17 Outra Vez
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Eram por volta de oito da noite quando Blaine finalmente se foi da residência dos Fabray-Hummel-Evans. Quinn havia chegado lá pelas cinco e foi direto para o quarto, sem nem querer saber o motivo de Blaine estar ali. Kurt e o moreno ficaram no quarto do mais novo (de porta aberta) desde a hora que falaram com Sam até um pouco depois do almoço. Então eles saíram para o shopping encontrar Rachel e sei lá mais quem que Kurt tinha falado.
No dia seguinte, Blaine tinha ido buscar Kurt para ir para a aula, e o castanho estava radiante. Quase tão feliz quando começou a namorar Sebastian. Tão feliz quanto Sam quando ele começou a namorar com Blaine. Talvez fosse o charme do moreno, talvez fosse apenas um mal de família, ou talvez Blaine fosse simples e puramente apaixonante em sua forma mais natural de ser: livre, com 17 anos, e amando. Ele observou o filho ir e acenou para Blaine do lado de dentro, esperando que o moreno não visse suas lágrimas.
Logo agora, que o loiro realmente achava que estava pronto para revelar a verdade para seus filhos e explicar para Quinn que Blaine errou e todos erram... bem quando ele estava pronto para ter uma família completa novamente. Aparentemente, até mesmo Blaine estava mais feliz agora. Ele só queria que o moreno lhe olhasse com devoção e aquele amor cru que era tão clássico e merecido de Blaine. Era pedir demais?
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Blaine estava deitado em sua cama, após o primeiro dia de aula no qual ele e Kurt eram oficialmente namorados. E ele se sentia bem, muito bem. Kurt e ele se falavam o tempo todo, praticamente, e receber aquele olhar de ciúme de Sebastian e do time de futebol foi simplesmente impagável. Mas uma coisa não estava batendo: por que Kurt havia acreditado? Não que ele estivesse reclamando, longe disso, mas... se fosse ele, é possível que levaria mais tempo até acreditar.
— Toc toc, Hobbit. — Santana falou, do outro lado da porta. O moreno se levantou e abriu a porta para a melhor amiga, esperando vê-la toda vestida para uma festa. Porém, ela estava de pijamas e maria chiquinhas, e tinha um pote de sorvete e brownies em mãos. — Vamos nos divertir um pouco?
— Você não vai sair? Nenhuma namorada hoje?
— Hoje eu quero saber de você e por que diabos você chegou sorrindo e ficou o dia todo no quarto. — Ela ofereceu um pedaço do bolo para o moreno, que deu uma mordida enorme.
— Eu contei para Kurt e Sam. — Ele disse casualmente, dando de ombros enquanto mastigava.
— Oi?!
— É isso que você ouviu, minha cara Santana, meu ex marido Sam e seu filho adotivo Kurt, meu atual namorado, sabem que eu tenho 40 anos mas estou na minha forma de 17. — Blaine assentiu, um sorriso bobo em seu rosto.
— Primeiro, é feio falar de boca cheia. Segundo: Que porra, Blaine? Por qué hiciste eso? ¿Estás loco, puto infierno, no puedo soportar la locura en mi vida diaria! Puta madre! Voy a volar sus huevos, lo haré! Esto le dará a la mierda, escucha lo que estoy hablando! ¡Mierda! — O moreno apenas escondeu o rosto nas mãos, sabendo melhor do que discutir com a morena quando ela começava a xingar em espanhol. Uma vez que a moça havia se recomposto, ela disse: — Eu acho que isso vai dar merda e vocês três vão sair magoados. Você vai sair perdido, sem saber se tem quarenta ou dezessete anos, Kurt vai sair muito confuso e vai ter medo de caras mais velhos para sempre, e Sam... Sam vai continuar magoado com você. Como ele está há onze anos, e Quinn também.
— Eu não a- — A campainha cortou a fala de Blaine, que se levantou. — Você espere aqui, eu atendo. Depois nós continuamos a discutir sobre a minha vida. — Santana suspirou, vendo o amigo descendo as escadas enquanto murmurava para si mesmo. Quando Blaine abriu a porta, mal pôde acreditar em quem viu: o tal zelador que havia se jogado da ponte!
— Blaine Anderson, Blaze Devon... quem é você? — Perguntou o velhinho, com as mãos nos bolsos. — Você atingiu um impasse, e a situação não está mais em suas mãos: se Sam te amar mais que Kurt, você volta a ter 40 anos e se resolve com ele; se Kurt te amar maus que Sam, você fica do jeito que está.
— Espera, o quê? — Antes que o moreno pudesse piscar, o zelador já havia ido embora. Se bem que Blaine preferia achar que havia piscado, porque ver alguém desaparecer parecia surreal. — ...mas que caralhos aconteceu aqui?
— Blaine, quem era esse velho e para onde ele foi? — Perguntou Santana, que descia as escadas devagar. O moreno fechou os olhos e passou as mãos pelos cabelos. Vendo o esforço do melhor amigo para não chorar, a latina andou até o mesmo e colocou uma mão em seu ombro. — Eu odeio te ver assim, você sabe. Eu sei que sou uma vadia durante 98% do tempo, mas eu te amo. Você foi meu melhor amigo desde antes do fim do colégio e eu quero que saiba que eu estou aqui para você. E me desculpe por ter gritado com você. Você não precisa me explicar nada, eu respeito suas escolhas.
— Conselhos não machucam, San, não tem problema. — Ele respirou fundo. — Eu só... eu quero ficar com Kurt, eu tenho quase certeza que é ele quem eu quero, mas aquele babaca daquele zelador disse que isso independe de mim, meu destino. Agora eu vou ter a idade de quem me amar mais: Kurt ou Sam.
— Blaine, se Kurt realmente te amar, ele vai ficar com você independente de você ter 17 ou 40 anos.
— Mas ele ama Sam, também, 'Tana, e ele não trocaria Sam por mim. Eu posso muito bem acabar sem nenhum dos dois e eu não quero isso. Eu quero Kurt, que merda.
— Ah, Bee... O que você pode fazer agora é aproveitar seu tempo com Kurt igual você aproveitou seu tempo com Sam. E se acabar, algum dia, eu estarei aqui, não importa se eu estiver namorando, casada, você — e meus amigos — sempre vem primeiro. — O moreno sorriu, abraçando a amiga. — Ok, chega, já foi, momento gay chegou ao fim, para.
— Você e seu dom de arruinar nossos momentos fofos... desde o colegial. — Constatou Blaine, sorrindo enquanto se desvencilhava do abraço da latina. — Muito obrigada pelo conselho. Não sei onde eu estaria sem você.
— Você estaria desabrigado com dezessete anos e surtando. É isso.
— Exatamente. Muito obrigado por esse choque de realidade. — Ele andou até a sala. — Agora, filmes?
— Hobbit?
— E a Desolação de Smaug. — Completou o moreno, sorrindo enquanto abanava o DVD. Santana correu para o sofá, deitando-se em toda a extensão do móvel.
— Você me conhece tão bem, Blainers... — Disse a morena, numa voz sarcasticamente sonhadora. Blaine riu e sentou-se com os pés da melhor amiga em seu colo.
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Kurt e Quinn quase nunca ficavam no mesmo lugar durante a escola, mas em casa... os dois ficavam de pijamas e cozinhavam e viam filmes e, é claro, tirava umas duas horas para estudar, fazer dever de casa, ou apenas ficarem à sós consigo mesmos. Era estranho ver a irmã naquelas roupas pretas e maquiagem ainda mais escuras, com um fio dos cabelos rosas saindo para fora do gorro furado, especialmente depois de conviver tanto tempo com a "menina perfeita".
Eram três e quarenta da manhã, e os dois estavam fazendo cupcakes desde à meia noite, quando Sam havia ido dormir e falado "boa noite, e durmam!", e os filhos concordaram. Agora tudo era mais engraçado e estranho e triste e os dois não haviam feito aquilo — passar madrugadas rindo à toa — em quase três meses.
— Kurt, você está feliz? — Quinn lhe perguntou, enquanto o castanho colocava glassé nos cupcakes, fresquinhos logo após saírem do forno. — Quero dizer, mais feliz com Blaine do que com Sebastian. Você está?
— Ah, eu estou. Nem sabia que era capaz de ser tão feliz, mas eu sou. — Ele sorriu para a irmã, como se confirmando que falava a verdade. Sebastian foi um amor verdadeiro, porém que havia começado como um plano para ter status social e dar uma amenizada no bullying que o castanho sofria, diariamente machucado contra paredes de armários. Mas ambos presentes da cozinha sabiam que o jogador seria sempre uma memória importante dos dois participantes do namoro. Kurt suspirou, não deixando o clima piorar. — E você, Q, como vai?
— Você sabe, Puck me enchendo para voltar com o cabelo loiro, Rachel Berry me irritando com aquela vozinha dela... "Quinn, somos amigas? Eu já te vi de pijamas! Quando eu durmo, eu uso pijamas! Nossa, eu, eu, eu, eu! Eu!". — Imitou a menina, fazendo olhos vesgos e colocando a língua para fora. Kurt segurava no balcão com uma mão e na barriga com a outra.
— Você é má, Quinn! — O castanho secou uma lágrima. — Só que eu sou mais. Sabe, você me subestima às vezes. Sua imitação foi ótima, mas temo que algo estava faltando em sua verdadeira essência: "Eu, eu, eu, eu e Finn, eu, eu, eu, eu, eu e Finn!". — Agora os dois riam em silêncio, a boca aberta e as barrigas doendo, contraindo-se de novo e de novo, bem quietos para não acordar Sam. — ...E voilà! Todos os nossos vinte e oito cupcakes recheados e com uma cobertura chique com aroma de baunilha e granulado de chocolate. Fizemos um ótimo trabalho, Q.
— Tenho certeza que sim, irmãozinho. Mas só vamos ter certeza disso pela manhã, quando comermos metade deles no café. — O castanho soltou uma gargalhada, tampando a boca com as mãos. Quinn lhe lançou um olhar assustado, porém risonho.
— Se nosso pai vir isso, ele fica furioso. Você sabe muito bem o que acontece quando ele fica furioso: nada de namorados, nada de amigos, só estudo e estudo. — Alertou a menina, lembrando-se da última vez que os dois haviam sido pegos. — Agora, eu vou dormir porque daqui a duas horas e dez minutos eu tenho que acordar.
— Eu tomo banho primeiro amanhã! — Disse o castanho, enquanto a menina subia as escadas.
— Não se eu tomar agora! — Sussurrou Quinn, e saiu correndo.
— Nojenta. — Murmurou Kurt, rindo baixinho para si mesmo quando um barulho de carro perto de sua casa o parou. — Mas o quê...? — Se perguntou o castanho, pegando um facão da prataria de seu pai e se preparando para esfaquear um assaltante. Contudo, quando a fechadura começou a fazer barulhos, Kurt correu e se abaixou atrás do balcão da cozinha. Passos se aproximaram depois que a porta foi fechada cuidadosamente, e o Hummel tomou o risco de espiar, vendo a típica cabeça cheia de gel do namorado virada de costas para ele. Ele devolveu a faca e se levantou. — Blaine, amor? O que faz aqui à essa hora?
Blaine se virou, com olheiras e olhos vermelhos de choro e roupas amassadas e alguns fios de cabelo fora do lugar. Ele andou até o mesmo e o abraçou, sabendo que era o que ele precisava antes de falar qualquer coisa. Blaine derreteu no abraço, sentindo o cheiro de Kurt que era bem parecido com o de Sam. Porém, se ele parasse para pensar, perceberia que agora associava o cheiro ao próprio namorado, e não ao ex.
— Kurt, eu... eu preciso te contar uma coisa. Eu não te traí, nem nada, eu juro, e nem vou terminar com você. — Ele os guiou para o sofá. — Aquele zelador, o mesmo que me fez voltar a ter dezessete anos... ele apareceu em minha porta hoje, e disse que eu voltar ou não independe de mim. Você e seu pai estão numa competição, pelo o que eu entendi, para ver quem me ama mais. Ele não disse quanto tempo vocês têm, mas se seu pai me amar mais, eu vou voltar a ter 40 anos. Se você me amar mais, eu fico assim e envelheço novamente. — Kurt estava boquiaberto ao final. Blaine havia tropeçado por suas palavras e estava ofegante. — Escuta... se você quiser terminar, porque você não pode roubar o amor de seu pai, ou algo assim, eu entendo. Eu só- eu vou deixar minhas chaves no b- — Kurt colocou dois dedos sobre os lábios do namorado e o olhou nos olhos, segurando seu rosto com uma mão de cada lado.
— Blaine, eu não vou desistir. Eu amo meu pai, mas eu nunca desistiria do amor, e eu não sei... vai que você é o amor da minha vida e eu desisto e nunca vou ser tão feliz de novo? Eu nunca vou dizer adeus para você. Fui claro?
— Como cristal, Kurt. Como cristal. — Blaine selou seus lábios num beijo lento e apaixonado. — Eu te amo, Kurt.
— E-Eu também te amo. — O castanho começou a beijar o pescoço do namorado, e Blaine levantou seu queixo com a ponta dos dedos.
— Você tem certeza?
— Absoluta, Blaine, eu quero isso. Eu quero você, eu quero nós dois. — Blaine sorriu, e foi sua vez de beijar o pescoço de Kurt, que perguntou, num sussurro bem mais baixo e grave que levou Blaine à loucura:
— Eu sou melhor que ele, Blaine?
— Você é melhor que todo o mundo, Kurt. — Ele chupou um local na pele pálida, arrancando um gemido baixinho. — Você é único, inesquecível, marcante. — Ele subiu com os beijos até os ouvidos de Kurt. — Apaixonante.
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