14/04/17

Bala de laranja

Hoje eu estava à espera de uma amiga e me entediei. Nada atípico. Lembrei, então, que tinha um pacote de Mentos na bolsa. O pacote só tinha duas balas. E as duas eram de laranja.

A primeira realização que me ocorreu foi: "que merda, bala de laranja"; a segunda foi que eu deveria escrever sobre isso.

Deixemos claro que eu nunca gostei de balas de laranja. De nenhuma marca, formato ou cor — lembremo-nos que nem todas as balas de laranja tem efetivamente a cor laranja. Sempre que ganhava balas de laranja e tinha oportunidade de trocar o sabor, eu o fazia.

Nunca conheci uma só criança que goste de balas de laranja. E minhas hipóteses são:

1. São azedas demais ou doces demais;

2. Não tem gosto de laranja;

3. O falso gosto de laranja é ruim;

4. As cores não são legais.

E minhas justificativas para essas teorias são:

1. Balas de morango, melancia ou qualquer outra fruta são equilibradas (apesar de que isso depende da marca);

2 e 3. As outras balas também não tem o gosto real da fruta, mas o gosto falso é bom;

4. Laranja e seus derivados não me remete à coisas felizes.

Portanto, sempre me restavam as pessoas adultas e velhas para trocar os sabores de balas comigo. Isso porque os velhos não se importam mais com o sabor da bala. E grande questão é: por quê?

Por que quando crescemos uma coisa tão simples e fácil de ser resolvida, como o sabor da bala, não importa mais? É acomodação? Exaustão de pensar em problemas o tempo todo?

Não sei. E acho que ninguém nunca descobrirá.

Eu comi a bala de laranja. As duas. Porque estava entediada e porque, enquanto degustava as balas e escrevia essa micro monografia universitária, percebi que eu já não me importo mais com o sabor das balas.

Então minha amiga chegou e eu esqueci, até abrir meu bloco de notas novamente, que as balas de laranja já foram um problema para mim.

H. Surris