08 Faces

3 A Impiedosa Laura Z.


Chegaram a central do CTI em Nova York com a escolta que estava a espera deles no aeroporto. Retiraram a Aleid do carro, algemada e levaram até o prédio, subiram ate o oitavo andar, colocando-a na sala de entrevistas.

Ellen e Stones foram até a sala de reunião e deixaram a par mais uma vez toda a equipe do que aconteceu e como aconteceu, cada mínimo detalhe. Eles estavam esgotados, mas não podiam ir ainda pra casa, não sem colher o depoimento daquela mulher que estava calada a horas.

Ela pediu um advogado, estavam a espera dele, não demorou muito e logo apareceu. Um homem baixinho, careca, não causava uma boa impressão. Entrou, trocou poucas palavras com aquela senhora, que parecia esgotada, cansada demais pra pensar, e desesperada, definitivamente desesperada com o que estava por vir.

Ellen entrou na sala, puxou uma cadeira e se sentou, em frente a angustiada mulher, que olhava pra baixo, como quem se envergonha do que tem a dizer.

Ellen – Vim recolher o depoimento da senhora. Saber o que tem a dizer sobre a situação na qual foi flagrada. Seu advogado chegou. Podemos conversar?

Aleid – Sim podemos, queria ser orientada, só isso. Agora podemos.

Ellen – Então vamos começar explicando como aqueles diamantes chegaram até a senhora, e porque viajou com ele da Russia e até a Itália.

Aleid – Sim, vou começar a contar tudo do começo. A senhora há de me entender. Preciso que me entenda. Tenho família, uma filha doente, ela tem apenas 6 anos, precisa da mãe, não posso ficar longe dela.

Ellen – Senhora, se acalme. Preciso que me conte como foi tudo, quem sabe não podemos lhe ajudar.

Aleid – Sim, sim – respirou fundo – Há algum tempo, eu estava com dificuldades financeiras, devido ao tratamento que tenho que pagar para minha filha, ela esta muito doente. Tem leucemia. E meu salário de comissária não estava sendo suficiente, meu marido, pai dela, sumiu no mundo duas semanas após descobrirmos a doença, só eu trabalho em minha casa. Um dia quando desembarcava de um vôo que estava trabalhando fui abordada no aeroporto por uma mulher, que disse que tinha uma proposta de emprego que iria me ajudar nas dívidas. Fiquei desconfiada, pois não sabia como ela soube das minhas dívidas, respondi que tinha um emprego, e ela disse que ainda assim eu deveria ouvir. Sentamos em um cafeteria do aeroporto, e me disse que se eu levasse um pacote no meu próximo vôo eu iria ganhar um dinheiro por isso. Garantiu que eu não teria problemas, que era só chegar e entregar a um homem. Eu estava precisando muito de dinheiro. Minha filha já estava sem remédio a algumas semanas, desesperada aceitei. Fiz o vôo e levei um pacote e entreguei logo que desembarquei a um homem. E dois dias depois vários pequenos depósitos foram feitos na minha conta. Tudo era muito sigiloso, mas eu precisava e preciso do dinheiro. Por isso me arrisquei.

Ellen – Qual o nome desta mulher que lhe abordou no aeroporto?

Aleid – Laura Z. pelo menos foi assim que ela se apresentou. Eu não fiz muitas perguntas.

Ellen – E quantas viagens você já fez carregando esses "pacotes"?

Aleid – Umas 6. Todas da Russia para a Itália.

Ellen – E quem lhe entregava esses pacotes na Rússia?

Aleid – Eram pessoas diferentes, de uma empresa de entrega de lá, chamada UTY. Nunca se repetiram. Eu ficava aguardando no aeroporto, eles iam me entregavam e eu assinava um papel.

Ellen – E depois eles entravam em contato?

Aleid – Depois que eu entregasse o pacote em Roma eu devia mandar uma mensagem para um numero avisando que tinha sido feito. Mas não enviei, não deu tempo desta vez.

Ellen — Então a esta altura eles já sabem que te prendemos. Se você visse uma foto dessa mulher, se lembraria?

Aleid — acho que sim, apesar de só ter visto ela duas vezes. Naquele dia no aeroporto e dois dias depois quando disse que aceitava. Nos encontramos no mesmo lugar e ela me explicou o que eu deveria fazer.

Ellen – Você tem o numero dela?

Aleid – Sim, é pra ele que deveria mandar a mensagem. Esta gravado no meu celular como Laura Z.

Ellen – Certo, estamos com o seu aparelho

Aleid – eu falei tudo que sei. Você vai me ajudar?

Ellen – Você será levada a julgamento por trafico. Mas em meu relatório falarei que você cooperou, um promotor vai conversar contigo. Obrigada!

A agente saiu meio decepcionada da sala, esperava conseguir muito mais informações. Mais parecia verdade que aquela aeromoça era apenas mais uma mula descartável utilizada pela Four C’s. Que havia se aproveitado da fragilidade do momento que esta mulher passava para recrutada-la para o serviço.

Eles agora tinham um nome e um número de telefone, seria esta tal de Laura Z. a Rainha? Eles poderiam agora rastrear o número, que era surpreendentemente dos EUA. E talvez conseguir um nome.

Entregou a Cruz o número e pediu que ele verificasse com a equipe de inteligência sobre aquele número. Sentou em sua mesa, pegou o relógio de bolso, e ficou abrindo e fechando, olhava as horas o tempo todo, como se esperasse que todas as respostas para as suas perguntas fossem sair dali como mágica.

Pegou suas coisas e foi para casa. Descansar da tensão de um vôo e um interrogatório. Não tinha mais o que fazer, apenas esperar notícias da equipe técnica. O que poderia demorar, era uma sexta-feira, eles ficavam lotados as sextas, Nova York fica movimentada nos finais de semanas, tráfico, drogas, homicídios... tudo... e acabavam por achar que a CTI podia esperar mais.