Érebo Contra O Olimpo
1 Capítulo 1 - 2012, Mundo Inferior, manhã.
2012, 21 de Dezembro. Mundo Inferior, manhã.
Era manhã quando um homem de trajes tão negros quanto um abismo adentrou o salão do enorme palácio de Hades, seus passos apressados ecoaram pelo salão, chamando atenção de um homem cujo os cabelos eram curtos, o homem trajava um manto com desenhos de pessoas sendo torturadas, provavelmente Hades, o senhor do mundo inferior. O homem de vestes negras parou diante do trono de Hades fazendo-lhe uma breve reverência e o deus do mundo inferior retribuiu apenas com um aceno de cabeça.
– Érebo, o que faz aqui? – A voz de Hades tinha um tom grave e firme.
– Hades, quanto tempo não é mesmo? E bom lhe rever também. – Disse Érebo com um sorriso melancólico.
– Chega de piadinhas, vá direto ao ponto, seu tolo! – Disse Hades com a voz controlada, porém um pouco mais alta.
– Ora, ora... apressadinho como sempre não é mesmo? Eu no seu lugar teria mais respeito... – Disse Érebo num tom meio que ameaçador.
– VOCÊ OUSA ME DESAFIAR!? EM MEU PRÓPRIO LAR!? – Hades berrou fazendo a estrutura do saguão de seu castelo tremer.
– Ah, calma... sempre nervosinho não? – Érebo falou em um tom debochado.
– Hunf, se não for dizer nada... pare de me aborrecer a vá embora! – Hades se aprumara em seu trono fitando melhor o rosto de Érebo.
– Ah, vamos ao que interessa. Eu gostaria de fazer uma aliança com você!
– A-aliança... como assim? – Hades indagou franzindo o cenho.
– Ora, acho que você, assim como nós está cansado de ficar em segundo plano, Hades. Juntando seus poderes aos dos deuses menores... nós seriamos uma grande ameaça para o Olimpo, não é mesmo? – Érebo disse essas palavras como se fosse óbvio o motivo por ele estar naquele lugar que tanto odiava.
– Nem pense nisso! Meus irmãos estão começando a me dar confiança, principalmente depois que Nico me ajudou a reconquistar a confiança deles, me fazendo concordar em me juntar na luta contra Cronos. – Hades falou ficando bastante aborrecido.
– Hades... Hades... nunca pensei que se deixaria levar por um menino! Podemos obter poder, principalmente agora com o menino de Poseidon fora de jogada,
– F-fora da jogada? – Hades indagou com um certo brilho de interesse nos olhos, como se estivesse começando a concordar com Érebo.
– Sim! Fora da jogada, está o maior boato de que o menino desapareceu de repente. Essa seria uma grande oportunidade... pense bem.
Hades ficou em silêncio por um tempo, fitando o rosto voraz de Érebo. Então levantou-se com uma expressão aborrecida, e então disse.
– Érebo, vá embora! Não posso fazer isso com meus irmãos, e principalmente agora, depois de termos conseguido destronar Cronos novamente.
– Ora... ora, o que é isso? Hades, o Senhor dos Mortos sentindo dó? Ah, não acredito! – Érebo tinha um tom de voz de zombaria.
– ÉREBO JÁ MANDEI-LHE IR EMBORA, AGORA VÁ! ANTES QUE EU ACABE COM VOCÊ AQUI MESMO, SEU MALDITO!
– Você vai pagar Hades, por tudo que disse. Pense bem, você teve sua chance. – E dizendo isso um forte estalo ocorreu no saguão e Érebo desapareceu numa cortina de fumaça, deixando sua risada maligna ecoar pelo local.
Hades suspirou e se sentou novamente descansando sua cabeça em um de seus braços, olhando para o além pensando em alguma coisa. Quando de repente um barulho de algo se mexendo no canto de uma parede fez o deus despertar de seu devaneio.
– Nico? – Hades perguntou, olhando para o local de onde veio o barulho.
Um menino de pele pálida e cabelos negros surgiu do meio das sombras, caminhando vagarosamente até o meio do saguão principal do castelo.
– Ora meu filho, quanto tempo esteve escondido atrás daquele pilar? – Indagou Hades, com a voz em tom preocupado.
– Desde que o senhor começou sua conversa com Érebo. – Disse Nico, se aproximando mais do pai.
– Ahn... você sabe que não deve ficar espiando desse... – Mas Hades foi interrompido por Nico, que logo indagou.
– No que pensou?
– Como assim meu filho? – Retrucou Hades franzindo a testa levemente.
– No que pensou quando recusou a proposta de Érebo?
– Logicamente nos inúmeros problemas que eu iria arrumar se me afiliasse com ele!
– Não minta pai. – Nico olhou para seu com uma expressão meio que suplicante.
O Senhor dos Mortos olhou seu filho com cuidado e mais uma vez soltou um suspiro.
– Que tipo de Senhor dos Mortos eu sou? – Hades murmurou.
– Nico, eu pensei em vocês. Na minha família, em você. Destruir vocês não me traria benefício algum, e ele com certeza iria querer destruir todos os semideuses que não se bandeassem para seu lado, e eu sei que você seria um desses.
– Pai, estou orgulhoso de você. Assim o senhor transmite mais confiança e segurança para todos nós. – Nico se aproximou do seu pai cuidadosamente e fez uma coisa que nenhum dos dois jamais pensara que aconteceria. Deu-lhe um beijo em sua bochecha e sorriu um pouco corado.
– Ahn... – Hades suspirou novamente – que tipo de Senhor dos Mortos sou eu... – Hades repetiu novamente em alto e bom som para Nico ouvir.
– Não significa que só por que se intitula de Senhor dos Mortos o senhor necessite ser realmente malvado.
Hades levantou de seu trono, e agarrou o ombro de Nico caminhando para dar um passeio com seu filho nos jardins de Perséfone. Deixando o majestoso salão completamente vazio.
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