108 Pétalas de rosa (Interativa)
8 Desembaraços em pétalas
Um novo dia nasceu nos territórios do Rosa Cruz. Agora, são 07h40min da manhã. Em 30 minutos, o período letivo do dia – segundo dia de aula no colégio este ano – começará.
– Bom dia. – fala Kagura, cumprimentando Maria Eduarda Grayson, Natasha Willis e Elizabeth Albarn logo ao entrar na sala de aula, sorrindo para as três e parando bem diante das mesmas.
Na sala de aula, além das três amigas, já estão presentes outros alunos: Nathaniel Skyes, May Onuki, Kazume Tatsagaiyo, Tsubasa Yashirou e Killer Kiyoma. Cada um, em seu devido lugar, mas Maria, Natasha e Elizabeth permanecem de pé, próximas à porta, conversando. Ou melhor, permaneceram até agora, já que foram interrompidas por Kagura.
– Bom dia. – dizem, em coro, as três amigas, sorrindo para Kagura também.
– Alguma de vocês viram o Yuki? – indaga a Hananatsu. – Ele já chegou?
As três amigas se entreolham, como em tentativa de confirmar a resposta uma com a outra. Desse modo, voltando sua atenção para Kagura, Elizabeth responde:
– Sinto muito, mas não vimos ele não.
– Obrigada de qualquer forma. – agradece, sem deixar de sorrir para elas.
A bela anda mais um pouco e o trio de amigas volta a conversar. A irmã de Noah percebe, inclusive, que na fila do meio, na primeira carteira, Kazume Tatsagaiyo está ocupando o lugar. Elas se entreolham por alguns instantes, mas Kagura não permite que isso venha a render mais do que isso.
– Bom dia! – exclama Nathaniel, já em seu lugar, sorrindo para ela. – Não te vi ontem depois do terceiro horário, o que houve com você?
– Bom dia. – corresponde Kagura, sorrindo sinceramente, assentando-se na sua cadeira, colocando sua pasta escolar sobre a mesa. – Estava muito ocupada, me desculpe. Você viu o Yuki?
– Yukida-san? – questiona, surpreso por vê-la falando sobre Yuki. – Não, não o vi.
– Ele já foi embora da cidade se é o que quer saber. – determina May Onuki, assentada três carteiras atrás de Nathaniel, sobre a mesa e não sobre a cadeira.
Ouvindo isso, os dois amigos direcionam suas faces para May. Kagura está perplexa.
– É mesmo verdade? – indaga ela.
No momento, juntos, Damon Somerhalder, Tanaka Tsuhira – sendo que este vai andando em direção à carteira atrás de May – e Taka Matsumoto entram na sala. Sem nem perceber isso, May corresponde ao questionamento da Hananatsu:
– Sim, é. Hoje, mais cedo, eu mesma o vi falando com o diretor sobre sua saída do colégio.
– Saída do colégio? – indaga Tanaka, ao se aproximar o suficiente, assentando-se em seu devido lugar. – Quem está saindo do colégio?
– Yuki. – diz May, suspirando de desânimo. – Aliás, ele já saiu.
– A culpa, por acaso, é minha? – questiona o “fortão”, arqueando sua sobrancelha esquerda.
May se vira para trás, sorrindo dissimuladamente para o amigo e cruzando seus braços. Desse modo, pronuncia:
– Adivinha...
Kagura vira-se para frente, abaixando sua face. Está triste por Yuki. Nathaniel percebe isso, mas nada diz.
– Eu deveria ter feito mais por ele... – pensa Kagura, erguendo sua face, direcionando-a para a porta da sala de aula. – Ainda mais depois de tudo o que houve ontem à noite... Eu precisava ter confortado o Yuki, colocado à disposição a minha amizade...
Repentinamente, Haraki Touya entra, o que surpreende Kagura. Ele vai andando até se assentar na fila da porta, na segunda carteira, bem próximo de Killer e Tsubasa.
A irmã do ainda ausente Noah pensa em ir até ele. Afinal, ontem, antes da reunião na catedral da mata, ele lhe avisara sobre algo que não tinha entendido muito bem. Ele poderia saber sobre algo relacionado à tal Ordem da Rosa Vermelha ou até mesmo estar envolvido com ela?
– Se eu pudesse, iria eu mesma tirar minhas dúvidas com o Haraki. Porém, aquele sujeito... – referindo-se ao mascarado, sendo ele, na verdade, Shinji Sakaguya. – Nos proibiu de falar sobre o assunto com qualquer outra pessoa fora os demais escolhidos...
– Kagura Hananatsu. – recita uma garota, surgindo diante de Kagura.
Depois de Haraki, quem chegou à sala foi Ivy Thorns. A Hananatsu, por estar focada no Touya, sequer percebeu isso. E, como Ivy senta próxima dela, aproveitou a oportunidade para vir até aqui tratar de um certo assunto.
Agora, direcionando sua face para ela ao notar tal presença, Kagura lhe dá a devida atenção. Ivy possui longos e lisos cabelos prateados amarrados em um rabo de cavalo por uma fita negra – o que permite suas volumosas madeixas chegarem até a sua cintura –, uma franja que cobre seu olho direito, íris castanhas bem claras – de um tom quase amarelo –, seios fartos, lábios carnudos tingidos de vermelho, pele negra, corpo estrutural e estatura equiparável à de Kagura.
– Posso falar uma coisa muito importante com você? – pergunta Ivy. – É sobre ontem...
Nathaniel, sem entender, as observa. Sabe que elas jamais trocaram uma palavra sequer e por isso fica imaginando que tipo de assunto faria Ivy vir até sua melhor amiga – claro, melhor amiga somente por não ter a chance de tê-la como algo mais...
– Sim. – concorda Kagura, levantando-se do seu lugar. – Vamos lá fora...
Desse modo, as duas saem da sala, juntas, sendo observadas tanto por Nathaniel quanto por Kazume, Haraki, Tsubasa e Killer.
– Duas garotas lindas de morrer... – falam, juntos, Tsubasa e Killer, no momento em que elas passam pela porta e saem da classe, quase babando por elas.
– Ivy... – pensa Haraki, sorrindo de repente, colocando seu cotovelo esquerdo sobre sua mesa e apoiando seu rosto com a respectiva mão. – Então já começou a agir, não é?
– Qual é o assunto? – pergunta Kagura, no instante em que elas se colocam frente à frente, do lado de fora da sala.
– Aqui não. – pede ela, olhando para a direita e depois para a esquerda, voltando sua atenção para a Hananatsu logo depois. – É sobre os assuntos daquela reunião na catedral abandonada. Não podemos deixar que ninguém, além de quem já sabe, venha a conhecer algo sobre o assunto.
– Compreendo. – pontua Kagura. – Então vamos para outro lugar...
As duas se retiram daqui, indo para um lugar no qual poderão conversar apropriadamente. Alguns poucos momentos depois, Tenshi, Miyuki, Andrea e Lucy chegam à sala.
– Onde está aquela garota? – Tenshi se pergunta mentalmente, olhando de um lado para o outro à procura de Kagura.
Miyuki, Andrea e Lucy se assentam próximas de Nathaniel. Com isso, juntas, sorrindo, dizem para ele:
– Bom dia, Nath-kun!
– Bom dia, garotas. – corresponde ele, sorrindo como elas. – Como vão?
Tenshi se assenta no lugar bem atrás do de Kagura, sem nem mesmo fazer ideia de que é tal a carteira dela.
– Bem, na medida do possível. – afirma Andrea, revirando os olhos, considerando tudo o que aconteceu ontem à noite.
Ouvindo isso, Miyuki dá uma leve cotovelada esquerda na amiga, já que ninguém que não está envolvido com a tal seleção do novo líder da Ordem da Rosa Vermelha deve ficar sabendo de algo sobre esse tema. Sorrindo para Nathaniel, a prima de Tenshi determina:
– Na verdade, estamos bem. Muuuito bem!
– Ah, que bom. – fala ele, sorrindo, achando a situação meio estranha.
Tenshi, por sua vez, olhando pela janela o céu azul, suspira profundamente. Não percebe, mas de longe, Maria, Natasha e Elizabeth o observam com atenção.
– Aquele garoto é bonito... – comenta Elizabeth.
– Também achei. E parece ser legal. – concorda Natasha.
Maria, por sua vez, permanece observando o novato sem dizer absolutamente nada. Está pensando sobre a ocasião em que, junto de Miyuki e Andrea, Tenshi a “salvou” de Joseph na mata. Desde então, afastou-se de Joseph, pois não consegue parar de pensar no primo da grande amiga de Kagura. De todo modo, eram apenas “ficantes”.
– Céus! – exclama Elizabeth, direcionando seu olhar para Maria. – Onde está aquela Maria mandona, doida, desequilibrada e irritante? Tirou férias?
– Fica quieta. – exige Maria, voltando-se para ela, nervosa.
Elizabeth ri. Na sequência, as três vão andando para seus respectivos lugares.
Após alguns minutos, todos os alunos da classe – com exceção de Ivy e Kagura – chegam e vão para seus lugares. E, quando o sinal do primeiro horário bate e ecoa por todo o colégio, o professor de Idiomas chega à sala.
– Bom dia, turma. – ele cumprimenta seus alunos, entrando com seus materiais, indo direto para a mesa do professor.
– Bom dia. – todos falam em resposta, sendo que alguns ainda estão fora dos seus lugares, mas dirigindo-se a eles.
Quando todos assentam, o homem – após colocar seus materiais sobre a mesa – anda até certo ponto, perante os estudantes. E sorri. Shinji Sakaguya.
– Kagura e Ivy não estão aqui... – nota ele, em pensamento, passando um rápido olhar geral sobre todos os jovens. – Farei a chamada. – determina.
Indo à mesa, pega um relatório com os nomes de todos os estudantes. Com ele, volta para a posição anterior, chamando pelos estudantes:
– Andrea Smith, Damon Somerhalder, Dante Sazami, Elizabeth Albarn, Emi Ueno, Haraki Touya, Ivan Voltaire, Ivy Thorns, Joseph Salvatore, Kagura Hananatsu, Kazume Tatsagaiyo, Killer Kiyoma, Lucy Merny, Lysandra Melody Carton Jess, Maria Eduarda Grayson, May Onuki, Misty Buster, Miyuki Haruka Kokonose, Naomi Yamaguchi, Natasha Willis, Nathaniel Skyes, Noah Hananatsu, Ryu Hamaru, Taka Matsumoto, Tanaka Tsuhira, Tenshi Hikari, Tsubasa Yashirou e Yuki Yukida... – retorna sua face para os jovens. – Quem faltou?
– Kagura e Ivy. – corresponde Lysandra. – Yuki saiu da escola.
– Ok. Obrigado. – agradece o professor, sorrindo para ela.
Desse modo, a aula começa. Porém, por algum motivo, Tenshi não consegue se concentrar. Seus olhos não desgrudam um instante sequer do céu. E passa por minutos e minutos assim.
– Ordem da Rosa Vermelha... Festival da Rosa Vermelha... 13 escolhidos para uma seleção misteriosa... Marcas do destino... Regras que não devem ser quebradas... – pensa ele, apoiando o seu queixo com sua palma esquerda. – E a Kagura. Nada disso sai da minha cabeça...
Enquanto isso, observando esse mesmo céu, bem longe desta sala de aula, está Yuki Yukida. Abaixando sua face, o garoto analisa o Rosa Cruz por mais alguns instantes até dar meia volta e entrar em um carro de luxo, no banco do passageiro. O carro começa a se movimentar e, ainda olhando para o colégio, pensa:
– Eu vou voltar...
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Há alguns minutos atrás...
– E então? – questiona Kagura, diante de Ivy, com a mão direita sobre a cintura. – O que queria tanto falar comigo?
As duas estão em um local bem afastado das salas de aula. O sinal do primeiro horário está prestes a bater, mas Ivy não se incomoda com isso. À todo custo, quer dizer para Kagura o que está entalado em sua garganta.
– Apesar de ser a número 6, não estou interessada em me tornar a líder da Ordem da Rosa Vermelha... – garante Ivy, dando meia volta, mas olhando de lado para Kagura.
Com sua mão direita, ela joga suas madeixas, presas em seu rabo de cavalo, para seus seios. Com isso, a tatuagem de uma rosa vermelha na sua nuca se torna visível.
– Quando criança, fui obrigada por meus pais a fazer essa tatuagem. Não entendi o motivo na época, mas hoje vejo que tem algum sentido. – e, dando meia volta, se vira de novo para ela, mantendo os cabelos sobre os seios. – Mesmo assim, não quero isso para mim.
– Eles tinham relação com a organização? – questiona Kagura, retirando a mão da cintura, impressionada com as palavras da colega de classe.
– Sim. – confirma. – É por isso que sei mais do que todos os outros 12. Assim como sei que não estou qualificada, mesmo que fosse escolhida, para ser líder de um grupo como esse.
– Por quê? – questiona. – O que sabe, a ponto de fazer tanta diferença assim?
– A Ordem da Rosa Vermelha, de fato, esteve envolvida nos acontecimentos citados por aquele homem. Contudo, a organização está relaciona a muitos outros fenômenos e ocorrências por todo o mundo. – disserta. – Mas é por saber tanto que acredito que somente você, entre os selecionados desta geração, está apta para assumir a liderança da Ordem da Rosa Vermelha.
– Eu já não sei... – admite, sorrindo, mas abaixando sua face com um olhar perdido. – Eu apenas sou uma garota comum que quer ter uma vida comum. Posso ter tido meus traumas e maus momentos no passado, mas eu sou como qualquer outra pessoa. Não sou uma vilã, mas também não sou uma heroína. Eu...
Ivy, de repente, se curva para Kagura, em reverência a ela. Surpresa, a Hananatsu olha para a mesma. O sinal do primeiro horário ecoa por todas as dependências do Rosa Cruz, mas nenhuma delas se incomoda com isso.
– Eu, Ivy Thorns, a candidata número 6 à seleção da rosa. – recita, de cabeça baixa, permitindo que algumas gotas caiam dos seus olhos. – Afirmo auxiliá-la e conduzi-la ao caminho da ascensão. Te apoiarei fielmente para que conquiste o que é seu por direito, Kagura Hananatsu!
Kagura fica sem palavras. E, desse modo, a situação permanece por alguns segundos. Nota inclusive que as lágrimas estão escorrendo dos olhos de Ivy.
– Ela está mesmo sendo sincera? – se pergunta mentalmente. – Por que, se não está, é uma atriz e tanto!
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As horas do dia avançam e a noite chega. No momento, já passou das 21h00min. A grande maioria dos estudantes está em seus respectivos quartos, onde possuem muito espaço e conforto. Contudo, há outros pelas demais dependências da instituição, naturalmente.
– Vocês sempre ficam com essas caras de velório mesmo? – questiona Tenshi, deitado de costas na sua cama, alternando seu olhar entre Ivan, esse assentado enquanto lê um livro, e Dante, esse que também está deitado e com fones de ouvido. – Nossa...
É o quarto que os três dividem. No momento, cada um na sua cama. Mesmo sendo companheiros, eles não parecem ser “compatíveis” entre si. Com o comentário de Tenshi, inclusive, os outros dois somente olham para ele, indiferentes, sem dizerem absolutamente nada.
– Putz, complicado lidar com vocês. – reclama o primo de Miyuki, suspirando desanimado. – Não podemos nem tentarmos ser amigos?
– Minha namorada não me deu a resposta sobre o pedido de noivado que fiz para ela. – comenta Dante, chamando a atenção dos outros dois, ignorando a pergunta de Tenshi.
O coração do novato acelera e seu rosto cora um pouco. Por Miyuki, ouviu dizer que Kagura e Dante eram namorados. É por isso que perdeu as esperanças com ela. Por outro lado, gostaria também de poder se aproximar da Hananatsu para que pudessem ser, ao menos, amigos. Entretanto, não seria capaz de negar o fato que nasceu em si uma certa alegria ao ouvir do próprio Dante o que ele acabou de dizer.
Ivan, por sua vez, permanece indiferente, atentando-se às páginas do seu livro.
– Acho que ela está gostando de outra pessoa. – lamenta, virando-se e deitando-se de bruços em sua cama.
Agora, até mesmo o próprio Ivan se sentiu abalado. Com isso, fecha seu livro, o que chama a atenção tanto de Dante quanto de Tenshi. Voltando sua face para o namorado de Kagura, ele determina:
– Eu a beijei.
– Como é que é?! – esbraveja Dante, levantando-se de uma só vez da sua cama, jogando pra ela os seus fones e seu celular.
– Isso mesmo que ouviu, imbecil. – afirma Ivan, ainda assentado. – Eu a beijei.
Dante, de uma só vez, avança contra ele, mas Tenshi entra entre os dois após se levantar depressa da sua cama. Encarando Dante, pede:
– Não briguem. Tenho certeza que o Ivan-kun tem uma explicação sobre o assunto.
– Está sugerindo que eu fique calmo quando esse idiota fala na minha cara que beijou a minha namorada?! – esbraveja, ainda mais alto. – Só pode estar brincando...
– Você também já foi, várias vezes, abordado pela Naomi e nunca a recusou. Ela vive se esfregando no seu corpo sempre que tem chances e isso é comentado por todos da escola. – comenta Ivan, levantando-se, direcionando seu olhar valente para Dante. – A Kagura é a única pessoa que considero ter alguma importância para mim e nunca vi você à altura dela. Uma garota que, mesmo com os comentários e fofocas, permanece do seu lado, fiel.
– Você mesmo disse que se beijaram, canalha! – grita Dante, fora de si.
– Eu a beijei. – Ivan o corrige. – Porém, ela apenas se deixou levar. Pode ser que, no fundo, a Kagura realmente não estava segura da relação entre vocês dois e o meu beijo apenas a desestabilizou mais ainda. Contudo, a sua participação em tudo é inegável.
– Aonde quer chegar? – questiona Dante, sendo que Tenshi também olha para Ivan.
Ivan dá dois passos para a frente, aproximando-se dos dois. Com sua mão direita, retira Tenshi do seu caminho, o empurrando. Dante e Ivan se colocam frente a frente e o outro observa a cena preocupado.
– Você é como o veneno impregnado na rosa. – determina o russo. – Tudo o que você faz é magoar, entristecer, confundir, desestabilizar e desestruturar a Kagura. Ela não precisa de alguém assim, mas sim de uma pessoa que a proteja.
Dante cerra ambos seus punhos. Está bem preparado para socar a cara de Ivan até fazê-lo implorar por perdão sem pensar nas consequências. Tenshi nota isso e suspira profundamente, bem preocupado com o que está acontecendo perante seus olhos. A lembrança do rosto de Kagura o faz sorrir.
– Não acho que ela é o tipo de mulher que precise ser protegida. – diz ele, entrando na discussão, fazendo com que os outros dois olhem para ele. – Pelo contrário, ela é o tipo que faz de tudo para proteger quem ama.
Tenshi, no fundo, sente como se Kagura fosse uma pessoa inalcançável para ele. Afinal de contas, é um novato, sendo que Dante e Ivan – por quem Kagura parece ter certo interesse, segundo o ponto de vista do próprio Tenshi, após ouvir as palavras do russo – já convivem com ela há muito tempo. Dante, o namorado. Ivan, o misterioso que a encanta. O primo de Miyuki não vê abertura para se colocar nesse cenário.
Por outro lado, para quê deveria alcançá-la? Nem o direito de tentar, segundo seus pensamentos, tem, já que a conhece há tão pouco tempo, já que seu coração nem teve a oportunidade de “formular” um sentimento por ela.
Mesmo assim, Tenshi sente como se a conhecesse há anos. Sente como se o encontro entre eles estivesse já escrito nas estrelas. Sorrindo, completa:
– Tudo o que ela precisa, como qualquer outra garota... – e eleva seu sorrir. – É ser amada de verdade.
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