Notas iniciais
Não podemos confiar nem em nossas próprias sombras.

No dia seguinte Sarah acordou pensando que tudo aquilo não passava de um sonho e não ficou mais pensando naquilo.

Ela seguiu sua rotina normal, foi para a escola e em seguida foi para o curso de inglês, depois fez a mesma trajetória de volta para casa e como sempre super desconfiada, ela não deixava ninguém chegar perto, qualquer pessoa que passasse do lado dela seu corpo ficava alerta para um possível ataque.

''Sarah por que se preocupa com coisas fúteis?''

– Hã?

'' Você se preocupa demais com coisas que podem acontecer, deveria se preocupar com coisas que vão acontecer!''

– Não pode ser, você não é fruto da minha imaginação?

'' Mas é claro que não! Você inventa muitas coisas, mas você não me inventou!''

– Quem diabos é você?- Sarah pergunta irritada.

'' Quando der 03:00 A.M. acenda uma vela em seu quarto e fique sozinha, assim eu poderei me apresentar para você.''

Sarah teve um mau pressentimento sobre isso, mas aquela era a única forma de acabar com todo esse mistério e com sua curiosidade, então ela decidiu que iria se arriscar, algo muito incomum para a personalidade dela, mas era a primeira vez que se depara com uma situação dessas.

Já em casa, Sarah esperou dar o horário exato e quando deram exatamente 03:00 A.M. ela seguiu as instruções. Seu quarto era iluminado somente pela luz da vela.

– Pronto eu já fiz minha parte agora é a sua vez!

Ela olhava ao redor esperando ver algo, mas não via nada, a não ser a sombra dos moveis projetadas pela luz da vela e é claro a sua própria sombra, fora tudo aquilo não havia nada que pudesse lhe chamar a atenção.

– Onde você esta?

'' Tolinha, ainda não pode me ver? Estou bem na sua frente!''

– Como assim! Você esta invisível?

'' Não!''

– Mas eu não estou te vendo.

'' Ah! Sarinha, você não é inteligente, estive debaixo do seu nariz o tempo todo e você nunca reparou em mim.''

– Você esta me assustando

Sarah estava realmente sentindo-se incomodada com tudo aquilo, a curiosidade que antes tinha foi tomada por uma forte sensação de medo e perigo.

'' Não, esse seu ceticismo é que me assusta. Como eu disse você não dá muito valor para coisas 'inúteis' e não se preocupa com coisas que podem não parecer, mas que são realmente importantes.''

– Eu não estou entendendo mais nada!

'' Antes você me divertia, mas agora esta deixando as coisas frustrantes, você não tem mais graça para mim.''

– Chega! Vamos acabar logo com isso!

'' Olhe para sua sombra Sarah! Olhe bem para ela.''

A voz falou de uma forma tão estridente e ameaçadora que mesmo sem entender, ela resolveu obedecer. Por alguns minutos ela ficou encarando sua própria sombra, quando de repente esta começou a oscilar, seu tamanho foi crescendo desproporcionalmente, dois buracos brancos surgiram no rosto como se fossem olhos e um longo sorriso foi surgindo.

A sombra criara um aspecto assustador, Sarah estava petrificada de medo, a sombra havia saído da parede e a garota agora encarava apavorada aqueles olhos brancos e vazios como o nada, a criatura estava tão próxima dela, que Sarah teve que agachar-se para não encostar naquela coisa, sua respiração estava bem pesada e ela sentia um leve suor escorrer de sua nuca.

'' Olá Sarah! Pode me ver agora ou eu preciso chegar mais perto?''

A sombra perguntou sarcasticamente.

– V-Você é...

'' Prazer, eu sou a sua sombra!''

Sarah não teve como reagir com aquela informação, ela já estava bastante tensa e agora as coisas ficaram ainda piores. Como ela poderia imaginar que aquele tempo todo o verdadeiro monstro sempre esteve com ela? Nem nos seus piores pesadelos Sarah poderia suspeitar de algo assim.

– I-Isso é i-impossível...- sua voz gaguejava.

'' Eu sempre estive com você, sempre te observei. Eu via como você olhava com medo para as pessoas que nunca lhe fariam mal, você era tão paranoica que chegava a ter medo de criancinhas! Heh, você nunca vacilou com ninguém nesse sentido, não é mesmo? Mas você me olhava com deboche, achando que eu nunca poderia te fazer mal, agora veja que ironia, deveria ter se preocupado mais com sua própria sombra que quer te matar!''

A sombra começa a rir histericamente.

– Por que você quer me matar?

Sarah perguntou com angustia e lágrimas escorriam de seus olhos.

'' Porque você me irrita!''

– Não por favor...AAAAAAHHH!

Os pais de Sarah acordaram com o forte grito e desesperados foram correndo para o quarto da filha.

Ao chegarem lá, acenderam a luz para obter uma melhor iluminação, já que a vela estava pela metade e encontraram a filha agachada e tremula, abraçando suas pernas e chorando descontroladamente. Sua mãe preocupada, tenta chegar perto da filha.

– Querida o que houve?

Sarah olha nervosamente para sua mãe, depois para seu pai que estava em pé na porta olhando-as preocupado e por ultimo, olhou para as sombras, as malditas sombras com seus largos sorrisos. Sarah gritou e começou a espernear-se descontroladamente, seus pais tentaram imobiliza-la, mas ela estava muito desesperada. Sua mãe a abraçou fortemente e com lágrimas escorrendo pela face, tentou acalmar a filha.

– Esta tudo bem, não tenha medo, por favor fique calma.

– M-Mamãe- Sarah falou soluçando

– Nós estamos aqui querida.

Seu pai disse aquilo tentando igualmente acalma-la e passar-lhe uma sensação de segurança.

– Mamãe, papai, eu estou com muito medo, por favor não me deixem sozinha...

– Nós, não vamos te deixar! Sempre estaremos com você.

Os três ficaram abraçados por um longo período e enquanto permaneciam naquela sensação de aconchego, sentindo o calor um do outro, ninguém havia percebido que por trás deles as sombras, tanto a de Sarah quanto as dos pais dela exibiam sorrisos diabólicos.