Comentários em “O Caminho das Estações”: “∾ Você e os seus anseios, o que pode dar errado?”

Runo
Destacado pelo autor

As bicicletas, o calor, os trajes, trejeitos tranquilos dos transeuntes e as cores... Tomo como elementos sempre presentes em cidades pequenas ou interioranas. E tudo nesse capítulo é leve, como leve é sua escrita que, por assim ser, aumenta a curiosidade quanto aos momentos de conflito ou sensações afins. Ansioso para ver como será. Aliás, presumo que algum esteja se aproximando, ao atentar ao desenrolar e, principalmente, a estrutura desse capítulo: as descrições dão uma falsa ideia de que a trama não se moveu, justamente pelos acontecidos - "eventuais", como a ida e escolha de produtos num comércio, o descanso sob a sombra, andar de bicicleta. E chamo falsa ideia porque houve progresso, acerca dos lados pessoais, sobretudo de Juno e sua mãe, que com certeza ainda tomará força nos acontecimentos.

Em outras palavras, são descrições assim que demonstram as cores para a trama. Não as mais intensas, mas aquelas que notamos enquanto ainda lemos, sentindo o tom. Então deixamos de lado com o desenrolar e, ao lembrar, há algum conforto.

Nirav, pouco mais mencionado que Nicholas, despertou certa desconfiança. E é curioso imaginar como você vai lidar com esse comentário, mas... tenho a impressão de que ele tem um segredo. Digo, não só ele. Mas o dele me chamou atenção. Posso estar errado? Sim. Mas não sei.

Enfim, dois destaques surgidos nessa leitura. O primeiro, sobre Juno andar de bicicleta e como ela sentiu a si. Como uma alusão à situação por vir, quanto a manter o equilíbrio, né? Desconfio também. E o segundo, quando ela está rememorar seus quinze anos. É incrível como sensações, desde sabores, cores, tons, movimentos, cheiros e tudo mais, quando nos são aprazíveis, remetem para outras sensações aprazíveis na memória, podendo ser algum período, pessoa, etc...

Por exemplo, se gosta de café e com ele tem contato numa tarde comum de trabalho, em momento de descanso e apreciando o cheiro, pode acabar lembrando que sentiu o mesmo num dia frio, contigo preparando a bebida na pia de casa, observando a neblina da manhã lá fora que, por vez, remete a uma viagem que fez de ônibus, pela primeira vez rumo a outro Estado, e que ao desembarcar, sentiu um frio como nunca, sem agasalho ideal para diminui-lo. Então lembra de certa vez, quando alguém te empresou uma blusa de frio; começa a lembrar da pessoa e das coisas que viveu com ela. A linha pode se manter boa ou trazer más recordações, mas ainda assim, acho incrível - e ainda mais incrível como isso passa despercebido, por ser natural.

Esse último parágrafo foi meio devaneio, mas parte da função literária não é te fazer viajar ou refletir? Bom, você têm conseguido.

Até o próximo :)

Sallen
Sallen Autor

Olááá de novo! Primeiramente, perdão pela demora a responder, eu tive alguns imprevistos esse fim de semana, mas estamos de volta!

Escrever com esse tom mais leve tem sido uma das partes mais interessantes para mim, pois eu sempre pesei muito a mão, vamos dizer assim. É algo que eu venho trabalhado bastante para, justamente como você falou, construir o conflito em seguida. Então, eu não poderia estar mais ansiosa para trazer essas rupturas na trama.

Esse capítulo foi particularmente interessante porque a Juno, mesmo que de forma introspectiva, mostra as decisões que ela já está fazendo, não é? Assim como você falou, sobre ter a falsa ideia de que não está seguindo, mas de alguma forma as coisas estão se construindo.

A mãe da Juno é um detalhe bem importante, mas que eu tenho tentado trazer com um conceito diferente e espero que funcione, hahaha. Ela não está ali, mas a responsabilidade que a Juno tem para com ela está sempre no fundo da cabeça, seja como culpa, como preocupação...

Olha, sobre o Nirav, devo dizer que você é a terceira pessoa que traz esse ponto, hahaha. Dois outros colegas meus me perguntaram sobre isso e eu não soube responder muito bem. Bem, não se irá se encaixar exatamente como um segredo, mas... Vejamos!

Adorei o jeito como você interpretou o equilíbrio de uma bicicleta, porque eu gosto muito de abordar essas coisas nas entrelinhas. E eu fico muito empolgada quando alguém puxa das entrelinhas pra cima, sabe?

Ahh, eu compartilho muito desse sentimento sobre recordações. Principalmente por se tratar de recordar sobre adolescência. E bem, é uma época que remete a muitas coisas, muitos sentimentos e muitas contradições. Algumas vezes você se lembra da sua adolescência e se sente até mal pela pessoa que era, outras vezes você sente falta da sua ousadia e coragem. Às vezes, você só lembre como era livre naquela época também.

E a Juno é uma personagem que, para mim, tem se desenvolvido como o conflito com a liberdade. Ela se sente livre em Florencia, têm essas sensações de liberdade, mas até onde vai essa liberdade né? Até onde é uma liberdade de fato.

Eu fico muito feliz com seus comentários, de verdade. Tem sido um grande motivador para mim e para essa história como um todo. Inclusive, tenho aprendido muito trocando essas ideias com você por aqui. Então, obrigada, de verdade! ❥

BloodBride

Nossa, eu sinto muito pela Juno, meio que sei como é ser responsável por pessoas com com problemas parecidos, sua vida se resume a isso. Os pensamentos dela sobre o Nirav são a coisa mais fofa! Torço muito por esse casal.

Sallen
Sallen Autor

Oooh mana, eu imagino como deva ser complicado. São situações muito complexas e difíceis de lidar. Muitas vezes você se sente preso ao mesmo tempo que se sente culpado. É uma mistura de sentimentos bem complicada mesmo. A Juno parece ficar bem nesse limbo também.

Eles têm uma força grande, o problema é como isso vai acontecer e as reações que vai causar né.... ATENTAS/

Obrigada, mana, de verdade!!! Até o próximo ❥