À Trois

5 A Galinha de Ovos de Ouro


Notas iniciais
Como vão todos? Voltei da praia e claro que quis vir correndo contar mais dessa história para vocês! Mas tudo a seu tempo~ Enquanto estive lá acabei tendo mais de uma ideia pro futuro da fic~ Espero que estejam todos ansiosos para ler mais um capítulo dessa saga! hfiausfuhiahui

A incrível noite de Irene na formatura de seu irmão não fora qualquer uma. E não estou falando pelo fato de ela quase se enterrar viva na terra por ter pagado outro vexame.

No dia seguinte, a notícia estava em todos os jornais: o governo havia decretado o Ato Constitucional Número 5.

O mês de dezembro de Irene poderia ter passado calmo, apenas com conversas que não tinham nada a ver sobre o governo militar. Mas fora o contrário. Dentro de casa, não se falava sobre o assunto. Mas quando Irene se encontrava na casa dos amigos, a conversa sempre acabava indo parar sobre o AI5. De todo modo, eles também conseguiram se divertir um pouco durante as férias, rezando para que o ano acabasse logo e as coisas melhorassem no Brasil.

Por outro lado, Irene acabou contando para Cássio a queda que Cláudia tinha por ele. O menino começou a flertar de volta com a menina, apenas de brincadeira, o que com o passar do mês se tornou algo um pouco mais sério. Clara contara para Irene e Giulia que um dia havia passado na casa de Cláudia e avistara a menina e Cássio prontos para se beijarem. Irene achava engraçado o modo como as coisas acabaram acontecendo.

Mas o começo do relacionamento dos dois pombinhos não impediu das outras 3 meninas de se encontrarem com eles para jogar conversa fora ou jogar algum jogo, naquelas férias sem fim. Elas sempre terminavam indo mais na casa de Cássio para fazer as coisas, do que em outras. E isso acabou fazendo com que Tomás fosse passar o tempo com eles também.

No começo ele aparecia para pedir silêncio à turma, mas sempre acabava ficando mais tempo pois Clara puxava assunto com ele, numa óbvia tentativa de ver a reação de Irene mudar. Ela já entendera à um bom tempo que a amiga tinha uma queda por Tomás, mesmo não dizendo nada e mudando de assunto quando a amiga a perguntava sobre.

Foi então que aconteceu.

Era o último dia do ano e os pais das meninas deixaram elas terem um último encontro com os amigos na casa de Cássio, por ser a que ficava “no meio do caminho”.

Já era por volta de umas onze horas e sem nada para fazer enquanto esperavam a virada do ano, Clara sugeriu para que brincassem de verdade ou desafio. Pegaram uma garrafa de guaraná vazia e sentaram-se em uma roda. A maioria pedia desafio e tinham que fazer pequenos atos que fazia todos rirem. A que mais se dava mal, obviamente, era Irene. E assim eles foram matando o tempo.

Era a vez de Clara. Ela girou a garrafa. Todos os olhos apreensivos, observando a garrafa desacelerar calmamente.

– Ai, droga! – Cássio disse, depois que a garrafa parara apontando para ele. – Vai logo, Clara!

Os olhos da menina brilharam num tom meio maléfico.

– Verdade ou desafio?

– Desafio! – Cássio disse alto e claramente, como se quisesse impor sua presença, mesmo suando frio.

– Eu o desafio… — Clara passou seu olhar demoníaco pelos amigos — … a beijar a menina mais bonita aqui presente!

Irene segurou o riso, entendeu que a amiga queria que o menino provasse ali na frente de todos que gostava de Cláudia e que algo estava rolando entre eles. Cláudia também percebeu isso e olhava para Cássio ansiosa, esperando por seu beijo. Tomás olhava o irmão atentamente, quase julgando-o.

Cássio se arrastou um pouco para dentro do círculo e, com uma rapidez, se virou e beijou Irene. A menina corou na hora e todos os outros olhavam abobados para Cássio.

A primeira a ter uma reação fora Cláudia, que se levantou e saiu correndo, segurando o choro. Clara despertou daquilo tudo quando a menina passou por ela e se levantou e seguiu-a.

Irene fora a terceira a ter uma reação. Empurrou Cássio para longe e toda corada, saiu correndo também, segurando a boca. Tomás seguiu a menina até a porta da casa dele, onde Irene trombou com Clara, que voltara depois de perder Cláudia de vista na rua mal iluminada.

Irene seguiu em frente, deixando todos para trás e indo direto para casa, se perguntando por quê Cássio havia a beijado. Não entendo se aquilo fora uma brincadeira do menino ou não. Ela entrou em casa, batendo portas, e foi direto para seu quarto, onde enterrou o rosto no travesseiro.

Estava zonza, querendo entender o por quê daquilo. Se era uma brincadeira, então era uma brincadeira muito sem graça, pois todos tinham muita certeza de que Cássio iria beijar Cláudia com muito amor.

Mas e se fosse verdade?

E se aquele beijo fosse de verdade?

E se aquele beijo realmente mostrara a todos que Cássio achava Irene a menina mais bonita presente?

Mas… Cássio estava a ponto de namorar Cláudia, então ela deveria ser a menina mais bonita presente naquele momento. Ela que devia ser beijada.

E com o cérebro a toda pilha, Irene passou o resto da noite em claro.

De volta a casa de Cássio e Tomás, o irmão mais novo decera correndo, seguido de Giulia. Tomás se virou para o irmão mais bravo do que nunca.

– O que foi? – perguntou Cássio, dando um sorriso sem jeito.

– “O QUE FOI?”?? – Tomás repetia as palavras do irmão com uma enorme raiva atribuída – O QUE FOI É QUE VOCÊ É UM GRANDE DE UM MERDA!

Clara e Giulia só observavam, uma na boca da porta e outra na ponta da escada. Giulia sentia medo e queria sair dali e não participar inoscentemente do meio da briga dos dois irmãos. Clara olhava atônita para Tomás, entendendo as palavras e os sentimentos do menino. E vendo. Vendo aquilo que Tomás não queria que ninguém visse. Ela sorriu, pois achara a galinha de ovos de ouro, o seu futuro passatempo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.