100 coisas para fazer quando se é uma bruxa
7 Por um deslize, tudo vai por água abaixo
Notas iniciais
Lá estava eu, na sala do diretor, prestes a levar um bilhete sobre minha indisciplina pra casa.
Pra entenderem melhor, vamos voltar um pouco.
Cheguei na escola e me sentei em um banco perto de uma sala de aula, onde Kathleen e sua amiga, Abby, conversavam. Por que não aprontar uma travessura?
Entrei, tranquei a porta e elas me olharam com caras tipo "o que você tá fazendo aqui?".
– Olá. – Meu tom era de sarcasmo, assim como o sorriso que desbotava de meus lábios.
– Dá licença, o assunto é particular. – Era engraçado ouvir aquilo, pois ela não sabia do que eu era capaz ~uau, falou a toda poderosa.
– Ah, não sabia que a sala era sua. Como não é acho que posso me sentar aqui. – Sentei na mesa do professor e cruzei as pernas.
– Você se acha, né garota? – Abby disse.
– Não me acho, eu sou. E não me lembro de ter me referido à você. – Fiz uma expressão de quem diz "agora, cala a boca".
– Então, o que vai fazer conosco? Nos estuprar? – perguntou Kathleen, ironizando.
– Ah, me poupe, acha que tenho cara de quem estupra alguém como você? – Soltei a mesma risada daquela noite com o cara que arremessei longe. Alta e maléfica.
– Por que nos trancou aqui? Está maluca? Essa é a única coisa mais plausível que veio à minha mente.
– Só vou falar umas coisas que têm de ser ditas. Talvez um pouco pior do que você fazia comigo, lembra? – Essa história já tá virando terror. Precisamos mudar os gêneros.
Abby tentou correr para abrir a porta, mas fui mais rápida e joguei uma cadeira na frente da mesma, psiquicamente.
– C-como você fez isso? – Abby virou e me perguntou, assustada.
Dei de ombros, como quem não se importa. Mas eu me importava. Queria saber quem havia me dado aqueles poderes. E como me dera.
– Isso não é possível. Você não poderia ter o feito, mas só estamos nós três aqui. – Ela foi indo para o fundo da sala, de costas, com passos lentos e cautelosos. – Diga, como fez isso?
– Isso não importa! – Gritei, e o vidro de uma janela se partiu em mil pedaços. Levantei da mesa e fui na direção de Kathleen, que cada vez mais ia se afastando de mim.
Um barulho de porta se abrindo. Droga, esqueci da Abby. A mesma correu sem olhar para traz, indo ao gabinete do diretor Weasley.
Foi assim que me ferrei. Claro que eles não acreditaram na história de eu ter jogado uma cadeira com a mente, mas me puniram por quebrar um vidro – que eu teria que pagar, inclusive – e por ter trancado e ameaçado as duas.
Já era mudar de escola. Já era. Minha avó me deixaria de castigo uns 2 meses.
– Senhor, não dá pra dizer pra minha avó que eu apenas quebrei o vidro? Eu posso pagar sem problemas.
– Senhorita Loreen, você não só quebrou o vidro como também ameaçou duas alunas nossas. Isso é imperdoável. Deveria ter pensado nisso antes. Sinto muito.
– Droga. Tudo por causa daquelas idiotas – murmurei mais para mim mesma do que para ele.
Depois de ter ganhado sermões e um bilhete, fui liberada.
Andava pelo corredor, quando escutei dois professores conversando.
– Mas ele merece. É um excelente aluno.
– Você entrega pro senhor Daves ou eu entrego?
Daves. Era o sobrenome do Castiel.
– Com licença, esse envelope é pro Castiel? – perguntei, assim que entrei. – Desculpem, acabei ouvindo a conversa.
– É sim. Por que? – o senhor Miles, meu professor de sociologia disse.
– Sou amiga dele, posso entregar, se quiserem.
– Ah, claro. Seria ótimo. Muito obrigado. – Ele me entregou o envelope.
Saí de lá com uma ferramenta na mão e um sorriso diabólico no rosto.
Fui pra casa e não me contive em não abri-lo.
Prezado senhor Daves
Nós, da Universidade do Tennessee, ficamos sabendo que o senhor procura por uma faculdade cabível ao seu orçamento. Se tiver interesse, favor nos procurar. Contato e endereço no verso da folha.
Desde já agradecidos.
– Sinto muito, mas ele não irá procurar vocês – disse pra folha.
– Procurar quem? – Olhei para frente, e era a Daisy.
– Ah, ninguém. Estava só falando sozinha. – Guardei a folha na bolsa.
– Tudo bem? Você anda meio sumida.
– Sim, estou. Só ando meio ocupada. – Com minha vingança, sabe!? – E você, está?
– Também. Muitas provas?
– Ahn... É, até que sim. É mais em casa, mesmo.
– Entendo. Bem, nos vemos outro dia – ela se despediu.
– Tchau. – Acenei.
Voltei pra casa e subi.
– Por que chegou tão tarde?
Minha tia me barrou na cabeceira da escada.
Levei uma bronca e um comunicado do diretor, após ter ameaçado duas vadias, e você? Como passou o dia, querida?
– Só fiquei um pouco mais tarde, qual o problema? – Revirei os olhos.
– Acho bom que seja só isso. Se sua mãe não te criou, quem vai te domar sou eu, meu bem.
– Não sou nenhum cavalo para ser domado. Em vez de se preocupar comigo, por que não vai atrás de um namorado? Pelo menos não sou eu quem está encalhada.
Entrei no quarto e tranquei a porta.
– Você vai ver! Vou transformar sua vida num inferno, garota! – ela gritava do lado de fora.
Nem me importava mais com o que aquela louca dizia.
Peguei a carta e a coloquei no chão. Sentei acrocada e me concentrei.
Fogo, sussurrei.
E assim se fez fogo na carta.
O mais fantástico é que só queimava o papel, nada além.
Assisti enquanto o papel se despedaçava, assim como eu queria que ficasse o coração do garoto na qual era o citado na carta.
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