Notas iniciais
Quem me acompanha no wattpad sabe que os capítulos saíram primeiro lá, mas vou postar nas duas plataformas ao mesmo tempo ♥

Na manhã do dia seguinte, acordei com um travesseiro macio sobre o meu rosto. Estava quase sem fôlego quando Jack decidiu que a brincadeira estava indo meio longe e jogou o travesseiro longe. Os seus olhos estavam vermelhos e havia baba seca escorrendo do canto da sua boca, mas só consegui me concentrar no fato de que tinha tentado me sufocar com um travesseiro como brincadeira. Esse era o Jack Ruim. O Jack do qual eu não gostava.

— Você dormiu no sofá. – Era só uma observação.

— Estava sem sono. – disse depois de me recuperar do susto, sentando encolhida na beirada do sofá. – Você acordou cedo.

— Tenho que trabalhar hoje. – Isso era bom. Trabalhar significava que não ia passar o dia ocioso em casa comigo. – Acha que vai ficar bem se estiver sozinha?

— Sim. – respondi depois de alguns segundos bem calculados. Uma resposta muito rápida faria parecer que adoraria me livrar dele, mas se demorasse demais pareceria estúpida. – Vou usar o dia para trabalhar.

— Que bom. – O Jack Ruim não se importava muito com o meu trabalho. – O que acha de pedirmos comida chinesa?

— Para o jantar? – Ele confirmou com um movimento da cabeça. – Tudo bem.

— Ótimo. – Deu as costas e, enquanto caminhava em direção ao quarto, não pude deixar de observá-lo.

Ainda usava as mesmas roupas de ontem, mas eu podia identificar o seu corpo por baixo daqueles panos. Os ombros eram largos e seus braços, fortes. O seu abdômen era liso e definido e tinha uma cicatriz grosseira no quadril por causa de uma briga na adolescência. O seu rosto era... o seu rosto parecia ter sido esculpido por um artista. Os olhos eram grandes e redondos e as sobrancelhas, grossas. O nariz era perfeitamente alinhado com a boca carnuda e o maxilar forte. Era um homem ridiculamente bonito. E, ao contrário dele, eu era pateticamente normal. Era sortuda por tê-lo. Repetia isso sempre que precisava lembrar.

— Ei, Maya. – O seu rosto tinha uma expressão séria, mas não fazia ideia do que podia ter feito para irritá-lo. Abri a boca para me desculpar, mas não sabia pelo que me desculpar então fiquei quieta. – Sei que às vezes nós discutimos, mas... – E sua expressão se suavizou um pouco. – Eu amo você.

— Ah. – Estava definitivamente surpresa. Não conseguia lembrar a última vez que o Jack Ruim tinha dito que me amava. – Eu também amo você, Jack.

— Que bom. – E fechou a porta do quarto, me deixando para fora.

(...)

Era fim de tarde e estava terminando de editar algumas fotos de um casamento que tinha sido chamada para fotografar. As fotos deveriam ser entregues na próxima semana e estava longe de terminar o trabalho. As minhas costas doíam por passar tanto tempo sentada na mesma posição e meu estômago roncou de fome pelo almoço perdido, então decidi que era hora de fazer uma pausa e preparar um pouco de chá.

Além desse trabalho, tinha um texto para verter até o fim de semana e entregar para os revisores. A minha cabeça estava a mil por hora e mal tinha tempo para mim. Foi exatamente por isso que quando Jack invadiu o nosso apartamento aos berros dizendo que eu tinha tirado documentos da sua pasta, não tive paciência para tentar acalmá-lo.

— Do que diabos você está falando?! – Larguei a caneca de chá fumegante em cima do balcão para evitar arremessá-la na sua cabeça.

— Você mexeu nas minhas coisas, Maya! – Jack abriu sua pasta e jogou um monte de papéis em cima de mim enquanto atirava acusações na minha cara, como se eu me importasse com aquele monte de lixo inútil o suficiente para ir lá remexer. – Você me fez passar por bobo! Sabe o quanto eu ouvi dos meus superiores hoje?! Você é estúpida! Não acredito que arruinou todo o meu trabalho!

— Do que você está falando, Jack? – Precisei respirar fundo para não acertar um tapa bem dado em sua bochecha. – Eu nunca mexo nas suas coisas. Eu mal entro no escritório, como poderia tirar coisas da sua pasta?

— Isso é bem a sua cara! – Apontou o dedo para mim e largou a pasta no chão. – Você quer me controlar! Sabe que se eu não for promovido, estarei sempre amarrado a você e a esse apartamento imundo!

— Jack...! – Era normal ouvi-lo reclamar de mim, do meu trabalho, da minha família, mas era a primeira vez que o ouvia reclamar da nossa casa. Não fui eu quem escolhi aquele maldito apartamento que me custou os olhos da cara, foi Jack! Como podia não adorar aqueles metros quadrados que me custaram o abandono da segunda graduação?

— Você é tão egoísta, Maya! – Balançou a cabeça e começou a andar de um lado para o outro. – Só pensa em você! Sempre! Sempre a Maya!

— Eu não toquei nas suas coisas. – repeti, desta vez com mais força e convicção.

— Você é ridícula. – Estreitou os olhos e me olhou de cima a baixo. – Você me dá nojo, Maya.

— Você está cansado, Jack. – Era a hora de apaziguar a situação e corrigir aquilo antes que se tornasse pior. Era só o Jack Ruim agindo. Teríamos um dia melhor amanhã. – Vá dormir um pouco.

— Não preciso de você mandando em mim. – Marchou em direção ao escritório e bateu a porta com força.

Provavelmente passaria o resto da noite se lamentando pelo ocorrido e bebendo o resto do seu uísque velho. Pela manhã, teríamos uma nova briga por aqueles malditos papéis e iria trabalhar com raiva. Depois disso tudo ficaria bem. Tudo sempre ficava bem entre Jack e eu. Com um suspiro, voltei a trabalhar nas fotos e tentei esquecer aquela discussão inútil.

Notas finais
E então, o que acharam do Jack? Sei que não é um dos personagens favoritos logo de cara, mas ele melhora um pouquinho com o tempo. Eu juro. Deixem os comentários de vocês ♥