Comentários em “Iridescente”: “Kalispéra, Morpheus”

Darleca
Destacado pelo autor

Como posso descrever o quanto fiquei de queixo caído e emocionada com essa história sem parecer tão óbvia? Bom, já peço desculpas pelas minhas palavras simplórias que nunca chegarão aos pés da verdadeira arte que você — pelo dom que tem — as transforma em seu texto, mas cá estou aqui para deixar registrado — e para que você saiba, claro — o quanto essa história tocou meu coração.

Estou completamente apaixonada pela sua escrita, ressalto. Pela poesia que cada frase soa para mim, além da fluidez irresistível da leitura em si que me fisgou na sinopse e fazendo-me mergulhar nas primeiras linhas do capítulo inicial quando finalmente pude parar para ler. E ao terminar, me vi perguntando se era certo considerar esse conto numa fanfic. Veja bem, não é desmerecendo as fanfics, mas o primor que sua história apresenta eu não costumo ver por aí. Talvez seja a minha falta de tempo para procurar, pode ser. Mas, ainda assim, acho que sua história estaria facilmente desenhada num encadernado de Sandman, com o aval do Gaiman. É o verdadeiro diamante num mar de falsos brilhantes, como diria George R.R. Martin.

Lá vai um texto mais pessoal pra contextualizar: estive doente um tempo atrás e pensei mesmo que fosse morrer (o que não se concretizou: estou muito bem, voltei até a trabalhar! KKKKK), e, pra mim, essa história acertou em cheio ao descrever os sentimentos conflitantes demonstrados pela deusa Íris, além do luto que Morpheus sentia, no decorrer da história, por ela que ainda deixaria de existir, porque tudo isso falou diretamente comigo. Para a deusa mensageira, o seu fim próximo foi uma certeza. Um ponto irreversível. E em certo momento da minha própria vida, eu também saboreei o gostinho amargo dessa proximidade do fim e do medo do depois. Não sou religiosa e não acredito em reencarnação. Seria, para mim, o completo vazio, o nada. Assim como era o antes de nascer. Mas o meu medo, na época e acho que continuará sendo daqui pra frente, não é sobre o depois, é mais sobre ver todos a minha volta lidando com a perda, sem que eu possa fazer nada mais por eles. E também tem aquele medo de que eu tenha partido sem ter concluído meus objetivos, sendo eles edificantes ou fúteis. Morrer sabendo que não fui capaz de fazer algo importante também me pega... Mas aí, se pararmos pra pensar sobre isso na hora da morte, seríamos um bando de frustrados após a morte, kkkkk.

Bom, chorei com esse capítulo final (o último postado) e não sei mais se estou sendo coerente ou só uma prolixa chata. De antemão, peço desculpa por isso.

Voltando: as referências usadas, as pontas sendo fechadas e todo o cuidado que você tomou para enriquecer essa história com conteúdo que me despertou curiosidade mostra o quão dedicava você estava em contar algo digno de Sandman. Por isso, obrigada por compartilhar essa obra de arte, autora. Eu amei cada pedaço dela. Eu queria ter comentado em cada capítulo, mas me falta tempo. E também, me falta esse dom tão belo que você tem para fazer jus a toda essa beleza. Um beijo enorme. ♥️

Shalashaska
Shalashaska Autor

Oi, Darleca! Demorei, mas cheguei.

Fiquei muito impactada por seu comentário. Primeiro, porque não esperava muitos comentários nessa fic hahah Apesar da série da Netflix, Sandman não parece ter dado tanto boom aqui no Nyah, então escrevi todas as minhas fics sobre Sandman bem despretensiosamente. E como muita coisa na vida, não importou a quantidade de comentários porque o seu comentário aqui é uma preciosidade.

Um dos meus pontos fracos é escrever sinopse. Nunca sei se escrevo mais, menos... Tanto que costumo escrever por último. Só gostei ~mesmo de poucas sinopses que escrevi, então fico feliz de pelo menos ser instigante o suficiente para fazer esse convite à leitura. Acho que é natural a gente ficar meio UAU, um tanto surpresa, quando recebemos elogios tão lindos quanto o que você fez pra minha fic, até porque a gente convive muito com a própria escrita e ás vezes, até soa meio repetitiva ou morna pra nós mesmas. Outro receio meu era essa fic soar muito dramática, então quase cortei algumas partes. Quase. No fim, escutei o Morpheus no meu ombrinho e ele deu o aval pra ser dramático. Afinal, o gato é dramático mesmo KKKK

Não sei se é certo eu ficar falando tanto do meu processo para escrever a fic. Não porque eu faça segredo — sou muito faladeira, inclusive adoro receber mensagens e conversar sobre fics/escrita/ficção é sempre muito legal — mas sim porque acho que não sei reagir muito bem. É uma verdade bem simples e estranha. Eu amo escrever. Não acho que escrevo mal. Mas toda vez que recebo um comentário tão elogioso, me derreto demais. Também não duvido dos elogios, não é isso. Não digo que é a ~Síndrome do Impostor. Acho apenas que me bate uma necessidade inconsciente de me justificar. "Ah, sobre esse ponto que você gostou, eu fiz isso ou aquilo".

(Eu amaria sim, algo ilustrado e com o selo de aprovação Gaiman! Inclusive, tenho pasta no pinterest com inspirações para figurinha da Íris hihi Quem sabe um dia eu faça algum desenho)

E no fim, eu fico muito feliz de ter feito outra pessoa passar um tempo gostoso lendo o que eu escrevi. É sempre muito gratificante! É como se meu tempo dedicado a escrever fosse automaticamente dedicado a outra pessoa que ainda não conheço, como se a gente pudesse realmente se conectar em tempos diferentes. Dizem também que a escrita/leitura é a mais genuína forma de se conectar com os mortos, então faz sentido. Embora nenhuma de nós tenha partido ainda, né XD

Isso me vai ao seguinte ponto: Que relato, hein? Eu fico realmente feliz que você esteja aqui com a gente, os vivos. Sinto muito que você tenha tido que passar por uma doença e pelo medo. Eu também estive doente com mais frequência nos últimos anos, nada absurdamente grave que envolvesse risco de morte — apenas dores excruciantes. Mas quando a gente tem dor e até formar um diagnóstico/tratamento, bate a mais firme noção de mortalidade e fim. E mesmo que eu tenha a vaga sensação de algo além da própria mortalidade do corpo físico, me vejo com os mesmos medos. As pessoas ao redor lidando com a perda. Não ter concluído meus objetivos, quaisquer que sejam. Isso me dá certa pressa de fazer as coisas, até aquelas que não são coisas palpáveis. Quero resolver minhas relações com os outros, comigo mesma. Quero estar resolvida, embora lógico... Isso seja um tanto impossível se a gente considerar a construção permanente do que a gente chama de "nós mesmas", "eu", etc etc.

E não peça desculpas! To mandando um textão de volta KKKK E agora fiquei com um pontinho de orgulho porque a cena era pra ser sensível mesmo. Yaaay!

Sobre as referências, tenho uma impressão meio mística sobre como elas surgem. Explico (porque, como já disse, me vem esse ímpeto de explicar KKK): quando me vêm alguma história na cabeça, muitas vezes eu tenho uma ideia geral. Na construção da coisa, que envolve um tempo considerável olhando para o nada e também viajando pelo assunto na internet, vou garimpando e lembrando de outras aleatoriedades que passei em algum momento anterior, mas que precisaram desse tempo de incubação para fazer sentido. Tipo quando fui num encontro na biblioteca sobre o tema morte e luto, movida não pelo luto em si, mas pela curiosidade. Na volta para casa, ainda no carro, entendi melhor o que eu estava querendo escrever em Iridescente.

Escrevi demais, mas você há de me perdoar. Sou escritora KKKKKKKKKKKKKKKKK Sobre a falta de tempo, eu entendo. Sobre falta de dom, duvido. Dei uma olhadinha no seu perfil (porque sou dessas) e acho que vou ler alguma fic sua, assim que minha rotina der uma brecha.

Um beijo igualmente enorme no seu coração! ♥️

Camélia Bardon

Pois eu chorei foi muito com essa despedida :') principalmente pelo motivo da Íris ter aberto mão das asas finalmente ter sido revelado. Sério, que mulher maravilhosa. Amei toda a construção de personagem que você trouxe aqui, foi impossível não se apaixonar por alguém tão gentil e meigo - mais do de recordação além dos próprios artefatos, ainda o inspirou com musiquinhas ♥ (e, aliás, isso me lembrou de Artefact do Phoenix, nhom)

Amei ler mais uma fic maravilhosa sua, meu amô ♥ se quiser tentar colocar em prática a sua própria sugestão das notas dos comentários, eu seria a primeira da fila pra vir ler rsrsrs

Um beijo e até a próxima!

(ah, e um adendo aos últimos comentários:

1. gata, vai rolar drabble em outubro simmmm hihihi vai ser um draminha romântico. Ainda tô elaborando um pouco. Mas a temática é reencontros e segundas chances.

2. Ahhhh, e eu consegui assistir o segundo do Aranhaverso!!!! EU TÔ APAIXONADA POR ESSE UNIVERSO, MEU DEUS!!!! Ou seja, em breve apareço na sua do Miguelito, já que não corro mais o risco de ficar perdidinha ♥

3. sinto muito pelo seu gatinho :c é muito doloroso quando um bichinho parte... também perdi minha cachorrinha esse ano, ela tava bem idosinha e dodói... era daquele tipo de coisa que se prolonga mas ainda assim ficamos em negação. Sinta-se abraçadinha virtualmente!)