida é muito curta para nos preocuparmos com tudo. Aproveito o hoje, sem pensar no amanhã, e por isso, sou tão intensa. É como aquele clichê (como já disse, sou apaixonada por clichês), 8 ou 80, sabem? Ou tudo, ou nada. Sem metades ou meios termos. Estava tão distraída nos meus pensamentos que quase não ouvi o celular tocar. Adivinhem? Maria Clara!
"Sua louca!!! Te liguei umas três vezes e garanto que tu estava viajando nos pensamentos, como sempre!". Como ela podia me conhecer tão bem? E como eu não ouvi o celular tocar 3 vezes???
— Sorry aí, amiga. Tu sabe que não dá para competir com as minhas viagens interiores
— Eu sei, eu sei... Mas agora, mudando de assunto, hoje é sexta e precisamos comemorar a mais nova aprovada na UFRGS!!!
— Será, Maria? Todo o pessoal já está viajando, na praia...
— Qual o problema, boba? Nossa dupla imbatível não precisa de complemento! Inclusive, podemos ir no pub aqui pertinho e depois, partiu balada!
— Tudo bem, vem aqui pra casa.
Em dois minutos, Maria Clara já estava tocando a campainha. E eu, de pijama (vocês sabem... Férias é assim mesmo, pijama, chocolate e netflix). Ela tocou a campainha do apartamento, olhei pelo olho mágico da porta e fiz a brincadeirinha babaca do "quem é?", ela, super delicada, complementou com um "te dou 5 minutos antes de eu apertar a campainha do 208 (um vizinho lindo que eu morria de vergonha!!!) e falar que ele vai no pub junto com a gente", quando ela estava terminando a frase, eu já estava em prantos abrindo a porta, e ela rindo da minha cara, pra variar.
— Boa garota, Dr. Anne. Bóra pro pub? Quer dizer, depois de uma hora pra tu escolher uma roupa, né?
Fomos rindo até o quarto ao lado do meu, foi eu abrir meu closet (por eu morar sozinha, e ter 3 quartos, o quarto ao lado do meu é um closet) que eu ouvi um "ANNE! O QUE É ISSO???", eu juro, juro, a primeira coisa que pensei é que ela tinha achado algum corpo alí dentro, mas era apenas uma das minhas prateleiras, com uma camiseta mal dobrada, e aí eu digo, sou super organizada graças a ela, thanks, Maria! Depois de uns 40 minutos, só faltava a minha maquiagem, porque se arrumar com amiga sempre resulta em umas paradinhas pra contar aquela fofoca, então, ela não pôde me cobrar tempo. Fui para o banheiro, peguei a minha base com efeito matte, coloquei pó, fiz o contorno do côncavo e rosto, passei um delineador só no final dos olhos, puxando um pouco, passei máscara de cílios (porque meus cílios são grandes), passei um batom líquido e preenchi as sobrancelhas. Saímos do apartamento, e o elevador parecia nunca chegar, então fomos pelas escadas, e adivinha quem estava lá? ISSO! O morador do 211, que não era tão perto do meu, mas o prédio todo escutava a guitarra alta e os vlogs que costumava gravar.
— E aí, An? — mais um da série dos apelidos ridículos, o tal do "an?" é por ele nunca escutar NADA do que eu digo, e completar com um "ãn?" "quê?" — hahah, fiquei sabendo que temos uma nova futura médica, certo?
— Ahh, oi, Gabriel. Então, acho que sim, espero, pelo menos.
— Tá indo onde arrumada assim? — ele disse olhando dos meus pés até a cabeça
Foi essa bendita frase terminar, que eu ouço a Maria, que estava um pouco atrás de mim, descer correndo, me empurrando, e dizendo:
— COMPRAR BOLACHA!
Até porque, quem não vai comprar bolacha arrumada? Me diz?
Saímos do prédios às exatas 21:37, demoraria 5 ou 10 minutos até o pub que queríamos ir.
Fale com o autor