Fuck Normality
2 Broken Girl
Notas iniciais
Clara, como era conhecida inicialmente, tinha duas tias lésbicas. Na verdade, só uma delas era sua tia como é de se imaginar, mas eram casadas desde que ela se lembrava e seu passatempo preferido era ir ter com elas, sempre ia com a amiga, desde mais novas, que esta tinha apenas 6 anos de idade e a outra já levava oito. Estas foram ainda mais culpadas no que viria na frente dos novos amigos, todos as tinham como irmãs, como se uma fosse propriedade da outra desde pequenas e este era o problema, eram uma da outra desde pequenas e todos sabem que certos maus devem ser cortados pelas raízes desde quando se é novo. Para que não se transforme em uma erva daninha, algo impossível de se exterminar.
Lá estavam as duas pequenas andando lado a lado a loirinha com ainda 06 anos e seguia tendo o mesmo jeito de liderar a outra mesmo sendo mais nova, a morena estava com 8 anos nesta época. A loirinha começava a ser mais gordinha e mais alta que a morena, mas isto só mudaria quando a morena completasse 12 anos, passaria a ser mais alta e mais encantadora, contra a outra que iria permanecer até pelo menos os dias de hoje, feminina, delicada e extremamente encantadora pelo seu jeito doce, passando a levar consigo curvas de menina e deixando de lado a gordura da infância.
-Onde estamos indo? Perguntará a menor, com um toque infantil na voz.
Era evidente que ainda não se conheciam tão bem, eram recém vizinhas.
-Na cada da minha tia. Respondeu bem objetiva a outra, pelo menos isto iria permanecer com ela para sempre, só sendo corrigido com uma firmeza que seria transferida para sua fala.
Chegaram a porta, era como aquelas casas simpáticas de seriados americanos, branca com uma porta vermelha, tinha um quintal e tinha além do quarto do casal, um sótão, outro quarto do qual a loirinha já era dona e outro cômodo que mais tarde viria a ser de muita utilidade para elas. Fora os outros cômodos de praxe, que se pode imaginar que uma casa tenha e 2 banheiros. E havia um quintal, quando se deitava na grama se podia avistar o céu inteiro dali, tal como um balanço numa árvore com um pneu velho preso em cordas. Era mesmo o lugar perfeito não era? Como nos sonhos...
Não atoa, as duas amavam estar ali, paixão roubada por incrível que pareça, que a loira roubou da morena, a menor (naquela época) que teria uma paixão por ali antes de tudo, o lugar era como um sonho para si mesma era lá que ela se livrava de qualquer sensação ruim que poderia ter.As tias de aparência dura, tão femininas e mas sempre muito arrumadas. Mais se via de longe quando recepcionaram as pequenas com beijos e abraços, o quanto eram carinhosas, já deixaram encantada e apaixonada a morena, seriam ótimas mães, se a hipocrisia do mundo e a lei dos homem, o permitisse assim ser. Era um óbvio talento, que lhes era roubado.
-Oi tias! Essa é minha amiga, a Bia.
Bia era tão chato e clichê, um nome tão comum para chamar alguém tão importante, desde pequena a loira já sabia, mas só depois a "Bia" ia se transformar em "Bianca" e só muito depois seria em alguns momentos "Bear", como Pooh the bear ou Winnie the Pooh.
-Oi. Disse sem graça, enquanto analisava a casa com a loirinha sendo carregada pela tia de sangue nas costas.
-O marido de vocês não se incomoda de vocês viverem juntas? Se atreveu a perguntar, com uma inocência de criança, mas sábia e certeira como sempre seria. Uma inocência de criança... Que a todo custo, insistia em carregar e só ela e seu íntimo o sabiam que era insistência, e como bem o sabia.
As duas tias se entreolharam, os olhos pretos se afundaram juntos, curiosas e risonhas da pequena menina, seria sempre assim, essa curiosa a revelar os segredos que lhe pertenciam.
-Elas não são casadas. Disse a loira com pudor, vetando a morena com os olhos arregalados, arrancando risos das duas que em seguida lhe deram um beijo em cada lado do rosto. Era uma ofensa para ela a pergunta da morena, porque amava tanto as tias e toda família cuidava tão bem do assunto por ser tão nova, que achava que a delicadeza da situação era não encontrarem ninguém para amá-las, por vezes isso a fazia demonstrar amor demasiado para as duas, pela culpa dessa ilusão infantil.
-Desculpem me... Balbuciou a morena, absorvendo toda a censura da loirinha.
-Vão brincar meninas! Disse a tia de sangue colocando a loirinha no chão e lhe dando com todo carinho um tapinha no seu bumbum, fazendo ela saltitar e rir correndo para o quintal.
Nesta tarde as duas correram o jardim inteiro, brincaram com a imaginação enquanto se tornavam pai e mãe respectivamente. De pelo menos, 7 filhos, a morena disse que 2 eram o suficiente, mas quando a loirinha começou a dizer que ela era o pai e sendo o pai exigia pelo menos mais 7, a morena se derreteu nas suas batidas de pé e mesmo fazendo bico, disse que então fossem 7. Ela era menos esperta e entendeu que a loirinha pedia 7 e lhe concedeu o desenho, mas só a loirinha sabia que também havia cedido, porque ela queria 9 crianças, que fossem seus 7 com somados aos 2 da morena.
As tias chegaram ao fim da brincadeira com biscoitos e sucos, junto com uma tolha secando o suor das duas porquinhas que se ajeitaram, cada uma num colo, comendo e bebendo suco. Ouvindo uma história, sobre um certo patinho e riam zombando uma com a outra. Terminaram o dia deitadas no chão, vendo as nuvens.
-Eu vejo um cachorrinho. Disse a loirinha e esbouçou a figura com os dedos.
A morena também via outras figuras inanimadas que a sua imaginação permitia, viu até um dragão malvado, mas riu do cachorrinho e preferiu revelar somente sobre a tartaruga que vira.
No dia seguinte, na semana seguinte, no mês seguinte. Só para então no ano seguinte, passar a ser por desejo e paixão da loira, que passariam a ir sempre e repetidamente na casa das suas tias, primeiro com um curto intervalo de tempo, depois ia aumentar com intervalo às vezes de 2 meses, que fariam as tias irem a casa da loira em busca das pequenas, pegando a loirinha nos braços e buscando a morena, que em maioria das vezes estaria de castigo na casa dos pais e viraria rotina. Até os dias de hoje, a loira só tornar a ir lá quando estivesse acompanhada da morena e só brincar também em sua companhia.
Que costume, que mal hábito com a necessidade do sorriso uma da outra que haviam criado, que pecado e banalização de dois sorrisos tão perfeitos que isso era... Mas elas exclusivamente eram as culpadas e as famílias, que passaram a ver elas como uma só, finalmente um dia a loira gritaria que aquilo fora uma maldição que lhe havia sido regalada e a morena caminharia até ela, com um belo e provocante sorriso e diria exatamente com estas palavras:
"Que bela maldição então que me foi dada..." com ironia e sarcasmo, mas tão verdadeiro que causava confusão e paixão.
-Ei! Chamou atenção a loira com as penas dentro do pneu, sentada se equilibrando como numa gangorra com a morena do outro lado, dividindo aquele velho pneu.
A loira nesta época já levava consigo 10 anos, dados esses dias até os dias de hoje, um curto intervalo de 5 anos desde que se conheceram, o intervalo de 4. E este tempo, dando a loira, uma sabedoria que fez a cautela daquele momento e um olhar baixo, fitando os pés da morena enquanto se permitia brincar com os pés da morena, eram rara às vezes que se permitiam tocar, isso até era meio engraçadinho.
-Sim!? Respondeu a morena olhando deliciada o local, faziam 2 meses que não colocará os pés na casa das tias, Ana e Márcia, era assim que se chamavam, e estava olhando tudo como se fosse um paraíso e pudesse desaparecer a qualquer momento porque afinal, o mundo não era um lugar digno daquele lugar, porque ali era perfeito, na verdade só existia dentro dela o sentimento de saudade.
-Por que você fica tanto de castigo?
Arriscou em perguntar a loira, foi direta e de supetão, como sempre fora. Mas sabia que havia algo muito errado com a pergunta, só não sabia o que, mas sabia, pelo fato de que nunca lhe deixavam pisar os pés na casa da morena e até mesmo a própria sempre lhe gritava quando ela pensava em propor a ideia de passarem a tarde em sua casa, que havia algo de muito errado ali.
A morena fitou o céu, confusa, buscava uma resposta, ela realmente não sabia a resposta para aquela pergunta. Isso que fazia de tudo ainda mais ruim, castigar alguém, que nem sabe por que motivo está sendo castigado.
-Não sei... Mas eu sempre faço algo muito ruim para merecer... Disse perdida nos pensamentos, de uma forma ruim demais para uma criança de apenas 12 anos.
-E o que fez dessa vez? A curiosidade da loira seguia ali, era sua única oportunidade de conhecer aquilo da morena, seria a única vez que iria perguntar aquilo, mantinha seus pés parados lado a lado.
-Nós estávamos rindo demais próximo a minha casa, meu pai viu e eu acho que não posso rir tanto com outras pessoas, ele sente raiva porque não dou risada com ele. Então, se eu o fizer, que ele não veja, sabe, é falta de respeito... A morena não via sentido no que ela mesma dizia, mas era o que tinha ouvido, será que não tinha permissão de ser feliz? Não era exatamente isso, mas era isso que ela acreditava, isso não respondia as suas próprias perguntas ou as da loira, mas ela entendeu um pouco, a morena não.
-Tudo bem. Dá próxima vez, prometo que não te faço rir. A loira disse inocente e brincou com os pés da morena.
-Obrigada. A morena mal agradeceu e a curiosidade insaciável da loira seguia ali.
-Como eles te punem? Só não te deixam sair? Tiram sua TV e o piano? Recomeçou a loira, ela fizera como armadilha, fingira que o interrogatório havia acabado para amolecer a vítima e obter a confissão.
A menina de 12 anos olhou para o céu, era somente uma menina de 12 anos olhando para o céu com toda inocência e buscando não evidenciar a falta de inocência. Perdida em uma lembrança, com olhar triste e pesado. Sendo observado pela loira e ela reconheceu a dor em seu em seu olhar, a tristeza que a morena carregava que a loira jamais pudera entender, desde que vira a família da morena ela não tinha sentido uma sensação boa, mas especialmente o pai da morena causava nela calafrios, havia algo nele que ela não sabia definir, nesse dia ela passaria a odiar algo naquela casa, mesmo sem entender nada do que estava acontecendo.
-Ás vezes, minha mãe me bate. Ela chora bastante... A morena procurou o chão, respirou e sentia um nó singular na garganta, vontade de chorar. -Ela diz que eu faço coisas erradas, que é pra parar de fazer e fazer o papai parar, deixar nossa família ser feliz... Os olhos da morena começaram a lacrimejar, a garganta falhava e ela piscava fitando o ar, a loira trazia consigo uma grande compaixão em seguida a morena desceu do balanço, se encostando em uma árvore a loira se sentou junto a ela. -Papai sente muita culpa por meus erros. Sinto muito... A morena se desculpou, por algo que nem ela mesma sabia, talvez fosse só força do hábito. E começou a chorar, a loira colocou o braço sob seu ombro e olhou para o chão com compaixão, só permaneceram ali e a loira sabia, ela não entendia bem o que, mas ela sabia.
-Sinto muito... Repetiu baixinho para a morena, que se pôs a chorar ainda mais, ela chorou, porque agora a culpa não era só sua, agora ela tinha alguém para compartilhar a dor, de alguma forma a culpa de nada, daquilo que ela não entendia bem o que era, agora também era da loira e ela sentia tanto pela culpa que ela carregava sozinha, que sentiu vontade de chorar mais ainda, apertando as pernas bem fechadas sob o peito, enquanto aquele pequeno braço tentava consolar suas lágrimas.
Notas finais
Obrigada novamente a todos que se dispuseram a ler! ^^
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