Comentários em “AMORES VIRTUAIS”: “Conto 3 - Venha ver o amanhecer”

Yokichan

Oi.

Eu só queria dizer que amei cada palavra desse conto, assim como amei o conjunto todo da história. ♥ De início, ao ver o número de palavras do texto, eu fiquei meio insegura sobre ler ou não. Não costumo ler contos muito longos. Considero que contos precisam ter uma unidade, e que essa unidade se perde quando a narrativa se alonga demais. É o que costuma acontecer. Porém, essa história é um caso à parte, porque eu nem mesmo senti a leitura passar. Não me dei conta de quanto tempo essa leitura durou, porque ela fluiu tão bem, de um modo tão encantador... Em suma, ela me prendeu a todo momento.

Eu gostei muito do modo como você construiu essas personagens e foi apresentando-as aos poucos durante o enredo. No começo, a gente percebe que tem algo errado com o Vicente, mas só ao longo da leitura vamos entendendo a dimensão do problema. A maneira como você descreveu a tristeza que ele sentia também foi maravilhosa, impactante. Esse lance da tristeza no olhar, profunda e gelada, me fez quase sentir como se eu fosse a Clara e estivesse diante do Vicente. E é incrível perceber como você não precisou encher o texto de "palavras elevadas" e rebuscadas para pintar os personagens e seus sentimentos, seus dramas, seus medos... Eu valorizo muito esse tipo de narração simples, mas profunda.

Curti também a ideia de um "eu do futuro". Essa coisa sobre criar uma realidade paralela quando algo se modifica me lembrou bastante de 1Q88, do escritor japonês Murakami. Você conhece? Fala sobre isso também, e de um modo fantástico. De fato, algo importante mudou no presente do Vicente quando a Clara começou a fazer parte dela, e isso fez com que ele percebesse que no mundo há sim coisas que valem a pena ser vividas. Quando a Clara do futuro (não entendi por que até então ela assinava como F.) contou como via o Vicente todos os dias e, mesmo desejando do fundo do coração ajudar, dizer uma palavra de conforto, deixou que as coisas simplesmente acontecessem, senti um pouco dessa impotência. Quantas vezes a gente se depara com o sofrimento alheio e não faz nada? Quantas vezes a gente finge não ver? E quantas vezes uma única palavra poderia ter salvado uma pessoa? Fiquei pensando nisso.

Enfim, eu gostei muito mesmo do conto. Parabéns pela escrita maravilhosa, pela construção do enredo e pela condução da história. Eu me senti realmente envolvida por ela. Obrigada por essa oportunidade de ler algo tão bom.

Beijo!