Notas iniciais
Juro de pé junto q eu estou tentando postar desde 3 hrs atras, mas quando nao eh meu navegador tendo crises existenciais ou minha net com um ataque cardíaco, eh meu modem que fica de mau humor e nao conecta... Enfim... A fic atualizada ai *-*

Ando, sem saber o que devo fazer, sem rumo. Não tenho condições para voltar à sala de aula. Meu corpo, minha alma, meu espírito... Estão abalados demais para ignorarem tudo o que aconteceu.

– Ivan não deveria ter feito aquilo... – penso, ainda sentindo o calor dos lábios dele nos meus. – Ele não deveria...

Como posso estar me sentindo tão contraditória?! A verdade é que sempre quis um beijo dele, mas isso é errado! Estou com o Dante, é injusto com ele me interessar por outro garoto. Pior do que isso, é injusto beijar outro garoto, me deixar levar pelo encanto misterioso de Ivan! Eu não posso!

– Kagura... – recita alguém, interrompendo o meu andar.

É Kazume, que acabara de surgir diante de mim. Erguendo meu rosto, olho diretamente para ela, mas não procuro esconder o quanto estou abalada. Não sou tão boa atriz ao ponto de ocultar o quanto estou mal no momento.

– Veja só o que tenho. – fala ela, com meio sorriso, mostrando-me a tela do seu celular.

Fico perplexa. O pouco que restava do meu mundo acabou de desabar. Na tela do celular de Kazume, está a prova de que cedi aos encantos de Ivan, uma foto que ela tirou de nós, não sei como.

– Kazume, você...

– Não faça julgamentos precipitados. – recomenda ela, guardando o celular e cruzando seus braços, sem deixar de me encarar com olho no olho. – Não usarei isso para nada. Não sou desse tipo de pessoa, se é o que está pensando...

Tatsagaiyo me dá as costas. Contudo, sem andar, mantem o mesmo tom ao completar:

– Decida o que você quer, Kagura. Afinal, não terá graça alguma esmagar você caso continue com essa postura de donzela sofredora.

Desse modo, ela começa a andar e se afastar, deixando-me aqui. Kazume tem razão: preciso decidir o que quero, mas é algo muito mais complicado do que parece ser. Meu coração está dividido e, eu... Eu...

– Com licença...

A voz de alguém abala ainda mais as minhas já arruinadas estruturas. Uma voz doce, mas ainda assim firme. É como o timbre de um anjo envolvendo-me por totalidade. É uma voz que vem por trás, de alguém que provavelmente nunca vi em toda a minha vida.

Viro-me. E meus olhos recusam-se a acreditar no que estão vendo.

– Poderia me ajudar? – pede ele, o garoto que me pediu a “licença”.

– Quem é você? – quando me dou conta, noto que já perguntei o que não deveria.

Ele sorri. E, um pouco tímido, responde:

– Me desculpe pela grosseria, eu deveria ter mesmo me apresentado primeiro. Sou Tenshi Hikari, um estudante transferido.

– Kagura Hananatsu, prazer. – falo, estendendo minha mão direita para um cumprimento.

Um aperto de mão quase tão arrasador quanto o beijo de Ivan. Meus Deus do céu, eu não posso estar me interessando por mais um, posso?! Mas ele é...

– Um anjo. – pontua ele, me surpreendendo pelo dizer inesperado.

– Como é? – questiona ela.

– Minha mãe dizia que eu era o anjo da vida dela. – explica, sorrindo. – Mas estou mais para um idiota perdido na selva... Ou coisa do tipo.

Desvio meu olhar para a direita. Ao longe, vejo duas pessoas passando: Killer Kiyoma e Tsubasa Yashirou.

Killer é alto, magro, dono de uma pele alva, cabelos negros bem penteados, olhos castanhos, sobrancelhas finas e um par de óculos “tradicionais”.

Tsubasa já é menor que ele, mas tem um corpo “maior”, sobrancelhas grossas, pele parda, olhos azuis escuros e cabelos negros um pouco mais curtos que os de Killer, seu melhor amigo.

Conheço ambos bem. Sei que devem estar matando aula... E, de certa forma, eu também estou.

– Não se preocupe. – falo, voltando minha atenção para o tal Tenshi, sorrindo e escondendo minha angústia de poucos minutos atrás. – Ajudarei você no que precisar.

– Genteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!! – grita alguém, vindo por trás de mim, assustando-me.

Viro de uma só vez. E dou de cara com Naomi Yamaguchi, a garota mais oferecida e atirada de todo o planeta Terra!

– Como pode um garoto de óculos ser tão gatooooooooooooo???!!! – ela escandaliza, aproximando-se de nós dois.

Suspiro, tentando manter o controle. Admito que seja complicado manter a paciência quando estou na presença de Naomi, uma garota que, além de oferecida, é metida, orgulhosa e não se importa caso precise passar por cima de alguém para conseguir um garoto que procura.

– Óculos é atributo de nerd, mas você de fato é a exceção, gracinha. – afirma ela, parando a poucos centímetros de nós dois, ignorando por completo a minha presença. – Qual o seu nome?

– Tenshi Hikari. – conta ele, parecendo estar um pouco tímido com a personalidade “extrovertida” dela.

– É novato? – pergunta Naomi, sem nem mesmo esperar a resposta, usando sua mão direita para puxar o respectivo pulso dele, afastando-o de mim e aproximando-o dela. – Por favor, venha comigo! Posso te ajudar!

E, então, ela praticamente sai arrastando-o como uma leoa ao encontrar sua caça. Enquanto vai sendo levado, o garoto olha para trás, na minha direção. Nossos olhos se encontram e, para mim, fica evidente que está incomodado com essa situação. Mesmo assim, por algum motivo, Tenshi não impede Naomi. E ela o leva, dobrando a esquina do corredor e saindo do meu campo de visão junto dele.

– Kagura Hananatsu. – recita alguém, me surpreendendo.

Viro-me de novo. E dou de cara com Haraki Touya, outro colega de classe meu.

– Cuidado com a rosa vermelha. – determina ele, encarando-me com um olhar gélido.

– Como é que é? – questiono, sem entender, arqueando minha sobrancelha direita.

– Exatamente o que você ouviu. – afirma, frio. – E não é no sentido figurado, mas literalmente falando, cuidado com a rosa vermelha.

– Eu entendi o que disse, mas não o motivo. – tento explicar. – Do que você está falando?

– Estou falando daquilo que a sua imprudência pode iniciar. – articula ele.

Haraki nunca foi a pessoa mais misteriosa do mundo. Na verdade, no meu ponto de vista, ele é apenas um garoto recluso que considera os laços entre colegas de escola uma bobagem. Agora... Vem, do nada, e me fala algo sem pé, nem cabeça? Isso não é ser misterioso, é ser doido.

– Mas para mim, tanto faz. – completa ele, dando meia volta. – Faça como queira. Afinal, posso garantir que o meu sangue não vai ser derramado...

– Sabe, eu estou realmente cansada disso tudo. – falo para mim mesma, suspirando. – Vou matar as outras aulas e ir para o meu quarto esquecer que o mundo é mundo.

– Meu amor... – articula alguém, sendo que desta vez reconheço bem a voz.

– Dante... – falo, antes de me virar à direção dele.

Dante, agora, está com os braços para trás, sorrindo diante dos meus olhos. Vê-lo agora não era algo que eu queria. Não sei se consigo olhá-lo nos olhos com dignidade. Mas tento fazê-lo. E sinto que ele não percebe, mesmo com o contato visual entre nós, que não estou “normal”...

– O que você estava falando com aquele esquisitão? – indaga ele, sorrindo para mim.

– Nada, ele é que me falou sobre algumas coisas. Nada demais. – afirmo.

Sinto, agora, uma atordoante vontade de contar para ele o que aconteceu entre Ivan e eu. Sinto a necessidade de jogar esse peso para fora de mim, mas ao mesmo tempo, temo a reação de Dante. Querendo ou não, considero aquele beijo uma traição. Nem mesmo eu sou capaz de me perdoar... Eu não deveria ter cedido!

– Você estava demorando muito, por isso vim atrás de você. Conseguiu resolver as questões do Yuki? – ele pergunta.

– Não exatamente... – respondo, revirando os meus olhos, suspirando com um ar ainda mais pesado.

É... Como se não bastasse os meus problemas, os do Yuki parecem estar ainda mais difíceis. Agora não faço ideia se tento resolver os meus dilemas ou se vou atrás dele para tentar ajudá-lo. Afinal, por qual motivo vida de adolescente tem que ser tão complicada?

– Então esqueça isso e aceite. – fala ele, retirando as mãos de trás das costas e me entregando um lindo arranjo de rosas vermelhas.

Um lindo buquê de rosas, adornado com uma bonita fita de mesma coloração. Sim, lindo para qualquer garota, menos para mim. Ninguém parece compreender que eu desprezo rosas...

– 108 pétalas de rosa. – afirma ele, sorrindo. – As entrego para você.

É quando as palavras mais marcantes do meu passado voltam à minha mente: “Você não pode escapar do seu destino, Kagura! Tudo o que uma rosa pode fazer é se proteger com sua falsa beleza e ferir quem se aproxima com seus fracos espinhos. Rosas nascem sozinhas. Rosas morrem sozinhas.” As palavras que, um dia, minha própria mãe disse para mim...

– Devo recusar? – penso, aflita, observando o buquê diante de mim com um falso sorriso. – Mas seria grosseiro da minha parte, sem considerar que o traí permitindo que outro garoto me beijasse. Não posso aceitar o que minha própria mãe disse, amaldiçoando a minha vida! Eu tenho que fazer o meu caminho, independente das palavras dela!

– São rosas de um vermelho especial, tão belas quanto você. – afirma ele, chamando para si o meu olhar e meu sorriso falso. – Eu mesmo escolhi, hoje, na floricultura. Entregaram a encomenda há poucos minutos.

– Obrigada. – agradeço, tomando para mim o arranjo vermelho.

Por que estou aceitando as rosas que tanto odeio? Por que estou sorrindo dissimuladamente como em uma cena de novela de folhetim? Por que estou forjando um falso brilho de satisfação em meu olhar? Simples: não posso aceitar o que minha mãe disse no passado e ferir Dante com meus espinhos. Pelo contrário, devo provar para ela e para mim mesma o quanto eu posso ser o que eu desejar ser.

Além disso, mesmo que muitos o vejam como um badboy frio e calculista, comigo ele é romântico e sincero. Não merece nada ruim vindo da minha parte.

– É o presente que daria para você diante de toda a sala, para pedir você em noivado. – determina ele, fazendo meu coração perder o compasso.

É quando, tocando uma das rosas, encontro uma aliança dourada de noivado. Mostrando a mão direita dele para mim, vejo que a mesma aliança está em um dos seus dedos. Não consigo evitar o meu sorriso, agora sim, sincero.

– Eu amo você, Kagura. – afirma ele.

Retiro o arranjo de flores do nosso caminho, mas continuo segurando-o com a mão direita. Com isso, ele se aproxima e nos beijamos de forma doce. Porém, quando o faz, a imagem de duas outras pessoas vêm à minha mente: Ivan Voltaire e Tenshi Hikari. Por outro lado, tento esquecê-los. E, pelo menos por enquanto, consigo. Fecho meus olhos e me entrego ao momento. Afinal, agora, no meu coração, não há espaço para nenhum outro alguém...

/--/--/

A noite cai. O primeiro dia letivo no Rosa Cruz foi-se embora. Foi notada, inclusive, a ausência de boa parte dos alunos da classe A do terceiro ano. Por outro lado, os professores não se importaram muito com isso. Pegarão pesado todo o restante do ano, não faz mal serem maleáveis enquanto podem.

Em um dos quartos da ala feminina...

– E foi isso. – completa Miyuki, assentada em sua cama, alternando seu olhar entre as duas companheiras de quarto.

Além da prima do novato Tenshi, estão aqui Kagura Hananatsu e Lucy Merny. Lucy é uma ruiva com cabelos lisos até a cintura, dona de olhos verdes, uma pele pálida, uma altura não muito considerável e um corpo “normal”, assim podendo ser definido. É prima de Kagura.

– Nossa, difícil de acreditar que isso aconteceu com vocês. – articula Lucy, olhando para Miyuki.

Considerada por Kagura uma pessoa antissocial, Lucy tem como únicas amigas as duas que estão aqui presentes e Andrea que está em seu respectivo quarto. Não costuma procurar formar laços com outras pessoas.

– Mas aconteceu. – confirma Miyuki.

Há pouco, começara a contar o que aconteceu com ela, com Tenshi e com Andrea ao encontrarem um estranho mascarado e, depois, Maria e Joseph no meio do mato. Lucy mostrou-se surpresa ao ouvir cada detalhe, mas Kagura não esboçou nenhum tipo de expressão desde a primeira palavra de Miyuki a respeito do tal assunto.

– Vou dar uma saída, meninas. – fala Kagura, levantando-se de sua cama.

Nenhuma delas está com uniforme, que é exigido somente durante o período das aulas. Estão, cada uma, com suas próprias roupas. Nenhum estudante do Rosa Cruz permanece com o uniforme depois das aulas, muito menos à noite.

– Aonde vai? – indaga Lucy, curiosa.

– Preciso ir resolver um assunto. – pontua a mais alta das três.

Desse modo, dando as costas para as duas, Kagura vai até a porta, a abre e se retira daqui, fechando a porta em seguida. Miyuki e Lucy se entreolham.

– Ela está estranha. – comenta a prima do ausente Tenshi.

– Também achei. Será que foi por causa das coisas que você falou?

– Ela não é medrosa como você, Lucy-chan! – argumenta, movimentando a cabeça negativamente.

– Não sou medrosa. – renega, um pouco irritada, cruzando os braços em insatisfação.

– É, sim, pior que é. – reafirma Miyuki, rindo um pouco.

Alguém bate a porta. Ouvindo, Lucy levanta-se da sua cama, pensando que trata-se de Kagura voltando. Porém, ao se aproximar o suficiente e abrir, se surpreende.

– Posso ajudar? – questiona a prima da Hananatsu.

– Assim espero. – corresponde o jovem que está diante dela, sorrindo de modo gentil.

Ele tem uma altura mediana, um corpo moderadamente forte, olhos e cabelos levemente ondulados – mas, em predominância, lisos – acastanhados e pele parda. Permanece sorrindo para Lucy.

– Eu estou procurando uma pessoa. – afirma ele.

– E quem seria essa pessoa? – indaga Miyuki, chamando a atenção dele para si, ao se levantar e também se posicionar perante a porta após andar em direção a tal.

– Bem, sou Noah Hananatsu e estou procurando a minha irmã. – determina ele, impactando a dupla.

– Noah Hananatsu?! – Miyuki, perplexa.

– Irmã?! – Lucy, tão atônita quanto a prima de Tenshi Hikari.

– Sim, por quê? – indaga ele, sem entender a razão das faces surpresas delas.

As duas se lançam a um silêncio mortal. E, com isso, Noah alterna seu olhar entre uma e outra, procurando entender a situação. Franzindo a testa, imagina:

– Qual o problema delas?

/--/--/

Kagura Hananatsu, firme, anda pelo corredor. Há alguns instantes, saíra do seu quarto. Agora tem como objetivo o quarto de Dante. Precisa falar com ele.

– Dante... – pensa ela, parecendo estar preocupada.

Da direção contrária de Kagura, vem andando Lysandra Melody Carton Jess e Natasha Willis. Elas não estão juntas, mas também não ignoram a presença da Hananatsu.

– Oi. – dizem, em coro, Natasha e a filha do diretor, ao cruzarem caminho com Kagura.

– Oi. – corresponde ela, sorrindo e alternando seu olhar entre ambas.

As três seguem seu caminho. É quando Natasha vira para um corredor, Lysandra Melody vira para outro e Kagura – que está seguindo um rumo diferente delas desde o início –, para outro. Somente com mais alguns passos, se coloca perante a porta do quarto que o namorado divide com outros dois garotos.

– Seja o que Deus quiser... – pensa ela, batendo à porta.

Mesmo com o pedido de noivado de Dante mais cedo, Kagura estava em dúvida quanto ao seu sentimento por Ivan e, sem falar nada para ele, pediu um tempo após o beijo apaixonado que protagonizaram os dois namorados.

O beijo de Ivan, antes daquilo tudo, mexeu com Kagura. Para piorar sua confusão, por algum motivo, ela se sentiu ainda mais balançada ao conhecer Tenshi. O fato de Miyuki falar sobre ele e dizer que aquele garoto é um primo seu somente serviu para piorar a situação. A Hananatsu está se sentindo mais perdida que agulha em palheiro. Porém, agora, tomou uma decisão. E veio falar sobre essa decisão com Dante.

– Oi? – outro garoto atende à Kagura.

É Ivan, que está, inclusive, sem camisa. O rosto da garota diante desta situação envermelha como pimentão.

– Oi... – corresponde ela, sem muitas capacidades para exibir sua admirável eloquência.

Ela ainda não estava sabendo que, devido a algumas reprovações do ano passado, os quartos dos garotos da sua classe foram reorganizados. Dante não saiu do quarto em que estava no ano passado, mas Ivan veio para cá substituindo o companheiro dele que foi reprovado.

– O Dante est...

Ela não tem tempo de falar e, de imediato, é puxada para dentro do quarto. Com isso, Ivan fecha a porta e, mais que depressa, Kagura anda para trás, sem deixar de olhar para ele. Contudo, sem ao menos perceber, ela esbarra ao se aproximar demais de uma cama e cai de costas sobre ela.

– Santos céus... – pensa a garota, envergonhada.

Ao invés de se levanta de uma vez, Kagura vira para a sua direita. E dá de cara com Tenshi Hikari, somente de cueca, dormindo como uma criança.

– Isso não pode estar acontecendo, não pode estar acontecendo... – pensa ela, sentindo seu coração disparar a mil por hora.

– O que está acontecendo aqui? – questiona Dante, saindo do banheiro após seu banho, com a toalha enrolada da sua cintura para baixo.

Tenshi abre seus olhos e esses se encontram com os olhos de Kagura. De imediato, ela se levanta, tão vermelha quanto as rosas que ganhou mais cedo. Olhando para Dante, molhado após o banho, fica ainda mais aflita. Nunca o tinha visto sem camisa, quanto mais assim...

– Alguém pode me explicar a situação aqui? – pede Dante, olhando para Ivan, depois para Tenshi e por fim para sua namorada.

Tenshi ergue seu corpo e se assenta na cama. Kagura, de relance, olha para ele. Faz o mesmo com Ivan. E engole seco, pensando:

– Me meti na pior situação que eu poderia imaginar...

De repente, quatro pedras atingem a janela e a quebram, assustando ambos. As pequenas pedras, redondas, passam próximas de Ivan, mas se chocam com a parede. De imediato, Dante corre até a janela, esbravejando:

– Quem foi o palhaço que fez isso?!

– D-Dante, v-você e-está só de t-toalha... – fala Kagura, com a voz falha e trêmula.

Tenshi e Ivan olham para ele também. Com o rosto para fora da janela – que dá acesso ao jardim dos fundos do colégio, Dante olha de um lado para o outro. Não encontra ninguém. E imagina, curioso:

– Quem foi que...

– O que é isso? – se pergunta Tenshi, levantando da sua cama e andando em direção à porta do quarto.

Kagura, Ivan e Dante também olham para a porta. Através da brecha existente entre ela e o piso do quarto, foram colocados quatro envelopes. Sobre cada um, um lacre do símbolo de uma rosa vermelha, mantendo preso ao papel uma pétala. Próximo o suficiente, Tenshi para de andar e agacha. Com sua mão direita, pega o envelope na qual está escrito “Para Tenshi Hikari”.

“Cuidado com a rosa vermelha.”: por Haraki Touya. “108 pétalas de rosa. As entrego para você.”: por Dante Sazami. Palavras que ressurgem, por algum motivo, na mente de Kagura.

Colocando a mão direita em seu seio esquerdo, ela sente as batidas descompassadas do seu coração. Está amedrontada, desesperada por alguma razão. Mas sem entender, Kagura, confusa, imagina:

– O que significa essa sensação... – e fecha seus olhos por alguns instantes. – Que estou sentindo...?