15 e 36
7 Eu sou um pedófilo
Notas iniciais
09:20 AM
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Com últimos retorques do seu penteado esquisito, Erwin, espalhava gel fixador nas mãos e passava do topete, tirando qualquer resquício de desorganização dos fios na frente.
Enquanto usava a web can do seu computador como espelho, olhou para seu relógio de pulso... Ele estava atrasado.
Engraçado, deve ser a primeira vez que se atrasa. Pensou Erwin, exatamente na hora em que Levi entra no seu escritório particular.
– Rivaille... — Rapidamente o grandalhão loiro guardou os seus pertences na mais baixa gaveta de sua mesa. Um pente de pontas finas e pote de 500 ml de gel. — Fez o relatório do orçamento mensal? O presidente vai vir hoje e...
Com uma força descomunal, a aba do seu terno foi brutalmente puxado. Levi quase cola a sua testa do Erwin. O impulso é tão grande que quase senta no colo do loiro. Erwin fica apavorado com tamanho assombro em que é refletido nos olhos do Rivaille.
– Eu sou ser preso. — Por fim falou o baixinho, que rapidamente empurra o seu superior para longe e começa a olhar nas aberturas na cortina do jalousie.
– Eles estão aqui, Erwin. Eu posso sentir. A polícia está aqui. — Levi andava para lá e para cá. Olhava para as janelas que dava acesso a visão das outras divisórias e começou com uma paranoia de achar que todos ali estavam espiando a sua vida. Foi para a sua mesa e começou arrumar as suas tralhas.
– O que houve? O que aconteceu?
–... — Levi, apesar de manter a sua personalidade de sempre manter o controle emocional, via-se em seus olhos estreitos uma pertubação muito fora de comum. Por fim, quando acalmou essa agitação, sentou-se na sua cadeira, cruzou as pernas e os braços e, por fim, falou:
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Capítulo 7
– Eu sou um pedófilo
07:50 AM
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Levi sentia o seu corpo deliciosamente cansado e imprensado pelo seu garoto deitado em cima. Quase estava dormindo devido ao cafuné que estava recebendo. Não se sentia bem há anos, mesmo estando sujo dentro e do lado de fora.
“ Senhor...” Sussurrou Eren, que não deixava de tratar com carinho a sua almofada humana em que estava deitado. “ Eu preciso ir e você também.”
“Hum...” O baixinho permaneceu com os olhos fechados e fez um som manhoso de que não queria sair do paraíso. Era outra face do Levi, não aquele mal-humorado, mas um Levi mais vulneráveis com suas emoções. Sexo matinal era tão bom...
“ Preciso ir embora, senão me atraso para o colégio.” Eren afagava o couro cabeludo com as pontas dos dedos estimulando as sensações nervosas do mais velho.
“ Colégio?” Perguntou sonolento. “ Com vinte e poucos anos está no ensino médio?”
“ Não, senhor.” Eren riu, ajustou a sua cabeça em cima da cabeça do baixinho. “ Eu não tenho vinte anos, eu tenho quinze.”
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– Deixou um moleque de 15 anos te comer? — Perguntou Erwin, enquanto Levi desviou o olhar não querendo encarar a sua vergonha.
– Sim... — Confirmou constrangido.
– Por acaso esse menino é o que te acolheu naquele dia?
– Sim... — Confirmou mais constrangido ainda.
– Ah! Transou com ele, conhecendo esse garoto em duas semanas? É isso?
Levi não preferiu responder, apenas por nervosismo, coçou o pescoço e acenou com a cabeça que sim.
– Que raios que esse pirralho tem?! — Esbravejou o loiro. — A nossa primeira relação que tivemos foi quando começamos namorar em três meses! Então vem essa criança, que achou na rua e leva para um motel!
– Na verdade, foi na minha casa.
– Ah! — Erwin puto da vida, senta novamente em sua mesa querendo distrair a sua cabeça com algo.
– Entenda que naquela época, eu estava em uma situação difícil. — Se defendeu.
– Entendo... — Erwin se acalmou ao relembrar do fato que o seu ex-namorado havia um abalo emocional forte naquela época pelo fato ter perdido a sua esposa.
O som da batida da porta desperta atenção dos dois homens dentro da sala, em seguida, a porta é aberta, aparecendo a metade do corpo da Hanji vestido de terninho.
– Bom dia, senhor zangado e senhor topete! — Disse animada. — Só invadi o território masculino de vocês para avisar ao Levi que tem alguém lhe esperando na recepção.
– É o meu cliente. Pode avisar que já estou indo.
– Hum...Olha como estamos o nosso Mrs.Sério? Tendo um colegial bonitinho como cliente. — Zombou Hanji, quase gargalhando na feição do Rivaille quando ouviu isso.
– Qual o nome dele? — Perguntou já sabendo a resposta, infelizmente.
– Eren Jeager. Na verdade, eu só coloquei na recepção porque ele fez um escândalo na portaria do prédio. Dizendo: “ Preciso falar com ele”; “ Rivaille trabalha aqui?” ou “ Não saio daqui enquanto não falar com o tampinha da empresa!” ( essa parte foi inventada pela Hanji)
Nada bom. Nada bom. Como ele soube do local do meu trabalho? — Hanji, expulsa esse moleque. Não quero fofocas com o meu nome, mais que já tenho.
– Por que não fala com ele? O menino está todo desconcertado, sentado no sofá, chorando desesperado e chamando o seu nome.
– Ele não pode ir. — Erwin respondeu pelo seu subordinado. — Temos uma reunião importante agora. Se esse pirralho quer falar algo com o nosso administrador, ele que fique esperando do lado de fora do prédio.
–Tadinho dele. É isso mesmo, Levi? — Perguntou Hanji.
Rivaille apenas concordou com a cabeça.
…
Durante toda a sua rotina, Levi sabia que qualquer momento, Eren invadiria a sua reunião aos prantos. Choraria, berraria e gritaria aos sete ventos que o amava, que não entenderia aquele estranho comportamento que teve de manhã, e mais aquelas cenas de qualquer filme romântico ou romance de BL que se tem por aí.
Foi nessa apreensão que durou até acabar o seu expediente. Antes de sair do seu andar, olhou todos os cantos desconfiado se surgiria dali uma surpresa. Pegou o elevador e atravessou a portaria e nada dele.
Eram onze horas da noite e sentia os respingos de chuva caírem em seu rosto. Ficou preocupado com aquela mudança de tempo. Fechou mais o seu terno e olhou em volta no imenso terraço de concreto, calculando o caminho que faria debaixo das marquises para não se molhar, e dali viu, o seu garoto sentado no meio-fio no jardim da empresa.
Ele me esperou esse tempo todo? O seu ego elevou-se, vendo aquele garoto sentado na sarjeta por causa dele. Levi fechava mais as abas do seu terno protegendo do frio. Ficou parado, esperando o seu garoto vir até ele.
É um sem noção mesmo. Então viu aquele mesmo rapaz, encontrando com uma garota. Tirou o seu casaco e cobriu o corpo frágil da sua namorada. Saíram de lá felizes, um acolhendo o outro.
Ainda bem que não era ele. Mentiu para si mesmo dizendo que estava aliviado com aquela situação. Imaginou como seria constrangedor encontrar aquele moleque. O encontraria igual um cachorrinho sem dono, falando que o amava.
Afinal ele era só um garoto. Não esperaria tanto tempo. Afinal só fui um passatempo mesmo… Levi ficou imaginando Eren em uma rodinha de amigos, conversando sobre os seus casos. Falaria que tentou arrancar o dinheiro de um trabalhador que havia salvado a sua vida, mas como havia falhado, parou de correr atrás. A conversa seria assim:
Amigo do Eren: Ele era bom de cama?
Eren segurando uma cerveja no bar e fumando um cigarro: Tsc! O anão de jardim era ruim de “acender”, além de ser um esquisito e louco por limpeza. Mais uma figurinha freak para completar o meu álbum.
Amigo do Eren: Pelo menos arrancou dinheiro dele?
Eren deu um sorriso sarcástico: Lógico! Quando aquele anão correu de mim, quando soube a minha idade, eu fiz um limpa no seu apartamento.
Maldito! No mínimo roubou minha carteira quando não estava vendo. Ficou com tanta raiva ao imaginar aquela cena que nem percebeu que estava começando a chover. Se importasse mesmo, ele ainda estaria aqui. Melancólico, se protegeu do frio novamente, juntando as abas do terno.
Assim que deu a meia volta, encontrou Eren parado em sua frente, a uma distância de um passo. Segurando um guarda-chuva aberto e um casaco dobrado em volta do seu outro braço.
Os dois levaram um pequeno susto simultâneo ao ter aquele encontro repentino.
– Eu fiquei preocupado com o senhor. Quando começou a chover, fui correndo para casa pegar esse casaco com medo que sentisse frio.
Com as bochechas um pouco coradas e um olhar mais afável, disse igual uma personagem de um mangá shoujo:
– Você veio... — Então em um estalo de realidade atinge a sua cabeça.
– Puta que pariu, pirralho! Você veio! — Começa andar apressadamente querendo se livrar daquele tormento. Qualquer momento apareceria FBI, CIA, KGB, o prendendo por pedofilia.
– Oe! — Eren começou andar atrás do seu cubo de gelo, ainda não entendo o que fizera para o tratar assim.
– O que eu fiz? De manhã estávamos dormindo de conchinha!
Isso, seu idiota. Fala bem alto. Levi apressava os passos querendo desviar do adolescente atrás e nas pessoas que ficavam de frente do seu caminho. Até que chegou um ponto que não havia mais saída. Então Rivaille parou e decidiu dar um fim naquilo todo de uma vez.
– Qual o problema? — Perguntou Eren, com respiração acelerada.
– Não entendi nada que aconteceu hoje. De repente, me olhou tão assustado... E correu de mim como fosse um monstro...
– Eu tenho mais que o dobro da sua idade. — Levi acabou confessando. — Eu tenho 36 anos.
– 36?! — Se espantou. Caramba, será que ele toma banho de formol? Daria no máximo 27 ou 28 anos.
– Okay... Mas o que isso importa? — Eren perguntou inocentemente. — Nós estávamos no clima tão bom e...
– E seria preso por me envolver com uma criança.
– Oe! Eu tenho 15 anos e não 11 anos! — Ficou irritado. — Eu sabia exatamente que estava fazendo, não fui obrigado a nada!
Levi ficou em silêncio, abraçou o seu corpo. A chuva começava aumentar aos poucos.
– Por mais que seja novo, eu tenho noção das coisas. — Estava determinado em suas palavras. – E eu estou realmente gostando do senhor.
– Olha, criança. Não é por nada, porém estou numa fase na minha vida que é ruim para minha reputação me envolver com um adolescente que não sabe direito das coisas e ainda é imaturo para entender certas situações. Especialmente quando não é financeiramente estável e fica dependendo do papai e da mamãe.
Eren abriu mais os olhos, chocado o que acabara de ouvir, depois abaixou um pouco a cabeça. Apagou todo brilho e fogo que tinha em seu olhar, dando evasão a baixa autoestima.
– Todo bem. — Concordou o garoto, querendo disfarçar a sua tristeza.
Assim que houve um grande estrondo no céu, a chuva realmente havia começado.
Eren abriu o guarda-chuva longo e preto, enquanto Levi sentia grossas gotas de água caírem em seu rosto e no seu terno.
Aos poucos, Eren chega perto do homem mais baixo, querendo o proteger da chuva.
– Eu me viro, garoto. — Falou tão frio quanto o vento que soprava na rua. — Não preciso que ninguém cuide de mim.
– Não estou fazendo isso por pena. Não quero ser responsável pela morte de ninguém. — Mesmo Levi não querendo, Eren acolheu na maior parte da aba do guarda-chuva homenzinho a frente. Em seguida, o envolveu com casaco sendo segurado pelos ombros e o aquecendo.
– Deixa pelo menos te levar em segurança até o seu apartamento. — Pediu Eren.
Levi com receio da temperatura do seu corpo abaixar, acabou aceitando.
Durante caminho, após alguns minutos em silêncio, Rivaille perguntou fingindo desinteresse:
– Como sabia onde trabalhava? — Desviou da poça de água que quase sujaria o seu sapato.
– Tinha um cartão de visitas em cima da sua mesa e com letras miúdas estava escrito o endereço.
– Hun. — Permanecia olhando para frente e cheio de indiferença. — A minha superior¹ disse que você estava fazendo um escândalo na portaria e começou a chorar.
– E..Han… — Ficou sem graça ao lembrar do que fizera. — Ah! Eu sou jovem, como o senhor mesmo disse. É apenas uma fase.
– Ficou me esperando desde daquela hora quando os seguranças te expulsaram? — Levi, antes com cabeça sempre erguida olhando desinteressado pela chuva, olha nos olhos do garoto ao lado. Como se sua visão fosse detectores de mentiras.
– Oh. — Forçou uma risada. — Claro que não. Quem é que fica mais de dez horas esperando uma pessoa na rua? — Blefou ainda querendo manter o sorriso.
– Sei... — Eu sei que está mentindo. Levi novamente virou o rosto para frente,
Eu fiquei daquela hora até oito horas da noite te esperando, mas quando soube pelo celular a previsão do tempo, fui correndo na minha casa para pegar um casaco. Eren achou melhor guardar esse segredo, não queria “sujar” mais a sua imagem.
Quando chegaram no apartamento, Levi tirou o espesso casaco em seus ombros e jogou para o pirralho. Assim que subiu o degrauzinho que antecedia o portão para ficar altura do aparelho eletrônico do seu apartamento, se despediu do garoto.
– Bye. — Disse Levi com indiferença, ficou de costas enquanto esperava o porteiro surgir no outro portão de vidro na parte interna do apartamento.
Eren, ainda com guarda-chuva aberto apoiando o cabo metálico entre o seu rosto e o ombro, dobrou o seu casaco como um pacote e colocou debaixo do braço.
– Tchau... — Lembrou daquela vez em que o seu cubinho de gelo ficou parado de frente ao seu portão. Ele não estava procurando as chaves do seu bolso na calça, apenas estava esperando por algo. Então ele se virou, o convidou para um jantar e beijaram um ao outro.
Eren com resquícios de esperança, ficou parado, esperando alguma atitude do homem mais velho. De repente, falaria que não se importaria com idade, e nem questão financeiro. O convidaria de novo para passar a noite do seu apartamento.
O porteiro chega. Abre o portão de ferro. Levi bate os pés no pequeno tapete da entrada tirando a sujeira das solas do seu sapato e depois entra em seu apartamento, desaparecendo no portão de vidro fume.
Eu sou um idiota. Eren continuava segurando o guarda-chuva, com som forte das gotas caindo do tecido em cima da sua cabeça.
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