Comentários em “Liberdade”: “Capítulo 1”

letter_to_elise

Adorei a forma com que o texto foi construído, senti uma vibe intimística muito típica da Lispector. Parabéns.

flavia_belacqua

Nossa, absolutamente perfeito! "Então, o esforço para lembrar era o mesmo que despertava o desejo de querer esquecer. E dava-se conta, nunca tinha esquecido" Acertou em cheio, bonito de verdade; pra fazer refletir. Amei. Pretende fazer uma continuação?

guilherme_123

Liberdade

Sentia-se livre. Sentia-se tão livre como há muito tempo. Como quando criança correndo sem rumo. Agora, desejava um. Ansiava. Sofria. Mas a liberdade? Ah, a liberdade. O vento batendo em seus cabelos, despenteando-os lentamente. Não se lembrava de ter parado para sentir a brisa. Não se lembrava de ter parado para o que quer que fosse. Agora estava ali, tinha tempo para isto. Mas não era o que queria.

Tanta correria, tanto esforço. Para que? Agora não havia mais saída. Será que tinha solução? Já havia deixado tudo para trás, virado as costas. Voltar não fazia mais sentido. Nada fazia sentido, nem nunca fez.

Estava onde queria, é verdade. Então por que este sentimento? Era o que também se perguntava. Sua racionalidade prevalecente ao emocional, desta vez não conseguia compreender. “Razão ou emoção?”, uma vez lhe perguntaram. “Razão!”. Onde já se viu? Ser guiado por sentimentos? Era grande a fraqueza para assumir, preferia a ilusão. Preferia acreditar na isenção de algo inexplicável para si. Arrebatador.

Arrebatador, talvez tenha sido isso a causa. Sim, não era forte, afinal. Mas agüentou o suficiente para considerar que não era fraqueza. Mas era. Ainda é. Ou talvez não fosse forte o suficiente. Perdeu muitas noites pensando isso. Não chegou a nenhuma conclusão.

Tinha dúvidas. As dúvidas... As dúvidas são capazes de enlouquecer qualquer um. É um tormento. É melhor a certeza de um fracasso, a perda. A dúvida é sorrateira, perseguidora. Sempre se faz presente. Sim, até hoje. A dúvida corroia tudo. Suas esperanças, seus ossos. Paralisava de todas as formas. Era o medo pelas suas entranhas.

Estava lá, não se mexia. Pensava. Pensava como tinha chegado até ali, e se deu conta. Sempre soube que estaria ali. Vai ver por isso o peso era maior. Sempre soube. Havia fracassado? Não sabia dizer, preferia acreditar que a culpa não era sua. Afinal, que culpa? Talvez não existisse culpa. “Talvez”, mais dúvidas. “Foi só o tempo que errou” dizia a voz cantada que transpassava as janelas de um carro em movimento. Quem sabe foi isso, foi o tempo.

Acreditava em tempos melhores. Queria assim acreditar. Foi isso que lhe ensinaram, acreditar que tudo sempre vai melhorar. Mas a vida lhe mostrara que as coisas podem piorar. Então, o esforço para lembrar era o mesmo que despertava o desejo de querer esquecer. E dava-se conta, nunca tinha esquecido.

O vento parou. “Nem sempre a fraqueza que se sente quer dizer que você não é forte” saia da boca de um estranho. Ignorou-o, nunca fora forte mesmo. Aquelas palavras vinham de alguém que não sabia o que falava, de fato. No desespero fala-se coisas incoerentes.

O silêncio. Era possível ouvir o silêncio. Sentia-se só. Nem sempre fora assim, houve tempos em que estava só e não se sentia desta forma. Agora que não estava, sentia a solidão. Sentia sua frieza, seu ar gélido invadindo seus pulmões.

Prendeu a respiração. De olhos fechados, sentia novamente a brisa envolvente. Suas memórias consumiam-lhe lentamente. Decidira, pela última vez. Talvez pela primeira vez, sabia o que fazia. Certamente, a última. Mas estava livre. Ah, a liberdade...

blacktwilight

Está poetico demias.tente colocar cooisas mais concretas!

Cloto

Adorei!Muito interessante!

Gaby

Adorei, muito profundo!! :D

Se pretender continuar, acompanherei...

Pode dar uma olhadinha na minha fic?