15 e 36
2 Paquera
Encostou a cabeça na base do sofá e olhou novamente para o relógio pendurado na parede que fazia um tic tac infernal. Ainda estava vestido com a roupa que havia chegado da rua, segurava o celular, rodando entre os dedos, tentando amenizar a ansiedade que sentia em esperar por algo desconhecido.
Não percebeu que tinha ficado tanto tempo vestido de terno e gravata dentro do seu apartamento, uma ruptura do seu cotidiano. Todos os dias, assim que chegava, ia direto para o banheiro, tomava o seu banho, escova os dentes e colocava o seu terno na máquina de lavar. Mas hoje por algum motivo desconhecido, apenas sentou no sofá e ficou esperando algo que ele nem mesmo sabia.
Levi em vez de olhar para o relógio da sua parede, olhou para o celular para ver as horas.
10:00 PM
Ele não vai mandar mensagem. Não que isso o importasse, Levi ficou a reunião inteira pensando no garoto...Porque...Porque...Ficou com medo do pirralho se perder no meio da rua desconhecida, é isso. Além do mais ele não era nenhuma criança! Concluiu Levi. Pegou o seu celular e colocou na mesinha ao lado, quando estava desamarrando a sua gravata, ouviu o seu aparelho vibrar. Nada de toques escandalosos, evitava vexames durantes reuniões de trabalho. Pegou de volta e havia recebido uma mensagem:
De: Eren
Para: Cubinho de gelo.
04/08/14 10:05
Cubinho de gelo?! Uma expressão de pura desaprovação assombrou no rosto do Levi. Mas o que esse moleque pensa o que é? Sou quase o dobro da idade dele e me trata assim? Tsc!
Desculpa por demorar tanto em te mandar mensagem.
Não precisa se desculpar, garoto. Não tinha obrigação nenhuma em me mandar mensagens. PensouLevi ao sentou no sofá, cruzou as pernas e fez uma expressão de desdém para o celular, afinal nem esperava por essa mensagem, uma pequena alegria em ver o número do eren na tela e o seu sorriso torto era por pura e mera coincidência.
E que tive prova de física mais cedo e não tive tempo.
Física? Deve está estudando para engenheira. Hun. Até que ele não era tão lesado quando pensei que fosse, mas também o que esperar de um garoto com seus vinte e poucos anos.
Gomenasai!
Hunf! Moleque. Levi, com única mão começou digitar a mensagem em seu celular.

O que? Cinema? Mas o que esse garoto pensa quem sou? O pai dele? Algo do tipo? Tsh! Está de sacanagem. O dia inteiro trabalhando e vem um pivete que me pede para levar no cinema! No mínimo que eu banque a conta, Ha! Quem pensa que é! Nem vou responder essa merda.
Uma hora depois.
– Boa noite, senhor! Sinceramente, achei que furaria comigo por causa do horário. — Disse alegremente assim que viu o pequeno homem empacotado cheio de roupas por causa do frio. Só via os seus olhinhos estreitos entre o gorro e o cachecol escondendo a sua boca. As suas mãos estavam escondidas dentro no bolso do sobretudo verde se protegendo do frio.
Eren assim que viu o baixinho chegando, deu um forte abraço. Parecia que estava agarrando um bicho de pelúcia tamanho gg, de tão fofo e macio que Levi estava. O corpo do Eren afundou daquele amontoado de roupas macias do homenzinho.
Enquanto Levi estava sendo agarrado pensou: Mereço.
– Vamos ver que filme? Eu queria ver de ação. — Disse Eren, assim que largou levi.
– Tsh! Qualquer um. Menos comédia e romance. — Respondeu Levi, mal-humorado ainda se protegendo do frio.
– Porque você é tão sério? Que tal esse que estreou hoje? — Apontou para cartaz de um homem segurando duas armas.
– Não. Muito caro, não tenho dinheiro.
– Então...Que eu pague o seu ingresso e o senhor compra a pipoca?
– Também não tenho dinheiro para isso, aliás a pipoca é mais caro que ingresso. Quem convida paga. — Definiu Levi. Não vou bancar nenhum novinho, pode esquecer, garoto.
– M-mas senhor...- Suspirou. E lá se vai todo o dinheiro da mesada. — Todo bem.
Entraram na seção ainda passando os trillers de filmes do telão, sentaram nas cadeiras do fundo. Levi na frente com as mãos dentro do bolso e Eren atrás carregando um saco enorme de pipoca e dois refrigerantes.
– A pipoca fica no meu colo. Estou com fome. — Levi pegou o saco e colocou entre as suas pernas, começou a comer, desviando das pipocas besuntadas de manteiga em cima, para não sujar suas mãos.
– Tá bom! Tá bom! — Eren decidiu que era melhor concordar, aliás tinha que respeitar os mais velhos, em relação de idades entre eles, Eren o via como um idoso.
O filme inteiro foi tão clichês quantos os outros. Já sabia que o mocinho salvaria o mundo com único tiro do seu revólver. O que foi engraçado era ver a reação diferente de cada um assistindo o filme. Enquanto Eren expressava alegria, animação e felicidade, Levi ficava inexpressivo toda a história. Tanto faz se iria desarmar a bomba, ou não, só queria ir para a casa.
Levi havia acabado com toda pipoca, sobrando aquelas bem amarelinhas de manteiga, entretanto nem tocou no refrigerante, devido ao excesso de gelo que tinha nos copos de plásticos. Acabaram a seção e tiveram que devolver o óculos 3D no final.
Enquanto Eren fazia questão de falar todos os detalhes da história, dos efeitos especiais do filme, Levi só ouvia apático todo aquilo, não salvou o mundo, moleque? Então cala a boca! Nem isso teve a coragem de falar de tão desinteressado estava aquele passeio.
– Vou embora. — Disse Levi assim que saíram do shopping.
– Ei! Não posso deixar você voltar sozinho para casa, tenho medo de passar mal algo assim.
– Tsh! Olha a minha idade? Já posso me virar sozinho. — Colocou as mãos no bolso e virou de costas indo embora com passos lentos.
– Oe? Me espera. — Eren correu atrás dele, começaram caminhar juntos, um do lado do outro. Levi com mãos dentro do casaco, com a boca coberta pelo cachecol e Eren andando normalmente, algumas vezes esfregando a mão uma na outra para espantar o frio.
– Ainda bem que a seu apartamento é perto daqui, ainda tenho que pegar metrô. — Suspirou vendo o bafo quente da sua respiração saindo na sua boca.
– Quem inventou cinema essa hora da noite, foi você. — Reclamou o baixinho, buscando logo as chaves do bolso do casaco. — Agora aguenta.
– Rude. O senhor é muito sério. — Resmungou Eren, chutando uma pedrinha que viu em seu caminho.
Chegaram de frente ao apartamento do baixinho. Levi pegou a chave guardada no bolso de frente do casaco e foi embora.
– Tchau, criança. — Se despediu com leve aceno na mão direita, assim que colocou a chave no portão, uma frente fria soprou em direção a eles.
– Senhor! — Imediatamente, Eren abriu o seu casaco, agarrou Levi e lhe deu um abraço. Os dois ficaram parados, um de frente com outro. Eren cobrindo com o casaco o pequeno homem que batia em seu peito e Levi estático do que havia acontecido.
– Tsh! Vai ficar me agarrando? — Protestou Levi todo encolhido por causa do frio.
– Mas qualquer friagem que você recebe, começa passar mal, não vou deixar aquilo acontecer de novo. — Abraçou fortemente o seu homenzinho.
– Já não disse que sou bem grandinho, garoto? Porque essa preocupação toda comigo? — Perguntou Levi irritado em ser tão imprensado daquele jeito, mas não fazendo nada para sair dali.
Eren corou um pouco o rosto, e do lance rápido de coragem comprimiu os seus lábios contra os lábios dele. Enquanto Eren, fechava o máximo possível os olhos de medo o que aconteceria a seguir, Levi arregalou os olhos com a ousadia do garoto. Os dois ficaram parados por um tempo, o mais novo ficava com a boca parada e fechada, beijando o mais velho.
Mas eu não estou acreditando que esse pirralho está me beijando. Perdeu a noção do perigo, só pode! Está achando que pode me beijar só porque pagou todo para mim. Pensava Levi. Não, mas vamos ver até que ponto vai essa audácia, só por curiosidade vou abrir a boca... Ah, eu sabia! Oh ele penetrando com a língua, sabe beijar que nem gente grande. Está gostando né, pirralho? Vou retribuir também para saber quem que manda.
Os dois se beijaram de língua em frente ao apartamento. A intensidade dos beijos foi recíproco. Algumas vezes, eles se desligavam do beijo, davam selinhos, depois voltava todo o processo.
– Hum...Senhor... Está frio, vem mais para cá...- Falou carinhosamente Eren, abraçando mais o seu baixinho e indo mais fundo em seu beijo. Percorreu a sua mão nas costas do Levi, o pegando mais para si.
Olha a ideia do moleque, olha essa mão...Quer pegar na minha bunda. Tsh! É tão óbvio, isso. Hunf! O que eu fiz para merecer isso? Esses abusos comigo em frente ao meu apartamento? Ele vai apanhar feio depois de todo isso, vou pisotear sua cara e jogar no lixo. Vou fazer ele lamber a sola do sapato! Tsh! Olha ele pegando na minha bunda, enchendo a sua mão, é um pervertido mesmo! Ah vai apanhar tanto pirralho! Esse dedo no meio pressionando no meio, sarrando desse jeito, o jeito como me beija, me abraça, todo isso vai pagar caro. Vou dar um chute forte em suas bolas e vou te chutar tanto até entrar em coma. Agora!
Levi não fez nada, ficaram se beijando durante mais quinze minutos. Continuaram abraçados, enquanto Eren continuou preenchendo as suas mãos, apertando, separando, pressionando o dedo no meio entre as nádegas, algumas vezes Levi soltavam uns gemidos de provação daqueles toques.
– Senhor... — Eren desligou do beijo, cansado daquela maratona de línguas. Levi tinha suas bochechas um pouco coradas, mas permanecia com respiração normal, diferente do Eren que respirava pela boca e cansava mais rápido. — Eu sei que é meio estranho, mas eu acho que estou gostando... De você. — Eren desviou do olhar para o baixinho, porque sabia da certeza do fora que levaria.
Ah, eu sabia! Hun, mas que otário. Sabia que ele estava caidinho por mim. Pensava Levi alegremente, por mais que não quisesse demonstrar aquilo para si mesmo. Eu sabia. Seu aproveitador, quer pegar o meu dinheiro, isso sim. Se enxerga criança, você acha mesmo que vou me relacionar contigo, com alguém que mal saiu das fraldas? O que eu vou responder para essa coisa?
– Eu também... — Levi ficou sem graça desviando o olhar para outro lado.
– Hun? Você gosta de mim também?- Eren havia ficado surpreso com aquilo. Achava que levaria um fora, ou chamaria de maluco por começar gostar de homem que tinha visto somente duas vezes.
– Não, pirralho! Eu também tenho que ir embora, não foi essa pergunta?
– Bem...Não...
– Tá! Tanto faz, sai da minha frente. — Levi pegou as chaves no bolso e foi direto para a porta de entrada.
– Então...- Eren coçou a cabeça atrás meio confuso que havia ocorrido. — Como amanhã é sábado e...O senhor gostaria de sair... Ou comer fora amanhã? — Reuniu toda coragem para chamar o homenzinho para sair.
– Não tenho dinheiro e nem tempo. — Levi enfiou a chave na fechadura, mas não torceu, ficou parado ouvindo Eren.
– Entendo. — Eren assentiu. Lógico que um homem que mora nesse apartamento não iria perder tempo com um estudante do primeiro ano do ensino médio. Pelo menos havia arrancado um beijo da sua paquera, era o máximo que podia. Eren virou de costas e foi embora.
– Garoto. — Chamou Levi assim que viu que Eren indo embora. Ainda ficou parado de frente ao portão e meio apático, fingindo todo o desinteresse possível, falou:–Poderia vir jantar comigo amanhã. Se quiser.
– Hãn...E...Ah! — Eren abriu um sorriso maravilhado do que acabara de ouvir, seus olhos brilharam de entusiasmo. Jantar? Não acreditava. Como estava feliz. Mesmo depois daquele beijo, ele ainda chama para um jantar? Não era almoço que era cedo, mas um jantar de noite...Quer dizer, depois da comida, haveria sobremesa... Eren quase esfregou as mãos de tamanha ansiedade e felicidade.
– Que horas então? — Perguntou eufórico, quase dando pulinhos.
– Ou me levar para um lugar e pagar todo. — Levi ao ver a animação do garoto, mudou de ideia . Mas que criança abusada, querer comer comigo, dentro do seu apartamento.
– Prefiro essa opção. — Levi finalmente havia entrado na portaria do seu prédio. — Tchau, criança. — Deu um aceno de mão de costas indo embora para o seu apartamento, enquanto Eren o via indo, desiludido com a sua chance de jantar com o mais velho.
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