-histeria

2 - um garfo


Notas iniciais

Britt conhecera aquele rapaz que se mudara e se aproximara demais dele, talvez esse fosse o único erro que ela cometera.

Depois de se vestir ela suspirou fundo e olhou para trás, viu seu computador se ligando e a tela de início logo aparecendo simpaticamente, ela sentou-se e digitou sua senha, como de costume. Não sabia por que tinha uma senha, ninguém nunca entrava em seu quarto, só ela mesma.

Deixou o computador ligado, mas desligou o monitor com devida delicadeza e abriu a porta rapidamente, esqueceu que ainda estava de tênis e voltou para o quarto, se equilibrou sobre um pé e tirou-o, repetiu o processo trocando o lado, escutou algumas vozes vindas de fora, olhou pela janela e viu um rapaz alto e de cabelos castanhos, estava com roupas informais, uma bermuda num tom cinza que agravada sutilmente a Brittany.

Ela não se importou muito com isso, com certeza não era o seu novo vizinho, ele seria magro e chato, insuportavelmente tedioso e mais monótono ainda que sua vida. Britt desceu as escadas sem muito entusiasmo e olhou para seus pais que já estava devidamente sentados na mesa esperando-a. Charitty olhou para a filha sorridente e disse:

-Querida, sairemos mais cedo hoje. Estou abarrotada de trabalho no hospital, por favor, vá até o nosso vizinho dar as boas vindas, não seja mal educada.

-Tudo bem mãe, papai já me disse. -sorriu meio atordoada, seria obrigada a fazer amizade com um cara totalmente sem graça e provavelmente chato.

-Filha, o bolo estará pronto a quarenta e cinco minutos, por favor, fique de olho, estou de saída então não terei tempo para tirá-lo. -ela sorriu e levantou-se. -É de chocolate. — acrescentou.

-Entendido, mãe. Eu lavarei a louça hoje, pelo jeito.

-É Britt hoje você não terá escolha. -disse Aaron num tom de brincadeira.

-Eu sei...

-Filha, mais uma coisa, faça a cobertura, sei que é uma ótima cozinheira e que saíra bem. Agora já vou indo. -disse a mãe sorrindo.

Charitty se aproximou da filha e lhe deu um longo e interminável beijo na testa sorriu satisfeita e saiu batendo levemente a porta, Aaron fez o mesmo e gritou:

-Até mais filha e... Tranque a porta!

A loira foi até a porta respirando mais forte do que o costume trancou a porta de mármore com rapidez e foi até a janela do lado e dava para ver a frente da casa do vizinho novo. Ela sorriu incrédula sobre a situação, estava curiosa para conhecê-lo, mesmo que tivesse uma plena decepção não seria em vão, algo teria acontecido em sua vida. Fechou a janela com cuidado, pois não conseguiu vê-lo, sorriu confusa, como aquela inquietação e curiosidade poderia invadir aquele corpo tão frustrado e transformá-lo em, de certa forma, feliz.

Estava ansiosa, não podia negar, sentou-se no sofá e colocou um cd para tocar, a nona sinfonia de Beethoven, ela adorava demais aquelas composições, a faziam sonhar com nitidez. A garota lavou a louça com rapidez e esperou o bolo assar e o tirou do forno, perfeito, assim como todos os bolos que sua mãe fazia. Estava agradavelmente belo, ela o virou numa travessa e começou a fazer a cobertura do bolo. Tocava agora Smooth Operetta, uma de suas músicas favoritas, ela sentia seu coração bater mais forte com aquelas vozes macias e um tanto graves.

Pegou os ingredientes e fez a tal cobertura com êxito, provou colocando um dedo no creme e longo em sua boca estava delicioso. O bolo já estava devidamente na travessa, ela despejou o creme por cima deste e sorriu contente, colocou-o na geladeira para esfriar um pouco e foi para frente do espelho ver se estava tudo bem com sua aparência. Estava tudo bem.

Olhou para o rádio e se aproximou o desligando logo em seguida, olhou pela janela novamente, o caminhão já não estava mais na frente da casa vizinha, seria uma ótima oportunidade, ela se debruçou e procurava com os olhos por seu vizinho desconhecido e provavelmente desinteressante. Ela não o achou, estaria ele dentro de casa, com certeza.

Britt abriu a geladeira com toda a velocidade possível e olhou para dentro da mesma com os olhos cheios, cheios de brilho, não sabia o porquê, mas sentia uma palpitação forte em seu coração, queria vê-lo, imediatamente. Era como se algo a chamasse de longe.

Ela sorrindo fechou a porta da geladeira delicadamente, não queria causar nenhum estrago por sua frustração, segurava o bolo com cuidado e ria dela mesma em tom baixo, calçou seus chinelos amarelos, que estavam no canto esquerdo do sofá preto. Enquanto equilibrava o bolo numa mão a outra tateava a mesa procurando a chave, a achou pegou-a e foi até a porta o mais rápido possível, com medo de estragar o bolo.

Abriu a porta devagar e saiu da casa tomando todo o cuidado possível, ficou na frente da porta e a trancou devagar, antes desesperada, agora totalmente controlada. Deu alguns passos e logo estava na frente na casa de seu novo vizinho, ela sorriu, a casa parecia diferente, dava sensações estranhas a ela, arrepiou-se.

Naquela área da cidade não se preocupavam com o crime, era tranqüilo demais, era o interior de Cambridge, onde não tinha portões imensos e fortalezas privando as áreas verdes, os moradores tão pouco se preocupam em deixar suas casas desprovidas de portões, eram somente as casas protegidas por portas, trancadas, é claro.

A garota estava ansiosa, mas se controlava ao máximo que podia, deu mais alguns passos e já estava na frente na porta daquele vizinho desconhecido, era branca, como ela odiava branco, branco eram as paredes de seu quarto, todas iguais, todas monótonas. Ela olhou para cima e para baixo, estava tentando criar coragem para bater na porta e acabar logo com isso. Levantou a mão livre e a colocou sobre a porta por alguns segundos, fechou os olhos e bateu na porta com força.

A porta se abriu devagar e fazendo ruídos estranhos, ela olhou curiosa e se manteve calada, todo o tempo. O rapaz a olhava com curiosidade também, ela notou isso, ele sorriu maliciosamente. Seus cabelos eram castanhos e meio despenteados, os olhos profundos como o mar, num tom azul e verde simultaneamente. Sem perguntas ele a puxou pelo braço para dentro da casa.

-Você deve ser Brittany, não? Pode deixar o bolo na geladeira, faça como quiser. -disse ele num tom grave, sua voz tinha poder sobre ela, era penetrante, profunda e macia.

-S-sim... Eu sou Brittany, mas pode me chamar de Britt. -ela disse convicta andando até a geladeira e a abrindo, colocou o bolo lá e sorriu olhando para ele.

-Me desculpe, eu não me apresentei, ainda. Sou Caesar, larguei minha família no Texas por motivos pessoais e vim para cá, não espero fazer amizades, não sou do tipo simpático, mas a sua companhia para mim já estaria ótima.

-É um prazer conhecê-lo, Caesar. Minha companhia? Igualmente, talvez tenhamos coisas em comum e nem imaginamos. Poderia por exemplo me ajudar.

-Ajudá-la?-disse ele se aproximando e fechando a própria geladeira com força.

-É... Minha vida é monótona demais, é um tédio e meu pior pesadelo, admito. E eu estava errada sobre você, pensei que você sem graça e desinteressante. -ela sorriu um pouco envergonhada, conseguia se expressar, bingo!

-Eu a ajudarei, farei o possível e até o impossível. -ele disse bem próximo a ela, podiam sentir a respiração um do outro.

-Obrigada, mas não quer um pedaço de bolo?

-Claro. -ele abriu a porta da geladeira devagar e sorriu.

A moça pegou a travessa novamente com o bolo intacto em cima, sorriu satisfeita, o colocou sobre a mesa. Caesar pegou uma faca na primeira gaveta, era grande demais, cortou dois pedaços e pegou dois pratos logo em seguida. Britt colocou os pedaços nos seus respectivos pratos e abriu a primeira gaveta à procura de garfos ou colheres, surpresa, só tinham facas, grandes e pequenas. Ela se afastou assustada.

-Gaveta errada. –disse ele.

Ele se aproximou e puxou a segunda gaveta onde tinham apenas cinco garfos pequenos, a garota achou estranho, mas era melhor não comentar. O rapaz se abaixou um pouco e pegou três garfos, os colocou sobre a mesa.

-Por que pegou três?-disse ela.

-Depois eu te mostro, prometo. -disse Caesar soltando um longo suspiro depois.

-Tudo bem...

Ambos pegaram os pratos com os pedaços de bolo e comeram em silêncio, ele pegou as louças suja e colocou dentro da pia cuidadosamente. Pegou-a pela mão e a outra mão pegou o garfo, ele andava com ela até a sala. Estavam indo em direção ao sofá, belo sofá, de couro preto e reluzente, combinava com a decoração da sala que era em tons amarelos e tinha um pouco de preto.

Britt e Caesar se sentaram, um do lado do outro. Ele a olhou e aproximou dela com cuidado, aproximou seus lábios e tocou os dela devagar, ela suspirou, não era seu primeiro beijo, mas era intenso a ponto de ser semelhantemente bom e frustrante. A garota fechou os olhos devagar enquanto sua boca abria num movimento quase automático, o rapaz fez o mesmo e inclinou sua cabeça um pouco para a esquerda a fim de encaixar as bocas perfeitamente. As línguas brincavam, num ritmo lento e intenso, podia-se sentir que havia sentimento, apesar de terem se conhecido a pouco já se gostavam um tanto, ou não.

Notas finais

espero que gostem,e apreciem. Mandem reviews com opiniões sinceras, por favor. esta história é de minha autoria e esta proibida a cópia total ou parcial desta. OBRIGADA.