Acredito que todos os escritores são feitos de assombração.

Aquele vácuo no peito que mesmo vazio parece se preencher com tanto, quebrando em partes o excesso de nada.

A quebra é ocasionada por erros, a melancolia surge dos mesmos, a loucura vem de não saber se há conserto.

E o ciclo que se inicia é o carrego que lhe enruga a pele.

De vácuo não restou som, nem cheiro, nem música, nem apreço, só o vazio em busca incessante por um acerto.

Escritores carregam nos dedos o peso de suas próprias escolhas errôneas.

O desespero e o desamparo.

De amor pode ter idealizado demais ou de menos, de medo pode ter tido demais ou de menos... de desequilíbrios é que se vivem os pensantes.

Há de se concluir que o problema dos escritores é não encontrar um meio termo ou estacionar-se no mesmo por tempo demais até não conseguir sair.

Se me considerasse escritora, esse seria o meu lugar: o meio termo; porque, apesar dos meus excessos, não consegui me retirar do catálogo de meramente ordinário.

O catálogo que descansa sob os de excelência e podridão, que tem capa neutra, compacto e nada atrativo aos olhos de quem procura algo.

Sem melhor, nem pior, apenas ordinário e muitas vezes inacabado.

-GAL

  • ID: #216946
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  • Entrou em 9 de out. de 2012 22:48
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