Comentários em “OFIÚCO: OS PERGAMINHOS PERDIDOS.”: “"E amanhã não seremos o que fomos, nem o que somos". Ovídio.”

Aeger

Boa noite, Sam.

Sim, creio compartilhar das mesmas crenças que você; embora seja apenas uma jovem sonhadora que almeja uma carreira promissora, mas mais do que isso, que busca encontrar felicidade na profissão e transportar os sonhos de universitária ingênua (que sei que sou) para um lugar no tempo onde possam existir.

Oh, fico feliz de estar interpretando os personagens corretamente. Digo, da maneira como você os tem em mente, é uma grande satisfação. No entanto não sei se sou quem merece “parabéns” por aqui. A construção de cada ideia, cada abordagem utilizada: toda narração é obra sua. Minha compreensão é mera consequência. O mérito precisa ser dado quando é conveniente.

Ora, ora, parece que não consegue abandonar a profissão nem mesmo quando tem que escrever. É seu lado racional falando! (perdão, não resisti à brincadeira, rs) Mas eu compreendo perfeitamente e já lhe disse que acho muito bom para o leitor (ao menos para a leitora que vos fala) esta técnica de não dar preferência a determinado personagem, pois assim você desenvolve a personalidade de todos, tornando todos interessantes a quem lê. Mas escrevendo assim você dá margem para criar certo vínculo a todos, de modo que tirá-los da trama torna-se um tanto trabalhoso, creio que sim.

Que interessante, me pergunto qual seria seu papel na trama. Aguardarei por ela no segundo livro, talvez (?) rs

Sim! “Dentro de si”, você expôs em palavras o que eu pensei há alguns capítulos atrás, rs. Achei fantástico o modo como vem mostrando a jornada de autodescoberta de Muriel: as indagações sobre seu passado, as reflexões sobre as “trevas” que pairavam em sua alma, até a percepção de seus poderes e desde então ela vem se mostrando ainda curiosa, buscando ávida por maiores informações que possam esclarecer sobre ela própria. Enfim, acho que posso parar por aqui de elogiar apenas uma personagem, quando tantos me agradam, mas é que o modo como construiu Muriel realmente me roubou a atenção, rs.

Pergunta interessante a que me fez (acho que tenho repetido muito isto, rs). Bem, não sei como interpretará a resposta que lhe darei, mas pelo pouco que conheço não acho que julgará equivocadamente. Penso que nós, habitantes deste planeta, não alcançamos maturidade evolutiva para administrar o conhecimento, ponto. No entanto o livre-arbítrio é algo à parte a este fato, nossas escolhas precisam depender exclusivamente da nossa vontade para que assim o processo evolutivo possa ocorrer. Está familiarizado com o conceito da “Roda de Samsara”?

Não creio que uma ditadura benevolente poderia ajudar, pois digamos que seria “tapar o Sol com a peneira”, a meu ver. Ela poderia resolver os problemas momentaneamente, mas não saldaria nossas dívidas em longo prazo.

É familiarizado com os Vedas? Céus! Confesso que me surpreendi um pouco agora, rs. De fato você parece ser muito espiritualizado, ou possuir um conhecimento vasto sobre a área em questão. Faço este comentário não com base apenas nesta informação e sim com o que posso observar em todas as nossas conversas até então e em tudo o que li em seus textos. Realmente notável.

Ah, que percepção interessante dos cancerianos. Vou preferir me abster em opinar. Haha

Oh, sim! Ah memória de fato havia me falhado por um momento, mas ao ler seu comentário ela retornou (risos). “Exílio” foi o trocadilho feito pela Iris ao se referir ao bairro, agora me recordei, rs.

Curiosos seus gostos, mas consigo compreendê-los. A música tem que tocar a alma, não importando qual classificação a sociedade tenha se ocupado em lhe dar. Dança-do-ventre... Interessante comentar sobre isto e devo dizer que guardo em meu coração um carinho especial por ela. Costumava dançar, contudo a vida faz com que nossas prioridades acabem nos afastando de alguns caminhos que pareciam certos, não acha? Em todo o caso, considero dança-do-ventre uma maneira magnífica de se conectar com o corpo, com nossas energias, com sentimentos enraizados. Passado...

Em suas palavras você me lembrou novamente daquele amigo que citei. As similaridades são desconcertantes. Ele também é taurino, ainda que isto seja muito genérico para me pautar, contudo é o que tenho para alicerçar as semelhanças Haha. Esteja certo de que estou aberta às possibilidades do que venha a ocorrer na trama e não refugo nenhuma das citações feitas, ao contrário.

Compreendo. Confesso não ter me surpreendido com sua resposta, uma vez que imaginava algo do gênero ao ter feito a pergunta. Um bocado impressionante, devo dizer. Desejo-lhe sorte com as minúcias dos cenários no segundo livro e aguardo para acompanhá-las, até lá me deleito com a busca pelos pergaminhos.

Definitivamente foi algo mais palpável para uma leitora leiga como eu, devo dizer. A abordagem do ritual foi fascinante, mas confesso que o que realmente tomou minha atenção foi o conflito psicológico. Acho que o fato de tal conflito se passar durante a realização de um rito é ainda mais instigante, mostra aos leitores um pouco sobre as habilidades de Cesar.

Confesso que ao ler as obras citadas fiquei realmente sem qualquer pista acerca de qual seria por ela escolhida, pois não sabia se o autor adotaria uma postura conservadora, ou se a colocaria sob uma perspectiva já arrojada, uma vez que já havia citado os títulos. Foi bem divertido acompanhar este trecho, rs. Mas no final das contas “Divina Comédia” me pareceu realmente a obra mais pertinente para Muriel, ao menos neste estado de sua vivência.

Eu imagino que sim, mais ainda, imagino (ao menos espero) que o resultado lhe seja gratificante, rs. Quanto aos poderes, eu não tive problemas com nenhuma terminologia em si, mas não tenho certeza se compreendi plenamente qual a habilidade específica de todos eles, por exemplo, os poderes do Nicholas me parecem bem claros, já os da Muriel me confundiram um pouco: compreendi sua forma espectral, contudo sua habilidade ao ajudar o Nick... Não estou certa de tê-la compreendido. O mesmo ocorreu com a Akila, contudo creio que no decorrer dos capítulos, conforme outras cenas de luta ocorrerem eu terei oportunidades de acompanhar melhor os fatos. Ah, e se me permite a opinião creio que notas de rodapé sejam mais fáceis de acompanhar.

Compreendo, de fato é um bom modo de vê-lo e provavelmente você está certo quanto ao fato de potencialmente haver uma identificação com muitos leitores cujo senso de humor seja mais propenso a este tipo de comportamento. De certa forma sou meio sisuda (defeito pessoal, rs). Continuarei a acompanhar as peripécias do rapaz, divirto-me em certo ponto.

Quanto ao capítulo atual: que deleite! Acho que apreciei ainda mais este do que o anterior, se me permite a comparação. Segui com a leitura ininterruptamente, devorando avidamente cada trecho. Foi a expectativa de ler textos como estes que fizeram com que eu me enveredasse pela leitura deste livro e digo que com este capítulo você me arrebatou.

Gostei da ideia dos três desafios. Diria que o primeiro deles, onde devem enfrentar seus temores, é um clássico, porém que prova seu propósito para a ocasião. Achei as situações limitantes propostas muito boas, tentei estabelecer predileções, mas realmente todas me agradaram em igual intensidade.

A descrição de Egrégora é algo que eu precisava citar, consegui uma imagem mental clara de sua figura e devo dizer que você fez um trabalho soberbo com as caracterizações neste capítulo. A ideia de seu desafio foi, para mim, a mais palpável, por assim dizer. O conceito de limpar a mente e obter as respostas, ou no caso deles, as perguntas...

O desafio que mais me incitou foi o terceiro, achei absolutamente ardiloso, embora já intuísse que fosse o Nicholas a liberar os espinhos, devido ao seu desaparecimento misterioso. Ainda assim, achei que foi uma ideia muito boa, ficou realmente cativante e através desta luta já consegui compreender melhor as habilidades da Akila.

Que reviravolta fascinante ocorreu em meio à cerimônia! E quando eu achava que o capítulo não poderia me surpreender mais. De fato eu me perguntava quando nos seria revelado o que fora solicitado a Vachan na Casa de Ésper e o fato de ter sido Sir Donovan Krause a contatá-lo me surpreendeu, confesso. Fico agora me perguntando a quem pertence a lealdade do Príncipe Zunniga.

Apreciei poder conhecer um pouco sobre a origem da Ordem através dos dados que inceriu.

Única ressalva reside na ausência de crase na frase: “Devemos nos apresentar a rainha e ao príncipe no templo.” Além disso não tenho o que falar. O capítulo me encantou.

Até,

Aeger.

Sam Roque
Sam Roque Autor

Olá, Aeger, que saudade! Outrora fiquei impossibilitado de postar novos capítulos, mas agora estou de volta. Espero reconquistar o privilégio de tê-la como leitora e degustar sua análise sobre as personagens... A propósito, minha pretensão é continuar equilibrando a distribuição da trama, explorando o potencial de cada personagem, sem priorizar um ou outro. E no segundo livro, talvez, dedique cada capítulo a um protagonista, tal qual o Martin faz na série “Game of Thrones”. Assim poderei explorar detalhadamente, por exemplo, as atitudes de Muriel face às descobertas que realizará... Considerarei a possibilidade...

Concordo com você e receio que neste momento a humanidade não esteja preparada para exercitar responsavelmente o conhecimento. E neste caso, o livre-arbítrio seria a passagem para evolução através da experiência ou o caminho para a corrupção e, quiçá, a aniquilação? Haverá tempo para aprendermos com nossas tentativas e escolhas? Tudo que se perde pode ser recuperado? O processo “evolutivo” seguirá o seu curso? Divagações...

Estou minimamente familiarizado com a Roda de Samsara, mas, pelo pouco que li, fiquei com a sensação de determinismo e fatalidade... A ideia de sofrimento inevitável me incomoda, por exemplo... Karma? Estou enganado? Então você acredita que seja possível quitar nossas dívidas? Não sei... Talvez o Homem seja um devedor compulsivo, um procrastinador contumaz... Será?

Ah, sim, eu aprecio a astrologia védica e pesquisei os Vedas para fazer um breve estudo comparado. Também referenciei trechos dos livros para compor Vachan Siraj, embora admita que em “Os Pergaminhos Perdidos” a mitologia hindu não seja devidamente explorada. No segundo livro talvez...

Realmente, às vezes a vida nos afasta dos caminhos que parecem certos: a Roda de Samsara?

Ah, sim, “A Divina Comédia” seria a escolha mais “coerente” com Muriel. A opção da personagem deve ter se baseado em estudos pregressos, pois imagino que, nas horas de refúgio no convento, ela tenha lido e meditado sobre como a obra de Dante Alighieri deve ter influenciado a cristandade, especialmente no tocante à caracterização do Inferno. Assim concluí que ela não perderia a chance de apreciar e exercitar o idioma com a leitura do raro exemplar disponível.

Espero aprimorar as descrições dos dons dos personagens nos próximos capítulos. Minha maior preocupação é desviar da essência de cada um, perder a coerência, a harmonia na combinação das habilidades. Ademais, o planejamento é que eles evoluam no decorrer da trama, dos livros, ou que sejam exploradas novas possibilidades de apresentação. De qualquer forma preciso enumerar os dons de cada personagem para não me perder... Farei isso provavelmente quando terminar o primeiro livro... Sobre Muriel, de certo que ela não compreende e não possui o domínio dos seus dons... Ela não sabe, por exemplo, como a sua presença pode minar a força vital provocando o definhamento ou como suas mãos são capazes de curar ou corromper a carne... Até o momento o domínio da forma espectral parece o mais promissor... Veremos o que o futuro lhe reserva... Quanto à Akila, suas habilidades estão em duas áreas de concentração: ilusionismo e zoomorfose...

Sinto-me realizado com o seu deleite do capítulo, que sensação maravilhosa! O ritual de Metanóia é uma das minhas passagens favoritas também... E que elegância da sua parte definir como clássico o primeiro teste iniciático, obrigado! Nesta passagem, tentando contornar o clichê, entendi que o confronto dos medos e a busca do autoconhecimento seriam cruciais para a senda dos postulantes. Essa provação intimista, na minha opinião, foi uma exposição muito verdadeira e me permito desejar que os leitores reflitam, desafiem e superem os próprios temores, como nossos personagens fizeram...

Égregora... Não sei como explicar, sua idealização era diferente, previsivelmente angelical, mas, às vésperas de publicar o capítulo sua verdadeira imagem se impôs em minha mente e decidi (ou me senti forçado a) mudar sua caracterização... Desde então eu consigo visualizá-la com muita clareza e fico satisfeito com o resultado... E se no primeiro teste o autoconhecimento esteve em voga, no segundo foi proposto uma prova de Conhecimento e Intuição... Confesso que a passagem foi inspirada no “enigma da Esfinge”, mas conclui que, ao invés de suscitar questões, seria melhor desafiar os postulantes a responderem corretamente às indagações do silêncio...

O terceiro foi um teste iniciático de Sabedoria e Julgamento, mas que, afinal, foi transformado em um teste físico de domínio dos dons... Se puder releia essa passagem ouvindo “Waxing Elizabeth” que a inspirou...

Sobre a aparição de Vachan, inicialmente sua chegada estava prevista para a biblioteca quando o grupo se preparava para a iniciação. Todavia, achei que seria mais interessante retardá-la para proporcionar interrogações aos leitores e, afinal, coroá-la com o debate, sobre os estatutos da Ordem, que consolidou a iniciação dos postulantes... Nesta passagem, pelo que recordo, foi bom transportar e brincar com a ampla defesa e o contraditório das demandas judiciais...

O príncipe Zunniga... Tenho grandes planos e expectativas para ele... Aguarde...

Obrigado, como sempre, pelos excelentes comentários.

Sam.