14 de outubro, segunda-feira, às 07h10min...

A maioria dos alunos ainda não acordou, já que as aulas começam às 08h10min. Porém, há exceções. Não são poucos os que fazem questão de acordar bem cedo para aproveitar alguns minutos antes do dia letivo.

Estão animadas para o festival? indaga Maria Eduarda, sorrindo, alterando seu olhar entre Natasha e Elizabeth. Vai ser o nosso último evento antes da formatura.

As três amigas, no momento, estão no refeitório. Acabaram de comprar, cada uma, um pudim. Enquanto permanecem assentadas ao redor de uma das mesas, degustando cada pudim, conversam entre si.

Eu estou. garante Natasha, alegre.

Eu também. determina Elizabeth, mais séria, degustando agora uma colher do seu pudim de chocolate. Mas estou mais preocupada com as provas finais.

Ah, não seja tão chata, vai... recomenda Maria. Você não precisa se preocupar com isso, é uma boa aluna, apesar do tipo encrenqueira que gosta de fazer.

Elizabeth olha para Maria com um olhar mortal, o que faz seu alvo rir. Natasha também ri. É quando, entrando no local, surgem duas pessoas: a irmã de Noah Hananatsu e a prima de Tenshi Hikari.

Meu relacionamento com Dante está cada vez mais estagnado. revela Kagura, parecendo estar preocupada. E, para piorar tudo, esse jogo macabro do Festival da Rosa Vermelha...

Não fique tão aflita. recomenda Miyuki, sorrindo enquanto elas se aproximam de uma das mesas do local, qual está a boa distância da mesa de Natasha, Maria e Elizabeth. Dará tudo certo no final.

Você é que não deveria ser tão otimista. opina Kagura, parando de andar assim que elas se aproximam o suficiente da mesa em que querem se assentar. Nem tudo é tão bom quanto diz.

As duas se assentam. Frente a frente, continuam conversando, com a palavra de Miyuki:

Bem, de todo modo, Kagura-chan, você...

Sim, estou confusa e perdida entre seu primo, o Ivan e o Dante. interrompe sua amiga, suspirando com um ar aparentemente pesado, apoiando seu cotovelo direito na mesa e sua respectiva palma em sua face. Sou uma estúpida.

Pare de se martirizar, não é pra tanto. recomenda, fitando-a. Não comandamos os sentimentos do nosso coração. Não precisa ficar desse jeito.

Kagura fecha suas pálpebras. Suspirando, pensa:

Como eu queria que tudo isso fosse apenas um sonho qualquer. Como eu gostaria de poder acordar e descobrir que esse festival, a Ordem da Rosa Vermelha, a minha confusão de sentimentos... e suspira novamente. Não passam de ilusões.

De longe, na entrada do refeitório, sem tomar nenhum passo sequer para aqui entrar, Haraki Touya observa as duas amigas com seriedade. Por alguns instantes, um leve sorriso se desenha em sua face, mas esse logo desaparece. Quando dá meia volta, por outro lado, ele dá de cara com May Onuki.

Os dois permanecem entreolhando-se, sérios, por alguns momentos. Depois, Haraki desvia da garota e começa a andar, afastando-se daqui. Sem se importar, May fecha seus olhos e entra no refeitório.

Espero que aquela oferecida ridícula da Naomi não me irrite mais do que o necessário hoje. pensa May, caminhando. Estou mesmo de péssimo humor...

May, Andrea e Naomi são companheiras de quarto. Vez ou outra, é a amiga de Kagura, Miyuki e Lucy quem tem que acalmar May e Naomi nas discussões que elas travam. Por curiosidade, até, das três, somente a amiga de Tanaka é que está acordada. Andrea e Naomi ainda estão no quarto dormindo.

Kagura-chan, eu me cansei desse lugar. fala Miyuki, chamando para si o olhar de sua amiga. Vamos ver se a Andrea-chan e a Lucy-chan já acordaram?

Como queira... articula, levantando-se do seu lugar.

Miyuki também se levanta. Juntas, elas saem daqui. E, por alguma razão, Maria Eduarda, assentada junto de suas duas amigas, as observa com um olhar de extrema atenção. E o faz mantendo uma expressão enigmática, ao mesmo tempo em que é... Fatal.

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Mais um dia letivo se passa. E, quando Dante Sazami se dá conta faltara hoje, permanecendo somente em seu quarto, deitado na sua cama, ouvindo músicas , as 21h30min chegam. Ainda assim, não se incomoda, sem a intenção de sair daqui.

Ivan, por sua vez, chegou ao quarto há poucos minutos. No momento, esse está deitado na sua cama, olhando para o teto, pensativo. Nenhuma palavra é trocada entre eles.

Agora que essa seleção para o líder daquela organização começou... imagina Ivan, sendo que vez ou outra, é alvo do olhar quase fulminante de Dante. A Kagura precisa de mais proteção do que nunca...

Nem mesmo Ivan entende, mas ele sempre sentiu algo diferente por Kagura. Desde o 1º ano, sempre que podia, agia literalmente como um guarda-costas, vigiando-a de longe para que pudesse protegê-la quando necessário. Porém, o estranho sentimento que ele tem por ela só aumentava quando ela mostrava não precisar da proteção dele, mesmo sem a própria saber que era protegida pelo olhar de Ivan. Por mais que o russo não goste de admitir, Kagura sempre foi independente e conseguiu se defender dos seus problemas sem o seu auxílio direto.

Eu não sei o que a Kagura viu em você. fala Dante, olhando para seu companheiro de quarto.

Ivan olha para ele. E o silêncio reina por alguns instantes novamente. Contudo, o russo logo o quebra, articulando:

Do que está falando?

De que não entendo o motivo da Kagura ficar confusa entre você e eu. define o Sazami.

Dante já tem clara em sua mente a ideia de que sua namorada sente algo por Ivan e isso, há meses. Contudo, não faz noção de que Tenshi Hikari está no meio dessa trama também. É por isso que sua raiva está focando-se somente no russo.

Eu sou mais bonito, mais boa pinta, mais charmoso, mais carinhoso, mais afetuoso, mais confiável... Dante pontua. Tudo o que você poderia ter de qualidade, eu te supero.

Ivan pensa em dizer a ele o quanto Dante é convencido, ao seu ponto de vista. Todavia, decide não falar nada. Imagina que o próprio Dante sabe disso.

Pergunte a ela. simplesmente recomenda.

Ouvindo isso, Dante suspira, virando-se de costas para Ivan. Não tem mais a intenção de conversar com ele, pois sabe que não chegarão a lugar algum. O russo, por outro lado, continua observando-o.

O Rosa Negra, o Rosa Branca... imagina. Mesmo com a existência dessas duas figuras, parece que certas pessoas não estão se importando muito com esta seleção. Ela, porém, é algo muito mais preocupante do que está julgando que é, Dante. Perceba isso antes que seja tarde demais...

Repentinamente, alguém bate à porta. Levantando-se de onde está, Ivan vai em direção a ela. Quando a abre, se depara com Naomi Yamaguchi, quem está somente com as roupas íntimas. Suas demais peças de roupa estão caídas ao chão.

Que é isso, garota?! questiona o russo, espantado com a ousadia dela.

Preciso satisfazer os meus desejos. fala ela, com um tom erótico, empurrando-o para dentro com sua palma direita.

Ao entrar, Naomi fecha a porta com sua palma esquerda. Dante, virando-se na cama em direção a ela, fica espantado quando a vê dessa maneira.

Onde está o Tenshi? indaga ela, parecendo estar mesmo um pouco ouriçada. Ser possuída por três homens de uma só vez é uma fantasia que sempre quis realizar...

Vagabunda. determina Ivan, erguendo a sua mão direita.

Movimentando-a, o russo acerta um tapa na cara de Naomi, surpreendendo tanto ela quanto Dante. É quando Ivan se expressa:

Tudo o que conseguirá de mim é o meu desprezo.

Em seguida, ele a pega pelo braço direito usando a mesma mão que usou para acertar o rosto dela e, voltando para a porta, a abre e lança Naomi para fora do quarto. Ela cai no chão, espantada com a atitude de Ivan.

Você sequer chega aos pés da Kagura, tanto em aparência, quanto em personalidade. Ninguém aqui está interessado em uma garota vulgar. E, se eu fosse você, não iria tentar com o Tenshi também não. Perderá seu tempo.

Se eu arrebentar o rostinho daquela garota, será que tenho chances de ser promovida na lista de vocês? pergunta ela, com um sorriso lascivo, ainda no chão, mas voltando seu olhar para o estrangeiro.

O olhar de Ivan adquire um brilho ameaçador. Com um timbre de voz muito mais firme do que antes, ele fala:

Ouses tocar em um fio de cabelo sequer dela e eu mato você.

Com violência, ele fecha a porta, deixando Naomi caída ao chão. Recolhendo suas roupas, ela se levanta. E, com uma expressão de ira, pensa:

Kagura... Sempre você, sua maldita!

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Enquanto isso, não muito longe dali...

Andam, juntas e com serenidade, Kazume Tatsagaiyo, Emi Ueno e Lysandra Melody Carton Jess. São companheiras de quarto e, também, amigas.

Tudo parece estar indo muito bem entre você e o Damon, Lysandra. comenta Emi, séria, com seu olhar para a filha do diretor. Mas ando notando que você está estranha.

Eu? questiona Lysandra, um pouco incomodada.

Sim. Está acontecendo alguma coisa que não sabemos? indaga Emi, tentando compreender as mudanças de comportamento de Lysandra que vêm se arrastando até aqui desde o início deste ano.

Kazume, por sua vez, somente as observa, em silêncio. Ela pensa:

Você fala isso, Emi, mas há meses não vejo aquele seu rotineiro sorriso sarcástico. Espero que você não esteja assim, tão diferente, por estar envolvida de alguma forma com o Festival da Rosa Vermelha...

Não, não está ocorrendo absolutamente nada. determina Lysandra. Eu apenas estou um pouco preocupada por estar me dedicando ao 3º ano. Afinal, o ano já está acabando.

Entendi. garante Emi, voltando sua face para frente.

Da direção contrária a delas, vem vindo alguém. É um garoto forte, de cabelos castanhos, pele clara e olhos negros. Apesar dele estar com o uniforme do Rosa Cruz, o que cada uma das garotas imagina é que jamais o viram na vida.

Oi, tudo bem, garotas? questiona ele, parando diante delas.

As três cessam seus passos. Kazume, por sua vez, pensa:

Esse garoto... Ele é...

Nos conhece? indaga Lysandra.

O desconhecido reage com uma expressão de surpresa, o que acaba por deixar Lysandra com uma cara de interrogação. É quando ele sorri, falando:

É claro. Sou Yuki Yukida.

Emi e a filha do diretor ficam perplexas. Juntas, olham para ele de cima a baixo, tentando entender como aquele garoto baixinho e cheinho e nada atraente pode ter se tornado algo completamente diferente: mais alto, mais atlético e, para elas, até mais bonito como alguém mais homem e menos menino.

Imaginei que era você. admite Kazume, cruzando os braços. Seja bem vindo de volta.

Obrigado. agradece ele, com uma mochila em suas costas. Vocês viram a Kagura-kun por aí? Eu gostaria de poder encontrar-me com ela.

Não, não vimos. corresponde Kazume.

Emi e Lysandra ainda estão completamente impressionadas e nada falam. É então que, de trás das duas, surge outra pessoa: Naomi Yamaguchi.

Ombros largos, braços fortes, pernas torneadas, rosto liso, olhos envolventes... recita ela, passando pelo espaço existente entre Emi e Lysandra, ignorando-as e colocando-se bem próxima de Yuki. Você é um gato. Quer ficar comigo?

Não. nega ele, secamente.

Naomi fica espantada. Nem mesmo Dante que, dos seus alvos, foi o único que a dispensou , alguma vez, a negara de maneira tão direta. É quando ela indaga, um pouco irritada:

Quem você pensa que é?

Yuki Yukida, aquele para quem você disse a seguinte frase, certa vez... inicia ele, percebendo que ela fica atônita ao ouvir seu nome. Mesmo que fosse o último homem do mundo, Yuki Yukida, eu preferiria ser violentada por um cachorro caindo as pedaços à ter que tocar um verme do esgoto como você.

Kazume não esboça nenhuma expressão, mas Emi e Lysandra ficam ainda mais impressionadas ao ouvirem o que Yuki acabou de dizer. Sempre souberam que Naomi desprezava o Yukida pela aparência dele, mas não faziam ideia de que, em algum momento, a repulsa dela por ele era tanta a tal ponto.

Ou, como preferir, sou aquele garoto que tentou se aproximar de você, mas que só serviu como fonte de cola para que pudesse passar na última etapa letiva de Matemática no 1º e 2º ano. ele completa, sério, colocando suas mãos nos bolsos. Ou aquele que você deu um selinho uma vez por perder uma aposta com suas amigas, mas que naquela mesma noite, foi alvo das suas humildes cuspidas. Bem, sou eu mesmo, Yuki Yukida.

Naomi está atônita. É tamanha a sua perplexidade que não consegue dizer nada. Sem o que dizer, ela somente dá uma última olhada da cabeça aos pés em Yuki e começa a andar para a direção por qual ele veio. E vai se afastando dessa maneira, sendo o alvo do olhar de Emi e do de Lysandra.

Yukii! clama alguém, vindo de onde veio Naomi.

Kazume, Emi e Lysandra olham para trás. E Yuki sorri ao olhar para o mesmo lugar e ver Kagura, correndo para vir até ele.

Até que enfim você apareceu! exclama ela, abraçando-o com força ao se aproximar o suficiente.

Eu tinha ouvido o seu conselho de mudar. Mas, para isso, eu precisei de tempo. Senti saudades... afirma ele, sorrindo, abraçando-a.

O abraço se desata alguns segundos depois. Encarando-o com um largo sorriso, ela fala:

Que bom que está aqui!

Durante o decorrer deste ano, vez ou outra, os dois se falavam por telefone. Yuki havia lhe dito para manter segredo, mas que voltaria em breve para o colégio. Ele usou o tempo que esteve fora com uma dieta firme e uma rotina intensiva de exercícios físicos na academia. Somente Kagura, no Rosa Cruz, sabia disso e, por tais motivos, não teve dificuldades para reconhecê-lo.

Parabéns! exclama ela, sorrindo para o amigo. Estou muito feliz por você. Vejo que a mudança não foi só física, mas psicológica também, o que é mais importante ainda!

Kazume observa a cena por alguns instantes. Porém, cansando-se disso, fecha suas pálpebras e começa a caminhar para onde estava andando antes de ter sido interrompida por Yuki. Emi e Lysandra se entreolham. Então, ambas vão seguindo a amiga.

Tchauzinho... fala a filha do diretor, sorrindo para os dois amigos.

Tchau. dizem, juntos, Kagura e Yuki.

Enquanto as três vão se afastando, Kagura e Yuki se abraçam de novo. Alegre, Kagura determina, com o rosto sobre o ombro direito dele:

É ótimo poder te abraçar após tanto tempo...

Mais uma vez, eles encerram o abraço. E, então, sorrindo, Yuki articula:

Posso dizer o mesmo. Mas, enfim, vamos conversar! Afinal, acho que nós dois temos muitas novidades para compartilhar um com o outro.

Ela ri. E concorda, dizendo:

Com toda a certeza!

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Naomi anda irritada. Hoje, mais cedo, foi rejeitada por Misty Buster. E, há pouco, por Ivan e por Yuki. Seus nervos estão à flor da pele, o que pode ser percebido com os firmes passos que ela executa no momento. Se pudesse, estaria soltando fogo pelas ventas, somente para extravasar.

Eu realmente acho que o Rosa Negra não é um dos outros 10. opina Noah.

Na verdade, também tenho essa opinião. afirma Tanaka. Mas não podemos vacilar...

O local é a biblioteca. Tenshi, Tanaka e Noah, ao redor de uma das mesas do local, estão conversando em baixo tom o fazem há alguns minutos. Naomi estava passando na porta da biblioteca, mas parou ao escutar a conversa deles mesmo não ouvindo e não entendendo muito bem o que estão falando.

Como o trio está mais ao fundo, Naomi consegue entrar e se esconder atrás de uma das grandes estantes do local. Pretende ouvir mais.

Suspeito da Naomi Yamaguchi. fala Tenshi, surpreendendo a própria, sendo que agora onde está, ela consegue ouvir melhor.

Da Naomi? indaga Tanaka, curioso. Por quê?

Não sei explicar direito, mas ela me irrita. Se eu fosse o Rosa Negra, a primeira pessoa que eu eliminaria, caso pudesse escolher, seria alguém como ela. É por isso que, em uma psicologia reversa, suponho que seja justamente ela essa pessoa. explica, pensando: Pelo menos, acho que é isso, em um pensamento inicial...

Me eliminaria...? imagina Naomi, não entendendo direito, ainda escondida. Rosa Negra...?

É uma boa linha de raciocínio. concorda Noah. Afinal, todos parecem detestá-la. Até as amigas que ela tinha até o ano passado agora desprezam ela, pelo que ouvi dizer...

Verdade. concorda Tanaka. Temos que considerar também o contrário. Se ela fosse uma vítima do Rosa Negra e não o próprio Rosa Negra, não seria digna de levantar nenhuma suspeita. Todos tem um pouco de interesse em...

Espere. pede Tenshi. Acho que você está exagerando. Está falando de matar?

Naomi fica perplexa. Seu coração acelera de uma hora para outra, mas ainda assim continua aqui. Precisa entender o assunto entre eles, já que seu nome parece ser o foco da vez.

Todos tem um pouco de interesse em tirar a vida dela? questiona Tenshi. Calma, cara, isso é sério demais.

O Rosa Negra não precisa, necessariamente, matar a pessoa. Basta fazer algo que o elimine do jogo. Além disso, se ela não for o Rosa Negra, aquele ou aquela que é não deveria se preocupar em fazer algo contra quem não está entre os 13 candidatos. comenta Noah, alterando seu olhar entre Tanaka e Tenshi. O objetivo do verdadeiro ou verdadeira Rosa Negra é eliminar todos os 13 para se tornar o líder da Ordem da Rosa Vermelha. É ilógico perder tempo com quem não faz diferença ser eliminado ou não.

É aí que você se engana. opina Tanaka. Justamente por ninguém ir com a cara dela é que ela poderia ser uma vítima. Aproveitando o momento do festival, o Rosa Negra poderia usar esse cenário para se livrar dela. E se por algum acaso, ela ficar sabendo demais do assunto, considerando o quanto ela consegue ficar ciente do que não deve sobre a vida alheia...

Será um alvo irrecusável. Tenshi completa. Agora entendi.

Ao invés de plantar flores de verdade, se o Rosa Negra for o psicopata que penso que ele deve ser, será mais divertido começar com flores falsas, que não lhe garantem nenhum ganho além do seu prazer sádico... argumenta Tanaka.

Ao mesmo tempo em que flores de papel tiram a atenção das flores de verdade. Tenshi se pronuncia. O Rosa Negra pode ter interesse nisso também.

Naomi, com alguns passos para trás, sai da biblioteca. Está assustada, muito assustada. Sua respiração, inclusive, está descompassada. Quando olha para os dois lados do corredor, por alguma razão, sente como se ambos estivessem muito mais sombrios do que já foram um dia. Um temor inexplicável brota em seu coração, como uma erva daninha, destruindo todo o restante.

Eu preciso dormir um pouco... fala consigo mesma, se direcionando para sua esquerda, começando a andar.

Naomi anda... E anda, anda... As palavras de Tenshi, Noah e Tanaka não saem da sua cabeça. É como se cada uma delas fosse uma praga que se impregnara em seu interior. Como se o jardim da sua própria essência estivesse sendo consideravelmente abalado.

Quando se dá conta, está na área da quadra e das piscinas. Andara por minutos, perdida em seus próprios pensamentos. Olhando de longe para a maior piscina das três do colégio, ela sorri.

É, acho que sou mesmo uma vagabunda desprezível qualquer... pensa ela, se aproximando da piscina.

Ao chegar perto o suficiente, Naomi se assenta na borda, sobre suas pernas. Suspirando, ergue sua face e sente a brisa noturna soprando seus cabelos. Não está se sentindo bem, nada bem.

Quando foi que me tornei a pessoa que sou hoje? se pergunta, abaixando seu rosto devagar. Será que foi depois do meu pai ter me...

Os olhos da garota se arregalam. Pois, ao voltarem em direção às águas da piscina, vê o reflexo de uma pessoa de véu negro com uma máscara de uma rosa negra: alguém que está bem atrás dela.

O susto é tamanho que Naomi tenta gritar, mas antes disso, sua cabeça vai parar dentro da piscina. A garota se debate, tenta fugir, mas a pessoa que parece estar tentando matá-la afogada está dominando-a com ambas as mãos em seu pescoço. Naomi luta, mas cada segundo que passa, seu sofrimento se torna mais azucrinante. Sente como se nada pudesse salvá-la agora.

Adeus... fala a pessoa mascarada, com a voz distorcida.

Retirando a mão direita do pescoço de Naomi, o mascarado ou mascarada retira uma faca de suas costas. E, quando vê que a garota já está quase sem fôlego, enfia a lâmina no dorso da mesma, sem nenhuma piedade. Mais alguns segundos e a Yamaguchi para de lutar: está morta.

A pessoa mascarada, então, larga o corpo da garota, deixando-o cair na piscina. O sangue se espalha enquanto Naomi, sem vida, boia na piscina... Enquanto suas últimas lágrimas se dissolvem no esquecimento.