Comentários em “Vômito”: “Capítulo Único: Ela não sabe”

Nightmare

Heey!

O título me incomodou demais. Principalmente, a descrição do que é um vômito. Porque eu fico enjoada fácil. Ignorei isso e continuei lendo. Mas não procurem sentido nas entrelinhas. Porque isso não existe. Eu não consegui não ler após essas duas frases.

Você consegue focar toda nossa atenção em meras palavras. E o que eu poderia dizer de uma história que não é minha? Foi o necessário para eu me perguntar quem é que tinha escrito. Eu sou curiosa e adoro ler o perfil dos autores. Deparei-me com você. Talvez não se lembre de mim, mas eu lembro. Extinto.

A leitura flui da mesma maneira. Frases diretas e um impacto tremendo. É diferente. É incrível. Ou alguma outra palavra que ainda não inventaram. Eu gostei. Eu entendi. Porém eu não me senti livre lendo. Quer dizer, senti-me em um "presídio sem grades." Prensada na parede. Meio sem saída. Mas foi um bom caminho. Um ótimo caminho.

Muito obrigada por ter escrito algo assim. Algo que nos faz ler duas vezes. Três. Faz-nos ficar sem palavras e sem reação. Algo que não só indaga, mas critica. Algo que não só entretêm, mas assusta. Algo extinto - porque ninguém sabe-, mas presente. A sua história é um antítese maravilhosa.

E eu sei. Eu sei quem essa pessoa. Acho que isso me incomodou demais. Fez-me querer vomitar... E eu acredito que essas são as melhores histórias. Essas que nos fazem perder minutos encarando o teclado ou que nos levam a escrever e apagar o o tempo todo, porque não sabemos como colocar os sentimentos no papel- droga, no computador!

Então, parabéns! Eu, de verdade, amei tudo o que você escreveu. Espero te ver novamente. Beijos e até Ç:

Virginia Storm

Olá, Nightmare! Sem dúvida eu me lembro de você! Seus comentários são extremamente memoráveis, mesmo com minha grande facilidade em me distrair com qualquer coisa.

Tenho uma fixação com títulos, sabe. E, em um modo geral, eles me surgem antes mesmo das ideias, então o assunto se constrói depois, mas isso não é sempre. Acho que nunca mantenho um ritmo linear para escrever. Eu não costumo ser muito aversa a fluidos corporais. Bem, claro que há repulsa e todas essas coisas, mas, não sei. Depois de pensar tanto na palavra título, eu acabei que gostando dela, da sonoridade, do significado. Então, vamos esquecer os restos de comida e sulco gástrico e imaginemos em seus lugares uma porção de sentimentos e poesias. Agora nós precisamos apenas expulsar isso :)

As sinopses são, pra mim, mais complicadas que as histórias. Eu preciso que alguém leia, mesmo que não espere. Isso é meio estranho porque assim que escrevo alguma coisa o alívio é instantâneo, mas quando vejo que alguém leu e entendeu (de maneira diferente, na maioria dos casos) o que eu postei aqui, minha alma fica mais leve. Olha, estou sendo meio contraditória, não é? Hahaha, "não leia nas entrelinhas" e "me sinto aliviada por ter entendido o que eu quis dizer nas entrelinhas". O caso é: o que eu quis dizer com esse textinho é simplesmente o que está nele, de fato, não tem uma entrelinha, mas tem um sentido. Acho que como uma bruma, a única coisa que é necessário fazer é forçar um pouco os olhos...

Eu fico muito feliz em saber que a leitura está fluindo, porque às vezes tenho a sensação de que tudo fica pausado demais, talvez até confuso. Porque mesmo que eu tente jogar aqui tudo o que eu tenho na cabeça em determinados momentos sem reservas algumas, existe uma coisa que ainda não sei classificar que me trava. Eu estou trabalhando nisso, mas realmente, obrigada. Receber uma opinião é sempre aliviante e reconfortador. Principalmente quando são textos nem tão compreensíveis ou compreensíveis demais para que percebam isso.

Eu sei quem é ela, torno a repetir, mas não sei muitas coisas. Mas, o que eu realmente quis perguntar foi: Você sabe quem VOCÊ é?

Não escrevi isso no texto porque seria invasivo demais, acho eu. Mas pensar nisso é sempre curioso. Uma pena eu ser tão medrosa para me fazer tal pergunta.

Agradeço o comentário, espero te ver mais vezes!

B
Bárbara Vitória

Sei quem ela é assim como você sabe. Ela é eu, ela é você, ela todos nós. Aqueles que padecemos do mal da depressão.

Aquele sentimento puramente mortal que lhe faz pensar o quão prazeroso seria sentir a dor de se queimas, de coçar um mesmo lugar até arrancar sangue, um sangue rubro. Um carmesim de pecado.

Pecado esse que o povo tenta extirpar com idas e vindas de igrejas, com orações sem sentindo clamando pro sobrenatural chamado Deus. Rogando a ele que nos salve do inferno.

Engraçado é quando veem e dizem, que aquele sentimento é fruto da nossa cabeça, que é falta de Deus. Poupem-me de você hipócritas que nem sabem a hora de falar ou cagar.

Esse texto expõe pra fora aquele sentimento que me faz querer pular pela janela, ou me sentir sem ânimo por dias. Que me deixa sem fome, e minutos depois me faz comer com volúpia só para então me sentir culpada.

Incrível que como simples linhas escritas por total desconhecida me fizeram sentir aquela emoção novamente. A mesma que sentia ao ouvir as vozes dizendo pula, corta, arranca, marca.

A sensação única de quando a depressão toma conta, o suicídio é gostoso e o pânico é doce.

Virginia Storm

Olá, Barbara! Desculpe a demora para responder. É que essa história é meio complicada e responder um qualquer coisa e agradecer não me pareceu certo.

Seu review é poético! Nossa! Sim, é isso. Não que seja eu, não que seja você, mas ela é todos e todas. Uma personificação da indecisão e tristeza, talvez? Mas também posso dizer que ela pode ser um caso único, não? É, de fato, muito complexo para responder, pois eu não sei.

E por eu não saber é que me fez querer escrever! E isso é o que mais mata: aquelas pessoas que também não sabe e quer julgar. Deus, oração, palmadas, namorado e entre tantas outras ''soluções'' que vi e ouvi por aí.... É decepcionante.

Ele põe pra fora? Como... um vômito? :)

Eu acho incrível esse jogo que podemos fazer com palavras, acho que é quase mágico! E saber que a leitura está proporcionando essa mesma magia é gratificante!

"A sensação única de quando a depressão toma conta, o suicídio é gostoso e o pânico é doce." Isso, definitivamente, é inspirador! Muito obrigada, pelo comentário lindo, pelas palavras, pela magia.

Um abraço,

Fernanda.

Mari N

Um texto inegavelmente forte. Estou aqui escrevendo esse comentário por pura consequência. É a reação imediata apos ler o que acabei de ler. Se eu sei quem é ela é? Talvez. Ela é tantas. E nessas tantas eu me encontro, não em um todo, mas talvez em parte.

Não foi questão de gostar das palavras escritas, foi questão de sentir essas palavras escritas. É como se identificar com alguém que você não conhece, mas que em parte, no fundo, é você.

Eu não consigo me expressar, porque não há o que se expressar aqui. São palavras marcantes, são sentimentos reais.

Belo texto. Te parabenizo, mesmo que fazê-lo não faça sentido.

Virginia Storm

"Talvez". As pessoas tem certo estigma por essa palavra, mas eu realmente a acho completamente plausível para uma resposta. Principalmente quando nesse mundo não podemos ter certeza de nada que um ''sim'' ou ''não'' nunca me parece ser certo. Como posso ter certeza de alguma coisa?

Ela, eu, você. Nós. Sabemos quem somos? Sim, não... Talvez? É difícil responder.

Pois é, acho que não tem como gostar em todo o significado da palavra, mas sentir, ah, isso é uma experiência que sempre acontece! "É como se identificar com alguém que você não conhece, mas que em parte, no fundo, é você." Caramba, acho que não tem melhor descrição que essa! Exatamente isso!

Eu nunca consigo me expressar com exatidão. Parece que existe algo interno que me impossibilita de soltar tudo que sinto, quase como uma edição obrigatória. Então eu te entendo. Realmente entendo.

Muito obrigada pela sinceridade e pelo comentário!

Um abraço,

Fernanda.

Quimera

Olá, Fernanda!

A sua história é muito intensa, acho que isso reflete um pouco de você. Estou muito feliz em ter me cadastrado neste site, encontrei ótimas histórias. Ainda estou aprendendo a navegar por aqui e mesmo assim encontrei contos maravilhosos, como este aqui. "Vômito" é, definitivamente, o que o título arremete. E acho que sei a quem pertence! A capacidade de de expressar dessa forma é a mais triste e admirável de todas. Não. Não sei quem ela é e também não sei quem eu sou. Acredito que nunca irei saber, ou sempre. É algo surreal de se pensar e um pouco aliviante saber que não sou só eu que penso dessa maneira. Me fez ficar um bom tempo pensando na vida complexa que nós nos submetemos a ter. É, de fato, um texto digno de livro!

Meus parabéns!

Abraços,

Quimera.

Virginia Storm

Boa tarde, Quimera! Seja bem-vinda ao site, espero que encontre boas histórias e que escreva boas histórias também. É sempre bom desabafar por meio de palavras, não? Vai aprender a usar o Nyah! rapidinho, a interface daqui é muito simples!

Muito obrigada pelos elogios. Ah, sim, Vômito é um nome perfeito para isso, não? Não pude achar nome melhor pra essa sensação. Oh, bem... Que história não leva um pouco de seu escritor, né? ^^

Ah, sim! O mais sábio dos saberes é não saber tudo, haha! Que complexo! No entanto, não consigo pensar em nada mais realista que isso.

Pensar é bom, mas, como tudo nessa vida, nunca em excesso! Não se prenda, seja livre!

Agradeço de verdade pelo comentário!

Abraços,

Fernanda.

flora floreios

Ela sou eu...

meu Pai do Céu, para de ser perfeita, mina.

Virginia Storm

Ela é você, ela sou eu. Ela pode até ser ele. O mais estranho é que ela é uma pessoa que devia ser única, mas terminou sendo como todos os outros.

Obrigada pelo review! E nem mereço esses elogios ♥

Um beijão,

Fernanda.

Lady Ann

A-M-E-I. Só digo isso, é o que é realmente preciso.

Virginia Storm

Muito obrigada por ter deixado um comentário, milady! Fico imensamente feliz que tenha amado, ouch, mais que imensamente feliz! É maravilhoso!

Realmente agradeço, essa história tem uma coisa peculiar que a faz especial para mim.

Um beijo,

Fernanda.

M
Magdiel

Eu gostei bastante, é algo muito existencial. É um reflexo da vida cotidiana. As pessoas simplesmente existem, mas procuram coisas pra se apoiar, como religião por exemplo, e quer que todos tenha essa vida padronizada, apoiada, monótona, tudo sistematizado. Mas a vida não é um sistema. A vida é para se viver e viver não é criar padrões. É um texto bem profundo e espero que as pessoas que lerem, entendam o que ele quer passar.

Effin, parabens e até a próxima!



O que mais gostei:

É um texto que conversa com o leitor


O que acho que pode melhorar:

Nada, é perfeito a seu modo.

Virginia Storm

Olá, Magdiel! É uma imensa alegria receber um comentário seu, principalmente nesta história. Vômito é, de fato, um conto bem reflexivo. Um pouco complicado de conversar sobre ele sem que aja divergências de opiniões, já que o significado do texto é totalmente mutável. Depende de quem o lê. No entanto, você pegou a essência do que eu entendi também. Essa sistematização de tudo, faz com que muitos imaginem que a vida também segue essa norma, ah, pobres deles! É tudo tão complexo que sequer compreendo um pedacinho da nossa existência.

Muito obrigada pelo comentário lindo!

Um abraço,

Fernanda.

Santinie Estevão

Nossa, adorei. Muito boa! Incrível essa sinopse! Muito chamativa, tive que ler na hora.

O título é bem incômodo, o que funcionou super bem - não sei se foi essa a intenção, mas enfim! Eu relacionei o título com o texto logo no ínicio;

"Ela não consegue chorar. Tenta e tenta, mas não sai. Ela têm motivos."

Como se o choro fosse o vômito e ela se esforçasse para se livrar do incômodo do mal estar, em vão. Como se "cavar" a própria pele fosse colocar o dedo na garganta para se livrar de todo o mal.

Me identifiquei com essa parte de escrever do nada, sem saber o porque.

"Acontece assim, do nada, sabe? Vai e vem, como ondas da praia suja por onde passa o ônibus que ela apanha esporadicamente;"

Porém, na maioria das vezes eu guardo as palavras para mim, ao invés de compartilhá-las com uma folha de papel.

Me identifiquei também com os questionamentos a cerca da existência de Deus. "Quem criou Deus?" Já me questionei muito sobre isso também - agora não mais. Mas no fim "Ela existe. Ela e todas as imperfeições. Ela é humana."

Eu ia fazer um comentário simplório, com uma ou duas linhas, mas acabei me empolgando. Esse é o maior comentário que já fiz!! Haha ^^ E é isso! Parabéns pela escrita! (:

Virginia Storm

Desculpe pela demora para responder. Estou sem internet :/

A maioria dos que leram me disseram o mesmo. Existe certo estigma com algumas palavras, não é? Eu acho que "Vômito" pode ser interpretado de inúmeras maneiras. Claro que a gente associa primeiramente ao ato, mas depois que eu penso muito, pode ser muito mais que isso. Sim! Há muitas referências ao significado real da palavra, aí podemos notar que o vômito pode ser muito mais que uma comida mal digerida.

Ah, essa é sempre minha resposta, sabe? As pessoas tem a mania de achar que é necessário ter um motivo pra fazer isso ou aquilo. Às vezes não, né? Eu gosto de escrever porque sim! Ora, e isso pode sim ser uma resposta boa! Eu guardo muita coisa, mas escrevo pra não acabar sufocada.

Eu deixei de questionar há tempos, mas vez e outra me pego imaginando se tudo é apenas isso que a gente vê.

Eu achei bem simplório, mesmo com a quantidade de palavras, hahahah! Gosto quando desmembram o texto pra opinar, são os melhores comentários pra responder!

Obrigada pelos elogios!

Beijos,

Fernanda.

Sweet Girl
Meu Deus, que maravilhosa! Me identifiquei com essas frases. Na verdade não sei bem quem é ela. Ela se parece comigo, mas me recuso a dizer que sou como ela. Ela é tão depressiva, ela pode ser tantas em uma só... As pessoas gostam de colocar a culpa de tudo em "falta de Deus", gostam tanto de julgar os outros ao invés de procurar ajudá-los, entendê-los, acho que foi a primeira vez que encontrei "alguém" que me entede de verdade. Bom, acho que devo agradecer por escrever uma história tão pequena e tão boa, tão significativa. Adorei a sua escrita e a história, muitos já devem ter dito isso, mas parabéns!

O que mais gostei: "A escova toca sua garganta ao fundo, a ponta plástica do objeto barato machucou a úvula, mas ela precisa jogar fora aquela fatia de torta." " As cicatrizes. Não tem espaço para mais delas."
Virginia Storm

Olá, Suicide!

Vômito é uma história terrivelmente habitual na vida de muita gente, por mais que neguem, que desconversem, é cada vez mais comum.

Ela pode ser você, pode ser eu ou uma terceira pessoa. Ela está em cada pessoa, mesmo que não completamente. O problema é descobrir como deixar de ser ela pra ser alguma outra coisa, entende? Acho bem difícil mesmo.

As pessoas já nascem com isso. Culpar e culpar, julgar e julgar. A gente faz inconscientemente às vezes, eu acho. Deus tem sido usado mais como uma arma para temermos que para um Salvador para nos acolher. Não que seja culpa dele, são seus servos.

Eu é que agradeço. Descobrir que sempre há alguém no mundo que tem a mínima noção do que se passa na cabeça dela é reconfortante. Obrigada!

Um beijo,

Fernanda.

Murphyy

Meu Deus, estou sem palavras diante tal perfeição...

Virginia Storm

Olá, Murphyy!

Desculpe a demora a responder, eu mudei a conta e alguns comentários simplesmente não apareceram!

Enfim, agradeço de coração por ter lido e comentado!

Um beijo,

Virginia

Loobs P

"Não estava fazendo nada".

Meus deuses, que texto tocante. Acho que quem já esteve lá vai ficar até um pouco tonto com a sinceridade das palavras. É como se afogar nas ondas sujas.

Aplaudo de pé pelo texto, e rezo pra que ela consiga achar o ar pra respirar.

Virginia Storm

Definitivamente! A pior sensação que existe é não saber como emergir. E então tentamos se adaptar ao fundo, porque faltam forças pra se erguer. Mas não se preocupe, ela já respira bem! Encontrou novos ares e novos apoios!

Muito obrigada por ter lido!

Um beijo,

VS

Ti Rorschach

Quando olhei o título e a sinopse já sentia que seria algo tocante, mas não tinha pensado nessa ótima dinâmica com que me deparei. Achei fluido entre os acontecimentos, achei que lembrou o que já fui ou o que sou. Achei lindo.

Parabéns.

Beijos,

Ti.