Notas iniciais
Palavras em grego: Ne: Sim, Csar: Imperador/Rei. Draco: Excessivamente rigosoro. Agathé: Boa, Bondosa. Leander: Homem-Leão. Boa leitura, espero que gostem! :3

Acordo meio sonolento, e tento levantar-me. Cambaleio algumas vezes até conseguir caminhar no meu ritmo normal. Eu voltava para 'casa' de minha infância, no lado oposto ao reino. Atenas foi um refugio que minha mãe achou depois da morte do meu pai. Ele morreu na guerra de Esparta contra Atenas, e minha mãe como sempre foi artesã resolveu fugir para cá. Nós nunca podíamos dizer da onde viemos então fingíamos que éramos nativos, porém as mulheres aqui não são valorizadas, por tanto nós sofremos de fome e frio. Morávamos perto da floresta, em um pequeno bosque. Uma espécie de caverna foi o melhor que minha mãe achou. Era perto de um rio que nos era muito útil. Minha mãe morrerá no mesmo dia que o rei, uma doença que estava se alastrando na região. Não foi muito difícil saberem que eu era enviado de Zeus, um oraculo veio falar comigo enquanto eu me despedia o melhor possível de minha mãe. Virei rei, mas não pude a levar comigo, eu a vi engasgar no próprio sangue e não pude fazer nada, os deuses decidiram que era melhor pra eu governar sem laços emocionais. Ou, eles tentavam me mostrar quem é que manda? Apolo e Hécate não curam doenças? Por que então não a curaram? Eu não era o escolhido?!
Chego à pequena campina que a muito minha mãe construirá e quase não a reconheço, a caverna e o rio ainda estão ali, porém não como antes. Minha mãe fizera o melhor possível para podermos chamar aquela região de lar, teceu uma cortina com alguns cipós e pendurou na entrada da caverna. Lá dentro tinha uma espécie de cama, também tecida, com forro de pelugem de alguns animais e penas, — eu não sabia o quanto era desconfortável até ter uma cama comum para as pessoas mais nobres-, no lado de fora tinha um circulo de pedras para fazermos a lareira, uma enorme pedra em volta que usávamos para nos sentar. Agora tudo isso fora removido, podia ver vestígios da cortina, mas algo não muito nítido, onde poderia estar o circulo estava coberto de neve, o que impossibilitava minha visão. Cheguei o mais perto possível e pude ouvir um leve rosnado ecoar pela caverna me deixando com um leve arrepio na espinha. Saio o mais rápido que consigo em direção ao meu reino.

–

Fito por uma meia hora a entrada do castelo. Um dia ouvi um sábio dizer que todos nós, homens feitos, temos névoas nos olhos, ou seja, por mais que vemos algo nunca realmente o olhamos. Passei metade de minha vida nesse castelo e se me indagassem como era a entrada dele, provavelmente não saberia lhes responder. Ele fica no alto de uma espécie de montanha, suas pedras tem um tão alaranjado, e parece muito com uma cidade, como se estivessem amontoados de capelas, — uma empilhada na outra. Na sua entrada há duas torres arredondadas, uma paralela a outra, no centro a ponte levadiça, ele é envolto por uma muralha, que devia ter cerca de uns 6 metros de altura, uma porta de madeira pura, tão pesada que só consegue ser sustentada por cerca de 70 correntes que a içam.
Ordeno para que me deixem entrar, posso até não vê-los, mas sei que os guardas, há tempo, me observam provavelmente me viram sair. Nada consegue passar por eles. Nada.
Dentro do castelo percebo um leve inquietamento em relação a algumas de minhas escravas. Sempre soube que elas por estarem em todas as partes do castelo, sem nem serem percebidas ou temidas, sabem mais do que eu, que sou o Csar. Uma escrava poderia facilmente me derrubar. Aqui em Atenas, nós, homens, não podemos amar mulheres, ouvir suas opiniões, ou ao menos considera-las pensantes. Para o meu novo povo, mulheres são seres inferiores, como as crianças, os escravos e os viajantes. Se o reino souber que eu ouço -e ainda concordo- com o que minha senhora diz e ainda a amo, eles provavelmente me matariam por ter deixado o reino em tanto "risco". As palavras roucas, porém firmes de meu pai soam em minha mente:


" — Sempre tenha a opinião de uma mulher, seja lá qual for, mas as ouça. Se existe um 'bicho' esperto esse é as nossas mulheres. Sem duvidas nosso maior bem!”

A lembrança veio com tamanha nitidez que pude ouvir seu riso, alto e forte, sempre seguido por uma tosse seca, devido aos longos anos de trabalho, em Esparta. Balanço a cabeça tentando esquecer os fatos.
Vou ao encontro da mesma escrava ruiva que me atendeu ontem, particularmente ela me agrada, era bela e tinha um rosto simpático, algo no olhar dela mostrava fragilidade, e seus cabelos ruivos, como labaredas de fogo me traziam lembranças quentes que a muito achei ter esquecido.

Ela estava no jardim, que era grande e com todo o tipo de planta que eu poderia encontrar no reino, uma enorme estátua de Deméter estava próxima, mas a frente havia a floresta e se eu fechasse os olhos poderia ouvir o tranquilizador barulho da água da cachoeira batendo bruscamente no lago.

Respiro fundo duas vezes e ergo o queixo tentando parecer superior a ela, a imagem que os Csar são obrigados a passar.

–Escrava.

–Sim, meu Csar –ela aparenta um leve susto com minha voz, e se encolhe como que esperando por alguma bronca ou castigo, fitando o chão- Como posso servi-lo?

–Me informe o que está acontecendo somente.

–Oh, meu Csar. Acho que não deveria lhe contar sobre esses assuntos...

–Resposta errada.

–Bem, –ela permite me dar um olhar confuso porém com uma certa lastima –os deuses se calaram, e o resto do castelo julga ser por sua causa. Dizer que ontem quando o senhor foi à floresta, foi para blasfemar.

–Quem começou com esses boatos? –Cuspo as palavras como se fosse um vinho que eu descobrira estar envenenado. Sim, eu blasfemei, porém em meus pensamentos, os deuses não poderiam ler meus pensamentos, não é?

–Leander.

Ouço um grunhido que só depois de um tempo percebo ser meu. Leander é nosso oraculo, um bastardo de Apolo, o mesmo que me disse que eu era o novo rei, temos quase a mesma idade, eu sou um ano mais velho. Não gosto da proximidade que ele tem com os deuses. Passa horas fazendo cultos a cada um deles, e sempre tem uma “novidade” vinda deles, a maioria diz como eu devo governar meu reino. Sinto uma leve felicidade pelo silêncio dos deuses, eu poderia muito bem dizer que isso é a genuína culpa dele, e o tirar do meu castelo. Permito-me um sorriso torto, o que geralmente é assustador para as pessoas devido a uma cicatriz que tenho no canto direito de meu lábio inferior. Eu, por ser rei, sou musculoso, sempre fui alto, e os anos me deram traços fortes e duros, meu rosto é anguloso, e minha pele tem um leve tom bronzeado, que combina com meus cabelos compridos, ondulados e pretos cor de breu, e meus olhos verdes. Adquiri uma cicatriz, que vai de meu lábio até meu queixo em uma briga com um leão que matei para provar minha força, não antes dele me presentear com sua marca.

–Qual seu nome, escrava?

–Agathé. – diz ela me fitando fixamente, como se estudando minha reação.

–Mas alguma coisa que eu precise saber?

–Ne. Eles estão agora decidindo se te matam ou não.

Notas finais
É isso, quem gosto comenta e favorita e slá mais oq, e quem não gosto, obg por ter lido até aqui... Kissus kissinhos!