Notas iniciais
Postagem após o natal, redigir a história pro computador está sendo um processo mais lento do que eu desejava... Espero que mais leitores continuem lendo e os mesmo continuem acompanhando! Agradeço todos os últimos comentários que recebi, ver que a sua história está sendo lida é o que dá gás para que você continue postando!

Já agora que você sabe mais sobre a amizade das nossas protagonistas, talvez então entenda o porquê do que se sucedeu naqueles primeiros dias de aula. Mas, talvez ache bobo que elas ainda se sintam ameaçadas neste campo ou de alguma forma insegura por sua amizade, talvez não fosse a amizade que estivesse trazendo aquele ciúme. É que assim como quando temos apenas 10 anos de idade e nos apaixonamos pela primeira vez, o amor, talvez influencie o fato de ser gay, seja com 15, 18 ou 40 anos de idade, nos eleva a uma nova experiência, onde o desejo é concentrado e encurralado, e o ciúme incompreendido.

Bianca e Clarice sentaram-se em um dos bancos no intervalo de suas aulas. Acompanhadas somente dos amigos da morena, pois os da loira estavam observando o ambiente que lhes era novo todavia, ou conhecendo pessoas, flertando, talvez. Mas Clarice não fazia tanta questão...

-Vamos a casa da tia Márcia hoje? Convidou a loira, Márcia era a sua tia de sangue e vale aqui citar que era também quem a havia batizado, mesmo que a pequena não tivesse tanta crença.

-Claro, já fazem quase dois meses que não vamos lá, desde que recomeçaram as aulas... Pensou a morena, enquanto somava o tempo mentalmente, sua cara mostrava claramente o incomodo e a saudade que isso lhe causava.

-A tia Ana me ligou ontem, disse que estava com saudades da nossasgargalhadas tomando conta da casa. A loira riu timidamente, suas duas tias eram carinhosas e sensíveis, mas Ana tinha um tato especial, talvez pelo fato de que ela nunca precisou se preocupar com ter que pisar em ovos pela família da loira.

Os amigos da morena que estavam presentes, por sua vez fingiam não ouvir a conversa. Mas a morena chamava atenção na escola pela sua beleza e sedução, naturalmente, logo os meninos só estavam atentos e as meninas curiosas, mas a conversa começou a chamar atenção quando eles se perguntavam se haviam entendido bem o teor dela. A loira tinha duas tias que eram lésbicas e que viviam juntas ou era mera impressão?

-Você lembra quando achavamos que ela snão eram casadas? Falou Bianca, parecendo adivinhar que essa era a dúvida que pairava na cabeça dos que as cercavam, e garganhando em seguida com a lembrança.

-Verdade, nós eramos tão bobas. A loira riu também com as lembranças que estavam vindo a sua mente com essa mensão.

-Eu diria que você era fofa...

A loira revirou os olhos diante do comentário, dando uma gargalhada em seguida.

-E quando elas resolveram contrar pra gente!? Hoje em dia eu percebo como aquilo foi constrangedor, parecia uma daquelas conversas sobre sexo com a família! E foi tão...

-Incomodo! Falaram em unissôno as duas entre gargalhadas ainda. Na época a morena tinha 12 anos e a loira 10, é uma idade quem se começa a perguntar o bastante para que certos assuntos sejam exclarecidos e era necessária essa intervenção.

Uma das amigas da morena deu um sorriso de canto de boca ao ouvir o que elas falavam, tenhamos em mente que é meio difícil de se saber que tipos de pensamentos, bons ou ruins, ocorrem em relação aos jovens nessa idade.

-Eu achei tão fofo quando elas nos contaram. Acho que não imaginaria nenhum homem fazendo elas tão felizes como elas o são. Divagou em um tom suave e baixo a morena, se aproximando ao pé do ouvido da loira só exercendo o hábito que sempre tivera, falar suavemente, de maneira delicada, isso por vezes a fazia sussurar ao pé do ouvido da loira.

-Concordo com você... E hoje em dia, não sei como posso ter pensado em pra um padeiro que a tia Márcia tnha interesse nele como marido! A loira continuava a rir, depois de sussurar no ouvido da morena. Na época a situação que relembravam havia sido de certo ponto engraçadinha, ela e a morena haviam se unido para encontrar um par para as duas. Apesar de toda a inocência da infância que ainda caía sobre elas, obviamente a ideia não dera muito certo.

-Ela estava preocupada com você. Emendou a Loira, agora mais séria, ela soava distante e ainda sussurrava, mas era perceptível que agora o assunto era outro. -É que já faz alguns anos que não passamos tanto tempo longe. A última vez foi quando seu pai... A loira não pode completar a frase sendo interrompida, por um leve puxão da morena a levantando e levando para longe dos seus amigos.

-Não quero que você fale sobre isso aqui. Pediu em voz baixa a morena, ainda segurando o braço da loira, só que agora com mais delicadeza do que o fazia antes. -Desculpe, não achei que fosse um problema falar sobre. Disse com um tom sarcástico, pausadamente e de certa forma espantada, a menor. Ela tentava aparentar hostilidade, mas era inevitável, a mesma sensação que teve de quanto tivera aquela conversa com a morena quando tinha 10 anos havia voltado ao seu peito.

-Você comentou com mais alguém? Mais algum amigo seu sobre isso? Ela falava sobre o hábito que sua família tinha de a proibir de sair de casa por vários dias, demonstrava uma preocupação do ponto de vista da loira totalmente desnecessária, no fundo a morena também entendia que talvez não houvesse motivos para isso, ela sabia que a loira nunca falava nada e tinha todos os motivos para confiar nisso, a desconfiança foi justamente o que espantou Clarice, que sorriu de uma maneira sarcástica diante daquele questionamento.

-Não, e sinceramente não entendo qual seria o problema. Todo mundo tem problemas com a família, ou você acha que eu só vou a casa das minhas tias todo o tempo só porque eu a amo? Minha família é maravilhosa, mas nós também não nos damos tão bem. Resmungou a loira se soltando rispidamente da mão que ainda a segurava. -Eu sinto muito... A maior agora voltava a si mesma diante da repreensão da amiga, seu olhar estava buscando o da loira, em busca de perdão.

Ela não respondeu o pedido, breve cruzar de olhares e saiu andando em direção a amiga efusiva, Dianna. Estava se sentindo mais do que só magoada, era uma sensação de impotência que acontecia dentro dela em não entender aquele momento, em não saber e assim, não pode ajudar a morena a sanar a tristeza que rondava o seu olhar. A morena permaneceu ali parada, vendo a pequena sorrir com Dianna, sentia falta de ar ela queria respirar, respirava fundo e mesmo que o ar estivesse passando pelo seu sistema respiratório, ele parecia por aqueles segundos, não existir. Uma dor no peito a fazia ofegar e seu coração pedia veemente por algo que pudesse lhe acalentar, mas não havia nada e nem ninguém. Nunca havia... Suas amigas se aproximaram e começaram a conversar, voltar e meia elas se olhavam, a morena e a loira, toda a gente o via mas já faziam quase dois meses que as aulas começaram, eles se acostumaram com aquele hábito das duas.

Clarice tentava ocultar a impotência e a covardia por correr quando devia estar lá só segurando a mão de Bianca se possível, que por sua vez estava tonta e tentava se manter sozinha em pé.

Ao final das aulas havia ocorrido a Bianca que devia ir a casa das tias da loira, mesmo que o pensamento parecesse um pouco invasivo, não que nunca fora antes a casa das duas sem a loira, era Clarice quem nunca aparecia lá sem elas, mas estava magoada pela forma que havia se tratado antes e ficou imaginando se ir a casa delas incomodaria Clarice. Ou temia que aquilo fizesse a menor se desgarrar dela para ir fazer sua visita. Mesmo assim, permaneceu parada na saída da escola, a loira a viu e sorriu confortada, se aproximou por trás e falou ao pé do seu ouvido.

-Vamos passar na sua casa antes ou na minha? Ela fazia menção a provocação sexual entre casais o conhecido "na sua casa ou na minha?", essas brincadeiras faziam parte do cotidiano de inocentes provocações que a loira fazia. Um arrepio percorreu a espinha da morena o hálito da loira na sua orelha, um frio surgiu na barriga desta, havia sido o susto por ter sigo pegada de surpresa que causou o arrepio, já o frio na barriga sabe se lá de onde surgira, a loira tão pouco se importava, era a morena que vivia colocando estes panos quentes no que sentia.

Era ela quem morria de medo de amar.

Notas finais
Esse capítulo foi pra mim um pouco mais vazio do que os outros, mas espero que vocês ainda assim tenham gostado dele! Aceito comentários, ou conselhos, qualquer correção na escrita da fic também! ^^