15 e 36
1 Prólogo e Capítulo um: Obrigado, garoto.
Prólogo
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Cientificamente falando o corpo humano é capaz de se manter vivo aos vinte sete graus Celsius. Essa explicação que eu me dava enquanto atravessava a avenida, a cada passo mais próximo da morte. Enquanto andava, mais eu ouvia meu coração bater mais lento e meus músculos se atrofiarem. Sabia a causa desses e mais outros sintomas: 36 graus. Era o mínimo de temperatura que o meu corpo aceitava.
Não sei o motivo, se era doença ou mutação genética, só sei que com isso a vida me obrigou a ter uma atitude sempre precavida de me aquecer. Entretanto, a moça da meteorologista errou hoje: Não era um lindo sol acompanhado de um céu limpo, era um céu nublado com frente fria. Cheguei do outro lado da calçada, tendo a certeza que cairia ali morto, juntava o máximo das pontas do meu casaco querendo me aquecer, mas não adiantava.
Então morrerei assim…Na sarjeta perto de um bueiro de esgoto. Como é irônico a vida, fiz de todo para sair dela e agora acabarei assim.
– Senhor...
Me chamou no tom gentil e preocupado, depois sinto a sua mão apoiar nas minhas costas, ao mesmo tempo que não sinto mais os meus braços e deixo a minha maleta cair no chão quase acertando no bueiro.
– Oe? Senhor? — Estou com o corpo curvado, faço um esforço para levantar a minha cabeça e para ver quem me socorre, nada mais que um pivete de sobrancelhas grossas... E mais alto do que eu. Vejo os seus olhos se expandirem de susto assim que pega na minha mão. Imagino o quão gelado deve está. Imediatamente ele tira o seu moletom e me envolve como fosse um casulo e me abraça bem forte.
Ele está nervoso não sabe o que fazer, quer me aquecer de qualquer forma, se é para morrer prefiro na minha casa.
– Preciso te levar no médico. — Disse sério o moleque.
– Meu...- Engoli seco, tentava o possível não tremer os dentes e não tropeçar nas palavras. — Apartamento é logo ali. Dobrando a esquina.
– Não é melhor um médico? Eu tenho o telefone...
– Não dar tempo…Se-se-vo-vo-cê -Pausa. Respirei fundo. — Me leva para o meu apartamento.
– Tem certeza? O senhor está congelando aqui e...
– Seu moleque idiota! Me leva na merda do meu apartamento! Anda! Faça o que eu estou mandando.- Tsc! Já estou morrendo e ainda tem um moleque discutindo comigo. Depois nesse esporro, ele me leva até a minha residência, com o braço envolta nas minhas costas e puxando para si.
Quando finalmente chega na minha sala, a aflição é grande. Eren sente o meu corpo se esfriar mais e quase estou perdendo a minha consciência. O garoto me pega no colo como se eu fosse uma princesa e se surpreende com o meu peso por causa da minha altura. Me leva ainda envolvido com o seu casaco até o banheiro. Chegando, sem pensar em mais nada, apenas com o desespero latente em seus olhos querendo salvar a minha vida, ele entra no banheiro junto comigo. Lentamente ele se abaixa, me pondo para debaixo dele, me colocando na superfície fria da minha banheira, o garoto abre a torneira deixando sair uma grossa corrente de água quente invadir aquele grande bacia de porcelana.
Em poucos minutos, estou submerso na água quente, ainda sendo abraçado na frente por um garoto desconhecido. Nossas roupas estão encharcadas, a minha camisa branca molhada transparece a pele do meu abdômen e também do moleque agarrado a mim. Ambos definidos, mas não comparado ao meu físico. A minha calça social fica mais justa nas minhas pernas, sinto o ar quente da sua respiração em meu pescoço, a virilha dele se imprensa junto com a minha e sinto o contorno do pacote dele debaixo da calça jeans comprimindo com o meu. Ele tira o meu cabelo da frente e joga para trás dando um ar sensual sobre a minha pessoa.
– Se sente melhor? — Ele me pergunta preocupado.
Não respondo, apenas dou o privilégio de voltar a vida, respirando com mais calma. O banheiro fica imerso no vapor quente da água e todos os espelhos estão embaçados e eu aqui sendo assediado por um garoto, como um perfeito sonho masturbatório gay. Fecho os meus olhos e sinto o prazer morno instalar na minha pele.
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Capítulo um
Obrigado, garoto.
Dois dias depois.
“Será que ele vem mesmo?”
Levi mantinha sua uma manta de seriedade que nunca lhe caía no seu rosto, era tão marcante a sua característica que ficava difícil alguém não levar a sério aquele pequeno homem de 1,60 vestido de terno, sentado em um restaurante modesto. Ficou de braços cruzados olhando para um ponto fixo, comportamento que mantinha das reuniões de trabalho. Ele é sério, ele é bom do que eu faz, mas será que aquele garoto…Parecia ser tão novo… A sua fachada de austeridade, dava a lugar a sua insegurança quando pensava disso.
Evidente que ele não viria. Foi bom assim. Ele é viúvo, tem uma reputação a zelar, tem coisas muitas mais importantes para se preocupar. Quem era ele? Um mero moleque que ajudou naquele dia, só isso. Decidiu que pagaria uma gorjeta qualquer para o garçom e sairia dali para resolver problemas de gente grande. Pegou a sua carteira, sacou a primeira nota, repousou o dinheiro em cima da mesa perto do cardápio.
Não foi embora.
Afinal, ele só estava ali porque…Porque…O café daquele restaurante é muito bom. Em vez de pedir o café, permaneceu com braços cruzados olhando para um ponto fixo. Bom, já que aquele garoto não veio, pediria o seu café quente. Ele não estava preocupado se ele viria ou não, as suas mãos estavam impressionadas na pele do braço e mordia o lábio inferior de agonia, porque…Porque…Vasculha na sua mente uma desculpa…Tinha uma reunião importante. Importantíssima. Uma reunião que começaria meia hora, até chegar na sede da empresa levaria vinte minutos andando, agora é para valer, ele sairia dali.
Quarenta minutos se passaram e Levi havia esquecido nessa reunião.
Não que eu queira levar sério aquele garoto, é que ele me ajudou naquele dia, fez questão de marcar algo. Esse era a desculpa por esperar com tanto afinco. Depois de cinquenta minutos, Eren chega com a respiração um pouco pesada e afobado, exatamente no momento que Levi se levantara para ir embora.
– Desculpa. Demorei não foi? — Eren sentou na cadeira sem calma nenhuma.
– Não importa. — Levi imediatamente sentou, aproximou mais a sua cadeira na borda da mesa. Antes o seu semblante de preocupação, agora dava lugar para a sua seriedade com toque ranzinza. Ele veio. Dava um alívio ao saber disso.
– Eu achava que você não estaria aqui.
– Hunf. Cheguei agora. — Pegou pela primeira vez o cardápio e começou olhar os pratos.- Porque resolveu marcar um encontro comigo?
– Queria saber se estava todo bem. Fiquei preocupado daquele dia. — Disse Eren compreensivo. Juntava as suas duas mãos em cima na mesa olhando para o homem que socorreu. — Foi ao médico?
O seu ego enalteceu quando ouviu essas preocupações todas com ele, porém não demonstrava aquilo, fingia desinteresse, mas por dentro...
– Sim. Fui.- Mentiu. -Vai comer algo?
– Anou...- Eren nem seu deu o trabalho de pegar o cardápio. Olhou ao redor do restaurante, uma pequena cachoeira escorria nos vidros das janelas com largura ampla, dando um toque de elegância e modernidade do lugar. Sabia que isso custava um preço elevado. — Acho melhor, não. É muito caro para mim. — Baixou um pouco a cabeça.
Hunf! Quer que eu pague para ele. Sabia que ele era desse tipo. – Eu vou comer. — Concluiu, após fechar o simples cardápio. Olhou para ele de relance. Não sou otário, garoto. Não se ache que só por ser novinho sou bancar as suas contas. Pegou a carteira e viu quanto de dinheiro tinha.
– Veio até a mim só por preocupação?- Perguntou Levi.
– Sim. — Respondeu Eren com sinceridade.
Ficaram um tempo em silêncio. Enquanto o homem baixinho comia a sua frente, Eren, sem prato nenhum de comida, o olhava discretamente. O assustava. Só queria saber se o pequeno homem estava melhor e deixar aquele restaurante tão caro, entretanto achou falta de educação sair dali e deixar-lo sozinho.
Ele não é normal. Concluiu Eren.
– Por que você me olha tanto? — Perguntou Levi sempre com o desinteresse na sua voz. Não adianta me olhar como cachorrinho pidão, não vou pagar nada para você.
– Nada. Desculpa. — Eren virou a sua cabeça para outro lado. Não parecia ser tão sério naquele dia. Que cara tenso.
Levi deu um sorriso imperceptível. Foi involuntário. O garoto está a fim de mim. Sem dúvidas Tsc! Tsc! Vai sofrer tanto. Levi deu um gole do vinho gelado e olhou com aqueles penetrantes olhos estreitos para sua sobremesa; digo; para o garoto a sua frente.
Era primeira vez, que Eren via uma pessoa beber em uma taça de vinho, pegando pela borda da taça nas pontas dos dedos. Depois daquela cena, Eren concluiu a personalidade do Levi: Esquisito. O importante é que salvara uma vida, por mais que parecesse homem anormal e que não tivesse reações humanas.
Terminada a refeição, os dois saíra do restaurante ainda permanecendo o silêncio parados na calçada, foi o mais novo que quebrou o sigilo entre eles.
– Bom...- Levou a mão até a sua nuca meio cabulado. — Eu vou para o colégio...A gente se vê por aí.
– Ok. — Levi deu um pequeno aceno com a cabeça, pegou a chave do seu bolso e foi até o seu carro.
Eren deu dois passos, até que ouviu lhe chamar. — Garoto! — Parou no mesmo instante e virou a cabeça para trás.
– Quer uma carona para a sua faculdade?- Perguntou com expressão inócua. Não queria transparecer algo que não queria.
Faculdade? - Pode... Não vai ser contramão para o senhor?
Senhor? Quantos anos ele deve ter? No máximo uns vinte e três anos, não sou tão velho em relação a ele…– Eu vou para o meu apartamento, esqueci de alguns documentos importantes lá.
–Entra. — Deixou a porta do carro aberta e sentou no lugar do motorista, Eren sentou ao seu lado, sempre com aquela atmosfera tensa de sem assunto no ar.
– É aonde? — Perguntou Levi.
– Doze quadras daqui. — Respondeu Eren quando prendia o seu cinto de segurança. — Entretanto, eu acho melhor o senhor ir ao seu apartamento e pegar os seus documentos primeiro. Lá é caminho para a minha escola.
Como ele sabe onde eu moro? Pensou Levi enquanto dirigia, então se lembrou daquele dia. Evidente que ele saberia, os dois ficaram na banheira abraçados embaixo da água morna, por mais de meia hora. Lógico, que saberia o seu endereço.
– É o meu casaco está lá. Aproveito e pego.- Completou Eren.
O silêncio do motorista foi o consentimento dele. Durante a viagem, os dois como de praxe ficavam sem dizer nenhuma palavra. Algumas vezes Eren até tentava puxar assunto com o homem mais velho ao lado, mas terminava em resposta de dois e três palavras. Não era muito de conversa, concluiu o garoto. Levi ora olhava para a rua, ora olhava para o Eren, este nervoso, mas querendo transparecer calmo.
Os dois chegaram no apartamento, Levi deu o casaco limpo e dobrado para Eren, este agradeceu, aliás nem ele próprio sabia que o seu casaco tinha essa cor tão clara.
– Eu vou indo...- Disse Eren assim vestido o casaco.
– ha...- Levi olhou para lado meio frustrado com aquela fala, nem ele sabia porque estava tendo aquela reação. — Entendo. Seja que for, obrigado garoto por naquele dia.
– De nada. — Eren deu um sorriso. Estava feliz por ter ajudado. Então lhe deu um abraço forte que surpreendeu o pequeno homem, semelhante ao que deu para salvar a vida do baixinho.
Levi deu tapinhas nas costas do Eren, como tivesse falando: “Chega, chega”
Assim que Eren se distanciou do Levi disse: — Pode ligar se quiser. — Foi involuntário aquela fala, depois se arrependeu, mas era tarde demais.
– Vou ligar, Senhor. — Confirmou Eren como se fosse um soldado ou um funcionário do seu trabalho. Assim que Eren fechou a porta saindo da sua sala, Levi senta do seu sofá balançando o seu pé. Permanece sério, mas depois deu um sorriso torto, se lembrando da cena do banheiro.
– Hunf! — Fica irritado com a sua própria atitude. — Não sou nenhum Sugar Daddy.¹
Apoiou a sua cabeça no sofá descansando mais o seu corpo. — Ou sou? Hunf! Então acho melhor o meu filho se comportar, senão ele vai descobrir que de “sugar” não tenho nada.
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