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Sim, o planeta Terra dispunha apenas de 9 mil pessoas no ano de 2515, e todas elas estavam conectadas ao terminal ótico que transmitia o Mude o Mundo dessa metade do século.
De 50 em 50 anos, a partir do ano de 2265, foi estipulado pelo Governo Mundial, que seria dado ao cidadão que tivesse um poder de conhecimento inalcançável, independente de que Classe ele fizesse parte, de poder criar uma Lei Universal. Muitas pessoas vêm estudando as suas vidas inteiras desde então para que tal dia chegue. Claro, nenhuma delas que estivesse na Classe 2 para baixo sequer teve chances de chegar perto do prêmio.
Dois grandes pensadores da Classe 1 conseguiram chegar até a final, que se constitui de 50 perguntas de conhecimentos técnico e profissional em áreas como matemática, física, química e outras. O primeiro Legislador Universal foi Marcos Wolf, que salvou todas as árvores restantes do nosso planeta tornando-as Objetos Intocáveis, para qualquer ser uma. “Mais um primeiro passo” foi o que disse, quando conquistou sua vitória. Desde esse dia, tudo passou a ser fabricado a partir de metal ou pedras, muitas matérias primas foram perdidas e o mundo teve que se adaptar, mas depois de 100 anos, a humanidade finalmente conseguir acabar com os Anos de Pouco Ar.
Quatro edições mais tarde, tendo em vista a quase extinção de qualquer tipo de papel da face da Terra, um histótico chamado James Flow criou os hoje muito utilizados Centros De Conhecimento a partir do seu próprio cérebro, um terminal onde as pessoas poderiam saber tudo que ele sabia, infelizmente, Flow morreu no processo de captura de informação cerebral, muitas pessoas dizem até hoje que isso foi um ato proposital do governo, para poder dividir o conhecimento de tal homem do jeito que bem entendessem entre as classes.
A ideia primordial de Flow era disponibilizar esse conhecimento para tudo e todos, ele tinha orgulho em ser chamado de histórico pelas outras pessoas de Classe 1, e dedicava todo o seu tempo a ler e restaurar livros e sua mansão. Luna daria qualquer coisa para poder ver a famosa biblioteca de Flow e todo o gigante conhecimento que havia nela, mas logo após a morte, e remanejamento de sua morte de acordo com o governo, sua casa e todos seus pertences foram incinerados pelo governo por causa de dívidas que Flow veio acumulando através dos anos, mas só apareceram depois da sua morte.
O calor gerado por todos aqueles pertences, dizia o governo, alimentaria a população mundial por, no mínimo, mais cinco anos, então os trabalhadores das Usinas Térmicas ganharam uma boa folga e nunca mais falaram nada sobre o assunto, mesmo depois daquele massacre aos últimos pedaços de livros da humanidade.
Mas após essas duas únicas vitórias o nível de conhecimento da população mundial diminuiu drasticamente divido a brilhante ideia de Naimod que foi manipulada pelo governo.
As pessoas que ocupavam a Classe 1 deixaram de se importar com tal coisa, pois a vida deles era boa, e esperar por algo que só acontece de 50 em 50 anos parecia entediante de mais. Alguns Classe 2 se aventuravam ainda, pois se consideravam inteligente o suficiente, e sem a concorrência da Classe 1, realmente tentavam de tudo para chegar lá, assim como os sonhadores da Classe 3, e os miseráveis da Classe 4, que provavelmente criariam uma lei mundial que lhe desse um pão por dia.
Então, o Mude o Mundo passou a ser visto como um programa de humor por aqueles que não se importavam mais com o mundo (novamente), pois se tornou muito engraçado um Classe 4 tentando fazer uma conta de multiplicação, ou um Classe 3 explicar o que foi a Ascenção Lunar em 2145. O programa teria perdido cada vez mais audiência, se isso ainda existisse, e se ele não fosse transmitido para o mundo inteiro obrigatoriamente.
Tudo isso, e muitas outras coisas passavam pela cabeça de Luna enquanto ela permanecia em pé naquele palco. A última competidora restante, de frente para a pergunta de número 50. Uma simples mulher da Classe 3, que tinha os olhos de toda a (pequena) população mundial vontade para si. E que agora começara a lembrar de uma vida que havia muito tempo passada, e sequer parecia sua, mas estava lá, em todos os momentos, em todas as alegrias e tristezas.
E também estava lá naquele relógio gigantesco a sua frente agora com a última pergunta a ser respondida. E mais um segundo se deixando passar.
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