Treze infelizes e embriagadas horas de vôo depois chegávamos ao Hangar. Voar em um jato particular era sempre um presente. De Grego.

Dois carros nos esperavam e mais híbridos armados como seguranças de meu algoz.

– Venha. Temos mais algumas horas de carro até chegar a Mystic Falls. – Ele me apertava o braço e me arrastava para dentro do carro.

A estrada era muito bonita. Arborizada quase que totalmente. Devo ter cochilado, pois quando percebi passávamos por lojas e depois por ruas de casas antigas. O sol forte brilhava atrás das pesadas janelas do carro.

Por fim ingressamos por dois enormes portões de ferro em uma alameda. Ah a casa de Klaus.

Seu bom gosto era incrível. Seu gosto por artes melhor ainda. Já no saguão apreciei caras e raras obras em seu acervo.

– Por aqui, por favor – Me apontou para um corredor ao lado da escada.

A escadaria era de mármore branco e crescia imponente entre colunas de mesmo material.

O enorme corredor era acarpetado e colorido por celebridades do mundo das artes.

Klaus abriu uma porta dupla de couro e ingressei no escritório.

Um vampiro nos esperava.

– Stephan, Elizabeth e vice-versa. – Klaus apresentou seu comparsa.

– Muito prazer. – O vampiro me estendeu a mão e a ignorei.

Ele era alto, com cabelos castanhos e lindos olhos verdes. Seu sorriso era morno.

– Prefere descansar primeiro ou podemos começar? – Klaus era implacável. Estava ansioso e isso em Klaus, não era bom.

– Prossiga. – arrisquei

– Elizabeth, Elijah desapareceu e preciso encontrá-lo.

– Para?

– Ele tem uma informação que eu preciso.

Uma informação? Tudo isso por uma informação?

– Que tipo de informação?

– Isso é irrelevante.

– E como espera que eu o encontre?

– Pense. — Não! Se nos aproximar novamente poderá matá-lo.

– Vamos lá, Elizabeth. Preciso que use a conexão.

Levantei-me com a intenção de deixar o aposento, mas fui surpreendida por dois híbridos à porta.

– Elizabeth – o outro vampiro falava – Elijah tem uma informação que pode salvar uma vida.

– A vida de quem vale mais que a dele? — Bufei indignada para Klaus. Seu próprio irmão!

– A vida da mulher que amo.

Irônico.

– Você quer trocar a vida de seu irmão por uma mulher? – Indaguei.

– Não é uma mulher qualquer, Elizabeth, ela é uma cópia.- Klaus caminhou até o bar e serviu whisky em três copos. – E não vamos matá-lo, apenas, digamos, deixá-lo mais próximo aos demais. – Seu riso era irritante.

A champanhe que tomei no avião começou a reverter em meu estômago.

Não podia acreditar nisso. Somente a cabeça doente de Klaus e seus interesses escusos poderiam articular tal ideia.

– Bem, vim como hóspede e aceitei seu convite educadamente, Klaus. Mas isso sem saber que poria Elijah em risco. Se me der licença, vou descansar e tomar o próximo voo de volta para Paris.

– Isso não é uma opção, Elizabeth, nem tampouco um convite. Mudei de ideia.

Parei de frente para a porta e de costas para eles. Minhas mãos tremiam. Meu coração dividido. Veria Elijah, mas o condenaria a ser um vampiro comum.

– Pense por outro lado, você esteve muito tempo em Paris, alimentando-se da escória da madrugada. Pode não ser mais tão atraente para meu irmão. Lá se foi seus lindos cabelos vermelhos e a vida em seus olhos. Ele já te viu assim?

Virei-me com ódio, joguei minha bolsa na cadeira e avancei para ele com toda fúria.

– Isto é culpa sua, Klaus. Você e suas ideias estúpidas arruinou a vida das pessoas que te amavam por medo de ficar só. Não suportou a ideia de seu irmão ter enfim encontrado consolo e felicidade. Estava disposta a envelhecer e morrer vendo Elijah ainda jovem. Sabia que ele era um vampiro e mesmo assim eu o amei. Eu o escolhi, ele me escolheu e até que você quisesse modificar as coisas ao seu modo, fomos felizes. Agora me pede que arruíne mais uma vez a minha vida e a de Elijah promovendo um encontro por uma informação? Vá para o inferno você, seu amigo e essa porra de informação. Se quiser saber alguma coisa, pergunte a Elijah e se ele não lhe der o que quer, saberei que enfim é feliz e se libertou de suas mãos imundas.

Agarrei novamente minha bolsa e avancei para a porta.

Empurrei um dos homens de Klaus que atravessou pelo batente espatifando na parede. Avancei pelo corredor com um hibrido em meu encalço e Klaus logo atrás. De repente o hibrido me alcançou sem que tivesse tempo de chegar às escadas e uma insuportável dor me assolou pelas costas. O desgraçado me mordera.

– Uma só mordida, Elizabeth e uma só cura e não serei o original ao seu lado quando você acordar. Se apresse em chamá-lo. Você tem até amanhã à noite para conseguir trazê-lo até aqui. Bons sonhos, Elizabeth.