- Waking Up
1 ichi
“Eu te amo.”
Levantei rápido sentindo tudo rodando.
Fechei os olhos e me concentrei em respirar, odiava ficar de ressaca.
Abri os olhos com calma e olhei do lado: ótimo! Meu pesadelo havia se formado só por ver Akira nu na cama enroscado nos lençóis.
- Aki. – Chamei calmo cutucando ele, que só murmurou alguma coisa e se virou.
Fechei os olhos e respirei fundo.
- Akira, querido, já é hora de acordar. – Meu tom de voz foi mediando, enquanto eu fazia um leve cafuné em seus cabelos.
Nada.
-AKIRA!
E como mágica ele se levantou mais rápido do que eu olhando para os lados.
- O que aconteceu?! – Perguntou me encarando confuso.
Fechei os olhos e suspirei.
- Olha pra nossa cama. – Eu disse tentando manter a calma.
Só consegui ouvir seu berro e um movimento brusco com ele se levantando da cama.
- ISSO É CULPA SUA! EU DISSE QUE NÃO QUERIA VIR, OLHA NO QUE DEU TAKANORI! COMO VOCÊ ME EXPLICA ISSO!? DORMIR É QUE NÃO FOI.
Eu abaixei a cabeça e bloqueei os gritos dele mentalmente enquanto passava as mãos nos olhos tentando pensar no que fazer.
E eu jurava que ele não iria parar de gritar tão cedo.
Me dei por vencido e levantei com calma pegando minha boxer e vestindo ela, enquanto ele continuava berrando de um lado ao outro do quarto.
Encarei ele sério.
- CALA A BOCA E ME AJUDA!
E finalmente ele havia calado a boca.
- Faça alguma coisa em vez de gritar! Nós precisamos sair daqui e você tem que me ajudar.
Ele me olhava assustado e eu retornava com um olhar sério.
Afinal de contas eu estava mais desesperado e apavorado que ele, mas alguém teria que manter a calma ali.
- Mas eu...
- Não aja como uma criança e me escuta, é sério. – Caminhei até a calça que havia usado no dia anterior e procurei minha carteira, confirmando a minha hipótese e meu desespero aumentando. Fechei os olhos tomando coragem.
- O que foi? – Ele perguntou com a voz séria.
Suspirei.
- Eu to sem um tostão. – Falei erguendo o rosto e mostrando minha carteira sem as notas de dinheiro que havia trazido.
Ele me olhou atravessado.
- Isso é tudo culpa sua. – Sua voz carregada só aumentou o meu pavor e meu ódio.
- Cala boca! Você veio porque quis, se alguém também tem culpa de tudo isso. é você!
Joguei a carteira em cima dele de tanta raiva e me sentei na beirada da cama, passando as mãos pelo cabelo.
- O que vamos fazer agora?
Respirei fundo.
- Vamos sacar um dinheiro e ir embora no próximo vôo, precisamos de um táxi.
Ele se encostou no vidro da sacada e suspirou.
- Você me botou nessa, agora precisa me ajudar a arranjar o dinheiro pra sair dela.
Me levantei cansado de tudo aquilo, comecei a juntar nossas coisas e as malas.
- Para de por a culpa em mim. Noite passada não passa de um borrão e você tá de ressaca. Nós vamos pegar nossas roupas tirar toda essa desgraça de purpurina que está em cima dela, vamos dobrá-las e fazer as malas.
Ele não se mexeu.
- E você vai ajudar.
Ele revirou os olhos e saiu de perto da sacada e começou a me ajudar a fazer as malas.
Deixei ele fazendo as malas e decidi tomar um banho.
Saí depois de uns minutos e me troquei rápido.
- Pode ir, deixa que eu termino isso daqui. – Eu disse já fechando uma das malas prontas.
Ele assentiu e pegou uma roupa qualquer e entrou no banheiro.
Quando eu estava na última mala senti que faltava uma coisa.
Olhei ao redor, embaixo da cama, nos travesseiros, nas cobertas, nas cômodas.
Havia sumido definitivamente.
- CARALHO! – Gritei de ódio chutando uma das cômodas.
- Que foi? – Ele perguntou saindo do banheiro.
- Perdi minha identidade!
Ele riu.
- Dâ graças a Deus que foi só a identidade.
Suspirei, ele tinha razão.
Por um surto de juízo de última hora eu havia deixado todos meus cartões de crédito em casa e só decidido levar notas.
Mas jamais pensei que conseguiria perder a minha identidade naquele lugar.
- Esquece, vamos pra casa e lá você faz uma nova. – Ele disse já pegando suas malas.
Assenti pegando as minhas e caminhando em direção à porta.
Quando fechei, encarei ele no corredor já em direção aos elevadores.
- Akira.
- Hum?
- Cadê a chave?
Ele parou me encarando confuso.
- Que chave?
- A do hotel Akira!
E como se a ficha tivesse caído ele arregalou os olhos e abriu e fechou a boca várias vezes.
- Nem tente me acusar porque foi você quem ficou com elas!
- Ai Deus. – Ele disse soltando as malas e passando as mãos pela jaqueta que vestia e pelos bolsos da calça. – A gente não pode só ir embora fingindo que nada aconteceu?!
- Eles vão parar a gente no saguão visto que estamos com mais de quatro malas e não pagamos a conta.
- Desgraça! Tá, que se dane, eu pago pela perda. – Ele disse irritado já chutando uma das malas.
Rodei os olhos, menos dinheiro, mais prejuízo, ótimo.
Entrei no elevador colocando as malas com calma enquanto ele praticamente jogava elas de qualquer jeito.
Eu ri e ele voltou a me olhar atravessado.
- Ah qual é, se a gente contar isso tudo ninguém acredita.
Ele rolou os olhos e riu também.
E foi quando ele parou de rir e me encarou que eu lembrei do estado no qual tínhamos acordado.
Corei furiosamente.
Desviei os olhos e coloquei meus óculos escuros, provavelmente eu ficaria sem encarar ou falar com ele por alguns meses depois que chegássemos.
Não tinha mais coragem sequer pra ficar perto dele tamanha minha vergonha.
Quando chegamos à recepção ele tirou as malas dele e me ajudou com as minhas.
Fomos até o balcão pagar e graças a Deus algum dos dois ainda tinha cartão de crédito ali.
Ele deu ao rapaz que nos encarou sorrindo, deu o comprovante pra ele assinar e devolveu os documentos dele.
- As chaves da suíte por favor. – Ele disse sorrindo.
Eu desviei o olhar e encarei os porteiros.
Akira explicou com calma o que havia acontecido e o homem disse que havia uma taxa a ser paga nesse caso.
Akira tirou e entregou novamente o cartão pro rapaz que foi passar ele enquanto eu encostava no balcão e ficava brincando com o zíper da minha jaqueta. Até que eu vi algo reluzindo no meu anelar esquerdo.
Arregalei os olhos sentindo os ar faltar nos meus pulmões.
Deus, por favor que isso não fosse o que eu pensava que era.
- Aonde esse cara se meteu? Não era só passar a porra do cartão e trazer a fatura? – Ele disse nervoso e eu senti o desespero todo voltar a tomar conta de mim.
- Aki. – Ele me encarou e eu tomei coragem. – O que o seu anel de ouro branco está fazendo na minha mão esquerda?
Ele franziu o cenho e puxou minha mão.
Arregalou os olhos e procurou no cordão que sempre colocava no pescoço o anel que sempre carregava e ele estava realmente lá.
Respirou aliviado e ficou branco.
- Taka. – Ele me encarou e depois abaixou o olhar para sua própria mão esquerda e eu senti tudo ficar preto.
~ Continua ~
Fale com o autor