0 The Legend Of a Fighter

1 Capítulo 001: Um show aterrorizante


Capítulo 001: Um show aterrorizante

Sobre a grande cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, o céu está bastante escuro e estrelado, dando às ruas uma fraca iluminação nas primeiras horas da manhã. Uma pequena quantidade de carros circula e as pessoas da cidade começam a acender as luzes de suas casas na manhã de sexta-feira.

Mais precisamente no bairro de Copacabana, zona sul da cidade, em um prédio alto, relativamente perto da praia, um despertador situado sobre uma mesa de cabeceira toca intensamente por quase cinco segundos, entretanto, uma mão rapidamente o atinge com força fazendo-o parar de tocar.

O garoto deitado na cama, ao lado do despertador, retira a mão do objeto, se cobre rapidamente com seu lençol branco e se vira, voltando a cair lentamente no sono.

Garoto (com uma voz bem lenta e arrastada): Hum! Nem pensar que eu vou acordar agora... no mínimo mais cinco minutos...

Ele começa a roncar por alguns poucos segundos, mas rapidamente abre os olhos, como se tivesse se lembrado de alguma coisa.

Garoto: Espera um pouco!

O jovem ergue-se, sentando rapidamente na cama, bagunçando os lençóis brancos que o cobriam, e então, fica de pé e corre contra a parede oposta de seu quarto, onde estava pregado um calendário. O garoto examina atentamente o calendário até que um largo sorriso se abre em seu rosto.

Garoto: Caramba! Caramba! Como é que eu não me lembrei?! É hoje! Finalmente! É hoje! Hahaha!!!

O quarto é bastante amplo, com o chão recoberto de brilhantes azulejos brancos, uma cama de solteiro encostada em uma das paredes, ao lado da janela que dava de frente para a praia. À frente da cama, um grande guarda-roupa de madeira escura e, ao lado dele, uma grande televisão embutida na parede e um vídeo-game de última geração sobre uma cômoda, localizada logo à frente da TV. Por todas as paredes do quarto, estão colados diversos cartazes e pôsteres de personalidades famosas e, próximo à porta de saída, há uma outra porta, um pouco menor, que dá acesso ao banheiro. O jovem se dirige rapidamente até lá, acende a luz no interior do amplo aposento, composto de azulejos também brancos, um chuveiro, um vaso sanitário e uma pia, sendo que, na parede logo acima da pia, há um grande espelho com uma moldura feita de brilhantes cristais. O garoto com cabelos levemente loiros e lisos e com olhos castanhos vê a sua imagem refletida no espelho, ainda com um largo sorriso.

Ele abre a torneira e começa a molhar a face. Neste momento, uma mulher, também de cabelos loiros, com quase a mesma altura do garoto, rapidamente entra no quarto, mas se depara com a cama vazia e bastante bagunçada. Ela se volta para a porta do banheiro.

Mulher (com uma voz relativamente alta): Ryan, você já levantou, filho?!

Garoto: Sim, mãe! Eu já estou indo tomar meu banho!

A mãe de Ryan começa a ouvir um ruído de água caindo no chão.

Mãe (pensando): É estranho o Ryan se levantar sozinho para ir à escola... Heh! O que será que deu nele hoje?

Ela se vira para sair do quarto até que seus olhos param sobre o calendário pregado na parede e então se aproxima dele.

Mãe: Puxa! É mesmo... por isso ele deve estar mais empolgado essa manhã, hoje é o dia pelo qual ele vem esperando faz tanto tempo! Hehehe!

O tempo lentamente passa e o sol começa a raiar fracamente pelas ruas do Rio de Janeiro e, o quarto já começa a ser invadido pela luminosidade que entra da janela, quando Ryan sai do banheiro e começa a se vestir defronte ao seu guarda-roupa. Com uma calça jeans, tênis branco, um casaco preto e com o cabelo levemente arrepiado, ele sai do seu quarto e cruza o corredor até a escada, descendo até a cozinha, revestida de azulejos enfeitados com diversos ornamentos, uma longa mesa de ferro no centro, um longo armário que percorria toda a parede do aposento e uma pia bem ampla, na qual a sua mãe preparava uma bandeja com frutas, pães e bebidas. Num canto superior da parede, havia uma pequena TV embutida e, sentado à mesa, já estava um homem com cabelos pretos e olhos claros, vestindo um paletó e gravata pretos.

Ryan: Bom dia pai...

Pai: Ah, oi, filho, bom dia...

O garoto se senta à frente de seu pai e a mãe coloca a bandeja que preparava na mesa, entre os dois.

Mãe: Coma bem, filho...

Ryan: Sim...

Ela volta para a pia, enquanto o pai pega o controle remoto sobre a mesa e liga a TV, onde está sendo exibido o primeiro telejornal da manhã.

Apresentador da TV: É isso aí, gente! O tão aguardado dia chegou! É hoje que acontece na cidade do Rio de Janeiro, nas areias da praia de Copacabana, o evento conhecido como The International Music´s Conference! Este evento só acontece uma vez por ano e, desta vez, o Rio de Janeiro é que foi premiado com a oportunidade de sediá-lo! Lembramos que, neste evento, iremos contar com a presença de inúmeros grupos musicais internacionais dos estilos mais variados do mundo da música. Verdadeiros nomes como Madona, Lady Gaga, a banda de rock Linkin Park e o grupo Jonas Brothers farão sua participação hoje! A segurança da região irá contar com mais de...

Pai: Você vai lá mais tarde, não é mesmo, filho?

Ryan: Sim, com certeza, vai começar a partir das dez horas da noite! Estava contando os dias para este show, não vou perder de jeito nenhum...

A mãe, que lavava algumas louças na pia, começa a prestar mais atenção na conversa e vira metade do rosto para os dois.

Mãe: Eu só quero que você tome o máximo de cuidado possível, Ryan. É muito natural que em shows haja pessoas usando drogas, bebidas... e isso sempre acaba gerando brigas e confusões... ainda mais em um show como esse, tão aguardado, onde com certeza haverá uma quantidade gigante de pessoas e, além disso...

Ryan: Mãe, você já me vem falando isso há dias! Eu já sei de todas essas coisas! Eu já estou com quinze anos, já sei me cuidar muito bem sozinho... e também não é a primeira vez que eu vou num show, além disso, eu vou com praticamente todo mundo da escola...

Mãe: Eu sei, eu sei, mas é que desde o dia em que você me falou sobre este show, eu não estou com um pressentimento muito bom...

Pai: Pára com isso, meu amor, o Ryan já foi várias vezes a shows e festas com os amigos, agora vai ser só mais um. Não há motivos para se preocupar, ele, com certeza, ficará bem.

A mãe continuou a lavar a louça, com uma expressão bastante triste e preocupada. Ryan rapidamente comeu alguns pães e frutas e tomou um copo de leite.

Ryan: Com licença, gente, eu vou pegar a minha mochila lá em cima, senão eu vou acabar me atrasando.

Pai: Certo...

O jovem rapidamente sobe as escadas, cruza o corredor e entra em seu quarto. Abre seu guarda-roupa, e, de trás de várias camisetas e bermudas, retira uma mochila preta. Ele a coloca nas costas e olha pela janela, encarando a praia e o sol, que agora já está bem forte e ilumina bastante o interior do quarto.

Ryan (pensando): Beleza... o dia de hoje com certeza vai ser foda demais!!!

O garoto desce, passando pela cozinha bem rapidamente.

Ryan: Eu já estou indo, pessoal, tenham um bom dia!

Pai: Bom dia, filho, se cuida!

Ryan: Pode deixar.

Mãe: Não se atrase para o almoço!

Ryan: Beleza!

Ele passa pela sala, quadrada e bem ampla, com um grande sofá bastante luxuoso no centro, uma TV de plasma bem grande embutida em uma parede, o chão recoberto de tapetes muito bem cuidados e, nos lados da TV, móveis contendo diversas bebidas, como vinho e uísque importados. Por todas as paredes, há uma grande quantidade de quadros decorativos e, no centro do teto, há um lustre formado de cristais muito brilhantes. Ryan sai, fechando a porta.

Sete horas da manhã, o sinal já está tocando no pátio de sua escola, e Ryan está sentado em um banco de mármore ao lado de um garoto de cabelos lisos e pretos, com uma altura um pouco mais baixa e vestindo uma bermuda com uma camiseta de meia manga. O pátio é bem grande, com várias árvores e bancos, e é completamente aberto ao ar livre. Ele está apinhado de alunos que começam a subir para as suas salas.

Ryan: Cadu, está tudo certo para hoje, não é mesmo?

Cadu: Sim... a partir das dez horas da noite! Cara esse show vai ser muito foda!

Ryan: Tudo combinado, a gente vai se encontrar aqui na porta da escola às seis horas e vamos direto pra praia enrolar até dar a hora do show, beleza?

Cadu: Ta tudo beleza...

Uma leve fumaça branca passa pela nuca dos dois garotos e ambos se viram rapidamente para trás. De pé diante deles, está um garoto alto, de cabelos relativamente longos e ruivos, vestindo calça e camiseta pretas e fumando um cigarro. Seu rosto possui piercings nas sobrancelhas e no nariz.

Ryan: O que você quer aqui, Leo? A gente não tem nada pra falar com você, mete o pé!

Leo: Olha como você fala, Ryan! Faz dias que você ta me enfrentando, ta perdendo a noção do perigo ou acha que...

Cadu: Você não ouviu o que ele falou, seu viadinho? Mete o pé!!!

Leo rapidamente levanta Cadu pela camiseta com sua mão direita. Imediatamente Ryan se levanta e coloca sua cara bem na frente da de Leo, que continua a segurar Cadu. Vários alunos do pátio param de caminhar e dirigem rapidamente os seus olhares para os três garotos. Neste momento, uma mão dá um forte tapa na mão de Leo, que acaba soltando Cadu, fazendo-o cair de joelhos no chão. Um inspetor trajando uniforme da escola acabara de chegar.

Inspetor: Será que alguém aqui tem problema nos ouvidos? O sinal já bateu, gostaria de saber o motivo dos três não estarem subindo pra aula! Vão agora, imediatamente!!!

Cadu rapidamente se ergue com a ajuda de Ryan e os dois garotos ficam encarando Leo nos olhos.

Inspetor: Eu disse imediatamente!!! E eu não quero saber de absolutamente nenhuma confusão entre vocês, já estou de saco cheio de ficar apartando briguinha de marmanjo!

Ryan: Não se preocupe, não haverá nenhuma briga aqui não...

Os dois viram as costas para Leo e saem andando. Ele dá uma forte tragada em seu cigarro.

Inspetor: Você também, Leonardo! Trate de subir para sua sala e faça o favor de retirar este cigarro da boca!

Leo dá uma olhada severa ao inspetor e passa direto por ele sem dizer nenhuma palavra. Em poucos segundos, todo o pátio já está vazio e os professores começam a dar as aulas.

Na sala 308, Ryan está sentado ao lado de Cadu e ambos começam a copiar a matéria que o professor estava escrevendo no quadro.

Ryan: Todo mundo combinou de se encontrar aqui na porta da escola para irmos pra praia e o filho da mãe do Leo deve vir também...

Cadu: Foda-se! Eu não quero nem saber desse moleque babaca, que se dane!

Ryan: Mas eu quero!

Cadu: Como assim?

Ryan: Se esse vagabundo continuar nos provocando e querendo arranjar confusão... ele vai conseguir! Ele acha que só por freqüentar uma academia de luta, pode sair provocando todo mundo? Eu quebro a cara dele hoje mesmo!

Cadu: Ah, qual foi, Ryan, é isso o que ele quer! Se der briga, a gente dança também! Deixa esse cara pra lá, não fica entrando na pilha dele não!

O professor rapidamente se vira para a turma com uma expressão raivosa.

Professor: Silêncio! Parem de falar imediatamente, principalmente vocês dois, Ryan e Cadu!

Os dois garotos se viram para frente e voltam a copiar a matéria, enquanto que o professor volta a escrever no quadro.

Os minutos se passam rapidamente até que, quando o relógio de Ryan marca meio-dia, o sinal bate e o professor termina a aula. Quase que imediatamente, os alunos começam a sair da sala, sendo que Ryan e Cadu demoram um pouco mais, arrumando suas mochilas.

Ryan: Bem, eu irei voltar para casa e almoçar... vou ver se durmo um pouco e quando der seis horas, a gente se encontra na entrada da escola, beleza, Cadu?

Cadu: Ta tudo certo...

Ryan rapidamente volta para casa e almoça a comida que a empregada havia feito. A empregada era um pouco mais baixa que Ryan, com longos cabelos negros presos num rabo de cavalo e olhos igualmente negros.

Ryan: Muito obrigado, Lu! Sua comida é sempre ótima, valeu mesmo!

Lu: Não precisa agradecer, Ryan! Agora, é melhor você tratar de descansar pro show, senão você não vai conseguir aproveitar a noite de hoje muito bem.

Ryan: É, eu sei disso, já to cheio de sono realmente, vou tirar uma soneca, se eu não acordar até cinco horas, você poderia me chamar?

Lu: Claro, pode deixar.

Ryan: Valeu.

O garoto retira os tênis e se deita de uma vez na cama, olhando para o teto de seu quarto.

Ryan (pensando): To sentindo que vai ser bom, vai ser muito bom! Esse show vai ser marcante... mas... eu to... eu to... tão... cansado...

Lentamente os olhos de Ryan começam a se fechar até que finalmente adormece.

Ryan está chorando bastante, sentindo uma forte tristeza em seu coração. Ele está ao lado de várias pessoas que olham chocadas para um cadáver no chão. O garoto chora intensamente sobre este cadáver que está completamente coberto de sangue.

Ryan (gritando): CADU!!!! CADU!!!! NÃO PODE SER!!!! NÃO MORRA!!! CADU!!!!

O garoto rapidamente abre os olhos e vê o teto de seu quarto. Ele olha para o lado e a empregada Lu está com uma cara que mistura espanto e medo ao lado dele.

Lu: Fica calmo, Ryan, você teve um pesadelo... mas seja lá o que for, já acabou.

Ryan ainda fica meio confuso e olha rapidamente para os lados. Então, ele baixa a cabeça e fica olhando para os próprios lençóis.

Ryan: Puxa vida... esse pesadelo foi dos fortes, caramba... que horas são?

Lu: Cinco horas, eu vim aqui te chamar... quando eu vi que você estava no meio de um pesadelo...

Ryan: Ah, sim...

O garoto se levanta com uma das mãos na testa, como se estivesse se sentindo tonto. Ele vai seguindo na direção do banheiro.

Lu: Você está bem, Ryan?

Ryan: Sim, sim... não se preocupe... e... obrigado, Lu...

Então, ele entra no banheiro, fechando a porta. Lu fica com uma expressão bastante preocupada no rosto e então, sai do quarto.

Ryan liga a torneira da pia e fica olhando a água escorrer lentamente.

Ryan (pensando): O Cadu... morto? Mas que porcaria de pesadelo foi este???

Às seis horas, o sol estava quase se pondo por completo na cidade do Rio de Janeiro e uma grande quantidade de pessoas estava parada diante do grande portão da escola de Ryan. Ele então chega, vestindo um casaco vermelho, um boné, bermudão e chinelos, começando a cumprimentar todo mundo, até que aperta a mão de Cadu. Ryan fica olhando no fundo de seus olhos por alguns segundos.

Cadu: O que... o que foi, Ryan? O que aconteceu, por que você ta me olhando desse jeito?

Ryan: Ah, sim... não se preocupe, não é nada não.

Cadu: Eu hein... bom, mas eu acho quegente já pode ir pra praia, certo? Não falta mais ninguém, não é verdade?

Ryan: Acho que sim...

O garoto dá uma olhada a sua volta, vendo todas as pessoas paradas, conversando diante do portão da escola, até que os seus olhos param em Leonardo, que está conversando com seus amigos com um sorriso malicioso no rosto.

Ryan: Isso não vai prestar, Cadu.

Cadu: Do que está falando?

Ryan: Do Leo. Você sabe, eu tenho certeza que ele vai aprontar alguma coisa neste show.

Cadu: Cara, por favor, esquece o Leo!

Ryan: Mas você sabe, Cadu, em todas as festas em que o pessoal todo vai, o Leo sempre apronta alguma coisa, ou é confusão, ou prega alguma peça em alguém... sinceramente, eu não vou ter nenhuma paciência com esse cara hoje...

O tempo passa e a noite cai sobre a cidade. Às oito horas da noite, a praia de Copacabana já está completamente lotada de gente em frente ao grande palco onde aconteceria o evento. A areia está bastante iluminada pelos inúmeros holofotes e câmeras. Cadu olha para seu relógio.

Cadu: São oito horas ainda, cara, esse tempo não passa!

Ryan: A gente podia aproveitar que o show não começa e tentar pegar alguma mulheres por aí, o que você acha da idéia?

Cadu: Heh! Pode crer, até que não é uma má idéia não! To contigo!

Os dois começam a andar pela areia da praia, se distanciando um pouco empurrando as várias pessoas que ali estavam. Ryan pára seus olhos em uma garota de longos cabelos escuros, morena, que vestia um vestido florido.

Ryan: Ei, Cadu! Ela é lá da nossa escola, não é?

Cadu: Deixa eu ver... sim, é sim!

Ryan: Sabe o nome dela?

Cadu: Eu acho... que é Mary! Mary, eu tenho quase certeza... por que, vai tentar ela?

Ryan: Provavelmente.

Cadu: Realmente, ela tá muito foda naquele vestido, ficou show mesmo.

Ryan se aproxima dela e coloca a mão sobre um de seus omros, fazendo-a olhar para trás. Cadu fica a alguns metros de distância, apenas observando.

Ryan: Oi... é Mary não é?

Mary: Isso... espera... você não me é estranho...

Ryan: Sim, nós estudamos na mesma escola, eu já te vi pelos corredores várias vezes... bom, mas eu nem me apresentei ainda, né, me desculpa. Eu sou Ryan, muito prazer...

Cadu abre um leve sorriso enquanto observa Ryan de longe.

Cadu: Hah! Puxa vida, eu queria saber ser tão cara-de-pau assim que nem ele...

As horas vão avançando e Ryan se senta sozinho numa mesa com Mary, enquanto Cadu fica conversando com algumas pessoas da escola. O relógio marca dez horas da noite e, num telão ao fundo do palco, começa uma contagem regressiva de cinco segundos, fazendo todos ficarem em absoluto silêncio. Quando ela termina, uma grande fumaça branca toma conta de todo o palco e todas as pessoas da praia começam a soltar gritos altos de euforia. Mary se vira rapidamente para Ryan.

Mary: Puxa, Ryan, você sabe quem vai abrir o show?

Ryan: Boa pergunta, desculpa, mas eu não faço idéia.

Os dois se voltam para o palco, onde a fumaça branca começa a diminuir e a música começa a tocar.

Ryan: Pelo ritmo é Linkin Park, muito foda, gostei!

Mary: Hehe, eu também adoro eles!

A música continua a tocar num volume bastante alto. Enquanto, isso, no fundo do mar, há mais de três quilômetros da praia, estão cinco seres vestidos com capas e capuzes pretos e com seus rostos completamente ocultos. Um deles começa a falar.

Um dos seres: A entrada para o território do Brasil está bem próxima!

Outro ser: Certo, entretanto, eu não sei se vocês já perceberam, mas eu estou detectando várias pessoas na entrada do território.

Os seres ficam calados por alguns segundos, ainda no fundo do mar, seus ouvidos sendo invadidos apenas por ruídos de bolhas das águas.

Um dos seres: Precisamos agir secretamente ao entrarmos nas terras do Brasil, mas será difícil penetrar sem sermos percebidos, considerando que realmente há uma grande quantidade de pessoas na entrada...

Outro ser: Será que essa grande quantidade... está esperando pela nossa chegada? Será possível que de alguma forma... eles sabiam que nós chegaríamos?

Novamente, os seres ficam em silêncio, até que um deles volta a falar.

Um dos seres: Acho pouco provável, senão aquele cara com quem falamos no Japão não teria nos falado sobre o Brasil... mas a possibilidade de eles já estarem esperando por nós... não é 100% improvável, ainda que seja difícil...

Outro ser: De fato... em todos os lugares que nós percorremos, tomamos o extremo cuidado de não nos revelarmos,sempre conseguimos agir sem que ninguém nem conhecesse a nossa identidade, mas de qualquer maneira, é melhor precaver.

Os seres se olham por alguns momentos.

Um dos seres: Eu concordo. É melhor que sejamos precavidos. Porém também é importante que consigamos agir sem que ninguém saiba da nossa existência. Considerando então que eles estejam esperando pela gente... teremos que entrar no território brasileiro atacando toda essa quantidade de pessoas e, uma vez dentro dele, aí sim, agiremos de uma maneira escondida. Entenderam?

Os outros seres: Sim!

Um dos seres: Entraremos atacando, pois, se eles estiverem esperando mesmo por nós, não adianta ficarmos nos escondendo já que eles conseguirão nos identificar, porque certamente estarão atentos! Neste caso, precisaremos entrar com um ataque direto para que nós não sejamos surpreendidos por nenhum ataque em massa! Aproveitando este ataque... até poderemos arrancar deles a localização dela! Entenderam?

Os outros seres: Sim!

Um dos seres: Então... vamos à ação!!!

O show continua, Ryan dança com movimentos bem fortes segurando as mãos de Mary enquanto a música de Linkin Park continua a tocar ferozmente. Todas as pessoas da praia continuam gritando e dançando bastante.

Mary: Cara, este está sendo um dos melhores shows da minha vida!!!

Ryan: Da minha também! Hahahaha!!!

De repente, a música pára de tocar e os gritos de euforia das pessoas cessam. Todos se viram para o palco e vêem a banda musical olhando na direção do mar e então, as pessoas fazem o mesmo. A quase dez metros acima do mar, os cinco seres de roupa e capuz pretos estão flutuando.

Ryan: O que é isso!?

Um dos seres: Agora!!!

Os cinco seres começam a voar na direção das pessoas, que passam a gritar de medo e a correrem. A banda se movimenta rapidamente no palco, saindo pelos fundos. Ryan agarra a mão de Mary e eles também correm, o mesmo faz Cadu e o restante do pessoal da escola.

Ryan: O que será que está acontecendo?! Que palhaçada é essa?

Enquanto todos correm, os seres vão pegando diversas pessoas pelo pescoço e as golpeando sem dó nem piedade. À medida que os segundos passam, eles golpeiam mais e mais pessoas, que começam a cair bastante ensangüentadas na areia. Ryan e Mary continuam a correr.

Ryan: Mary, não fique longe de mim, de jeito nenhum! Precisamos sair daqui o mais rápido possível!!!

Mary está quase chorando e neste momento, Ryan vê um vulto preto em sua frente e ele pára imediatamente de correr. Em menos de um segundo, o ser estica sua mão esquerda e pega Ryan violentamente pelos cabelos, fazendo o garoto soltar um gemido de dor e soltar a mão da garota. Mary também grita e sai correndo em grande velocidade para trás. O ser começa a falar.

Ser: Pirralho! Só irei perguntar uma vez! Onde está a armadura de Orymon? E diga a verdade se não quiser morrer!

Ryan continua a soltar gemidos de dor e o ser agarra seus cabelos com ainda mais força.

Ryan: Armadura... de... ora, eu não faço idéia do que você ta falando! Me solta!!!

Ser: DIGA A VERDADE!!!!

Ryan: EU NÃO SEI! EU JURO!!!!

O garoto dirige rapidamente seu olhar para o capuz preto e por um breve segundo vê a silhueta de um rosto pálido, muito branco e com olhos brilhantes. Logo em seguida, o ser fecha seu punho direito e desfere um soco extremamente forte na barriga de Ryan, que cospe bastante sangue e cai de cara no chão.

Ryan (pensando): Aaaai! Que dor! Que tipo de soco foi esse?! Eu nunca tomei uma porrada tão forte!!!

O ser sai voando dali, se distanciando de Ryan, que está rodeado de pessoas que continuam a correr e a gritar desesperadamente. Ele cospe ainda mais sangue e vai tentando se levantar bem lentamente, ficando de joelhos e erguendo-se com a ajuda dos braços, mas ainda sentindo fortes dores na barriga.

Ryan (pensando): Será que isso é idéia do Leo? Será que é aquele vagabundo que ta por trás de tudo isso?

Ele fica de pé e começa a ser empurrado pelas inúmeras pessoas que correm. Em sua mente, rapidamente vem a imagem de Cadu morto em seu pesadelo. Ryan arregala os olhos.

Ryan: Essa não... será que... aquele pesadelo... não pode ser! Eu preciso achar o Cadu imediatamente!!!