Passei as mãos no cabelo, como tudo podia dar tão errado?

E, como se não bastasse, em vez de ir pra casa tínhamos que ir ao Hospital.

Tudo porque ele fora fraco e não agüentara a realidade.

- Aki? – Ouvi ele sussurrar e me virei encarando ele.

- Hey, como se sente?

Vi ele me encarar e depois olhar em volta.

- A gente já chegou?

Eu ri de leve.

- Não Taka, a gente tá no hospital, você desmaiou lembra?

Ele fechou os olhos e suspirou.

- Eu só queria ir pra casa eu juro, eu to tão esgotado e cansado de tudo isso. – Ele começou irritado. – Será que a gente não pode só ir embora?

Eu neguei.

- Taka você não comia nada há dois dias e ainda se embebedou ontem à noite, você vai ter que ficar tomando soro porque infelizmente tá muito debilitado pra viajar por tantas horas.

Ele respirou fundo encarando o teto.

- Eu estraguei nosso final de semana.

Eu ri.

- Deixa de ser bobo, quantas pessoas vem à Vegas, alugam a suíte mais cara do hotel do Hard Rock café, enchem a cara e apostam tudo o que trouxeram, casam e ainda dormem juntos sem nem saber?

Ele gargalhou alto.

- Definitivamente eu estraguei nosso final de semana. – Ele disse rindo alto.

E eu só acompanhei.

- É, foi uma emoção mesmo.

- E pra melhorar eu ainda consegui desmaiar ao ver as alianças. – Ele riu mais alto.

Uma enfermeira entrou no quarto e pediu silêncio.

Ele apenas fechou a boca e continuou rindo.

Eu me levantei e puxei uma cadeira para perto da cama dele e me sentei.

Olhei a aliança em minha mão, eu até podia me lembrar mais ou menos de como havia sido o casamento.

Bom, na verdade eu me lembrava do Taka vestido de Elvis Presley e eu dizendo sim.

Eu ri fraco, talvez não tivesse sido tudo culpa dele afinal.

- Que tanto você pensa ai?

Encarei ele e fiquei observando seu rosto.

Por Deus ele era lindo mesmo sem aquelas mil coisas que passava no rosto e as lentes de contato, como eu nunca tinha conseguido ver isso?

- No nosso casamento.

Ele corou e ficou sem jeito e sério mudando de posição e encarando a porta do quarto.

Ele realmente havia ficado envergonhado de tudo, principalmente por termos dormido juntos.

Não que fosse algo que eu não tivesse gostado, pelo contrário.

Uma enfermeira entrou no quarto e verificou o soro que ele tomava.

- Se sente melhor? – Ela perguntou regulando alguma coisa.

- Se dores no corpo e cansaço ao extremo é melhor, então não. – Ele disse rindo fraco.

Ela olhou séria pra ele e disse que iria dar mais uma ampola de soro então.

Ele desfez o sorriso e se virou de lado, deixando o braço estendido.

A moça trocou e saiu.

- Ela queria era me furar isso sim, vaca maldita sem humor.

Eu ri alto.

- Realmente te ver sofrer é engraçado.

Ele me encarou sério e voltou a se virar.

Eu suspirei e fitei suas costas.

Não era possível que ele não tivesse gostado de nada.

- Taka.

- Hum. – Ele resmungou continuando na mesma posição.

- Você não gostou do sexo?

Vi ele ficar tenso.

- A gente tem que falar mesmo sobre isso? – Ele perguntou baixo.

Passei as mãos pelos cabelos.

- Bom... Visto em conta que agora você é minha mulher, sim temos. – Eu disse sorrindo.

Ele não se mexeu.

- Isso não teve graça nenhuma Akira.

Eu rolei os olhos.

- Não é possível que eu seja assim tão abominável aos seus olhos – Eu disse sério. – Sabe, em vez de você se ofender e esquivar deveria perguntar antes se eu tinha gostado pelo menos.

Ele suspirou alto.

- Eu não quero falar sobre isso.

- Porque? Só porque a gente transou? Qual o mal nisso? Olha, se quer saber eu já queria ter te pegado há mais tempo do que você imagina, só não tinha enchido a cara o suficiente ainda.

- CHEGA AKIRA!

Me levantei irritado.

- Se você vai fingir que nada aconteceu então tudo bem. Eu vou fingir que não dou a mínima pra você, quando sair me liga que eu venho te buscar, até lá fique sozinho porque você merece.

Saí irritado do hospital.

Olhei em volta vendo mil luzes piscando, aquela era realmente a cidade do pecado.

Não queria andar, não queria ter que gastar dinheiro então só fiquei sentado nas escadarias do hospital vendo as milhões de luzes piscarem e pessoas diferentes passarem pela rua.

Eu só queria saber a opinião dele, era tão difícil entender isso?

Eu poderia levar o casamento de cinco minutos a diante sem problemas se soubesse que ele queria também.

Mesmo que nunca tivéssemos namorado, nos beijado ou transado antes.

Afinal de contas, havia uma primeira vez para tudo na vida, e um casamento rápido em vez de anos de namoro poderia dar certo.

Se eu soubesse que ele queria, o que parecia que realmente não ia acontecer tão cedo.

Bom, iríamos voltar para o Japão mesmo, se ele quissesse o divórcio eu iria compreender, mas não aceitar.

Afinal, ele nem havia tentando pra ver se dava certo.

E eu era um cara de oportunidades no final, se eu tinha alguma chance de fazer alguma coisa diferente eu topava.

Podia até ser divertido, nunca se sabe no que pode dar.

Talvez fosse esse pensamento que me fazia estar ali há milhas de distância de casa, com um live programando pro dia seguinte e com o vocalista da minha banda tomando soro por causa de desidratação.

Senti meu celular vibrar, abri vendo uma mensagem nova.

“Eu odeio brigar com você, desculpa...

Se importa de vir me fazer companhia? Sabe como eu odeio ficar sozinho num lugar diferente._.’

Desculpa,

Taka.”

Eu sorri.

Talvez ele queria e não sabia disso ainda, mas eu não iria desistir de tentar convencer ele.

Ah não iria mesmo.

~ Continua ~

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.