Notas iniciais
Olá! Como estão todos? Demorei um pouco, mas também com toda a comemorações de fim de ano! (e o writers' block) Queria agradecer pelos comentários no capítulo anterior! Adoro receber o feedback de vocês!

Clara estava passeando com a mãe, naquela tarde. Foram comprar algumas roupas e ao voltarem, a menina viu Tomás falando com Irene, na porta da casa dela. “O que raios ele está fazendo lá?” pensou a amiga, que não pode fazer nada, pois sua mãe pedia para ela prestar mais atenção para atravessar a rua.

Irene voltara correndo para casa, tentando esconder sua vergonha. Tomás, ao contrário do que muitos estão pensando, a seguiu para devolver as coisas que ela havia esquecido no quarto de Cássio. A menina, que acabara de chegar em casa, foi atender a porta e agradeceu pela gentileza de Tomás de trazer as coisas dela.

– Aproveitando que estou aqui… vamos fingir que aquilo nunca aconteceu. – ele olhava sério para ela, voltando a emanar sua poderosa auréa de pressão.

O coração de Irene deu uma leve acelerada. Ela consentiu com a cabeça, com um pouco de rubor no rosto. Ele se virou e retomou o caminho para sua casa. Irene ficou na porta, seguindo-o com os olhos até ele desaparecer. O coração dela batia de maneira estranha, de uma maneira agoniante, mas era uma sensação boa.

O último mês de aula passou rápido. Irene ficara mais tempo na escola, estudando com as meninas e Cássio, que era muito bom em matemática. Em casa, ela continuava estudando ferozmente e sempre pedindo ajuda sobre biologia para o irmão, que estava prestes a se formar.

Clara começou a passar mais tempo colada em Irene, queria ver se em algum momento conseguiria descobrir o que tinha visto naquele dia, mas Irene seguira o conselho de Tomás e fingia que o acidente do banheiro não havia ocorrido. Clara também havia notado que toda vez que Irene e Tomás se encontravam, a menina ficava calada, um pouco corada e sempre olhava para baixo, o que aumentou as suspeitas de Clara de que algo havia acontecido.

Quando as aulas terminaram, todos comemoraram pois conseguiram passar de ano sem problemas. Irene, como sempre, estava no topo da classe. A classe pensara em sair para comemorar, mas Irene recusou. Ao meio das reclamações das amigas de que já fazia tempo que elas não saiam juntas, Irene explicou que havia marcado hora no cabelereiro, pois ela e a irmã tinham que se arrumar para a formatura do irmão, que seria em poucos dias.

O fim da tarde estava bem abafado e quente. Irene e sua irmã estavam no salão, quando o tempo começou a fechar. A irmã reclamou que não podia chover de jeito nenhum, ou seu cabelo récem alisado iria desmanchar, mas Irene a tranquilizou, mostrando o guarda-chuva que havia trazido. O tempo foi fechando cada vez mais e quando ambas estavam saindo do salão, estava chovendo muito forte.

Irene murmurou algo como “Bom, temos que ir” para a irmã e abriu o guarda-chuva, mas ele era muito pequeno e Irene acabou ficando mais fora do que dentro dele. A irmã dela começou a reclamar com o fato de que ela estava ensopada e quando Irene resolveu abrir a boca para dar sua resposta, começou a ventar tão forte que o quarda-chuva delas virou ao contrário, levando o pano para longe. O cabelo da irmã dela, agora molhado, se contraiu rápidamente e Irene riu da cara de poodle da irmã. Mas ao tentar se recompor, Irene pisou numa poça com musgo e tombou com tudo, quase plantando uma bananeira. Dessa vez, fora a sua irmã quem morrera de rir.

Quando chegaram em casa, a mãe delas perguntou o que houve para as duas estarem ensopadas, sendo que uma estava com o cabelo todo encolhido e a outra suja com lama e musgo. Elas contaram o causo para a mãe, que não pode fazer nada além de respirar fundo.

No dia da formatura do irmão, elas foram novamente ao salão fazer o cabelo e seguiram direto para o evento, maquiadas e vestidas apropriadamente.

O salão estava cheio e havia até uma mini orquestra, se preparando e afinando os instrumentos.. Irene não conhecia quase ninguém ali, apenas um ou outro adulto, que era amigo de seus pais. Os formandos iriam entrar só mais tarde, então Irene resolveu dar uma volta no salão com a irmã, para descobrir se havia alguma mesa com comidinhas para beliscar.

Encontrada a mesa, começou a discutir o que seria cada coisa com a irmã e, no momento em que arriscara pegar uma coxinha, sua mão encontrara com a de outra pessoa.

– Ah! Desculpa! Pode pegar! – ela respondeu automáticamente, se virando para a pessoa – Cássio?

– Irene! O que você está fazendo aqui? – o garoto botara a coxinha de volta no prato.

– Eu que te pergunto! Você tem algum parente se formando, hoje?

– Não! Na verdade… meu pai é o maestro. – ele apontou para a mini orquestra.

– Aaaah! – ela exclamou.

– E você? Tem alguém que conhece aqui se formando?

– O meu irmão. Acho que falei pra vocês há uns dias, não?

– Ah, sim! Verdade!

Eles pararam a conversa ali, pois foram interrompidos pelo pai de Irene, que pedia a atenção de todos e pedia para se sentarem, pois a cerimônia iria começar.

– Você quer se sentar conosco? – Cássio perguntou educadamente.

– Ah, sim! Obrigada!

Irene se sentou na mesa da familia de Cássio. Deu um “oi” para a mãe dele e continuou a conversar com Cássio. Um pouco antes dos formandos entrarem, Tomás se juntou à eles e, novamente, o coração de Irene começou a bater de um jeito estranho. Ela deu um “oi” educado e tímido para ele ficou quieta, assim como os outros, pois os formandos entraram no salão.

Eram duas filas: uma de meninos e outra de meninas. Eles seguiram direto para um lado do salão em que havia apenas cadeiras para eles se sentarem. Após isso, 4 alunos foram chamados para fazer um pequeno discurso, assim como o coordenador e o diretor fizeram.

Era algo demorado e a música era tocada um pouco mais baixa do que o normal, mas não impedia Irene de poder puxar assunto para quebrar o seu próprio tédio. Ela se virou para Cássio, mas ele estava dormindo há alguns minutos já. Ela olhou para Tomás, que observava atentamente para o palco, mas com um olhar mal humorado. Irene sentiu seu coração acelerar um pouco. Tinha medo de falar alguma bobagem com Tomás, mas seu tédio era tanto que acabou puxando conversa com ele:

– O que você está observando tão atentemente? – ela perguntou baixinho para ele, mesmo com medo de ser ignorada por ele.

– Aquele cara… — ele apontou para um dos músicos na mini orquestra — …ele não sabe tocar violino!

– Ahn? – ela correu o olho pela orquestra e voltou a falar baixinho com Tomás – e você?

– Eu o quê?

– Você sabe tocar violino?

– Se eu não soubesse, não teria reparado que aquele cara toca tão mal! – ele deu uma cortada nela.

Ela se reencostou na cadeira. Os discursos acabaram e a música voltara a tocar mais alto. Ela olhou para os formandos sentados em suas cadeiras, procurando pelo irmão. Então ela viu que um outro garoto, que ainda estava de chapéu, estava tocando um violino invisível. Ela se animou e voltou para Tomás:

– Aposto que aquele ali, com o chapéu, toca mais do que o que está na orquestra!

– O que foi? – Tomás perguntou baixo, pois não ouvira o comentário dela.

– O cara com o chapéu toca mais do que o que está na orquestra! – ela almentou o seu tom de voz.

– Desculpa, mas eu realmente não ouvi! – Tomás respondeu.

Já sem paciência e achando que Tomás estava tirando uma com a cara dela, Irene respondeu gritando, justo quando a orquestra acabara de tocar:

– O CARA DO CHAPÉU!

Quando Irene percebeu que a música tinha acabado justo quando ela gritara, ela se viu novamente como o centro das atenções. Até Cássio acordará com o susto e a olhava. O pai de Irene a olhava no palco, bravo. O rosto de Irene queimava de tanta vergonha que ela estava sentindo e ela escorregava devagarinho para debaixo da mesa.

Notas finais
Caros leitores, estou deixando está nota final para que saibam que vou viajar para a praia no dia 5 e só volto no dia 15! Até lá, não haverá nenhum capítulo novo postado! Mas vou continuar a pensar na história e tentar planejar mais ela (além de outras, claro)! Espero que vocês aquentem esperar até lá :)