Vou lhe falar uma coisa, mas não conte a ninguém: apesar de todos esses rabiscos que falam sobre mim, nem eu mesma ainda me descobri. Vivo tentando, em abominação a isso. Sou detetive. Não daquelas que usam uma lupa e um sobretudo elegante à moda Sherlock Holmes. Sou daquelas que se vestem da maneira mais casual - ou se preferir, mais cafona - do mundo: jeans e camiseta à moda “qualquer garota que encontra ao virar a esquina”. Não tenho nada de especial, sinto em te dizer. Bem que queria.

Quis por muito tempo ser uma dessas garotas que provocam olhares e suspiros quando passam, que os garotos desejam e que ofuscam todos à sua volta. Ou que tem algum talento, ou que são talentosas e bonitas ao mesmo tempo. Mas no final, não vale todo o esforço. Desejei ser muitas coisas. Já tive sonhos de criança, e acho que nunca deixarei de ter. Sei o que é fictício e o que é real, sei a hora de comportar como adulta e sei a hora de rir como uma hiena. Sei que continuarei sendo aquela garota sem muito atrativos, com uma roupa comum e com um celular do ano retrasado. Não fingo ser mais que isso, sei meus limites. Vivo relativamente bem sendo assim, pois é exatamente assim que deveria ser. Meu talento é ser eu própria. Tenho poucos amigos, desses que a gente conta nos dedos de uma mão, mas sei que posso contar com eles a hora que eu precisar. Tenho a melhor família do mundo que eu amo mais que tudo e que, acima de tudo, também me ama. Não gosto de sofrer por muito tempo, não sou intensa e não gosto de demonstrar que estou mal. Não gosto de sair de casa e nem de gente sem personalidade. Tento aceitar cada um da maneira que é, mas não sou perfeita. Me interesso por rejeitados, pois fui e acho que nunca deixarei de ser uma.

Tenho raízes, tenho folhas, tenho flores e terei frutos. Sou uma árvore. E gosto de deixar uma semente minha em cada pessoa que passa em minha vida. Sou natural. Sou simples. Tenho dores, tenho alegrias. Mas não pararei de viver por momentos passados. O que guardo dentro de mim é eterno, mas não é infinito. Tenho limites, e como toda pessoa sã, sei que tudo ao meu redor também têm.

Você pode me chamar de Lavínia, tenho 14 primaveras e moro em uma cidadezinha rodeada pela cor verde, com um céu bem azul e passarinhos servos da Branca de Neve. Fica entre o Bosque Encantado e a Terra do Nunca. Se quiser, você pode vir me visitar, sempre estarei esperando com uma xícara de chá e biscoitinhos.

  • ID: #218293
  • Títulos: Nenhum
  • Entrou em 12 de out. de 2012, 20:29
Nenhum livro encontrado
Carregando...
Carregando...
Favoritos
Carregando...