Ilusão Invernal

Órbitas luminosas e puras contemplam o céu,

Na ânsia inocente de terem reflexo no rosto de alguém

Sorriso esboçado ante a expectativa

De ter um amigo que seja um amparo

Simples confidente de tantas histórias,

Espelho singelo de fiéis memórias.

O Tempo que passa, o Mundo Indiferente,

O Eterno esforço para cativar

Ninguém repara na mãozinha leve

Da criança inocente que estendeu o braço

E cujo olhar perdeu o fulgor,

Baço e apagado, isento de amor.

Sorriso sombrio, repleto de mágoa

Perigosamente calmo, dormente e inerte,

Deambulando nas ruas geladas.

Que chegue o Inverno, tão bela estação,

Atmosfera envolta no vento cortante

Que desvairado sopra na noite glacial.

A criança escondida num canto qualquer

Estremece de frio, mas já nada sente

Terna abulia, terna sonolência

Que a poupa da vida, da desilusão.

«Não levantes a espada sobre a cabeça daquele que te pediu por perdão» - Machado de Assis

  • ID: #497714
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  • Entrou em 19 de jul. de 2014 10:47
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