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O trem havia parado mais uma vez, mas desta vez, em casa. Luna tinha agora 20 anos, e já era uma mulher formada, passou cinco anos trabalhando com Ander e seus amigos, e agora só queria saber de chegar em casa, descansar, e.... conversar com seus pais.
Seus sentimentos por Ander estavam mais fortes e mais firmes cinco anos depois daquele encontro inesperado no vagão do trem, ela não queria admitir isso enquanto estavam trabalhando juntos, mas começou a aproveitar as horas de encontro depois de certo tempo.
Pensou até em levá-lo junto até em casa para apresentar ele aos seus pais, afinal, os dois também se conheceram assim. Porém, precisava conversar com eles sobre sua incapacidade sozinha. E, não sabia se Ander tinha sentimentos por ela assim como ela tinha por ele, e pior do que isso, se aceitaria seu problema.
Então, se despediu dos seus amigos, agora velhos, Maicon e sua agora esposa, Melissa, de mãos dadas, Ethan e Clara zangados um com o outro sequer se olhavam, mas Luna deu um abraço e um beijo em todos, e até em alguns outros colegas de trabalho que conhecia de vista, e então partiu.
A casa deles continuava a mesmo, parecia que nada tinha mudado nesses cinco anos, embora Luna tenha ficado cada vez mais alta, bela, e voluptuosa. Agora seus seios eram do tamanho dos da mãe, tinha uma bela cintura e pernas muito belas, segundo Ander. Cortara o cabelo, usava um rabo de cavalo e um semi sorriso no rosto quando chegou a porta e tocou a campainha, esperou.
Ninguém atendeu a campainha, o que era estranho, pois era final de semana e eles deveriam estar em casa. Luna resolveu entrar com a chave biométrica, que identificava o gene da família para liberar a porta. Passou o dedo na porta e quando olhou para dentro de casa quase voltou correndo para o trem.
Estava escura, e cheia de poeira e teias de aranhas. Se não fosse a foto da família em representação eletrônica na parede ao fundo, ela teria achado que errou de casa. Mas realmente era a sua casa, e ali estavam seus pais sorrindo com ela nos braços para provar isso.
Entrou na casa com cuidado, sabia que tinha algo errado ali, seus pais nunca se mudariam daquele lugar, pois era uma das poucas casas que tinha um porão, e seria impossível mover toda a biblioteca dali para outro lugar. Andou até a correspondência e encontrou um envelope eletrônico com o selo do governo endereçado a ela.
O envelope fez um rápido reconhecimento facial, e então se abriu para mostrar um holograma de um homem vestido de preto que olhou para Luna e começou a dizer:
“Srta. Luna F. Valdez.
O Governo vem através dessa carta lhe informar que um grave acidente de sonicmóvel veio a acontecer com seus pais dois anos atrás levando-os a falecer instantaneamente.
Como testamento é um documento obrigatório do nosso Governo atual, seus pais deixaram tudo que tinha para a Srta. tanto esta casa quantos todos os seus outros bens.
O Governo presta suas condolências, e pede para que grave seu testamento agora, tendo em vista que a Srta. já adquiriu posses.”
Luna levou um tempo para entender o que tudo aquilo significava. A comunicação entre distritos era proibida, então seus pais nunca puderam falar com ela durante esses cinco anos em que esteve longe. No entanto, ela esperava que eles a aguardassem com histórias novas, e quem sabe até, livros novos, seria incrível estar de voltar, se não estivesse sozinha.
Percebeu então que seus olhos começavam a se encher de lágrimas, e que aquele homem holográfico ainda olhava para ela, se sentiu constrangida por chorar na frente de um estranho que não era real, assim decidiu deixar tudo que tinha, e que ainda teria, para Ander, apenas para dispensar o homem. Fecharam o testamento com um reconhecimento facial que teve que ser repetido três vezes, pois Luna já havia caído no choro e foi difícil manter o rosto limpo.
Luna então caiu sentada no chão empoeirado da sua antiga casa, e chorou até adormecer de exaustão. Só queria não estar ali, queria que nada daquilo fosse verdade. Então, apagou o mundo de 5 anos atrás, voltou a seu uma criança, e se escondeu no porão por dias e dias. Não deu noticia aos seus amigos, nem mesmo a Ander. Ninguém soube dela pelos próximos seis meses, que era o tempo de descanso que eles davam aos jovens, agora adultos, quando voltavam do seu primeiro trabalho.
Em seis meses, Luna se agarrou aos, agora seus, e só seus, livros, e estudou tudo que podia sobre a morte, queria poder entender onde seus pais estavam agora, ou o que estavam fazendo. Leu sobre diversas culturas, e muitos momentos da história recente, e antiga do Planeta, descobriu os Egípcios, os Romanos, e até os Valsares, que levaram a Terra ao estado crítico de 2100, onde um genocídio biológico quase extinguiu a raça humana.
Seis meses de reclusão lhe garantiram aceitação, e um conhecimento amplo e diferenciado sobre a pós vida, mas em uma coisa todos concordavam, pessoas boas, mereciam coisas boas. Então ela aceitou que seus pais agora estavam em um lugar bom. E o segundo atual, partiu para outro lugar também.
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