17 Outra Vez
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Na semana seguinte, na aula de literatura (uma das cinco que Kurt e Blaine tinham juntos), o professor Johnson passou um livro para eles lerem: O Apanhador no Campo de Centeio. Blaine se lembra vagamente da capa azul escuro do livro por causa de Cooper, seu irmão, que havia lido o mesmo na adolescência, quando Blaine era apenas um garoto.
— ...então eu vou deixar que vocês escolham as duplas. Mas sem bagunça! — Exclamou o sr. Johnson, porém já haviam cadeiras sendo levantadas para juntaram-se com outros alunos. Blaine deitou na certeira, esperando que todos se acalmassem para que ele pudesse fazer sozinho. Porém, ele sentiu uma mão em seu ombro e olhou para cima, encontrando os olhos de Kurt. Ele suspirou, mas deixou que o castanho puxasse uma carteira para ficar a seu lado.
— Kurt, se você vai me dar outro discurso... eu realmente não preciso que você gaste seu tempo. Eu já entendi que sou um babaca, ok? — Bufou o moreno, cruzando os braços enquanto ajeitava sua postura.
— Eu não estou fazendo uma dupla com você para brigar, Blaze. Eu quero me acertar, ok? Então... é. Eu sei que você gosta de mim e tem consciência que eu tenho namorado, mas mesmo assim... você- eu- uh... você parece ser legal, entendeu? É isso. É exatamente isso, mais nada. Eu vou com a sua cara e quero ser seu amigo. Isso. Boa, Kurt. — O castanho notou a expressão de incrédulo que o moreno usava, e se deu um tapinha indolor na testa. — Eu disse “boa, Kurt”? eu quis dizer... sei lá. Vamos fazer o trabalho. — Kurt secou suas mãos suadas nos jeans apertados discretamente, deixando que Blaine abrisse o livro e o caderno, ainda o olhando pelo canto do olho.
— Kurt, de verdade, você parece uma pilha de nervos. Você acha que isso vai, sei lá, piorar o bullying ou que fará Sebastian bravo? Eu não quero causar ainda mais dano na sua vida. — O castanho sacudiu a cabeça, e levantou o dedo indicador.
— Se você fosse, eu juro que te falaria, ok? Eu posso ter apenas 17 anos, mas eu sei de uma coisa que vale à pena continuar para a vida toda, e é uma amizade com o cara que me deixou chorar no ombro dele no primeiro dia dele aqui. — Kurt passou as mãos pelo cabelo, e abriu o livro azul que estava em cima de sua mesa. — Ok, o que você sabe sobre o livro?
— Eu... uh... eu sei que- wow. Espera um pouco. — Pediu Blaine, olhando para Kurt boquiaberto porque caraca, ele quer ser meu amigo de verdade. Kurt sorriu para ele e assentiu, tirando um marca texto fluorescente do estojo.
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Mais tarde, no final da aula, Blaine procurou por Kurt para se despedir do amigo, e freou o andar rápido ao ver o castanho. ...que estava aos beijos com Sebastian, encostado num carro caro e preto.
— Idiota, idiota, idiota. — Blaine balbuciou, dando meia volta para deixar a mochila no armário. Uma mão com unhas pretas o parou. Ao olhar para cima, ele viu Quinn. — Quinn! Oi! — O moreno abraçou a menina, que ficou parada.
— Escuta, eu não quero ser sua melhor amiguinha, só estou aqui porque me disseram que um tal de Blaze queria me ver. Você é ele, não é?
— S-sou. Desculpe, é que... uh... — “Eu sou seu pai com 17 anos?”, “Eu estava com saudades?”, “Eu vi você saindo de uma vagina?”. Não. Inaceitável. Blaine precisava de alguma coisa para falar. — Eu meio que gosto do seu irmão. E eu queria saber como chegar nele. — Blaine imediatamente pensou em se dar um tapa na cara, porque era daquilo que ele precisava.
— Kurt tem namorado! Quem você pensa que é? Você sabe quem o namorado de Kurt é? Hein?
— Ele é Sebastian Smythe, eu sei! E você não precisa ser tão agressiva! Não é como se eu fosse beijar ele no meio do nada.
— Eu não aguento vocês atrevidos. Se manca, otário, talvez Kurt olhe na sua direção. — O corredor inteiro estava olhando para eles agora, e Blaine se encolheu. Deus, a escola era uma bosta. E Quinn... doce Quinn, falando aquelas coisas horríveis. — Eu falei: se. Manca. Otário! — Blaine continuou parado, e olhou ainda mais para baixo, encolhendo ainda mais os ombros. Sam e ele realmente estragaram tanto assim a menininha deles? — Ah, então você não vai sair? Puck, Finn, podem cuidar dele. Para a lixeira principal. — Dois meninos fortes, eu de moicano e outro muito, muito alto pegaram Blaine pelos braços, andando com ele pelo corredor.
— Espera! — Uma voz gritou, e os dois brutamontes viraram e viram Sebastian ali, com Kurt atrás do mesmo. — Deixem o garoto. — Imediatamente os dois atletas soltaram o moreno.
— Sebastian, ele gosta de- — Quinn começou, mas o menino não quis ouvir.
— Se chegar nos meus ouvidos que esse menino foi parar na lixeira, eu vou achar quem fez e eu vou jogar essa pessoa na lixeira da cantina. E eu não tenho medo de fazer isso com meninas, também. — Alertou Smythe, pegando a mão de Kurt e saindo para o carro. Blaine não perdeu o olhar que o castanho lhe lançou, preocupado. Blaine assentiu, ajeitou a mochila e continuou a ir para o armário.
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— Seb, obrigado por fazer aquilo. — Kurt disse, baixinho, no caminho para casa. — Eu sei que você não gosta de Blaze.
— Eu não gosto mesmo, Kurt. Você sabe por quê? — O mais baixo balançou a cabeça negativamente. — Porque ele está dando em cima de você, e eu não posso deixar de notar que você está bem confortável com isso. Desculpe se eu fico irritado porque meu namorado deixa outros caras darem em cima dele como se ele fosse uma vadia! — Kurt engasgou, surpreso. Ele estava esperando a hora em que seu namorado fosse lhe dar aquele sermão, e, sinceramente, o castanho merecia aquilo (ou pelo menos ele achava que merecia). Afinal, ele estava apaixonado pelo garoto. — Mas a questão aqui, Kurt, é que eu fiz isso, eu baixei minha reputação nessa escola apenas para defender um nerd e ver se você consegue sorrir para mim de tempos em tempos! E não sorrir porque eu tenho as mãos dentro das suas calças pela metade do tempo, realmente sorrir. E olhe para mim: nem assim eu consigo, Kurt. — Sebastian parou na frente da casa de Kurt. O casal ficou em silêncio por um tempo. — O jogo é em três dias, e depois tem uma festa lá em casa. Me acompanha?
— Claro que eu te acompanho, você é meu namorado. — Mesmo que eu esteja apaixonado por outro cara, mas isso não vem ao caso agora., Kurt completou, em sua mente. Sebastian apertou a mão do namorado e o puxou para um beijo quente antes de destrancar todas as portas. — Droga. — Murmurou o castanho, vendo o pai na porta de casa de braços cruzados.
— Kurt. — Sam disse, dando espaço para o filho entrar. — Como foi o chá com Sebastian no carro?
— Pai, foi só um beijo no final! Eu juro! — Defendeu-se o castanho, parando no pé da escada.
— Aham, eu vou fingir que acredito e deixar essa passar. Mas só hoje, ouviu? Quinn me disse que você teve um dia difícil. — Kurt revirou os olhos. — Alguma coisa acontecendo com aqueles jogadores que eu tenha que saber?
— Não, pai, eu estou bem, eu só briguei com Sebastian no final, mas deu tudo certo. — Assegurou o castanho, ansioso para se jogar em sua cama e dormir.
— Eu percebi. — Sam gesticulou para a porta. Kurt deu com a mão na testa e grunhiu, já subindo as escadas. Ele ouviu a risada de seu pai, fechando a porta do quarto sem nenhuma sutileza.
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— Santana, eu estou puto com você. — Anunciou Blaine, jogando seus livros na mesa de jantar. A latina o encarou incrédula.
— E o que diabos eu fiz, além de te comprar roupas de adolescente e entender seus motivos loucos para voltar para a escola? E não vamos nem mencionar o fato de que eu tenho que comprar o dobro de comida porque seu corpo é insaciável!
— Você me deixou voltar para aquele inferno chamado colegial. Quinn pediu para dois garotos me jogarem na lixeira! Quinn! Você acredita nisso?!
— Ela pediu? E eles iam te jogar?
— Sim, eles estavam babando em cima dela... babuínos bobocas balbuciando em bando.
— Eu sempre soube que aquela menina dominaria o chão por onde passa... quando você e Sam apareceram com ela, ela já veio dizendo que minha roupa era horrível. — Santana sacudiu a cabeça, sorrindo.
— San! Não, isso não é legal! Minha filha é uma popularzinha babaca!
— Primeiro, ela tem dezoito e você tem dezessete. Sério, Blaine, para pra pensar. Eu sei que ela ainda é sua garotinha, mas pessoas mudam e, por mais que Quinn pareça dócil e inofensiva, ela é vadia mais adorada daquela escola, e isso é algo difícil de conseguir. Você sabe disso depois de me ver chegar ao topo.
— Santana, tudo o que você teve que fazer foi se agarrar com as meninas na frente das pessoas.
— Nem todas beijavam bem, ok? — A morena bufou, pegando o celular e voltando toda a sua atenção ao aparelho. Blaine suspirou e foi até a cozinha, sem tirar a imagem de Kurt e Sebastian se beijando na porta do carro da cabeça. Ser um adolescente era bem mais dramático e sofrido do que Blaine se lembrava.
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Kurt respirou fundo ao ver o carro de Sebastian na porta de sua casa, pela manhã. A noite do castanho fora gasta com gemidos e pensamentos de um certo Blaze Devon, ao invés de seu namorado. Hummel colocou as botas brancas com cadarços pretos, tomando seu tempo.
— Algum problema, filho? — Sam perguntou, colocando uma mão nos ombros de Kurt. — Geralmente você mal come o café quando Sebastian já está na porta.
— Mais ou menos... nós brigamos ontem, e eu não estou entendendo bem meus sentimentos... Eu converso com você depois da aula, tudo bem? — Sam assentiu e recebeu um abraço de Kurt e um beijo na bochecha, e agradeceu por não ter mais que passar por todo o drama juvenil.
Porém, o drama adulto era mais intenso e duradouro. Um simples pedido de desculpa e flores não faziam mais milagres como antes. Ao se dirigir para a cozinha, Sam parou por alguns instantes na frente do telefone fixo, pronto para ligar para Blaine e perdoá-lo, apenas para sentir os lábios cheios do moreno contra os seus novamente. Suspirando, o loiro se afastou do aparelho e continuou com seu dia.
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Blaine entrou na escola de cabeça baixa naquele dia. Todos o olhavam e cochichavam com amigos, outros até riam da cara dele. Ele só queria ver Kurt e poder falar com ele sem ninguém intervir, quer dizer, a vida era dele, afinal, certo?
Quando Blaine chegou a seu armário, alguns jogadores do time de futebol o esperavam, todos tomando raspadinhas de diversas cores. O moreno sorriu educadamente para eles e abriu o armário, apenas para ter o mesmo fechado por um punho. Um jogador derrubou seus livros no chão e começou a rir, assim como seus capangas.
— Ei, fadinha, você não sabe que não deve mexer com gente compromissada? — Um deles perguntou, estalando o pescoço. Blaine engoliu em seco. — Eu estou com uma raspadinha rosa, igual sua bunda. Dave aqui tem uma azul e Fred tem uma vermelha, qual sabor você prefere?
— V-vermelho...?
— Errou! Roxo! — E os três jogaram suas bebidas no moreno, ao mesmo tempo.
— Ei! — Os quatro ouviram um grito.
— Ih, a outra fadinha veio te proteger, Blaze. — Os olhos de Blaine se abriram na velocidade da luz, e ele quase sorriu ao ver Kurt correndo em direção a ele do final do corredor vazio.
— Olha aqui, eu não sei porque vocês mexeram com ele e não comigo. Ele não merece ser o alvo de vocês, eu mereço! Lembram que eu roubei o zagueiro de vocês depois de subornar ele por sexo? Pois é, gente, e o que Blaze fez? Deixa eu ver... nada. Absolutamente nada! E saibam que se eu abrir o bico para Sebastian, vocês três que vão ficar roxos com raspadinhas pelo resto da vida de vocês! — Kurt xingou, e passou os braços ao redor dos ombros de Blaine, que estavam encolhidos devido ao frio. — Vamos, eu te ajudo a tirar isso. Você tem uma muda de roupa no armário? — O moreno sacudiu a cabeça. — Tudo bem, pode usar a que eu tenho.
— O-Obrigada. — Disse Blaine, tremendo os dentes. Kurt sorriu e abriu a porta de um banheiro, trancando a mesma em seguida. — V-você pode fazer isso?
— Claro, ninguém usa esse banheiro. — Naquele momento, quando Blaine estava tirando a camiseta ensopada, o par ouviu uma voz:
— Kurt? — E a porta de uma das cabines se abriu, revelando Sebastian.
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