Notas iniciais
Então, eu uso umas palavrinhas gregas bem simples, mas para vocês não se perderem aqui vai a tradução :Me syncho̱reíte=com licença. Ne=sim Singnomi=desculpa. Boa leitura, espero agradar!

Neve. Flocos de neve que dançam com o vento um ritmo único que fascina a alguém um, tem sido o único vislumbre de paisagem em que meus olhos repousam a cada vez que olho pelas janelas de minha fortaleza de pedra, a cerca de cinco meses. Já não suporto mais ver cada uma de nossas plantações sucumbir ao charme dessa rainha branca e assim traçar seu leito de descanso. Desconfio que esse seja também o final de cada caça que podíamos encontrar. Fome vem sento uma canção uníssono de cada vila que nos procura em busca de alimentos e água. Como se um mero rei como eu possa fazer algo contra uma vontade divina? Pergunto-me o que nós fizemos que pudesse ter despertado tão fortemente a irá de Apolo, o deus sol, a ponto de fazer com que ele entregue seus domínios a Quione. Por que Apolo não nos presenteia pelo menos mais uma vez com sua chegada?
Balanço então minha cabeça na inútil tentativa de afastar tais pensamentos. Mas como esquecer algo tão abrangente?
Saio da janela gelada e caminho lentamente em direção ao meu quarto. Passo a passo vou chegando até lá. Escuto o uivar dos ventos selvagens batendo contra minha muralha e só assim reparo o quanto eu tremo de frio. Ajeito minha toga e percebo certo brilho nas paredes, chego mais perto por mera curiosidade e encosto as pontas dos meus dedos em uma das pedras... MAS QUE DROGA! Uma fina película de gelo cobre todas as paredes do castelo. Penso em como tudo isso vai afetar a todas as vilas do reino... Minha raiva explode!
Aperto meus passos e chego a meus aposentos. Desmonto-me em minha cama e fecho meus olhos na tentativa de dormir para me acalmar. Ouço um baque surdo em minha porta "TOC, TOC".

–Entre.

–me syncho̱reíte, vossa majestade? -Era mais uma de minhas servas. Era baixa e delicada. Tinha um corpo magro e suave. Olhos verdes como a grama da primavera. Seu rosco, de traços finos, era coberto por sardas. Alguns cachos ruivos caiam de seu coque simples, amarrado em trapos velhos. Usava um vestido de algodão meio sujo e maltrapilho, seus pés estavam descalços e podia-se notar que eram calejados. Estava com marcas de sujeiras, provavelmente estava faxinando. Infelizmente sua beleza estava coberta por toda sujeira.

–Diga.

–Deseja algo?

–Não, pode se retirar.

–me syncho̱reíte, meu rei.

Ha há, meu rei... Ainda tenho que aturar piadas insignificantes como está. Bem, pode não ter sido sua intensão, pelo fato de realmente ser um rei. Mas sinto uma pontada de vontade de chama-la de volta e lhe contar uma história. A história de como somos meros peões nas mãos desses seres tão adorados pelos mortais, tolos, que acham ter que servi-los. Como assim? Simples! Se um deus pretende discutir com outro, como por exemplo, Zeus com Poseidon, logo resolve fazer com que as chuvas cessem, deixando assim que os rios e mares sequem até que Poseidon se "renda". Claro, que não pensam em como isso afetaria a nós, que necessitamos dessa água. Se um deus não se sente satisfeito com sua parceira, desce até nós, engravidando nossas mulheres e sumindo, muitas vezes gerando assim bastardos, que logo são usados para fazer suas vontades. Caso, nossas mulheres se recusem as amaldiçoam ou as matam, encenando uma desfeita por uma benção divina.
Queria que fosse eu a engravidar Hera e dizer a Zeus, "ora, aceite isso como uma benção!". Permito-me abrir um sorriso perante esse pensamento.
Olho mais uma vez para todo o cômodo. É um quarto grande, talvez grande até demais... Com uma cama proporcional ao seu tamanho no centro, dois criados mudos em cada lado. Na parede esquerda uma estante de livros com meus exemplares favoritos e um tapete de pele de urso a frente. Assumo ser um quarto confortável, porém grande demais, tão grande a ponto de esvair toda vida que deveria ter em um quarto para casados. Pergunto-me se minha rainha se agrada com ele... Minha rainha.
Fecho os olhos e resolvo não mais pensar em meus problemas, simplesmente deixar que os pensamentos sobre minha Dama tome conta de minha mente e me faça sorrir novamente. "TOC, TOC" mas uma vez esse barulho insistente me aborrece. Deve ser mais uma daquelas incompetentes... Deveria manda-las aos corvos se mais uma vez atrapalhar... "TOC, TOC".

–ENTRE! -Urro como se descontasse minha irá em minha garganta.

–S-Singnomi, meu senhor. -Oh deuses, é Lísis, minha esposa, e está deslumbrante. Por um segundo perco a fala. Lísis traja um vestido de seda branca simples ao típico estilo grego, uma trança lateral loura e delicada, levemente despenteada cai sobre seu colo, fazendo assim realçar o volume de seus seios, que são grandes mesmo ela sendo magra. Seus olhos azuis estão arregalados e me olham fixamente. Ela morde os lábios os deixando mais vermelhos do que já são. Percebo um leve toque de espanto e desapontamento em seu rosto delicado e bem desenhado. Ela tem tamanho mediano, o que me agrada em uma mulher, por eu ser extremamente alto. Fecho os olhos e inspiro o cheiro de rosas frescas, provavelmente as do jardim interno. Abro os olhos e só assim reparo sua coroa de flores. Ela sim é uma deusa.

–Perdão minha senhora. Achei que fossem as servas... Enfim, entre, preciso me permitir de sorrir mais uma vez. -Seu sorriso tão doce e puro me faz ter certeza que lhe agradei. Isso é bom...

–Ah, meu rei, ouvi dizer que estava estressado hoje. Então decidi me preparar para você... Vou te fazer uma massagem!

–Hum... Mas primeiro você poderia me despir? Para me massagear, claro. -Sorrio cinicamente e vejo seu rosto corar.

–C-Claro, meu rei...

–Sabe que não me agrado ser chamado de rei por você...

–Sim, mas...

–Sem mais.

Ela senta em minha cama e tira com toda sua delicadeza minha camisa. Se apoiando em minhas costas e a massageando, parando a cada instante para beijar minha pele. Desvencilho-me de seus braços e lhe ajeito em meu colo. Lísis coloca sua mão em minha nuca e outra em meu ombro. Sinto mais uma vez seus lábios quentes em encontro aos meus, um suave cheiro de menta dança pelo ar... Pelos deuses! Ela é perfeita. Meus instintos masculinos tomam conta de mim, lhe jogo na cama e deito acima de seu corpo. E então como qualquer homem faria, lhe tomo como minha.

~
Abro os olhos e me deparo com Lísis. Sorrio ao me lembrar de tudo... Esforço-me ao máximo parar tira-la de meus braços sem acorda-la. Visto-me apressadamente com minha toga e saio em direção a floresta. A neve atrapalhava meu raciocínio, mas me lembro de exatamente de cada detalhe.

–FLASH BACK-

–Ei! Tem alguém aí? Eu vi o seu vulto! EEEI!

Já era noite, a lua guiada por Hécate brilhava auto no céu cor de breu. Eu tinha saído com alguns amigos para brincar e acabei me separando do grupo. Assim acabei me perdendo no meio da floresta. Estava perdido havia horas, com frio e fome, tremia de medo e já ouvia o uivar de lobos. Sentia que minha hora estava chegando até que vejo um vulto branco. Estranhamente sou tomado por uma forte calma. Ouço uma voz que se assemelha aos meus pensamentos. "venha até mim que eu lhe salvarei.". Chego até onde os vultos me levam um monte sem nenhuma vegetação alta. Que se alinha com a lua e vejo um cavalo imponente, branco e forte, talvez o mais belo que eu já virei. Seus pelos brilhavam com a luz do luar. Então vou a seu encontro e lhe acaricio. "Monte" ouço mais uma vez a voz e lhe obedeço. Logo o cavalo começa a correr cada vez mais rápido fecho meus olhos e tento guardar cada sentimento em minha memória. Sentia o vento sobre meu rosto e um leve enjoou. Então mais uma vez a voz volta, e me conta uma pequena história: "Eu sou Árion. Nascido na ilha de Lesbos, Metmna. Mas vivo principalmente em Corinto. Sou filho de Poseidon e Deméter. Mas conhecido como Árion o salvador dos Heróis. Vim até Atenas, meu jovem, a tua procura. Não ficarei aqui por muito tempo por ser um espirito livre, porém sempre que você precisar eu saberei e virei ao teu encontro. Agora feche os olhos, meu caro, vamos ao olimpo." Fecho meus olhos e me deixo ser guiado por Árion. "Herói", ele disse... Como assim? Não sou um herói. Isso eu posso garantir!
Chegamos. Eu ainda estava com os olhos fechados, mas sentia que lá era o olimpo. Sinceramente, foi nesse dia que eu descobri que a nossa religião é realmente algo espiritual. Por mais que os deuses e seres interajam com os mortais, não passam de uma espécie de espirito. Como se tudo ali fosse algo que eu sinta e não esteja acontecendo realmente. Presenças mentais não físicas. Como se eu deixasse de acreditar, deixaria de existir. Uma brincadeira com minha mente. Fiquei tão preso aos meus pensamentos que não percebi que havia sido deixado no chão. Sinto uma mão quente em meu rosto e um cheiro de lareira.
–Já pode abrir. -Uma mulher com cabelos cor de fogo, vestida em traje completamente grego, pele bronzeada e olhos assustadoramente vermelhos. Dava a leve impressão de ser calma, mas meus pais sempre me diziam que os deuses são imprevisíveis e temíveis. -Você está no Olimpo, meu querido.
Olho ao meu redor, e me espanto com tudo a minha volta. É incrível. Nunca vi algo tão grandioso, realmente digno de deuses. Era uma espécie de "espaço" que ficava acima dos montes, rodeado por jardins e lagos tão impecável que eu tinha certeza que não eram humanos. Logo na entrada havia 3 lindas Horas. Pelas histórias que eu sempre ouvirei de minha mãe sabia que elas serviam para afastas as nuvem, mas não tanto, para poder assim dificultar a visão humana e fazer que no olimpo o sol brilhasse sempre. Eram repletos de palácios, todos feitos com joias perfeitas. Logo percebi que cada palácio era feito para um deus em especial e no centro de todos brilhava um palácio imponente e o mais belo, o palácio de Zeus, com gravuras de todos os deuses atuando em seus respectivos cargos. Ouvia Musas e Graças cantando musicas tão delicadas que quase me fizeram perder a razão. Ainda não acreditava em que meus olhos viam até que volto a sentir a mão quente, porém em meu ombro. Sua voz mais uma vez ecoou em meus ouvidos.

–Vamos, a mente humana não foi criada para apreciar nossas belezas por tanto tempo.
–Claro. Mas você quem é?
–Héstia. Estude mais sobre nós... Esse é o meu conselho pra você. E nos trate com referência, os deuses costumam ser brutais em relação a isso.
–Ne, senhora.
–Hmm, bem melhor. Mas comigo isso não é preciso... Já disse, sou Héstia. Vamos.

Ela me puxa pelo braço me forçando apressar o passo. Tem aparência de estar na adolescência assim como eu... Porém isso deve ser para eu ter uma melhor compreensão, já que se eu visse adulto poderia ser intimidador. Provavelmente isso é um teste. Querem ver se eu me sentindo a vontade poderia fazer algo que os desrespeitassem... Pode parecer paranoia, mas enfim, são deuses...
Ela me leva até o palácio central e fala ao meu ouvido, com uma voz quente como seus olhos.

–Reverencie a Zeus primeiro. Boa sorte.

Ela se vai. Fico admirando seus lindos cabelos ruivos até os perde-los de vista. Ela é linda... Héstia, por que nunca ouvi falar seu nome? Finalmente tomo coragem de encarar minha atual situação... Deparo-me com um salão grande, com varias colunas enorme. Várias tapeçarias enfeitam todos os lados do salão. Mas a frente tem enormes tronos enfileirados em 'U'. No centro dos tronos está Zeus. É o trono mais bonito, decorado com os mesmos desenhos de seu palácio. Na verdade eu sentia seu palácio nele. Já Zeus não me parecia contente. Estava com ar de insatisfeito, como se não quisesse estar ali. Apoiava o rosto em seu punho e se mexia desconfortável em seu trono. Zeus era magro, porém tinha um corpo bem delineado, olhos azuis com os céus, pele branca com um leve brilho prateado, loiro e para um homem era formoso.

–Prosperidade a Zeus e os outros deuses.-Me curvo, contra minha vontade, na tentativa de agrada-los, o que me causava ânsias.

–Vamos logo com isso, sim? -Disse Zeus, que como todos do palácio aparentavam ter minha idade, com uma voz forte, porém entediada.

–Ne.-Repetiu todos em uníssono.

–Você foi trazido até nós, para se tornar o futuro rei de Atenas...

–TSC... Claro, claro... -Diz Poseidon. Um jovem, robusto, com cabelos escuros com reflexos dourados, olhos verdes e a pele bronzeada. Pelo tom da voz devia estar extremamente furioso.

–Por favor, Poseidon, não vamos discutir mais sobre isso. -Dessa vez a voz era feminina, e levemente irônica. Era Atena. Ela estava com um vestido que vale a pena ser comentado, branco, com detalhes pratas, cabelo solto com uma coroa também prata, seus cabelos eram lisos e chegavam a sua cintura, olhos cinza e focados, como se estivesse pronta pra retrucar qualquer palavra.

–BASTA! Já lhes disse que não quero mais ouvir falar sobre esse assunto. -Urra Zeus- Enfim, jovem rapaz, esse rei esta a beira de suas preces finais, logo morrera, na sexta lua você será coroado. Quero que no outro nascer do sol você faça um culto em nome do olimpo. Agora vá.

–Me syncho̱reíte.

Saio do palácio e sinto uma vaga impressão de estar sendo observado. Penso que deveria ser alguma Náiade e continuo a andar. Espero me encontrar com Héstia novamente, quem sabe, não seria nada ruim... Mas em vez disso sinto uma mão bater forte em meu ombro.

–Vem comigo antes de ir embora, mortal. -Atena, me encarava com a mesma expressão de ódio em que a poucos segundos olhará a Poseidon.
–Ne.


Ela me leva até a parte de trás de seu palácio, um espaço pequeno e escondido, com papéis rabiscados no chão. Olha-me no fundo dos olhos. Sinto um forte poder vindo daquela deusa que me parece tão frágil em sua forma humana. Ela da um passo a frente e mais rápido do que consigo acompanhar, me puxa pelo braço e me prende com seu corpo na parede de seu palácio. Chega tão perto de meu rosto que quase encosta seu nariz no meu. Ouso sua voz lenta e enfurecida.

–Eu sei do seu futuro... Todos nós sabemos... Temos Apolo... Sabemos de tudo... Tenha cuidado... Não deixarei você acabar com tudo... Agora suma da minha frente, mortal.

–FLASH BACK OFF-

O que acontece depois não é tão claro na minha mente. Lembro-me de ter saído do olimpo na companhia de Árion e ter chegado a minha casa. Mas o que mais me incomoda foi não ter visto Héstia, sentia uma incontrolável vontade de me despedir dela. Em casa conversei com minha mãe Gálata, na época era uma senhora meio corcunda e magra, vivia com a venda de pães e artesanato. Quando perguntei sobre Héstia a unica coisa que ela soube me responder foi “Meu filho, Héstia está em todos as casas, inclusive aqui e agora.Ela é a deusa que cuida da união da família, ela é o fogo das casas e sem fogo não há família”. Soube também era costume dos lares se fazer um culto em seu nome. Lhe faço cultos a cada 40 luas. Porém nunca ouvi nenhuma história a seu respeito.
Tropeço em uma pedra e perco meus pensamentos, só assim para sair de meu transe particular. Então percebo que já estou a alguns passos do local onde vi Árion pela primeira vez. Demora cerca de 5 minutos até eu pisar no monte. Eu fito o lugar na esperança de ver mais uma vez meu cavalo. Porém nada... Ele disse que estaria aqui quando eu precisasse... E eu preciso. Preciso de motivos que me façam crer. Crer nele, nos pais dele, em mim, em Atenas. Não vejo mais saída. Não vejo motivos. Não... Eu sou o rei! E-U. Fecho meus olhos e me deito na grama. Durmo ali mesmo e sonho. Sonho com Héstia, com Árion, com Lísis... Sonho com o futuro que Atena me alertou... Mas nunca mais eu e meu posso passará por isso! Não enquanto meu nome for temido. Eu sou Draco, Rei de Atenas, e EU irei decidir o meu futuro.

Notas finais
É isso espero do fundo do meu coração que vocês gostem! Criticas ou elogios eu sou toda ouvidos... Comentem ou favoritem e recomendem se vocês quiserem. Muito obrigada por ler.