Comentários em “Tic-tac”: “Tic”

Jack Byron

Essa carta quase me fez ter vontade de ter uma vida amorosa! Na verdade, se eu for pensar bem, minha vida amorosa se baseia, basicamente, em palavras. Assim como a da Maitê, penso eu - pelo menos nesse momento - porque tudo o que resta a ela é escrever sobre o que viveu e sentiu. Conforme se vai lendo as cartas da Acácia e da Maitê nós vamos percebendo divergências que não se dão apenas pelo fato de as cartas serem escritas por pessoas diferentes, mas sim porque as duas personagens estão passando por momentos quase que opostos em suas vidas. Acácia está descobrindo as coisas, descobrindo a vida e aprendendo a gostar de tudo aquilo que ela está descobrindo, mesmo que ainda existam os malditos infortúnios. Maitê já teve uma vida, de certa forma, ela viveu, mesmo que não tão completamente quando poderia, caso não tivesse sido presa, mas ela viveu o suficiente para ser um tipo de 'conselheira' para a Acácia e aquela pessoa mais velha que vive nos contando histórias para nos fazer acreditar que tudo o que está acontecendo conosco já aconteceu com outras pessoas e que isso não é o fim do mundo. Eu também gosto da forma como a Maitê consegue dar esperanças a outras pessoas e incentivá-las mesmo que ela mesma não acredite mais em muitacoisa. Me parece o cúmulo da generosidade, e eu não conheço pessoas assim, então, tudo bem, excessos de bondade me aquecem. Hoje eu estou tentando ser menos inútil na minha vida, então talvez termine as cartas. Beijos! ♥

Acácia
Acácia Autor

Ah, a minha vontade de uma vida amorosa. Não vou mentir que só tenho essa vontade de vez em quando, sempre estou querendo alguém pra me amar de volta (já que possivelmente já amo todo mundo que conheço (e ligeiramente já amo os que vou conhecer)). Mas é imaginária como a da Maitê, e a sua, minha vida amorosa é pensada Mozi. Que coisa triste de se descobrir em uma segunda-feira.

Elas são bem diferentes, foi uma sorte ter a Cassie pra escrever comigo, digo, eu não conseguiria duas personalidades, mas também nem teria a ideia pra história se não fosse ela, foi tudo um conjunto que deu certo, entende? Só quero dizer que percebo essas divergências e que elas provavelmente não existiriam se eu tentasse sem ela, e não seria convincente. Enfim, fico feliz que também tenha percebido.

Eu acho que parto dos traços da personalidade delas também se difere porque, bem, a Acácia é uma adolescente, mesmo que triste, mesmo que passando por tudo o que passou, ela tem de obrigatoriamente ter uns traços de adolescente, por isso, talvez, tudo o que ela faz é perdoável e, talvez, por isso ela me fascine tanto. É um personagem que eu gostaria de ter escrito, entende?

Bom, eu conheço pessoas assim, parece que aqui elas brotam, não sei, conheço muitas pessoas boas, mas é estranho que a maioria seja da minha família, então se quiser conhecer alguém assim, vá na casa da minha avó em algum domingo.

Bem, tem outros, vou te contar, apesar de não ter muito com o assunto, vou te contar porque acho que é minha amiga, e porque acabei de lembrar disso.

Um senhor morreu na semana passada, era vizinho da casa da minha avó, enfim. Ele passava pela casa dela com um cachorro, um senhorzinho velhinho de bigode farto, magrinho e de olhos azuis, um pouco por serem azuis, um pouco desbotados com os anos. Ele passava e eu sempre lhe dizia oi, porque estava sentada no chão tomando um sol (lagarteando, como dizem). E ele era tão doce, tão bom. Conversávamos, pouco, ele sempre fazia as mesmas perguntas, de quem eu era filha, como estava a minha avó (minha avó e a esposa dele são colegas de novena), etc.

E no final, ele sempre dizia "tenho um presente pra você" e me dava uma bala de iogurte. Acho que estou te contando isso porque chorei um pouco quando soube que ele morreu, e por causa do doutor, dessa história mesmo. Acho que inconscientemente me inspirei nele, mas me esqueci, sabe?

Acho que queria te contar isso há mais de uma semana, e não sei porque não contei, quando tinha a oportunidade, esquecia. Mas agora contei. Enfim.

Obrigada por continuar lendo e comentando! Mil beijos ;***

M
Morgana
Heli, eu sempre quis saber o que é amar de verdade, talvez você possa me responder. Eu não sou uma boa crítica, desculpe, então não consigo apontar as diferentes técnicas que você usou com o intento de causar esta ou aquela reação no público; não sei fazer isso :( Pra falar a verdade nem sei se você usou alguma técnica, gosto de pensar que você deu um pouquinho do seu ser pra gente como eu amar. Mas posso te contar o que eu senti - e doeu um pouco. Doeu porque eu me vejo na Maitê dos beijos cálidos, e os meus de longe foram isso. Pra ser sincera, considero os meus "beijos" mais um língua-língua e troca de salivas afobado, sem nenhum sentimento. Eu quem tive que dar os selinhos finais, pra ver se sentia um pedacinho do que eu achava que sentiria; mas não senti. Não foi quente, suave, doce ou apaixonado, foi pacato e sem cor. Por isso doeu um pouco em mim, porque se eu sentisse naqueles beijos um terço do que eu sinto ao ler tuas palavras, eu estaria muito feliz =] Mil beijos, Heli, obrigada por sempre me responder ^^

O que acho que pode melhorar: Têm alguns errinhos ortográficos, mas olha, acho um charme ;)
Acácia
Acácia Autor

Morgana,

Não te imaginava com esse nome. Vou dar uma olhada nos erros, obrigada por avisar. Ah, só amei de verdade uma vez, ainda amo, mas amo menor, amo diferente, amo como amiga. Eu enlouqueci de verdade e quase toda a loucura que escrevo tem base lá, naquele amor de sete anos atrás. Mas não sei dizer o que é amar, porque deveria ser uma coisa boa, então nem sei se meu amor era amor, ou era bruxaria. Não sei se usei, quais técnicas usei, sempre acabo escrevendo o que vem na cabeça, então não precisa ser boa crítica, porque eu também provavelmente não seria. Os beijos da Maitê, os beijos da Maitê, é verdade que eu nem gosto muito de beijar bocas, ou beijar pessoas, talvez naqueles beijos selando contratos, mas a coisa toda da língua, haha, é mais por convenção social, todo mundo beija assim, então eu também. Só gostei de beijar duas pessoas dessa forma desde que comecei a beijar pessoas, há oito anos trás. Não acho muita graça em beijos, desde essas duas pessoas. Acho que os beijos só são bons quando amor é grande, quando envolve mais cuidado do que vontade, acho que esses são os beijos bons, mas não vivi tanto e não sei tanto também. Ah, quem sabe você sinta, quem sabe sua boca ainda não esbarrou na boca certa, não é? Quem sabe você sinta ainda mais do que sente quando me lê.

Desculpa a demora em te responder, de verdade, estive viajando. Muito obrigada por ler e comentar, por me acompanhar, ual! Obrigada mesmo! Mil beijos ;*