108 Pétalas de rosa (Interativa)
9 A proclamação do festival
Notas iniciais
Vários meses se passam. Desde a reunião dos 13 candidatos à seleção do novo líder da Ordem da Rosa Vermelha, nada mais de “anormal” ocorreu para os estudantes. Kagura, Noah, Dante, Tenshi, Ivan, Miyuki, Andrea, Lucy, Kazume, Ivy, Tanaka e Damon, pouco a pouco, foram deixando de lado os assuntos que envolvem a organização e o Festival da Rosa Vermelha. Afinal de contas, no último ano do Ensino Médio, é preciso focar o máximo possível na escola em si.
– Quando o Yuki-san vai voltar para o Rosa Cruz, você sabe? – indaga Tsubasa, andando junto do seu amigo Killer.
– Sei lá. Por quê? – corresponde Killer, arqueando sua sobrancelha direita.
Yuki, desde sua saída no início do ano, não voltara mais para o Rosa Cruz, sendo que os boatos diziam que ele retornaria em agosto. Somente o diretor sabe quando Yuki – se é que ele vai – voltará para o colégio. Muitos, inclusive, estão dizendo que isso não acontecerá, visto que o ano letivo está quase em término.
– Curiosidade. – afirma Tsubasa, fitando-o por alguns momentos.
É hoje 13 de outubro, 13h30min da tarde. Há pouco, as aulas do dia acabaram. E, agora, junto de todos os demais colegas de classe, os dois amigos estão descendo as escadas, rumo ao andar térreo – mais precisamente, ao auditório principal do Rosa Cruz. O diretor convocou todos os alunos do colégio para um comunicado.
– Será que o comunicado do diretor tem algo a ver com isso? – indaga Tsubasa.
– Você acha? – questiona Killer, surpreso com a hipótese do seu melhor amigo. – Difícil de acreditar que o diretor convocaria todos os alunos somente para falar do retorno de um estudante do 3º ano.
No meio da multidão de 27 estudantes da classe A do 3º ano, descem as escadas – à certa distância de Killer e Tsubasa –, também, Noah, Tenshi e Tanaka. No decorrer deste ano, os três se tornaram grandes amigos. Tanaka, inclusive, que era bem próximo de Dante e Damon, se afastou um pouco de ambos – natural e não intencionalmente. Quando o trio se deu conta, havia nascido uma sólida amizade.
– Creio que é sobre o Festival da Rosa Vermelha. – afirma Tenshi, com as mãos nos bolsos, entre seus dois amigos.
– Na verdade, acredito nisso também. – garante Tanaka, chamando para si o olhar de Noah.
– Bem... – articula o irmão de Kagura, voltando seu olhar para frente, revirando seus olhos enquanto pensa. – Se for mesmo esse o caso, isso quer dizer que, hoje mesmo, teremos a nossa “segunda reunião” naquela catedral.
– De fato. – concorda Tenshi, olhando para ele. – E o processo de seleção do novo líder da Ordem da Rosa Vermelha será oficialmente iniciado hoje também, seguindo essa ideia.
Os três, pesquisaram bastante sobre a Ordem da Rosa Vermelha durante os meses que tiveram para tal. Tenshi e Noah, inclusive, queriam compartilhar as informações adquiridas com Kagura, Miyuki, Lucy e Andrea. Entretanto, Tanaka preferiu manter tudo somente entre eles, já que não confia em todos os outros candidatos à seleção.
Segundo o que descobriram, o processo de seleção para novo líder da Ordem da Rosa Vermelha é literalmente como uma guerra. Mais do que uma organização qualquer, é um grupo que existe não apenas para manter a ordem do mundo, mas também para manter certos mistérios em segredo. Inclusive, segundo a série de pesquisas levantadas pelos três, o vencedor dessa “guerra” terá acesso a coisas que, caindo em mãos erradas, podem arruinar o mundo.
Seguindo tudo isso, de acordo com o ponto de vista de Tanaka, ter sobre seu controle uma organização como essa é algo que, querendo ou não, é digno de despertar o interesse de muita gente. Digno, também, de fazer meros estudantes do Ensino Médio cometerem os atos mais vis para alcançarem tal meta. Por tal razão, tudo o que o trio descobriu não “vazou” para nenhum dos outros 10 – muito menos para Yuki, de quem ninguém mais teve notícias. E, obviamente, aqueles que não foram convocados para a reunião da catedral na mata não foram envolvidos com o assunto.
– É um pouco torturante saber que estamos relacionados com um processo que ocorre há mais de 2000 anos. – comenta Tenshi, alterando sua atenção entre Noah e Tanaka. – E pior: um processo muito mais “sério” do que eu havia pensando.
– Sabe, eu não tenho razões sinceras para querer ganhar. – fala Noah, lembrando-se da queimadura em forma de rosa no lado direito da sua cintura. – Assim como a minha irmã, tudo o que quero é seguir normalmente com a minha vida. Essa escola é só uma etapa que está quase chegando ao fim. O Ensino Médio em si é só uma etapa...
No passado, depois que Kagura fugiu de casa, foi Noah a vítima dos maus tratos da mãe. A mesma queimadura que fez na filha, Serenithy Hananatsu fez em seu filho – queimaduras feitas a bastão de ferro quente, com uma extremidade em forma de rosa.
– Eu, por outro lado... – pensa Tenshi, olhando com atenção para Noah.
– Oi garotos. – fala alguém, vindo atrás deles.
É Lysandra Melody Carton Jess, tendo ao seu lado direito o namorado Damon Somerhalder.
– Eae, carinhas. – Damon os cumprimenta também.
Todos, agora, descem os últimos degraus, chegando ao andar térreo e se aproximando cada vez mais do auditório. Sorrindo para o casal, Tenshi articula:
– Oi Lysandra-san, eae Damon-kun.
– Tudo na paz? – indaga Tanaka, sorrindo também.
– Tudo, claro. – declara Damon.
Levando mais alguns poucos instantes, a classe do 3º ano A chega ao auditório. Quando chegam, notam que o local já está praticamente todo cheio, tendo somente mais algumas vagas – que serão preenchidas por eles e pelo 1º ano classe B, a única turma que ainda não chegou. Os alunos se distribuem como se deve e, em poucos segundos, todos os terceiranistas da classe A se assentam.
– Cadê a Kagura? – indaga Nathaniel, olhando de um lado para o outro, logo após assentar-se.
– Sossegue. – impera Kazume, ao lado direito dele, trazendo para si o olhar do jovem que se aquieta de fato. – E pare de andar atrás daquela garota como um cachorrinho.
– Não ando atrás dela como um cachorrinho. – discorda.
– Não é o que parece. – fala, suspirando profundamente.
Um pouco irritado, Nathaniel decide se calar e não render o assunto. Desviando seu olhar para a frente – os dois estão na segunda fileira da direita, pois ocuparam as únicas vagas na mesma –, vê Dante sozinho. O fato de não ver Kagura junto dele, ao mesmo tempo em que o deixa alegre, o deixa preocupado.
– Boa tarde, meus caros alunos. – determina Kazuko Jess, o diretor, surgindo diante de todos, lá na frente.
As conversas paralelas que estavam ocorrendo até agora terminam de uma só vez. Atrás de Kazuko, estão três professores, da esquerda para a direita: Shinji Sakaguya, de Idiomas; Sakura Kozakura, de Filosofia; e Bakuya Kotetsu, de Arte, sendo também o coordenador dos clubes de Esgrima, Música e Dança. Cada um assentado em uma cadeira.
Bakuya, por acaso, é um homem alto, vistoso, dono de cabelos azuis claros lisos até a cintura – possuidor de uma franja que cobre seu olho esquerdo –, pele clara e olhos da mesma cor das suas madeixas. Chama a atenção – principalmente das alunas – não só pela aparência, mas pela elegância também.
– Chamei todos vocês hoje para declarar a proximidade de um grande evento em nossa escola. – afirma Kazuko. – O Festival da Rosa Vermelha.
Ouvindo isso, Tenshi – em seu respectivo lugar, ladeado à direita por Noah e à esquerda por Tanaka – engole seco. Assim como ele esperava, o diretor está anunciando o festival, qual será o desfecho da seleção do novo líder da Ordem da Rosa Vermelha.
– Com o auxílio de Sakaguya-dono, Kozakura-dono e Kotetsu-dono, estaremos organizando um festival que envolverá literatura, música, dança, teatro e toda e qualquer outra forma de arte e expressão. – explica, pensando: – Apesar de que isso, na realidade, é só uma farsa para esconder o verdadeiro significado do festival...
Lysandra, em seu lugar, ao lado esquerdo de Damon, permanece escutando tudo um pouco inquieta. O que faz, no momento, não é observar seu pai, mas sim os três professores atrás dele. Ambos estão sorridentes.
– Algum problema, amor? – indaga Damon, voltando sua atenção para ela.
– Não, nenhum. – nega ela, sorrindo.
Os dois se entreolham por alguns instantes – período no qual ambos permanecem sorrindo. Porém, logo voltam a prestar atenção nas palavras do diretor. Ainda assim, Lysandra não tira os olhos do trio de professores em questão.
– O festival será em 21 de novembro, em uma sexta-feira. Como as provas finais começarão a partir do dia 25, creio que poderão se organizar para ele sem que saiam prejudicados no desempenho de suas avaliações. – explica o diretor. – Será um evento no qual vocês se apresentarão nos vários quesitos disponíveis, sendo que haverá apresentações individuais e coletivas com todos os alunos da sala. Lembrem-se também que a participação no evento valerá 30% na nota bimestral de todas as disciplinas.
O diretor continua explicando. Enquanto isso, Bakuya, onde está, comenta em baixo tom:
– Um evento que será, de fato, bem proveitoso e prazeroso.
– Com toda a certeza. – concorda Sakura, sorrindo para ele.
Levando somente mais alguns minutos, o diretor encerra os seus dizeres. Com isso, todos os estudantes vão saindo do lugar. Com alguns minutos a mais, restam somente Kazuko e os três coordenadores do festival. Voltando-se para eles, o diretor se manifesta de novo:
– Vamos indo? Tenho assuntos relacionados ao próprio festival que gostaria de discutir em minha sala.
– É claro, Kazuko-sama. – corresponde Bakuya, levantando-se de onde está.
Shinji e Sakura também se levantam. O diretor, dando meia volta, começa a descer os pequenos degraus para sair do palanque. Com isso, lado a lado, os professores o seguem. Sakura e Bakuya continuam sorridentes, por alguma razão. Shinji, contudo, está sério.
– Qual o motivo dessa cara, Shinji-san? – indaga Sakura, ao lado esquerdo dele, fitando-o.
– Nada que lhe diga respeito. – garante, apertando o passo e tomando certa distância da colega de trabalho.
Bakuya e Sakura se entreolham. Nisso, o sorriso dela se eleva ainda mais. E, desse modo, os quatro se retiram do auditório, deixando-o vazio e sem vida, como costuma ser...
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Emi Ueno. Com um olhar pesado e o rosto cabisbaixo, ela caminha. Andando junto de outros estudantes, está agora se afastando do auditório. Haraki Touya, caminhando um pouco atrás dela, a observa com seriedade.
– Essa garota pareceu ficar incomodada durante o discurso do diretor. – pensa ele, analisando o dorso de Emi. – Provavelmente sabe mais do que demonstra.
– O que você está pensando? – indaga Misty Buster, colocando-se ao lado direito de Haraki, surpreendendo-o um pouco com sua aproximação.
Misty é um garoto alto, de olhos verdes, pele parda, estatura considerável, cabelos loiros lisos até o pescoço – com algumas mechas sobre a testa – e traços faciais femininos.
– Você não tem nada a ver com a minha vida. – determina Haraki.
– Frio, calculista, interesseiro, oportunista e cético. – Misty o define, enquanto continua andando lado a lado com o menor, entre leves risos. – Esse é Haraki Touya.
Acelerando seus passos, Haraki se afasta de Misty e passa ao lado direito de Emi. Ela, por sua vez, ergue seu rosto quando ele faz isso, observando o afastar do Touya. Permanece com sua feição de moderada angústia.
– Hey, Misty, ouvi dizer que, antes de você nascer, sua mãe estava esperando uma garota e por isso te deu esse nome. – comenta Ryu Hamaru, se aproximando de Misty e se colocando ao lado esquerdo do mesmo. – Por isso que você ficou assim, que nem um...
– Garoto com dinheiro o suficiente para comprar tudo o que sua família tem e ainda sonha ter? – Misty o interrompe, ainda sorridente. – Sim, eu sou que nem isso sim.
Dante, Tanaka – tendo Tenshi e Noah lado a lado consigo –, Killer, Tsubasa, Joseph e Taka começam a vaiar Ryu por ouvirem de perto o “rebate” de Misty, algo que dura por quase um minuto inteiro. Um pouco irritado, Ryu somente olha para eles – que estão atrás de si – e movimenta seus ombros como se não estivesse importando-se com a situação.
– Esse aí teve o que mereceu. – comenta Noah, rindo.
– Verdade. – concorda Tenshi, rindo também.
Olhando para frente, Tenshi nota que Miyuki, Andrea e Lucy estão, juntas, olhando para si e para seus dois amigos. É quando, cutucando Tanaka e chamando a atenção de Noah com o olhar, ele fala:
– Acho que elas querem falar em particular com a gente.
Observando-as por alguns instantes – sendo que tanto os três garotos quanto as três garotas continuam andando –, Tanaka opina:
– Sim, e deve ser sobre o Festival da Rosa Vermelha.
Alguns minutos depois, os três amigos se encontram com as melhores amigas de Kagura Hananatsu em determinado local, ponto próximo da biblioteca. Eles, frente a frente com elas.
– Recebemos uma convocação por carta para a catedral. – afirma Miyuki. – Hoje à noite, às 22h30min, nos serão explicados os detalhes restantes da seleção para o líder da Ordem da Rosa Vermelha.
– Os outros já estão sabendo? – indaga Noah.
– Com exceção do Yuki, que saiu do colégio, só estavam faltando vocês e o Ivan-san. – diz Andrea. – Mas acho que a Kazume-san já tratou de avisá-lo.
– Ok. Obrigado por nos falar disso. – agradece Tanaka.
E, com isso, cada um dos aqui presentes segue seu rumo, indo para um local específico. De todo modo, o que parece ser a reunião mais importante com o desconhecido sujeito da Ordem da Rosa Vermelha, à noite, está para acontecer...
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13 de outubro, 22h30min, na mata ao redor do Rosa Cruz...
– Vamos entrando então, né? – sugere Tenshi, tendo ao seu lado direito o amigo Tanaka e ao esquerdo o amigo Noah: estão diante da entrada, em decadência, do ponto de encontro dos 13 estudantes com o mascarado da Ordem da Rosa Vermelha.
– Sim, até porque devemos já estar atrasados. – opina o irmão de Kagura Hananatsu.
O trio entra na catedral. E, após passarem pelo vasto corredor, chegam até a sala de encontro na qual já estão presentes Kagura Hananatsu, Dante Sazami, Ivan Voltaire, Kazume Tatsagaiyo, Miyuki Haruka Kokonose, Andrea Smith, Lucy Merny, Damon Somerhalder, Ivy Thorns e Shinji Sakaguya – mascarado e rodeado pelos demais.
– Aproximem-se. – fala o mascarado, dirigindo o tom da palavra para Tenshi, Tanaka e Noah.
Quando os três se aproximam o suficiente e “completam” o círculo – sendo que, pelo que tudo indica, Yuki não participará de nada disso –, o integrante da Ordem da Rosa Vermelha comenta:
– Pelo visto, não é nada pontual. Não é, número 5?
Sendo alvo da atenção do sujeito, Tenshi nada fala e permanece sério: somente o fita. Ouvindo o comentário do desconhecido, de imediato, o colega de quarto de Dante e Ivan cria em sua mente a hipótese de que o homem que perseguiu, junto de Miyuki e Andrea, no primeiro dia de aula, era o mesmo que está diante dos estudantes que aqui estão. Afinal, Tenshi se atrasara não só hoje e no primeiro encontro neste lugar, mas também no primeiro dia de aula.
– Bem, esta é a segunda e última reunião que faremos antes do Festival da Rosa Vermelha. – determina Shinji, observando cada um dos 12 presentes. – É hoje, também, o dia em que explicarei os detalhes finais da seleção do novo líder da organização e do festival propriamente dito.
– E que detalhes são esses? As regras, suponho. – comenta Ivan.
– No geral, sim. – confirma o mascarado. – A verdade é que não somente vocês estão envolvidos com a seleção, mas todos os jovens da classe A do 3º ano.
– Ele fala como se conhecesse a escola por dentro... – imagina Tenshi, observando-o com atenção.
– Somente vocês, e o ausente Yuki Yukida, estão concorrendo à posição de líder da Ordem da Rosa Vermelha. Contudo, há três figuras cruciais para o processo de seleção.
– Três figuras? Como assim? – questiona Dante.
– A primeira delas é o Rosa Sagrada, de quem já conhecem a identidade. – define o mascarado.
Nesse momento, todos olham para Kagura, cientes de que trata-se dela.
– É a pessoa que recebeu a primeira marca e quem começou com este processo. É também aquela com maior imunidade entre todos, imunidade essa que abordarei posteriormente. – explica. – A segunda figura é o Rosa Branca, alguém que já faz parte da Ordem da Rosa Vermelha, mas que está infiltrado na classe para averiguar o andamento de tudo. Ele pode ser tanto alguém que está aqui, sendo nesse caso um participante da seleção, quanto algum dos outros alunos da classe, sendo assim somente um observador.
Com isso, com exceção de Kagura, Tenshi e Ivan, todos começam a se entreolhar. Porém, isso dura somente alguns instantes, pois logo Shinji volta com a palavra, atraindo todas as atenções novamente:
– E, por fim, mas não menos importante, o Rosa Negra. É aquele que, sendo outro integrante da organização, irá eliminar os concorrentes e, também, os outros estudantes da turma.
– Como assim “eliminar”? – questiona Lucy, trêmula.
– Isso mesmo que você entendeu. – determina o mascarado. – Isto é uma guerra, não uma simples brincadeira. O Rosa Negra irá tirar todos do seu caminho e se tornará o novo líder da organização caso consiga retirar os selecionados da seleção.
Todos ficam espantados com o que ouvem. Entretanto, o homem não para por aí:
– Como o Rosa Branca, pode ser tanto alguém que está entre os 13 quanto algum dos outros alunos da classe A do 3º ano. Porém, para eliminar os 13, é preciso seguir uma regra: a ordem numérica.
– A ordem numérica? – indaga Ivan.
– Correto. – corresponde. – Não é possível eliminar o número 12 sem antes eliminar o número 13 e assim por diante. Aí está a imunidade da Rosa Sagrada, que além de ser obrigatoriamente a última da lista, será também a pessoa entre vocês com mais chances de avaliar as pistas das eliminações que acontecerão. Sem contar que o Rosa Negra, caso seja alguém entre vocês, poderá simular a própria eliminação para enganar os demais.
Kazume, tão surpresa quanto os seus colegas, redireciona sua face para Kagura, que está exatamente à sua frente, mas distante devido ao tamanho do círculo. Observa a expressão impactada da Hananatsu por alguns momentos antes de voltar a observar o mascarado.
– Quanto aos participantes comuns, diferente do Rosa Negra, poderão apontar um palpite sobre a identidade dele. Caso alguém acerte com sucesso a identidade do Rosa Negra, interceptará o processo e vencerá. Contudo, alguém que apontar um nome e errar terá a sua própria existência fragmentada.
– Como assim? – pergunta Lucy, cada vez mais assustada.
– Existência fragmentada? – reflete Damon.
– Entenderão melhor isso caso algum de vocês cometa esse erro... – garante. – Só para completar: duas vantagens que o Rosa Branca poderá ter sobre o Rosa Negra é que enquanto ele poderá fazer palpites sobre a identidade do eliminador, o Rosa Negra não pode blefar acusando outras pessoas; sem contar que o Rosa Branca está livre para agir conforme seus objetivos, mas sem se igualar ao Rosa Negra. É válido lembrá-los, também, que uma acusação só será aceita como oficial quando o acusador afirmar com certeza. E, caso o faça, não poderá voltar atrás com sua palavra antes de ser definido como o vencedor ou corrigido por sua falha.
Andrea, Lucy e Noah percebem que são os únicos a tremerem por aqui, o que os intimida ainda mais. A segurança que Kagura, Tanaka, Dante, Kazume, Tenshi, Ivy, Ivan, Miyuki e Damon apresentam é quase tão assustadora quanto as palavras do mascarado.
– O Festival da Rosa Vermelha será o dia em que o vencedor será coroado: a quarta figura, o Rosa Vermelha. O processo de seleção, de agora em diante, está oficialmente aberto.
Os 12 candidatos presentes se entreolham. E, quando Tenshi olha diretamente para Kagura, os dois permanecem fitando um ao outro por certo período, algo que é interrompido pela seguinte declaração de Shinji:
– Que as cortinas deste espetáculo sejam erguidas! O verdadeiro Festival da Rosa Vermelha começou!
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