007 Contra o Fim do Mundo

16 Capitão Fantástico


Notas iniciais
A guerra chega à Londres, obrigando Bond fazer o impossível para impedir a tomada do Reino Unido pelas mãos da SPECTRE e companhia. Para isso, ele terá de assumir o comando de um avião cargueiro repleto de soldados inimigos. Mas como o agente 007 tornará isso possível?

Em poucos segundos o Lockheed alcançou velocidade suficiente para planar, mas continuou forçando o motor, com os pneus marcando a pista.

Samir, ao mesmo tempo em que apertava fundo no acelerador, pisava no freio para manter o controle do carro, pois os colossais jatos da aeronave sugavam-nos ao ponto de ela imaginar que a caminhonete perdera momentaneamente o contato com o chão.

— Não dá para se aproximar mais! — gritou Bond.

Samir respondera com um suspiro, aprumou-se ao volante, acelerando o quanto podia. Bond sabia exatamente o que ela buscava. Segurara seu punho e olhara bem para ela, mas viu em seus olhos a decisão que não a faria ceder.

Ele passou a alça da arma sobre seu pescoço, colocando-a em suas costas, segura. Sentia seu corpo travado, sem movimento e tentava respirar fundo, como preparando-se para agir.

Samir acelerou, chegando a pouquíssimos metros da calda da aeronave. A caminhonete, dali em diante, começara a ficar instável, parecia leve como uma pluma, obrigando Samir a usar toda a sua força na direção. O Lockheed chegara à sua máxima potência.

Com muito esforço, Samir conseguira uma guinada para a esquerda, ficando defronte à asa gigante. A caminhonete tremia, ziguezagueando milimetricamente para esquerda e para a direita, com Samir estancando o volante e correndo em linha reta, rente ao Lockheed.

Ela olhara para Bond e logo voltou sua atenção para a pista. Era o sinal. Bond ergueu-se no banco do passageiro, com respirações curtas, e segurando no para-brisa colocara uma perna para fora. Fora um movimento simples, mas penoso demais.

Segundos depois, Bond estava por inteiro em cima do para-brisa, agachado, segurando-se firme. Esperava o momento que ele julgava certo, mas a caminhonete não suportaria a intensa pressão das turbinas: ou pulava agora ou seriam engolidos.

Ele virou seu pescoço em direção a Samir, que suava, vermelha, no volante. Seus olhares cruzaram-se. Bond sentia seu medo misturado com sua disposição. Tentou não absolver aquela confusão de sentimentos e endireitou-se em direção à asa.

Samir acelerou e tudo foi muito rápido. O Lockheed ergueu-se no ar, a caminhonete perdera o contato com o chão, fazendo seu motor malograr, planando a meio metro; Bond soltara-se e saltara o mais alto que pudera. Seus dedos tocaram a asa esquerda da aeronave e ataram-se a ela sustentando seu corpo. A caminhonete girara no ar e após subir mais um metro perdera altitude, em queda livre em direção à pista que o Lockheed deixara para trás.

Bond, que já não sentia seus dedos, olhara para trás a tempo de ver o carro quicar duas ou três vezes no chão e explodir em seguida, sendo engolido por labaredas e fumaça. Ele gemeu quando as chamas iluminaram seu rosto e, gritando, ergueu-se para cima da asa, os dedos tremendo com a força que fizera.

Havia pequenas ondulações na asa, suficientes para Bond segurar-se enquanto o Lockheed alcançava onze mil metros de altitude a uma velocidade incrível. Seu corpo inteiro tremia, sendo cortado pelo vento extremamente frio. Tinha que movimentar-se.

Começou a arrastar-se com a dificuldade de quem galgava uma montanha. Era colossal aquela máquina, a asa parecia infinita e ao invés de seguir plana, formava um ligeiro aclive em direção a cabeça da aeronave, dificultando ainda mais a movimentação de Bond.

Parecia ter levado uma eternidade até James conseguir tocar sua extensão e a cabeça achatada do Lockheed. Uma pequena vidraça estava a alguns metros de distância, mas ali o vento corria livremente pela superfície lisa.

Bond começara a descer a asa novamente, até ficar parelho a vidraça. Foi quando arrastou-se para a direita, aproximando-se da janela, que, pelos seus cálculos, passaria seu corpo com folga.

Ele segurou-se com uma mão na ondulação e esticara a outra tentando alcançar o vidro. Bond, pensando melhor, trouxe sua AK-47 para seu peito, fazendo mira na janela. Atirou uma primeira vez, mas acertara longe demais do alvo. Na segunda, porém, espatifara o vidro.

Bond preparou-se, ajeitou o AK-47 nas suas costas e pulara. Sentira os pedaços do que sobrara do vidro cortando as palmas de suas mãos. A força do vento jogava suas pernas em direção às asas, como se fossem cortinas, debatendo-se insistentemente.

Um rosto surgira na janela quebrada, gritando algo em russo e esmurrando os dedos de Bond. Sangrando, Bond soltara uma de suas mãos e com ela livre acertara um murro no meio do rosto do russo, que afastou-se, mas logo voltara a investir contra ele.

Sentindo sua mão escorregar nos fragmentos do vidro, Bond, com a outra livre, arrancara um pedaço da janela e enfiara-a no dorso da mão do russo, que gemera de dor, sumindo na escuridão.

Ele impulsionou seu corpo para dentro da janela, sentindo o vidro rasgar sua carne ao passo que adentrava a um pequeno vestíbulo, com duas portas em cada lado.

Quando Bond passara metade de seu corpo para dentro, a porta à sua esquerda abriu-se, surgindo dela dois homens de pele branca, cada um com mais de um metro e noventa de altura.

Bond equilibrava seu corpo por cima do vidro que cortava seu abdômen e com uma das mãos agarrara as vestes do soldado mais próximo, puxando-o junto para si. Recebera sucessivos murros, enquanto tateava o ar em busca do soldado livre, que acertara milhares de socos em sua cabeça. Estavam desarmados.

Começara uma grande gritaria em diferentes línguas, onde vários outros soldados espremiam-se na porta para tentar acertar o intruso. Bond, atordoado, agarrara um segundo soldado, jogando-o contra o que já estava preso, que se colidiram e tropeçaram nos soldados a suas costas, dando tempo para Bond projetar o restante de seu corpo esquartejado para dentro.

Uma pancadaria generalizada teve início. Bond contra ao menos quinze homens, fora os demais do lado de fora, urrando pedindo sua cabeça. Ele batia em todas as direções e ora ou outra sentia o atrito de seu punho contra os ossos do adversário.

Alguém começara a puxar sua arma em suas costas, tentando tomá-la à força. Bond apertara a trava de segurança e em seguida o gatilho. Um barulho ensurdecedor tomara conta do lugar, enquanto o chão era metralhado, afugentando os soldados.

A outra porta do vestíbulo fora aberta, revelando o copiloto e a cabine. Bond empunhou a AK-47 e mirou em todas as direções, protegendo-se. Ninguém atacou. Obrigou o copiloto a se juntar aos demais soldados, empurrando-o para a multidão silenciosa.

Bond olhara por cima dos presentes e pôde ver o vasto compartimento de carga, repleto de soldados e caixas de madeiras, algo do tamanho de uma catedral, com a abóbada e tudo o mais.

Provavelmente o armamento estava dentro das caixas, pensou. Antes que eles se dessem conta, Bond entrara na cabine, trancando a porta.

O piloto o olhou, temeroso. Bond devolveu o olhar, apurando os ouvidos para a movimentação do lado de fora.

— Onde estamos? — perguntou Bond.

— Estamos sobrevoando o sul da Itália — respondeu o piloto, tropeçando nas palavras.

— Quanto tempo até Londres?

— Nesse ritmo, uma hora.

Bond mirou no piloto, que berrou, com um sotaque sírio:

— Há soldados chegando de todo o continente! Isso aqui não é nem metade dos que pousarão em Londres!

Bond pensou no que ele lhe falara. Mas ainda assim, destravou a arma.

— Deles cuido eu.

E fuzilou o piloto, acertando-o no rosto e no peito, fazendo-o tombar para frente.

Bond jogou seu corpo para o chão e assumiu o comando. Na porta, um baque surdo forçava-a, enquanto ouvia-se o que parecia xingamentos em russo e em árabe.

James olhara todos aqueles botões e tentou encontrar o que lhe importava, foi quando ouviu sucessivos tiros acertarem a porta blindada da cabine. Eles se armaram, prontos para assumir o controle da aeronave.

Ele apertara qualquer botão e surpreendeu-se em sentir a nave desestabilizando-se. Agarrou o manche e sentira todo o peso do Lockheed em suas mãos ensanguentadas e no seu corpo dilacerado.

Tentou familiarizar-se com a sensação, arriscando pequenas manobras e mudando de direção para logo retomar o trajeto.

Algo começara a tocar acima da cabeça de James, era um rádio. Ele o tirou do gancho e apertara o botão da escuta.

— Capitão Bond falando — atreveu-se.

Um silêncio seguiu-se na linha, fazendo Bond sorrir e sentir o sangue escorrer por entre suas têmporas.

James. Que surpresa ouvir sua voz, ainda mais considerando as condições.

— Acredite, White, não é tão complicado quanto parece pilotar um jatinho de quase quinhentas toneladas.

Mr. White riu, ainda tão surpreso quanto dissera.

Bom para você. O inabalável James Bond!

— Pode me chamar de Capitão Fantástico.

Certo, “Capitão Fantástico”. Creio que sua tripulação não parece muito satisfeita. Ouço tiros e gritos ou é impressão minha?

— Sim, parecem insaciáveis.

Somente se sentirão saciados quando arrancar-lhe a cabeça, Bond. São quinhentos homens e pouco mais de mil fuzis nas caixas que você deve ter visto. Sem contar, é claro, a tonelada de explosivos.

— Acha mesmo que a alfândega liberará seus brinquedinhos, White? — caçoou Bond, mantendo com dificuldades o controle sobre o Lockheed.

Mr. White não lhe dera atenção e continuou.

Se você olhar para o radar nesse exato momento, poderá ver cerca de seis pontos vermelhos aproximando-se de seu avião, Bond.

— São caças.

Exatamente — animou-se White — Abaterão o Lockheed e o seu Capitão Fantástico.

— O que são quinhentas vidas, não é mesmo White?

E perguntando isso, Bond desligou o rádio, colocando-o de volta ao gancho.

Os caças pareciam alcançar a mesma velocidade do Lockheed, mas de muito mais longe eles poderiam acertá-lo com um míssil. A vantagem era toda deles.

Bond olhara para o radar e com as coordenadas que visualizava soube que aproximava-se do Canal da Mancha.

— Vamos acordar, Londres! — gritou, forçando ainda mais os motores.

Sentia os caças zunindo atrás de si, pelo menos essa era a sensação que ele tinha. Bond subira mais pelo menos mil pés de altura, chegando a sentir o ar levemente rarefeito. Sua cabeça ficara leve e seus olhos enevoados.

Porém, ao olhar para o radar, percebera que os pontos vermelhos estavam mais transparentes ou esparsos, longe de sua localização. Um dos botões passou a piscar como um sinal de alerta, Bond acreditara que seria um aviso para que ele diminuísse a altitude o quanto antes.

Isso já não seria um problema, levando em conta o seu plano.

Bond puxou o manche para a direção oposta ao seu corpo, afastando-o cada vez mais de si. Imediatamente a ponta da aeronave ficara apontada em direção ao chão, mergulhando velozmente.

Ele olhara para o radar e abruptamente os pontos vermelhos assumiram um tom rubro intenso, como fossem explodir, mas logo após o Lockheed mergulhar para a terra, não havia nenhum sinal deles no monitor. Os soldados desavisados, do outro lado da porta, colidiram contra a parede.

James Bond fizera uma curva com o manche e o avião cortou o céu recuperando a altitude. Os caças retomaram a perseguição e o radar dera o alerta: um míssil vinha em sua direção.

Bond fizera uma manobra impossível para um avião cargueiro, colocando-o de ponta cabeça, dando dois giros completos antes de voltar à posição normal. Quando recuperara-se, Bond ainda pôde ver o par de mísseis seguindo caminho, explodindo no horizonte escuro.

Lá atrás, os soldados estavam atordoados, sendo possível ouvir as caixas repletas de armamento se quebrarem.

Os caças continuavam no radar, quando mais um par de mísseis cruzou os céus sobre o Canal da Mancha. Bond elevara a aeronave o quanto conseguira, mas fora surpreendido quando um deles voltara como um bumerangue, indo a toda velocidade em sua direção.

Bond jogara o manche para a esquerda, quando imediatamente o Lockheed respondeu, planando de lado. O míssil passou rente ao avião, em linha reta, colidindo segundos depois com uns dos caças, que explodira espetacularmente, com seu piloto salvando-se ao acionar o paraquedas junto ao assento.

Segundos depois, Bond ficara em choque. A única explicação possível era que o radar estava danificado, pois incontáveis pontos vermelhos apareceram no painel, piscando freneticamente, emitindo um som agudo e constante que tomava toda a cabine.

Não fora necessário esperar por uma resposta. O céu inundou-se de aeronaves de todos os tipos. Vários caças passaram por Bond, helicópteros militares, aviões cargueiros, todos rumando para o mesmo caminho.

Um frio tomara conta do estômago de Bond, que apertara o manche entre suas mãos. O rádio recomeçou a tocar.

Identifique-se! Identifique-se — gritava no rádio uma voz masculina — Aeronáutica Britânica! Identifique-se imediatamente!

— Aqui é 007, a serviço do MI6.

O MI6 foi descontinuado, agente! O que exatamente está acontecendo!?

Bond soltara uma risadinha que tanto tinha de desdenhosa, quanto tinha de nervosa.

— Não está claro, Coronel? O Reino Unido está sob ataque e as forças militares britânicos só descobriram agora, quando eles já ultrapassaram os limites de nosso céu. Ou melhor, dos céus da Monitor Air...

Aqueles desgraçados tiraram de nossas mãos o controle aéreo, agente! E nas últimas três horas perdemos todos nossos radares! — blasfemou o Coronel.

— Política, senhor — lamentou Bond, sem uma pontada de remorso.

Eu sei. Eu sei... Estaremos todos mortos até o início do dia.

Bond já estava pronto para encerrar a ligação quando ouvir o coronel falar, para ele mesmo, sem se dar conta, talvez, que Bond continuava ouvindo-o.

Que Deus tenha piedade de nós...

Bond finalmente conseguia ver a iluminada Londres, era mais de uma da manhã. Um dos aviões que voava à sua frente lançara uma bomba imensa sobre o que poderia ser a parte sul da cidade, mas fora impossível ouvir o estrondo entre os vidros blindados da cabine.

Na porta atrás de James, recomeçara a tentativa de arrombá-la. Vozes e gritos desesperados eram ouvidos. Foi quando ele pegara sua AK-47 e metralhou os vidros do avião, recebendo uma rajada de ar e os zunidos das bombas e dos motores do avião. Londres virara Aleppo.

Bond, então, manobrava o avião pronto para fazer sua última manobra, no exato momento em que um míssil acertara a calda do Lockheed, fazendo perder a estabilidade no ar. Ele insistira, ganhando cada vez mais altitude.

Em dado momento, Bond voava por cima de todas as demais aeronaves, que chegavam a cinquenta.

Em cima de sua cabeça, quase próximo do rádio, Bond apertara um botão iluminado por uma luz roxa, que naquele exato momento destravara um compartimento de onde caíra uma mochila pesada no chão. Bond vestiu o paraquedas, colocando seu AK47 por cima de seu peito, mantendo sempre uma das mãos no manche e dera uma última olhada para baixo, onde mais bombas eram lançadas contra a Inglaterra.

O motor começara a falhar e o tempo de resposta do Lockheed perdeu-se consideravelmente. Bond olhou para cima onde mais botões iluminados piscavam. Ele sorriu quando encontrara o menor deles, esverdeado, escrito push.

James Bond apertara com gosto aquele botão e dessa vez jogara o manche contra o seu corpo, fazendo a ponta da nave voar em direção à lua. Ele travara a direção e o Lockheed voava sozinho rumo ao espaço. Os gritos que vinham detrás da porta, indicavam que os soldados foram jogados para a outra extremidade da aeronave.

Totalmente na vertical, a gravidade jogara Bond contra a porta. Ele a destrancara e pulara contra a parede contrária do vestíbulo, onde a porta também estava aberta. Bond empunhara a arma e observava a nave subir como um foguete, enquanto a porta de carga estava completamente escancarada, fazendo-o ver as caixas repletas de armas caírem no céu escuro e os soldados segurarem-se como podiam, enquanto outros iam em direção ao chão.

O avião, então, começara a perder altitude, caindo de pé, mas velozmente, ultrapassando vários aviões.

Bond finalmente pulara rumo ao poço que era a portal do cargueiro, atirando em todas as direções, acertando soldados inimigos e caixas repletas de explosivos que alcançavam o chão.

Quando abrira o paraquedas, ainda sentira o calor ocasionado pela explosão de uma tonelada de bombas que foram estraçalhadas junto às caixas de madeiras. Suas pernas ainda foram atingidas por destroços e queimadas pelas as chamas que eram produzidas.

Foram sucessivamente trinta explosões, avião após avião virando migalhas no céu britânico, contagiando um ao outro, criando uma vasta nuvem de poeira negra.

As ruinas viraram pequenas bolas de fogo que subiam como fogos de artifício e ao criar um arco no ar, caiam em direção ao chão, queimando o que estivesse em seu caminho. Uma chuva negra.

Enquanto a explosão ainda alastrava-se, Bond ia caindo vagarosamente, tendo todo um panorama da cidade, vendo, abobalhado, os resíduos do Lockheed atingirem o Palácio de Westminster, explodindo por completo o parlamento, acordando todos os britânicos que dormiam, preparando-se para iniciar em poucas horas mais um dia de trabalho.

Uma dessas bolas de fogo caia em direção ao paraquedas de Bond, atingindo-o em cheio, rasgando-o ao formar uma perfeita bola de tênis no tecido do equipamento.

Imediatamente Bond continuou caindo em uma velocidade maior, quando já estava há dez metros do chão, estatelando-se em uma zona repleta de mato, nos arredores da cidade.

Ele permanecera deitado, coberto pelo paraquedas. Seu corpo latejava com diferentes intensidades de uma mesma dor. Sua perna esquerda pulsava como se estivesse envolta de ferragens retorcidas.

Fizera mais um esforço monumental para colocar-se de pé. Arrastou sua perna consigo, descobrindo-se em uma região alta, de onde era possível ter uma bela vista de uma destruída Londres.

Ergueu-se, com o ombro deslocado e o braço quebrado. Suas mãos repletas de sangue seco e suas roupas ainda úmidas pelas feridas abertas em todo o seu corpo. Sentia falta de alguns dentes e seu olho direito estava duas vezes maior do que seu tamanho normal.

Mancando, acessou uma estradinha de terra, de onde já era possível ver o clarão do dia no horizonte. Respirou fundo, ajeitou sua postura e tirara a poeira dos ombros. Seu sapato estava rasgado e estranhamente apertado, mas ainda era possível perceber que outrora tratava-se de um sapato fino italiano. Estalou o pescoço e recomeçou a andar, tendo a perfeita consciência que por debaixo daquele farrapo de homem encontrava-se James Bond.