0 The Legend Of a Fighter

2 Capítulo 002: A academia The Young Fighter


Capítulo 002: A academia The Young Fighter.

O relógio preso na parede do quarto dos pais de Ryan já marca dez e meia da noite, momento em que a mãe do garoto acorda bruscamente, sentando-se na cama, ao lado de seu marido. Ela olha para os lados parecendo um pouco confusa, até que sai da cama, calçando duas sandálias e então se dirige até a janela, cuja vista dava para a praia e, conseqüentemente, para a grande iluminação do show que acontecia em Copacabana.

Mãe (pensando): Meu Deus... por favor, proteja o Ryan, não deixe que nada aconteça com ele... eu não sei o motivo, mas eu estou sentindo uma coisa muito estranha dentro de mim, estou com um péssimo pressentimento...

Nas areias da praia de Copacabana, os seres vestidos totalmente de preto continuam a atacar as pessoas, que, por sua vez, permanecem correndo sentindo medo e terror. Ryan é empurrado cada vez mais por estas pessoas, porém, ainda segurando sua barriga machucada, ele olha para todos os lados muito rapidamente.

Ryan (pensando): Mas que merda! Eu tenho que achar o Cadu logo, não posso demorar muito! Eu estou com muito medo... do que possa acontecer!

O garoto se vira e começa a ir andando rapidamente contra todas as diversas pessoas que vinham na direção contrária a dele. A este momento, ele não consegue mais ver os seres de roupas pretas

Ryan (pensando): Muito provavelmente aqueles seres esquisitos já foram embora daqui da praia! Mas eu tenho quase certeza de que o Leo está por trás disso, eu sabia, sabia que ele estava planejando aprontar alguma coisa para esta noite! Aquele desgraçado vai me pagar!

Ele continua a se desviar das pessoas até que ouve uma voz falando com ele.

Voz: Ryan! Ei, Ryan!!

O garoto olha rapidamente para os lados, mas tudo o que consegue ver é a correria intensa que ainda domina o local. Então, ele sente uma mão tocando o seu ombro direito e se vira para trás e vê que é Cadu.

Cadu: Você está bem, Ryan?

Momentaneamente, Ryan arregala os olhos, mas logo em seguida ele coloca fortemente suas mãos sobre os ombros de Cadu.

Ryan: Cadu! Cadu! Como você está? Ta tudo bem? Aconteceu alguma coisa com você?!

Cadu: Não... não aconteceu nada não, eu estou bem, parece que aqueles caras não me atacaram, mas... eu acho que eles acabaram fazendo alguma coisa com você, não foi?

Ryan: Ah, sim...

Ele começa a secar lentamente o sangue que escorria pela sua boca com as costas de sua mão direita. A intensa movimentação na praia lentamente vai diminuindo, entretanto, o local ainda é tomado por intensos murmúrios.

Cadu: Escuta, Ryan, parece que eles não estão mais aqui, mas em todo o caso, eu acho melhor a gente arredar o pé daqui, vamos logo!

Ryan: Não, não, espere aí!

Cadu: Mas esperar o que?! Aqueles caras não são normais não! Eles podem voltar, a gente tem que ir embora daqui o quanto antes!

Ryan: Eu sei disso, Cadu, aqueles caras não são comuns mesmo... mas não é isso! Eu acabei me perdendo da Mary, não posso deixar ela aqui e simplesmente ir embora para a minha casa.

Cadu: Puxa vida! A Mary, você está certo, eu me esqueci completamente dela, foi mal mesmo! Vamos procurá-la logo então!

Ryan: Tá certo, vamos!

Neste momento, as pessoas vão saindo apressadamente na praia, mas sem a correria de antes. O palco onde antes estava acontecendo o show continua completamente vazio, exceto pela intensa iluminação e enfeites. Os dois meninos vão andando bem rapidamente à procura de Mary e também do restante do pessoal de sua escola.

Ryan: Eu te disse, não foi, Cadu?

Cadu: Me disse o que?!

Ryan: Que o Leo iria aprontar alguma coisa! Eu tinha certeza de que ele faria alguma essa noite!

Cadu: Ah, não! Espera aí, Ryan, você acha que o Leonardo poderia estar por trás do que acabou de acontecer aqui? Eu sei que ele sempre apronta, principalmente nos eventos em que todos combinamos de irmos juntos, mas desta vez... sinceramente, eu acho que foi muita coisa até pra ele! Acho pouco provável que tenha mão dele enfiada nesta história!

Ryan: Hum! Eu não, eu ainda acho que ele tem a ver com isso tudo sim, Cadu, aquele cara definitivamente não presta!

Cadu: Sim, mas, cara... Ei! Olha lá!

Cadu aponta para alguns metros à frente e eles vêem Mary ao lado de algumas pessoas da escola. Os dois correm rapidamente pela areia até eles. A garota chorava bastante.

Mary: Ryan! Você está bem? Eles te machucaram muito?!

A garota rapidamente o abraçou.

Ryan: Fica calma, Mary! Eles não fizeram nada demais não, fica despreocupada, certo?

Mary solta Ryan e vai reduzindo seu choro. Ryan seca as lágrimas da garota com seus dedos.

Ryan: E você, como está? Eles não conseguiram te pegar, não é?

Mary: Não, não... eu consegui correr naquela hora que ele te pegou e depois, havia tanta gente que eu nem os vi mais em lugar algum... mas, eu queria te pedir desculpas, Ryan. Eu.. eu... acabei ficando com muito medo naquela hora e corri feito uma covarde, nem tentei te ajudar nem nada e além disso, eu...

Ryan: Pára com isso, Mary, o que você fez está absolutamente certo! Claro que você deveria ter fugido, seria é muita burrice se você tivesse ficado lá! Não fique se sentindo uma covarde, você está de parabéns!

Mary: Heh... obrigada...

Cadu: Bem, pessoal, eu acho que agora é melhor a gente ir, não é verdade?

Ryan se vira para Cadu e o encara no fundo dos olhos por alguns breves segundos.

Ryan (pensando): Ainda bem... parece que aquilo foi só um pesadelo mesmo...

Cadu: Ei, Ryan! Acorda! Vamos logo!

Ryan: Ah, sim... claro. Vamos...

Cadu, Ryan e Mary se viram e começam a caminhar de volta para a saída da praia, entretanto, uma voz começa a falar.

Voz: Parece que você apanhou para aqueles caras, não é, Ryan?

Os três se viram e vêem que, ao lado do restante do pessoal da escola, está Leonardo e mais uns três colegas. Cadu e Ryan se olham.

Leo: Mas é muito franguinho mesmo, não é? Que ridículo!

Ryan dá alguns passos para frente, se aproximando um pouco de Leo.

Ryan: Ridículo, não é?

Mary: Calma, Ryan, não se estressa com ele não, por favor...

Ryan: Escuta aqui, Leo! Confessa logo, você está por trás desse ataque que aconteceu aqui na praia hoje, não está?

Leo: Como é que é?! Eles te bateram com força na cabeça ou já nasceu retardado mesmo? É óbvio que eu não tenho nada a ver com o que aconteceu aqui, deixa de viajar, imbecil!

Ryan: É claro que você tem a ver! Você adora aprontar esse tipo de coisa e eu tenho certeza de que você não iria deixar passar um evento grande como esse... mas você vai pagar, filho da mãe, e vai pagar caro, dessa vez você foi longe demais!

Leo: Ah é? Eu fui longe demais então, não é, Ryan? Então eu tenho que pagar muito caro por isso, certo? Por que é que você não vem logo me bater, o que está esperando? Vamos resolver logo isso!

Ryan começa a avançar na direção de Leo, mas Cadu rapidamente o segura pelos braços.

Cadu: Ei, ei, Ryan! Espera aí, cara! Você não tá pensando em cair na pilha desse cara, não é? Não vale a pena, pensa bem! E, além disso, ele treina numa academia de luta, ele tem vantagem sobre você numa briga, não faça isso!

Ryan: Ele tem vantagem, não é, Cadu? Vamos ver se essa vantagem vai funcionar bem pra ele!!!

Ryan se move bruscamente, se soltando de Cadu e parte rapidamente para cima de Leo, tentando atingi-lo com vários socos sucessivos, mas Leo vai se desviando dos golpes com bastante habilidade e então, revida os ataques com uma forte joelhada na barriga de Ryan, que volta a cuspir sangue.

Ryan (pensando): Merda! Esse desgraçado... já deve ter percebido que a minha barriga ta machucada! Ele joga sujo mesmo, esse desgraçado vagabundo!!!

O garoto rapidamente dá um pequeno passo para trás e consegue atingir Leo com um rápido soco na cara, fazendo-o cuspir algumas pequenas gotas de sangue, mas ele rapidamente se recupera do impacto do golpe e começa a desferir inúmeros socos em Ryan, que vai se defendendo com seus braços, mas com muita dificuldade e sentindo fortíssimas dores na barriga.

Mary: Ai meu Deus do céu! Ei, Cadu, você não vai tentar ajudar ele não? Ele seu amigo, tenta pelo menos separar!

Cadu: Se eu fizer isso, vai começar uma verdadeira briga generalizada aqui, os colegas do Leo também só estão assistindo, se eu for interferir, eles vão começar a brigar também e aí sim vai ficar mais difícil de parar essa briga...

Leo continua a desferir ferozes ataques e Ryan continua a se defender com seus braços que começam a ficar arranhados devido aos ataques.

Ryan (pensando): Esse cretino é bem forte, de fato, a academia de luta que ele faz é uma vantagem e tanto contra mim! Além disso, eu já entrei nessa briga ferido por causa daquele golpe que eu recebi daquele ser estranho! Que merda, me meti numa fria ferrada agora!

Neste momento, Leo lança um forte chute com o peito do pé na barriga de Ryan, que cai no chão cuspindo ainda mais sangue e soltando um altíssimo gemido de dor. Logo em seguida, Leo avança, indo desferir um soco, mas Ryan, ainda caído, rapidamente pega o punho de Leo e lhe desfere um forte chute na barriga também, fazendo o garoto recuar alguns poucos passos para trás. Ryan então aproveita a oportunidade e se levanta rapidamente, começando então a lançar alguns fortes socos na cara de Leo, que os recebe em cheio e seu rosto vai lentamente se preenchendo com sangue. Ryan termina a seqüencia de ataques com um forte soco no queixo do rosto de Leo que cai na areia soltando uma leve exclamação, sentindo fortes dores no rosto.

Ryan: Isso foi pra você aprender com que deve se meter, palhaço!

Leo: Com quem é... QUE VOCÊ ACHA QUE ESTÁ FALANDO?!

Ele rapidamente se levanta e começa a se dirigir rapidamente na direção de Ryan, mas alguém o agarra bem forte pelas costas e imediatamente o joga de frente no chão, imobilizando-o.

Leo (pensando): Ah... merda, eu não imaginaria que ele também viria para o show, que droga!

Um homem relativamente alto, musculoso, careca e moreno estava sobre Leo, impedindo-o de realizar qualquer tipo de movimento. Ryan, Mary e Cadu ficam olhando para este homem com expressão de surpresa.

Homem: Pode parar imediatamente com isso, seu Leonardo! Imediatamente!!!

Leo: Sim... me desculpe, senhor, eu não vou mais brigar com ele...

Homem: Mas você não vai se safar tão facilmente, fique sabendo que você certamente receberá punição depois!

Então, o homem se levanta e logo depois, dá a mão para Leo, que a apanha e se levanta rapidamente. Ryan olha para Cadu e Mary, que ainda estão com uma expressão de surpresa.

Homem: Eu peço desculpas pelo fato de o Leo ter perdido o controle com vocês...

Leo: Mas não fui eu quem começou, senhor! Foram eles que...

Homem: Silêncio! Eu não quero saber, Leonardo! Você sabe que é terminantemente proibido que qualquer aluno de nossa academia se envolva em brigas de rua, você já está cansado de ouvir isso! Não interessa quem comece com as provocações!

Leo não responde e deixa a sua cabeça relativamente baixa.

Ryan: Escute, senhor... Nós também temos uma grande parcela de culpa nisso tudo...

Homem: Tudo bem, eu entendo... mas por hora, vamos esquecer isto, certo?

Ryan: Sim.

Leo: Eu já estou indo senhor... amanhã a gente se vê na academia.

Homem: Sim, já pode ir.

Leo dá uma última olhada severa nos olhos de Ryan até que ele se vira de costas e começa a andar lentamente em direção a seus três colegas. A este momento, o pessoal da escola que estava por ali fica com seus olhares encarando tanto Leo quanto Ryan.

Cadu: Bom, eu acho melhor a gente ir também, não é?

Ryan: Sim, Cadu, você tem razão, vamos indo.

Os três se viram para irem embora da praia, porém o homem se aproxima um pouco mais deles e começa a falar.

Homem: Esperem aí.

Eles se voltam para o homem.

Ryan: O que foi?

Homem: Garoto... eu queria que você ficasse com isto aqui.

Ele começa a mexer em seus bolsos e retira um pequeno papel branco. Rapidamente o entrega a Ryan que começa a lê-lo e vê escrito em grandes letras logo no topo do papel: “Academia The Young Fighter.”

Ryan: Mas isto é...

Homem: Sim... é um cartão de nossa academia. Sabe, garoto, se te interessar, por favor, apareça por lá amanhã, de preferência na parte da manhã, quando a movimentação não é tão intensa aos sábados...

Ryan: Entendo... mas por que é que você está me dando isso aqui?

Homem: Depois eu explico os meus motivos pra você garoto, apareça lá amanhã de manhã e eu irei te falar... Ah! Me desculpe, eu ainda não me apresentei pra você, não é? O meu nome é Maciel, muito prazer. E o seu nome é...

Ryan: Ah, sim claro, me desculpe também, senhor... meu nome é Ryan, muito prazer também.

Os dois apertam as mãos e abrem um leve sorriso um para o outro.

Ryan: Bem, nós vamos indo agora... e... bem, Maciel, eu irei pensar bem em aparecer lá amanhã, ta certo?

Maciel: Sim, pode ficar à vontade. Até mais.

Ryan: Certo...

Maciel começa a se distanciar dos garotos indo em direção à saída da praia. Quando ele já não estava mais à vista, Ryan olha para os outros dois.

Ryan: É estranho, não é? Ele me dar um cartão da academia de luta dele considerando que eu acabei de brigar com um de seus alunos?

Mary: Sim, de fato, realmente é estranho, Ryan.

Cadu: Mas você vai lá...

Ryan: Eu não sei não. Eu sempre fui fã de lutas, artes marciais, essas coisas, mas a ponto de começar a treinar isto... eu não sei, vou pensar e amanhã mesmo eu decido. Vamos indo agora?

Cadu: Sim, vamos...

Nesta hora, a praia já está quase vazia, não há mais sinal de Leo e apenas algumas poucas pessoas da escola estavam nas areias de Copacabana. Ryan e Cadu levam Mary para sua casa e de lá, os dois garotos se separam, cada um indo para suas respectivas casas.

Quando o relógio marca onze e meia da noite, Ryan chega em sua casa e segue rapidamente pela sala até o seu quarto, fechando a porta ao entrar. O garoto rapidamente vai ao banheiro próximo à porta de saída de seu quarto e liga a pia, começando a ver a sua imagem refletida no espelho. Ele então retira o seu casaco vermelho e vê uma grande mancha roxa com um pouco de sangue em sua barriga, no exato local onde o golpe do ser encapuzado o atingira.

Ryan (pensando): Caramba... isso com certeza vai demorar um pouco de tempo pra sarar. Mas que esquisito... foi um golpe forte, forte demais, eu nunca senti algo tão bizarro assim! Agora que parece que ta caindo a ficha... o que afinal de contas foi que aconteceu nesta noite? Quem eram aqueles seres esquisitos e por que invadiram a praia do nada?

Em questão de alguns minutos, ele entra no chuveiro, toma banho e coloca roupas de dormir, uma camiseta branca sem manga e um short também branco e se deita na cama, cobrindo-se com os lençóis brancos. Então, fica olhando para o teto, seus olhos completamente abertos.

Ryan (pensando): Eles invadiram a praia e começaram a nos atacar, sem dúvida procurando aquela parada que eles falaram... Armadura... de Orymon. Mas o que será isso? Armadura de Orymon... eu nunca ouvi falar de alguma coisa assim! Armaduras e tal... que coisa mais estranha.

Lentamente, o teto foi escurecendo, seus olhos foram se fechando até que ele finalmente conseguiu adormecer.

As horas foram se passando e quando o relógio de parede marca cerca de sete horas da manhã, Ryan lentamente abre seus olhos, com um leve brilho solar invadindo o quarto. Ele se levanta, arruma seus cabelos, escova seus dentes e desce para tomar seu café da manhã.

Chega na cozinha e seu pai já está comendo na grande mesa de ferro situada no meio do aposento.

Ryan: Bom dia, pai, como o senhor está?

Pai: Está tudo bem comigo, mas você conseguiu se safar ontem com segurança, não foi?

O garoto arregala os olhos.

Ryan (pensando): Ele sabe...

Pai: Os jornais não falam de outra coisa nesta manhã, meu filho... Eu ainda não posso acreditar que um evento internacional como este tenha sido um fiasco por causa de uma invasão destas. E quanto a você, Ryan? Conseguiu se safar bem, não foi? Alguma coisa aconteceu com você, ou com o Cadu?

Ryan: Ah, bem... não! Nada de ruim aconteceu comigo não, fique despreocupado, pai! Houve uma grande correria na hora e tudo mais, então conseguimos sair bem rápido... até porque, a invasão não foi muito extensa não.

Pai: Entendo...

O garoto dá uma olhada por toda a cozinha mas vê que ele está sozinho com o seu pai, que continua a comer.

Ryan: Onde é que está a mamãe? Ela não acordou ainda?

Pai: Está tomando banho. Prepare-se para ouvir bastante, Ryan, ela ficou extremamente desesperada quando soube hoje de manhã o que aconteceu lá no show.

Ryan: Sim, eu já esperava por isso...

O garoto se senta frente ao pai e começa a se servir de alguns pães, frutas e suco, até que sua mãe começa a percorrer a escada que dá entrada à cozinha desesperadamente e dá um forte abraço no filho.

Mãe: Ryan! Ryan! O que foi que aconteceu com você, filho? Eles te machucaram?! Como é que você está?

Ryan: Mãe! Mãe! Acalme-se, eu estou perfeitamente bem, eles não tiveram tempo de me fazer nada, fique calma!

Ela está chorando bastante e fica olhando no fundo dos olhos de Ryan por alguns segundos.

Mãe: Graças a Deus, meu filho. Eu não sei o que eu faria caso alguma coisa grave acontecesse com você! Eu sabia, Ryan! Eu te falei! Sabia que alguma coisa tuim iria acontecer neste show, te avisei que eu não estava com um bompressentimento, eu tinha certeza absoluta!

Pai: Vamos, meu amor, pare de falar essas coisas! Não é a primeira vez que uma coisa destas acontece, ninguém está livre de algo assim, basta sair na rua que você já está correndo um perigo constante.

Ryan: Bom, gente, eu vou subir pro meu quarto, vou descansar mais um pouco...

A mãe de Ryan já está secando as lágrimas com as costas de suas mãos.

Mãe: Sim, pode ir, meu filho...

Ryan: Com licença.

O garoto sobe e vai até o seu quarto, se trancando. Ele então vai até a janela e começa a admirar a paisagem da praia de Copacabana. Ao longe, ele vê o grande palco onde estava acontecendo o show da noite anterior.

Ryan (pensando): Que merda! A cena daqueles seres encapuzados não sai da minha cabeça de jeito nenhum! Agora eu fiquei até curiosos, o que é essa Armadura de Orymon a qual eles estão procurando?! E se eles ainda não acharam... com certeza eles farão novas ameaças à população... que droga!

Em minutos, ele toma banho e volta ao seu quarto.

Ryan (pensando): Bom, eu acho que vou tentar esquecer isso e vou visitar a academia do Maciel, deve ser divertido. Se eu não achar alguma coisa pra espairecer a minha cabeça, eu vou é ficar maluco com essas coisas todas que eu estou pensando.

O garoto se veste com uma bermuda, uma camiseta sem manga e tênis brancos. Ao sair de sua casa, os seus pais estão na sala assistindo a TV.

Mãe: A cena da invasão do show acabou de passar de novo, Ryan. Você vai sair?

Ryan ficou imóvel por alguns segundos, encarando a mãe.

Mãe: Responde, filho.

Ryan: Ah, sim, sim, eu combinei de me encontrar com o Cadu pra que a gente possa dar uma caminhada na praia. Mas fique despreocupada, mãe, invasões como a de ontem certamente não ocorrerão agora na luz do dia, eles seriam capturados com maior facilidade.

Mãe: Não, Ryan, por favor, não saia de casa! Se eles invadiram a praia ontem, o que os impedirá de invadirem de novo hoje?! Além disso...

Ryan: Mãe! Ontem eles invadiram de noite, apesar de haver muita gente, era de noite, então capturá-los foi muito mais difícil. À luz do dia, eles certamente não farão algo assim, porque a chance de serem capturados será bem maior, além do fato de que, por causa da invasão de ontem, a segurança está bastante reforçada na praia. Deixe eu ir, eu já combinei com ele.

Pai: O que o Ryan disse faz todo o sentido, meu amor, é quase certo de não acontecer nada hoje, principalmente nesta parte da manhã. Deixe-o ir, fique tranqüila.

Ela olha para os lados com uma expressão de certo desapontamento.

Mãe: Certo, certo, pode ir, mas de preferência, Ryan, tente não demorar muito, ta bem?

Ryan: Certo, pode deixar.

O garoto sai de casa, fechando a porta ao sair. Ele vai caminhando pelas ruas de Copacabana até que retira do bolso de sua bermuda o papel que lhe foi entregue por Maciel na noite anterior.

Ryan (pensando): Bom, pelo que diz aqui, o horário de funcionamento aos sábados é das sete da manhã até as cinco da tarde. Beleza, então ela já está aberta... hehe, deve ser bem legal ver como funciona essa academia. Eu só espero que eu não me depare com o Leo lá. Eu me lembro que ontem ele disse que estaria lá hoje, mas eu espero não topar com a cara dele.

O garoto anda por alguns minutos pela cidade até que chega na entrada da Academia The Young Fighter. Ela se localiza em uma calçada ao lado de várias lojas e em frente a um supermercado na calçada oposta. A sua entrada é formada por uma grande porta de vidro. Ryan pára diante dela.

Ryan: Puxa vida, eu já tinha ouvido falar dessa academia, mas não esperava que ela fosse tão chique assim...

Ao se aproximar da porta de vidro, ela se abre automaticamente revelando uma sala relativamente larga, com o chão revestido de tapetes e um grande balcão ao final dela. Atrás do balcão, estão cerca de quatro pessoas uniformizadas com camiseta branca e calças esporte e, ao lado dele, há uma pequena passagem que dá para um corredor. Nas paredes da sala, se estendem longos sofás vermelhos. Ryan fica olhando a sala por alguns poucos segundos até que se dirige ao balcão. Um dos atendentes se aproxima para falar com o garoto.

Atendente: O que deseja, meu senhor?

Ryan: Ah sim... bem, eu recebi este cartão da academia por parte do Maciel, eu gostaria de conhecê-la...

Atendente: Ah, sim, o Maciel que lhe deu este cartão então. Bem, ele nos informou que era provável aparecer um rapaz por aqui procurando por ele... aguarde só um momento, eu irei chamá-lo, sim?

Ryan: Tudo bem.

O atendente sai de trás do balcão e entra pelo corredor localizado ao lado dele. O garoto espera por alguns minutos até que este atendente retorna n companhia de Maciel, que também utiliza o uniforme da academia.

Ryan: Oi, Maciel.

Maciel: Ryan! Como você está? Fico feliz que você tenha vindo.

Ambos apertam as mãos.

Maciel: Venha comigo, eu irei lhe mostrar a academia.

Ryan: Bom... ta certo então...

Os dois seguem pelo corredor, cujo chão é formado de azulejos brancos bem brilhantes. O corredor não é tão longo e, nas paredes, havia duas portas.

Maciel: Bom, já que estamos aqui, antes que você se pergunte, Ryan, essas duas portas aqui neste corredor de entrada são os banheiros, certo?

Ryan: Ah, sim, ta certo...

Os dois continuam andando até o final do corredor onde há uma pequena passagem para a direita. Ambos passam por ela e um amplo salão se revela diante dos olhos de Ryan. Diversos aparelhos de musculação e uma grande quantidade de pessoas neles, levantando pesos e ao final do amplo salão, esteiras de corrida.

Ryan: Puxa, aqui é bem grande, não é?

Maciel: Sim, mas nem começamos ainda, Ryan! Esta é apenas a sala de musculação.

Ryan: Hahaha... pois é, eu to percebendo...

Maciel: Então. Venha, vamos entrar, o que eu quero lhe mostrar ainda não é isso.

Ryan: Certo.

Os dois entram na sala e as pessoas que malhavam eram, em geral, homens altos e musculosos. Praticamente todos começavam a olhar para o garoto, que também olhava para todos os lados na sala.

Ryan (pensando): Hum, eu to só esperando a hora de ver o Leo por aqui...

Maciel foi andando um pouco mais na frente através da sala, sendo cumprimentado por alguns. Então, ele pára diante de uma parede, onde há entradas para sete corredores.

Ryan: Ei, Maciel, o que tem aí?

Maciel: Era aqui que eu queria chegar. Ryan, estes corredores dão acesso às salas onde são realizados os treinamentos de diversos estilos de luta.

Ryan: Estilos de luta?

Maciel: Exatamente. Cada corredor dá acesso a uma sala e, em cada sala, são realizados treinamentos para um determinado estilo de luta. Aqui, na Academia The Young Fighter, ensinamos sete estilos de luta diferentes. Naturalmente, esta academia também conta com a sala de musculação, já que ela é essencial para a preparação corporal para as lutas, entende?

Ryan: Sim, eu entendo.

Maciel: Eu não posso te mostrar esses estilos de luta agora exatamente porque eles estão em aula agora, sabe, mas essas aulas acabarão em cerca de meia hora e então eu poderei pedir para que façam uma demonstração em cada estilo de luta pra você.

Ryan: Sete estilos de luta diferentes... legal! É incrível! Sinceramente, Maciel, seria bem emocionante treinar lutas aqui, até porque eu gosto bastante de artes marciais, sabe, mas... desculpa, eu fui meio que pego de surpresa, entende? Naturalmente que eu vou aceitar ver a demonstração de cada estilo de luta, mas eu tenho que lhe avisar logo que não há garantia nenhuma de que eu vá treinar aqui.

Maciel: Entendo...

Ryan: Além disso, Maciel, eu ainda não consegui entender uma coisa... por que é que você me chamou até aqui? Quero dizer, eu o conheci ontem e ainda conheci de uma forma meio constrangedora porque eu estava brigando com um aluno daqui dessa academia, então... sabe, eu não compreendo o motivo de você ter me dado esse cartão e ter me convidado pra vir aqui conhecer a academia...

Maciel: Era exatamente sobre isso que eu queria falar com você. Bem, como ainda temos tempo para que as demonstrações possam começar, eu vou te pedir pra que me acompanhe.

Ryan: Sim.

Maciel vai andando, percorrendo o caminho de volta, saindo da sala de musculação e indo ao corredor onde havia os banheiros. Em poucos segundos, eles já estavam na entrada da academia, pelo lado de fora. Então, Maciel começa a falar.

Maciel: Escute, Ryan. Eu irei direto ao ponto. Daqui a cerca de dois meses, haverá um torneio de luta... um torneio de artes marciais. Este torneio acontece de dois em dois anos e é um evento internacional do mundo da luta. Lutadores de todo o mundo se juntam para competirem entre si até que saia o campeão. Em resumo... é um torneio de lutadores do mundo todo.

Ryan: Puxa vida! Deve ser bem legal participar de um torneio como esse. Mas, Maciel, eu ainda não consegui entender muito bem a relação disso com o fato de você ter me chamado aqui...

Maciel: Neste torneio, participam apenas lutadores que possuem no máximo vinte anos de idade, é uma competição entre jovens. Um dos nossos principais representantes aqui da academia é o Leo, entretanto... eu não gosto muito da idéia de ele ser um dos principais da The Young Fighter.

Ryan: Mas, Maciel, por mais que eu deteste afirmar isso, o Leo briga bem, você sabe, eu acabei entrando numa briga com ele ontem e pude conferir de perto.

Maciel: Sim, ele é bem forte e habilidoso, mas, o problema é que eu não gosto muito do jeito dele. Está sempre querendo esnobar o adversário e além disso, ele é muito violento e às vezes até desonesto nas lutas. O que eu estou tentando te dizer é o seguinte, Ryan. Eu observei você ontem lutando com ele e digo que você também tem aptidão para as lutas, você brigou muito bem. Entretanto, eu percebi algo em você que não percebo de jeito nenhum no Leo.

Ryan: E o que é?

Maciel: Você pareceu não demonstrar muita violência naquela luta. Sim, você o atacou com força, mas se defendeu bastante também e não só isso. Eu não percebi ódio em você, uma coisa que eu percebo constantemente no Leo e que eu detesto do fundo da minha alma.

Ryan: Entendo...

Maciel: Então, na verdade, eu trouxe você aqui para poder lhe fazer uma proposta.

Ryan: Uma proposta?

Maciel: Isso mesmo! Eu gostaria muito que você entrasse para a nossa academia e começasse a treinar conosco para que daqui a dois meses, você pudesse participar deste grande torneio de artes marciais.

Ryan arregala os olhos e fica encarando Maciel com uma expressão de surpresa.

Ryan: Eu...? Entrar para esta academia e participar deste... grande torneio?!

Maciel: Sim! Foi o que eu lhe falei antes, eu vi que você tem grande aptidão para as lutas também, basta você treinar bastante que você irá conseguir se transformar num lutador extremamente habilidoso e certamente terá um desempenho formidável no torneio! O que me diz, Ryan?

O garoto abaixa a cabeça e fica olhando para o chão por alguns segundos.

Ryan: Olha, Maciel, me desculpa, a proposta é tentadora, mas... eu não poderei lhe dar uma resposta agora. Tente entender, isso foi uma surpresa muito grande e eu preciso pensar antes de aceitar algo assim.

Maciel: Certo, eu já esperava por isso. Mas olha só.

Ele começa a mexer no bolso direito de sua calça e retira um papel.

Ryan: O que é isso?

Maciel: O panfleto do torneio. Eu quero que você fique com ele. Eu entendo que você foi pego de surpresa, Ryan, mas pense bem, a oportunidade não é de se jogar fora, muitos da sua idade desejam entrar neste torneio e treinam muito duro para isso.

Ryan apanha o panfleto e começa a olhar para ele.

Maciel: Escuta, Ryan, eu vou entrar agora, tenho que ver algumas coisinhas antes de chegar a hora das demonstrações. Você vai entrar? Pode ficar à vontade.

Ryan: Sim, eu ficarei esperando ali no sofá da recepção. Me chame quando a hora chegar, certo?

Maciel: Sim, pode deixar.

Os dois entram na academia passando pela porta de vidro automática. Ryan se senta em um dos sofás vermelhos enquanto Maciel segue para o corredor ao lado do balcão. O garoto dirige seus olhos para o panfleto e começa a lê-lo, lentamente.

Ryan (pensando): The International Tournament of Fighting... puxa, seria maravilhoso participar de um torneio assim.

Ele continua a examinar o panfleto até que ele arregala os olhos e sente seu coração quase parar.

Ryan: Mas... o que é isso?!

Ao final do panfleto, está escrita a seguinte frase: “E o melhor de tudo! O vencedor deste torneio será premiado com um item valioso e extremamente poderoso, pode acreditar! A Armadura de Orymon!!!” Um flashback passa na cabeça de Ryan e ele relembra do ser encapuzado perguntando a ele onde estava a Armadura de Orymon.

Ryan: Não... acredito nisso!!! Não pode ser, este torneio de luta... está relacionado com aquele ataque?!?!?!