Notas iniciais
AEHOOOO, DEPOIS DE SÉCULOS CAPÍTULO NOVO! Sim, podem me julgar o quanto quiserem, vocês tem razão! Mas, leia, mesmo assim, esse capítulo tá incrível!

Parei no primeiro posto de gasolina que encontrei. Era meio estilo aqueles postos de gasolina de filmes, que são abandonados. Mas poderia ser o único posto aberto que encontraria.

Peguei minha mochila e saí do carro.

Eu devia ter uns 70 dólares, o que dava pra abastecer e comprar alguma coisa pra comer. Com sorte, encontrar um lugar pra dormir, caso contrário, teria que me acomodar naquele Corvette com cheiro de cigarro e fragrância masculina.

Começo a encher o tanque e, de relance, ouço meu nome. Mas não dei bola, devia ser coisa da minha cabeça.

Ouço de novo, dessa vez mais alto, e tive certeza que alguém me chamava. Me virei pra ver quem era, e olha só, seria ironia do destino ou coincidência? Sim, ele mesmo, Castiel.

– Só o que me faltava...

– O que faz aqui essas horas, e sozinha?

– Pensei que minha cota diária de você já tinha se esgotado.

– Ou talvez o universo conspire a nosso favor.

– O universo não seria tão filho da puta.

– Ai, essa doeu...

Paguei a gasolina e guardei o que sobrou no bolso.

– E então, o que faz aqui? — Ele sabia ser insistente.

– O que VOCÊ faz aqui?

– Bom, minha mãe mora por aqui e vou dormir na casa dela. Sua vez de responder.

– Eu estou... Com... Um cara.

– Ah, tá. Me engana que eu gosto.

– V-Verdade. Ele está dentro daquele Corvette. — Apontei pra carroça que eu havia "pegado emprestada". É, eu poderia ter arrumado coisa melhor.

Ele colocou a mão em cima das vistas e forçou os olhos pra enxergar o que, aparentemente, não podia ver, porque eu inventei.

– Qual é, quem você quer enganar? Sabemos que você está aqui sozinha. Por enquanto.

– Por enquanto? Não acho que você conseguiria mudar essa situação.

– Ah, então você está mesmo sozinha.

– É, Castiel, estou. Agora dá licença, preciso ir.

Castiel segurou meu braço e me virou pra ele novamente.

– Posso te acompanhar, se quiser, claro.

– É, acho que você não seria mesmo capaz de me obrigar, não é mesmo?

– Bom, agora que vou mesmo. — Ele me segurou pelo braço e me levou até o carro DELE.

– Ai, me solta! Está me machucando! — Não estava.

Ele abriu a porta do carona, pôs-me lá dentro e colocou o cinto, com um sorrisinho no rosto. Deus, como podia ser tão lindo?

Por que não usei meus poderes naquele momento? Seria simples demais.

Talvez porque eu soubesse a resposta: eu não queria usar.

Ele fechou a porta, deu a volta e entrou no carro.

– Onde estava indo? Pra casa? Posso te levar. — Ele ligou o carro.

– NÃO! Pra casa não.

– Como não? Onde ia?

– Pra... Sei lá... Qualquer lugar.

Eu olhava além da janela. Nem sabia o que estava encarando, só estava evitando seu olhar. O que não consegui, pois o vidro refletia-o, olhando pra mim.

– Qualquer lugar não é resposta. Vem, vou te levar pra minha casa.

Virei pra ele, no mesmo instante.

– Que? Não! Sua mãe vai pensar que sou sua namoradinha.

– Só não é porque não quer, Becca.

Nunca gostei muito do meu apelido, mas com ele falando, eu gostaria de ouvir qualquer coisa.

– Exatamente.

Voltei a fitar o nada.

– Ok, você não quer ir pra casa, não quer ir pra minha casa. — Ele desligou o motor. — Quer ir pra onde?

Aquela pergunta foi difícil. Pra onde eu iria? Na verdade, eu poderia ficar a noite inteira acordada.

– Nós podemos ficar aqui, se você quiser.

– Seria muito desconfortável.

– Quer me contar por que não quer ir pra casa?

Eu demorei a responder. Fiquei pensando se queria ou não responder, o que iria responder.

– É complicado. Minha tia não me quer mais em casa e está convencendo minha vó de me mandar pro Arizona.

Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso.

– E, obviamente, você não quer ir, por isso não quer voltar pra casa.

– Aquela não é minha casa. Não de verdade. Sabe, é difícil não ter um lar pra chamar de seu.

Eu queria chorar, mas as lágrimas não vinham.

– Eu entendo. Quer dizer, não entendo, mas entendo.

Eu ri. Não só dele, mas daquela situação. Nós dois longe da cidade no carro dele, em um posto semi abandonado.

– Podemos ir pra sua casa, então.

– Tem certeza?

– Tenho. — Sorri pra ele. — Obrigada.

Nós seguimos pra casa da mãe dele. Era mais ou menos meio quilômetro do posto.

A casa era bonita. Uma típica casa americana: de madeira branca, com varanda e um belo gramado na fachada.

Ele deixou o carro na garagem, e nós entramos.

A mãe dele estava na sala, assistindo TV.

– Hã, mãe. — Ele chamou.

Sua mãe era bonita, era loira, usava óculos, era magra e um pouco mais baixa que ele. Não parecia ser sua mãe, talvez uma irmã mais velha. Provavelmente o teve cedo.

– Mãe, essa é a Rebecca. — Ela se aproximou, e estava com uma expressão surpresa, mas pelo lado positivo. — Uma amiga. Ela vai dormir aqui por essa noite, tudo bem?

– Claro. Prazer, Rebecca. Beth. — Ela me deu a mão.

– Prazer. Obrigada por me deixar dormir aqui, não sei o que faria.

Ela sorriu.

– Bom, eu vou subir pra dormir. Fiquem à vontade. Boa noite.

– Vem, Rebecca, vamos subir. — Castiel disse.

Eu o segui.

Nós subimos as escadas e fomos até seu quarto.

Era bem espaçoso. Tinha uma cama de casal no centro, uma escrivaninha no canto esquerdo, com uma janela em cima, vários pôsteres de super-herói por todo lado e uma porta, que deveria ser o armário.

– Belo quarto.

– Valeu. Pode sentar.

Eu sentei na cama, e fiquei olhando os pôsteres.

– Não sabia que gostava de super-heróis.

– Eu gosto. Eu tenho um lado nerd, ao contrário do que as pessoas pensam. — Ele puxou uma cadeira e sentou. — Tá com fome? Porque eu tô.

Foi quando parei pra pensar que sim, porque a última refeição que tive foi o almoço.

– É, eu tô. — Dei uma risada.

– Na cozinha tem muita comida, acho que você vai gostar.

Nós descemos e ele preparou um lanche que envolvia pão, maionese, presunto e queijo. Ele esquentou no micro-ondas.

– Prefere café, suco, água, refrigerante...?

– Café.

Eu tinha uma imagem totalmente errada dele. Quem era Castiel Daves? O garanhão fútil que pega todas, ou aquele que colecionava pôsteres de super-heróis, que era atencioso e gostava realmente de mim? O que estragava era o fato de ele ter beijado a Kathleen. Eu nunca esqueceria aquilo...

Mas... Quem era Rebecca Loreen? A adolescente apaixonada por Castiel, que tinha problemas com a tia e que, provavelmente, iria morar no Arizona, ou a bruxa que queria vingança? Eu já nem sabia mais quem era...

Ele pôs café em duas xícaras, pegou os sanduíches e os colocou sobre a mesa para comermos.

Nós comemos em silêncio. Talvez porque não havia nada pra falar.

Talvez porque nem precisasse.

Depois de comer, lavamos a louça e subimos para dormir. Ele arrumou o quarto de visitas, que era aconchegante, para mim, e voltou para o seu.

Demorei horas pra conseguir pegar no sono.

Notas finais
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