Notas iniciais
Gente, é a terceira vez que tento postar este capítulo. Sério, estava prestes a chorar na terceira. Sempre dava problemas. Ou a conta deslogava ou meu celular desligava, pois estava sem bateria. Portanto, comentem-o, pra me deixar mais feliz 💙 Obrigada, suas lindas.

Desci as escadas naquela manhã como uma agente do FBI invadindo uma casa.

– Já te vi. Pode parar de andar assim, bizarro – indagou minha avó.

– Você já sabe? – perguntei.

– Sim, já sei. – Ela fez gesto para que me sentasse junto a si.

– E vai me castigar?

– Primeiro me responda: você acha que sua mãe a puniria?

– Eu não sei – chacoalhei a cabeça, evitando lacrimejar. Queria que fosse ela sentada lá. Mesmo que fosse para me dar uma bronca.

– Ela diria: "essa é a minha garota." Mas não te colocaria de castigo. Então, o que acha que farei?

– Talvez não me deixar mudar de escola – argumentei.

– Certo. Vou fazer isso.

Eu e minha boca grande...

– Não! Não pode fazer isso! É injusto.

– Injusto? Sabe o que é injusto? Eu ter de criá-la sozinha, e ainda por cima ser recompensada com vidros quebrados que, aliás, eu terei de pagar. Isso não é justo.

– Vó, desculpa, eu não quis...

– Tudo bem. Só vamos tomar nossos cafés.

Terminei de comer e fui pra escola.

– Er... Oi.

Olhei para o lado e era ele.

– Oi – respondi.

– Tá tudo bem? Você parece triste.

– Sim, obrigada. – Tentei disfarçar um sorriso de satisfação.

– Não está. Eu te conheço.

Encostei na parede e fechei os olhos.

– Não, não estou. – Hesitei. – Vou mudar de escola.

– O quê? Quando? Por quê? – ele parecia surpreso.

– É isso aí. Ainda não sei quando. Andei me comportando mal.

– Não podem te trocar de colégio. Você estuda aqui a vida toda praticamente. Não é justo.

– Assim parece que se importa.

– E me importo.

– Mas quanto a isso, não posso fazer nada.

– Sempre há uma opção. Mesmo quando achamos que não.

– Quando resolveu mudar?

– As pessoas mudam às vezes, Rebecca.

– Eu sei. – Levantei. – Também mudei.

Comecei a andar.

– Espera – ele gritou. – Ainda não terminamos.

Castiel correu, me puxou pelo braço e me prensou na parede.

Primeiro, tentei me livrar dele. Depois, pensei em ceder. Por último, o empurrei – mais com magia do que com força.

– Quer parar de fazer isso? Não percebe que gosto de você, garota? É tão difícil entender? – Ele se levantou.

– Emoções não são tão difíceis de fingir, quando "amor" é uma palavra que você nunca aprendeu.

Continuei a andar.

No pátio, Kathleen e seu clã passaram por mim. Claro que eu não iria perder uma oportunidade.

Bum. Dei um encontrão na cria de Hera – mais conhecida como Kathleen Steven.

– Ei, qual seu problema, garota?

– Você – respondi, solene.

– Senhorita Loreen. Acho que a senhorita está cheia de problemas. Não precisa de mais – avisou o diretor.

– Desculpe, diretor.

– Ha, ha – comentou Abbie.

Se eu estivesse em seu lugar, teria medo de mim mesma...

– Essa escola é ótima. Ela vai aprender muito, com os melhores professores e ainda vai estar longe.

– Mas o Arizona é do outro lado do país! Isso é exagero. Os adolescentes têm essa fase. Você mesma já passou por ela.

– Rebecca está muito descontrolada. Precisa ser domada.

Elas estavam... Planejando me mandar pro Arizona? Não. A vovó não deixaria. Não poderia deixar.

Entrei no meu quarto, devagar, e peguei uma mochila qualquer. Coloquei algumas roupas que precisaria, alguns objetos, dinheiro e abri a janela. Fiz a mesma coisa de quando desci as escadas flutuando. Só que dessa vez com mais precisão.

Me certifiquei de que ninguém havia visto e corri estrada a fora.

Um carro passou. Parei-o com magia, tirei o motorista de lá – que dizia que eu estava louca, que não podia fazer aquilo, que o carro era dele... – e peguei o volante. Eu já tinha feito aquilo, no carro do pai da Daisy, no verão passado. Era só pisar na embrenhagem, acelerar e mudar de marcha, frear, acelerar, virar o volante... Era como jogar vídeo game 3D.

Ninguém me levaria pro Arizona.

Notas finais
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