08 Faces
2 Girassóis italianos
Exatos sete anos se passaram, Ellen se tornou uma respeitada agente na CTI, a mais cotada para substituir seu chefe, que está com a aposentadoria marcada para assim que fechar o caso em andamento.
E é neste momento que as coisas se complicam, faz 03 anos que a divisão está a espreita de um cartel internacional de tráfico de diamantes, conhecido no meio como Four C’s. São conhecidos, respeitados, mas acima de tudo cautelosos. Silenciosos. Fantasmas. Sua mercadoria muda de país sem deixar qualquer rastro. Ninguém sabe quem chefia, mas seu codinome não é mistério, todos a conhecem como Rainha, e ela tem sua fama, rígida, metódica, impiedosa, perspicaz e de uma inteligência acima da média. Todos os seus negócios são minuciosamente calculados, não pode haver erros, deslizes não são tolerados.
Seus negócios se estendem aos 5 continentes, o produto vem da Rússia e da África, mais concentrado em Angola, mas não restrito a este país. Tudo ocorre segundo o comando da Rainha, não se da um passo sem que ela saiba, não se mexe em um diamante sem que ela mande.
Como ela transporta eles? Como passa pela policia federal de tantos aeroportos? Como nunca foi pega? E seu rosto, quem já viu? Tudo isso é um mistério que agrega ainda mais suspense a Rainha, como num tabuleiro de xadrez, a mais valiosa, poderosa e indispensável peça deste jogo perigoso que é chefiar o Four C’S.
Todo esses anos no FBI atrás deste cartel fez com que Ellen tornasse este caso mais pessoal do que qualquer outro. Prender a Rainha e fechar os seus negócios se tornou questão de honra. Não havia nada que pudesse impedi-la. Recursos, inteligência, perspicácia e dedicação não faltavam. Como ela mesma dizia a todos, pega-la era questão de tempo.
Todos os dias checava seu e-mail para ver se seus contatos haviam lhe enviado alguma nova informação, virou rotina. Acordava, pegava o relógio de bolso do seu avô sempre na mesa de cabeceira, olhava as horas, levantava-se, alongando os braços de forma retilínea ao seu corpo, espreguiçando-se, ia se arrastando até o banheiro, lavava o rosto, ligava a cafeteira, enquanto ia até a porta, abria, e pegava o jornal recém entregue, eram 5:45, pontual como sempre. Estava com sua caneca de café na mão, o jornal na outra, sentava-se no sofá, abria seu macbook, e via se havia algum novo e-mail. Após saborear seu café, corria para se aprontar, tomando uma ducha, prendia seu cabelo, e colocava um de seus muitos terninhos, sempre muito bem passados. Seu celular tirava do carregador, colocava na bolsa. E seu relógio, sempre por perto, colocava no bolso.
Ao chegar no prédio do FBI, cumprimentava Jonathan, simpático segurança sempre apostos no portão de entrada de funcionários pela garagem. Que sempre respondia “Como sempre radiante Agente Ellen” e ela o respondia “Bondade sua Jhon”. Pegava o elevador apertava o oitavo andar. Subia enquanto balançava o pé ansiosamente.
Saia do elevador, sempre muito educada, cumprimentava a todos, figura respeitada no FBI e ainda mais no CTI. Todos os seus colegas a admiravam, entrar na faculdade aos 17 anos e ser admitida no FBI aos 22, como convidada é currículo para poucos. Tinha formação em geologia, com pós em pedras preciosas, o que a levou a este cargo. Estudar era uma paixão, nada como livros para ocupar seu final de semana, ou dias de folga. Era só disso que ela precisava.
Certo dia de maio, mais especificamente dia 31, ao cumprir sua rotina, estava com seu café na mão e jornal na outra, sentou em seu sofá, ao abrir seu e-mail, estava na caixa de entrada uma mensagem de um dos seus contatos. O assunto dizia “Girassóis”. E no corpo do e-mail a seguinte mensagem:
“Ainda hoje um buque de girassóis congelados chegarão aos gladiadores. Não se atrase, na hora do chá, não importa o lugar, o horário é sempre o mesmo.”
Bingo, mais rápido do que um coelho foge da toca, pulou do sofá, chegou até seu celular e ligou para seu chefe.
Ellen- Senhor, tenho novidades, tenho novidades. Um dos meus contatos me enviou informações.
Matt – Fale Ellen, mas com calma que mal estou entendendo.
Ellen – Senhor, hoje as cinco em Roma, diamantes amarelos irão chegar da Rússia. Doze deles.
Matt – Tem certeza disto?
Ellen — Sim senhor, meu contato é confiável. Precisamos falar com Buddy, ele é o nosso melhor agente na Itália, precisamos estar lá.
Matt – Certo, temos o fuso horário ao nosso favor, nos encontramos daqui a meia hora no escritório. Vamos estudar tudo. Ligue para todos, quero todos lá. Ligue também para o laboratório. Quero a lista de todos os vôos que irão pousar hoje em Roma, desde meio dia até a meia noite de hoje.
Se aprontou como um foguete, ligava para todos enquanto se vestiam, os outros 3 agentes envolvidos no caso. Todos se animaram, fazia tempo que não se tinha qualquer notícia de movimentação da Four C’s. Mais Ellen não iria desistir.
Em 30 minutos estavam todos reunidos na sala de reunião. Com Matt em pé coordenando.
Matt – Ellen sabemos que eles chegaram hoje, quanto e onde, mas como eles serão transportados ainda é um mistério. Junte-se ao Jones e monte uma lista de métodos já usados pela organização. Cruz e Stones avisem a Buddy em Roma, façam contato, montem um cerco. Estudem os vôos que saíram da Rússia pra a Itália, não deixem passar nada. Sabemos como eles são organizados. Não podemos deixar nada passar.
Eles não eram novos no jogo, e a CTI já fora passada pra trás antes, e isto feriu muito o orgulho de cada agente. Apreender esses diamantes e ainda melhor quem o está transportando é essencial, não podiam deixar as investigações ficar por mais 8 meses sem qualquer notícias novas. O prejuízo causado por essa organização era de bilhões ao ano.
Ellen e Jones tinham uma longa lista, os métodos de transporte, eram praticamente infinitos, e isto porque eles não tinha descoberto todos, nomes falsos, diamantes escondidos em toda parte. Chegar neles era um tarefa difícil. Malas cheias de livros que tinha incrustados em seu interior diamantes já foram antes achados. E mulheres com adornos aonde eles nem tinham preocupação de escondê-los, pelo contrário deixavam a mostra, já foram presas. Em solas de sapato, costurado em vestidos. Todos os meios eram usados, e criatividade não faltava. Não seria possível revistar 150 passageiros de um vôo imagine de vários.
Precisavam checar os nomes, ver se algum codinome já conhecido fora usado pra comprar uma passagem. Isto levava tempo. Mas era o único meio.
Foram encontrados apenas 5 vôos vindo da Rússia que chegariam a Roma no dia 31, todos no período da tarde. Sendo dois com escala. Rússia — Roma – Paris e Rússia – Roma — Londres. Vôos com escalas raramente eram usados pela organização, o risco de extraviar as malas era mais alto.
Descartando esses, sobram 3, dois deles vem da capital, Moscow, e o outro de Ufa. Era preciso escolher, e a lista de passageiros de nada ajudava. Centenas de passageiros, não podiam apenas chutar um vôo, e se chutassem ainda assim, impossível revistar toda uma lista de mais de 400 passageiros.
Stones entrou na sala de reuniões com um sorriso peculiar no rosto, aquele rosto significava que ele tinha feito alguma descoberta. E como imaginado por todos, exatamente isto que aconteceu. Sentou-se na mesa, chegou a cadeira para frente, abriu seu notebook e mostrou uma serie de relatórios de vôos. Mostrou que dois nomes apareciam como comissários de bordo em repetidos vôos, e sempre cerca de 3 dias após eles passarem por Roma, diamantes apareciam no mercado.
Mais um jogada nova da Rainha, usar comissários de bordo nunca tinha sido visto antes, na verdade não se tinha nenhum conhecimento do ocorrido. Teriam que investigar, mas de fato seria uma jogada de mestre, eles mal passam pela alfândega, não são revistados. Seria realmente algo muito bem pensado, uma assinatura desta grande organização.
Stones – Está mesma comissária aparece em todos os vôos que foram seguidos por chegadas de diamantes na Itália, não pode ser coincidência. Raras foram as vezes que isto não aconteceu.
Ellen – Deve ser porque o destino final do diamante não era a Itália, seria apenas um ponto de passagem.
Stones – Provavelmente, bem pensado.
Ellen – Certo, mas não podemos prender para averiguação está mulher no aeroporto, chamaríamos atenção da organização e não saberíamos pra onde estes diamantes são levados, temos uma oportunidade única de saber melhor como eles fazem não só para entrar no pais, mas como repassar eles sem chamar atenção. Senhor acho prudente seguirmos ela.
Matt — Era o que eu estava pensando. Ligue para o Buddy e mande que identifiquem a comissária, sem alarde, sigam ela, não quero que percam um passo se quer. Quero fotos, gravações, conversas. Tudo. E Ellen e Stones, arrumem as malas, vocês vão para Roma ainda hoje. Acompanhem tudo de perto. E aproveite para ver se este seu contato tem mais alguma informação
Ellen e Stones – Certo.
Se levantaram e seguiram para casa, receberam no caminho uma mensagem com o número do vôo e horário. Partiriam dali a poucas horas, no dia primeiro estariam em Roma na cola da comissária de bordo. E ate lá, já teriam a ficha completa dela.
Chegaram em uma Roma ensolarada, não quente, com um clima agradável. Buddy foi até o aeroporto buscá-los. E no caminho aproveitou para informá-los sobre tudo que até o momento era conhecido.
Buddy — Enviei para vocês um e-mail com todas as informações. Se não trouxeram seus computadores no hotel temos um a disposição. O nome dela é Aleid, já trabalhou em diversas companhias aéreas, é natural da África do Sul, há dois anos estava com graves problemas financeiros, sua casa estava hipotecada e poderia perde-la a qualquer momento, muitas dívidas, além de ter de tratar da doença de sua filha, leucemia, que estava lhe trazendo muitos gastos. Mas há cerca de um ano vários depósitos de pequeno valor foram feitos em sua conta, recebendo em um mês quase 20 mil dólares se somadas essas pequenas quantias. Nada chamou a atenção do banco. Os saques eram tão discretos quanto os depósitos.
Stones – Descrição é o sobrenome deles.
Ellen – Vocês a seguiram, certo? Temos quantos agentes com ela? Sabemos se estaána casa de alguém ou em algum hotel?
Buddy — Ela esta hospedada em um hotel, em frente aonde vocês vão ficar, tenho agentes espalhados no andar e na única saída. Ela deu entrada ontem e ainda não saiu do quarto. Grampeamos o telefone do quarto. Mas seu celular não sabemos, deve ser mais um descartável – falava isso enquanto acendia o seu quarto cigarro.
Ellen – Ótimo. Assim que chegarmos leremos tudo. O quarto dela, tem janela para frente da onde ficaremos?
Buddy – Sim senhora.
Ellen – Então me arrume binóculos, e equipamentos de filmagem, iremos vigia-la. E esperar que ela goste de deixar as cortinas abertas.
Buddy – Certamente Senhora.
Buddy estacionou seu carro em frente a uma discreta pousada na região residencial de Roma. Retiraram as coisas e subiram por uma estreita escada até o quarto andar. Todos calados, ansiosos para ver que informações teriam em seus computadores e para saber quem era essa mulher.
Ao abrir a porta haviam duas camas de solteiro, uma mesa, um pequeno frigobar e um telefone. Buddy entregou a eles dois telefones celular local, para poderem se comunicar melhor. E informou que seu número estava gravado na memória como 1. Disse que as refeições seriam deixadas por um motoboy de confiança e que qualquer coisa era só ligar e pedir que ele providenciaria. E que todos os equipamentos de vigilância chegaria logo.
Eles ficaram debruçados, os dois, lendo tudo da vida de Aleid por horas, o fuso horário e o tempo do vôo, praticamente dormindo, deixaram eles sem sono, se revezavam na janela qualquer movimentação no quarto daquela mulher lhes deixavam agitados, a espera de alguma ação. Nada parecia fora do normal, tudo que se podia ver a distância era uma mulher agitada, com o celular na mão. Havia apenas trocado de roupa, colocando um vestido confortável e um leve casaco. Não havia mexido nas malas. Parecia esperar algo acontecer, e provavelmente esperava.
As duas da manhã Stones se entregou ao sono em uma das camas daquele quarto, logo após saborear um calzone típico italiano. Ellen estava agitada. Não conseguia fechar os olhos, e agora não podia, ela e seu parceiro se revisariam na vigia daquele quarto. Aleid estava dormindo. Nenhuma movimentação ate as 8:30 da manhã, quando Stones acordou assustado.
Ellen – Bom dia dorminhoco!
Stones – Bom dia, desculpe, dormi demais. – Olhou o relógio – Você acabou ficando acordada a noite toda.
Ellen – Sem problema. Eu não conseguiria dormir. Estou agitada e empolgada demais para isso. Não aguento ficar mais neste quarto. Preciso esticar as pernas. Soube de uma ótima cafeteria aqui perto. Você se importa se eu for até lá? Afinal só podemos aguardar alguma movimentação.
Stones – Lógico que não, vá tranquila. Qualquer movimentação eu te ligo.
Ellen – Certo, obrigada. Tomarei uma ducha para tirar essa roupa que parece que grudou em mim e vou.
Stones – Positivo!
Após 20 minutos Ellen já estava a caminho da tal cafeteria. Admirava a cidade, não é sempre que se tem a oportunidade de se estar em outro país. Mesmo que a trabalho. Sentou no café, olhou o cardápio e resolveu pedir uma xícara de café simples e um pão que da vitrine parecia delicioso. Olhava uns folhetos de propaganda deixados na mesa, quando seu pedido chegou. Saboreava seu café com o olhar meio perdido no horizonte, enquanto sonhava com o dia que prenderia todos os envolvidos e principalmente a Rainha. Quando foi interrompida por uma mulher meiga, que falou algo em italiano que Ellen não soube entender.
Ellen – Como?
Mulher – Oi, desculpe, achei que fosse Italiana, meu nome é Polianna, sou americana também, posso me sentar aqui? Não tem mais uma cadeira se quer disponível. Este café é ótimo, por isto está sempre cheio.
Ellen achou aquele rosto conhecido, ela tinha uma memória facial impecável, bastava uma vez ver alguém e pronto, nunca mais esquecia.
Ellen – Sim, claro. Fique a vontade. Prazer, sou Ellen! Bom que me faz companhia. Mora aqui em Roma?
Polianna – Prazer! — Polianna sorriu — Não. Moro um pouco aqui um pouco ali. Vejo que você não mora aqui. Está a trabalho ou a passeio?
Polianna provocava em Ellen uma sensação desconhecida, inédita. Um interesse incomum. Ela tinha sempre contato com tantas figuras, pessoas, que era difícil alguém lhe provoque este interesse súbito. O olhar dela era tão intenso, envolvente, meigo. Ellen se encantou naquela manha.
Ellen — Trabalho, não sei quanto tempo vou ficar. Hoje é meu primeiro dia de fato na cidade.
Polianna – Você já foi ao Colisseu?
Ellen – Ainda não – Com um sorriso desconcertante nos lábios que nem ela mesmo sabia o porque dele estar ali.
Polianna – Pois deveria, ninguém pode vir a Roma e não conhecer o Colisseu. É como ir a Paris e não ver a torre Eiffel. Quase um crime. – Dando um risada ao fim. – Amanhã irei lá, não quer me fazer companhia?
Ellen – Ainda não sei muito bem do meu tempo aqui, teria como eu te ligar? – marcar um encontro enquanto estava a trabalho não era do feitio de Ellen, mas ela não sabia porque estava agindo assim, porque estava sendo tão impulsiva, parecia uma outra mulher, que não podia perder a chance de pegar o telefone de quem mexeu tanto com ela.
Polianna – Lógico, visitar pontos turísticos sozinha é sempre tedioso. Não ter com quem compartilhar descobertas. Estava pensando em ir amanhã depois do almoço. Me liga. Não esqueça.
Ellen- Com certeza vou ligar, eu estou muito...
Seu celular vibra interrompendo sua fala. Uma mensagem de Stones falando que havia movimento no quarto e que a agente deveria voltar assim que pudesse.
Ellen – Infelizmente tenho que ir. Desculpe, pode ficar esperando minha ligação.
E saiu correndo, Polianna prontamente, escreveu seu número em um pedaço manchado de gotas de café. Ellen não podia perder o que se passava naquele quarto. Mas enquanto atravessava as 3 quadras que separavam o café do seu quarto, não tirava Polianna da cabeça. Aquele nome ressoava, vibrava e fazia seu coração bater mais forte.
Chegando no prédio aonde estava subiu correndo os quatro lances de escada. Chegou sem ar e perguntou o que havia acontecido.
Stones – Um dos nossos agentes viu um homem perguntar sobre a comissária e pegar o número do quarto, ela autorizou ele subir. Mas pediu que esperasse, e começou a mexer em sua mala de mão. Estou aqui tentando ver o que ela esta tentando tirar de lá, mas seu corpo está na frente.
Ellen – Finalmente alguma novidade. Deixe-me ver. – Enquanto olhava continuava a falar- Conseguiram colocar alguma escuta enquanto levava o café?
Stones – Infelizmente parece que o destino não está a nos ajudar, ela ainda não fez nenhum pedido.
Um dos agentes localizados na entrada do hotel avisa pelo rádio que o homem que procurava a suspeita estava subindo. Eram apenas dois lances de escada. Logo a moça direcionou-se até a porta e abriu, o homem entrou. O coração de Ellen pulava ao ver aquilo da janela. Será que ela estava tão perto quanto parecia? O homem entrou, tirou do bolso um envelope e entregou. Enquanto a mulher pegou uma pequena bolsa de camurça azul marinho e entregou a ele. Sem muitas falas perceptível. E saiu do quarto.
O que fazer, se deixassem o homem ir nunca saberiam o que havia naquela pequena bolsa de camurça. Mas e se não houvesse nada demais, fossem conhecidos, perderiam a chance. Ellen, como chefe da operação no momento tinha que tomar uma decisão. Pegou o celular, ligou pra Buddy e falou. “Buddy, mande seus agentes prenderem esse homem, estou descendo irei até o quarto encontrar com a senhora Aleid .
O homem mal desceu as escadas e foi parado. Não tinha pra onde fugir, foi algemado e ficou ali esperando a chegada de Ellen, que se apresentou e perguntou o nome.
Ellen – Meu nome é Ellen Scherer, sou agente do FBI, e estou a cargo de uma investigação internacional. Qual seu nome?
O homem respondia em italiano, Buddy começou a traduzir, e informou que a ela falava que não fez nada, foi apenas visitar uma amiga que chegou de viagem.
Ellen – Certo, e aonde esta aquela pequena bolsa que ela lhe entregou?
Novamente em italiano o homem respondeu que não sabia do que ela falava.
Ellen – Revistem ele!
O homem começou a reclamar, mas a essa altura a bolsa azul marinho havia sido encontrada, ele havia colocado ela em seu bolso de trás.
Ellen – Não sabe, não é? Então o que é isto?
O homem ficou calado, Ellen se dirigiu até a mesa de centro que tinha na recepção do hotel, perguntou a Buddy se ele tinha um lenço, como típico italiano, claro que tinha. Entregou a ela, que entendeu na mesa e virou cuidadosamente a bolsa. E pronto, ali estavam 12 diamantes amarelos. O homem arregalou os olhos e continuou quieto.
Ellen – Vamos até o quarto da comissária, temos que prende-la. Enquanto isso coloquem ele no carro.
Subiram as escadas e bateram na porta, pra surpresa de todos a mulher abriu assustada achava que seria o serviço de quarto e não 5 agentes armados lhe dando voz de prisão.
Imediatamente ao notar que tinha sido pega ela pediu seu advogado. Foi informada que aquela era uma ação do FBI. Foi encaminhada ao carro e levada até a embaixada do Estados Unidos, aonde Ellen informou todo o ocorrido ao seu chefe, Matt que entrou em contato com as autoridades italianas possibilitando a vinda da comissária até o Estados Unidos.
O homem pede pra falar com Ellen, e pra surpresa dela ele falava sim inglês, disse que era um entregador, no seu inglês enrolado, que tinha recebido 130 euros para ir buscar uma encomenda e entregar um pacote. Que não sabia de nada, que era contratado terceirizado de uma empresa de entregas. Disse que receberia uma mensagem falando aonde deveria deixar o que pegou, que tal mensagem não tinha chegado ainda.
Ellen bateu na mesa desapontada. Não conseguira interceptar o receptor dos diamantes na Itália, e sim um mero entregador. Os agentes da Itália verificaram e a história do homem batia, ele não era nenhum membro da Four C’s. Pediram que fizesse um retrato de quem o contratou e ele descreveu uma mulher comum que não deixou muitas pistas.
Mas Ellen ainda tinha a Senhora Aleid, e conseguira a autorização para leva-la. Mas estranhamente o que se passava na cabeça de Ellen não era o sucesso em prender alguém, não era a emoção de uma conquista, e sim a frustração de ter que pegar um avião ainda naquela noite, levando a mulher detida, e não poder assim encontrar com Polianna.
Na primeira oportunidade, pegou seu telefone pessoal e ligou para ela, falou que infelizmente seu trabalho terminou antes da hora, e que a visita ao ponto turístico não seria possível. Mas Polianna deu uma notícia a Ellen que a fez brilhar. Disse que daqui a algumas semanas iria a Nova York, local aonde Ellen mora, e perguntou se podiam se encontrar. Radiante sem entender muito o porque Ellen afirmou que sim, que aguardaria ansiosa a ligação de Polianna. Que terminou falando “não me chame de Polianna, VOCÊ pode me chamar de Polly. Até breve.” Ellen ficou com aquilo na cabeça. Será que ela estava sentindo a mesma coisa? Havia realmente algo no ar ou seria tudo invenção da cabeça dela?
Enfim, agora não importava. Ellen tinha um trabalho a fazer, escoltar “sua apreensão” até os EUA.
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