Comentários em “Meia Lua: One-shots”: “Luca em "Ecos num mundo silencioso"”

Themis Magalhães

Olá =)

Ah, como eu esperei por esse momento. Como fiquei ansiosa para saber mais sobre esse personagem que passei a admirar e respeitar tanto em Meia Lua. O personagem que teve uma construção única e de extrema importância, tão complexo, capaz de transbordar intensidade mesmo em um aparente vazio. Aquele que abafou seus próprios sentimentos, que os escondeu para que sobrevivessem. Ao contrário dos outros, que tiveram suas explosões e oportunidades para gritar por ajuda, Luca conviveu com pesadelos e lembranças ruins sozinho. Lidou com a responsabilidade de tomar decisões difíceis (que em nada ajudariam na superação de seus pensamentos sombrios). Deixou que todos o odiassem para conseguir o respeito que precisava para liderá-los. Negou se aproximar emocionalmente deles por tanto tempo porque seu papel como responsável por decisões difíceis não lhe dava espaço para buscar conforto humano.Estou muito feliz por ter começado pela one do Luca, de verdade.

Novamente uso esse espaço para parabenizá-la pelo cuidado com o planejamento da história e da paciência com a reação dos personagens. Após tanto tempo lendo os nomes Mauro, Cássio e Fred, vê-los sendo chamados de Nimbus, Cascão e Franja foi um choque. O mundo recentemente devastado e personagens ainda aprendendo a lidar com uma realidade totalmente nova e quebrada. Não significavam muito uns para os outros e isso é visto até mesmo na maneira como se referiam um ao outro. Quando comecei Meia Lua, achei que não iria me acostumar em chamar o Cascão de Cássio e assim por diante. Hoje? Tenho dificuldade de chamá-los pela maneira clássica. Os personagens assumiram um novo significado para mim. Agora possuem uma nova importância. E fico muito feliz que esse detalhe tenha sido colocado aqui, quando toda a tragédia estava fresca na mente deles.

Sabe, o momento em que Luca adotou a postura de líder ficou evidente bem antes de se dirigir a todos de maneira firme. Foi quando estava ao lado de Quim, segurando sua mão e se despedaçando. Foi antes mesmo de apertar o gatilho e ver a cabeça estourada do amigo. Antes de ter que usar aquela serra e ficar ainda mais coberto de sangue. Quando sussurrou "Eu vou dar um jeito, eu consigo". Suspeito que foi ali que tudo começou, de fato. Naquele instante. Talvez ele a tenha pronunciado aquelas palavras apenas como um reflexo perante a dor e o desespero, mas com os eventos que se seguiram, assumiram uma importância tamanha. Como uma promessa de responsabilidade. Luca passou a ser o Odin antes mesmo de, de fato, agir como tal.

Foi duro com Fred para fazer com que a culpa fosse forte o suficiente e ele resolvesse lhe dar a arma. Fez com que todos eles se sentissem distantes de si, para que pudesse liderá-los (pois era disso que precisavam). Sinto que minhas palavras jamais serão o suficiente para descrever a admiração que sinto por esse personagem. Sua construção é complexa e incrível. Parabéns, novamente!

Fico realmente feliz que tenha começado por ele.

P.s.: Gostaria de ter colocado essa parte no "O que mais gostou no capítulo?" também, mas o espaço acabou, então aqui colocarei: "O mundo era brutal e impiedoso? Que fosse! Eu seria dez vezes pior, então nenhum deles precisaria sê-lo. Lutaria como pudesse, aprenderia tudo o que fosse necessário e nós sobreviveríamos. Nunca mais teria que disparar essa minha pistola infernal outra vez. Porque você é parte de mim, Desert Eagle. É minha desde que a tirei das mãos do Quim, e será minha enquanto eu puder te segurar."

Essa one ficou maravilhosa e eu não esperava por menos. Estou muito ansiosa para as próximas, principalmente as do Mauro e do Cássio.



O que mais gostei: "E não importa o quanto você se arrependa, e implore a todos e qualquer um que esteja ouvindo por só mais uma chance, que eles apareçam novamente e você possa deixá-los entrar... os mortos nunca retornam".
N

Olá, Themis.

Eu tinha que começar por Odin, é claro: Como líder e arquiteto da sobrevivência deles, o privilégio é dele por direito, rs.

Foi um tanto desafiador abordar uma pessoa como ele em dois momentos tão diferentes, mas valeu a pena. Como você já disse, eram dele as decisões difíceis. Luca não conseguia mais pensar objetivamente quando estava muito envolvido após deixar os pais do lado de fora.

Interessante ver seu ponto de vista sobre o surgimento de Odin. Não tinha pensado dessa forma, mas faz sentido. Quanto à pistola, Luca não achava que Fred fosse devolvê-la; o cientista era bem rígido com relação a armas.

Mas fico aliviada que o tenha feito; assassinar alguém com as mãos seria além do limite até mesmo pra Odin, e ele se tornar alguém quebrado emocionalmente como o Cas seria mais perigoso que qualquer quantidade de obsessivos.

Muito obrigada pelos elogios e por continuar acompanhando minhas histórias, Themis. Espero vê-la na próxima história.