Comentários em “Ady Nower.”: “Capítulo 5”

V in Wonderland

Estimada Escritora...

Devo começar este comentário com um pequeno detalhe que me veio á mente, ao percorrer meus olhos pelas linhas do último capítulo. Em especial, no momento em que a jovem garota deitou sua cabeça no travesseiro para, enfim, procurar por um pouco de paz. É uma letra de música de Chico Buarque, a qual - creio eu - ter alguma relação com a fala sinistra do reflexo no espelho da ocasião em questão.

"Dorme minha pequena, não vale a pena despertar... Eu vou sair, por aí afora, atrás da aurora mais serena..."

Bem, a letra da música se estende, no entanto, este curto trecho foi o que me veio à mente no momento. Porém, não me demorarei mais em discorrer meus comentários à respeito do capítulo que acabei de ler.

Primeiramente, as falas do jovem recém apresentado foi o que mais me chamou a atenção. A maneira límpida, cortês, eloquente com que ele se dirige à garota é simplesmente fantástica. Gostaria muito de possuir esta impecável capacidade de discorrer diálogos tão encantadores e embriagantes como estes. Creio que tão extasiada impressão deva-se ao meu fascínio pelas conversas de tempos antigos, e todos os detalhes que um simples diálogo poderia conter; todos os segredos escondidos, todas as palavras ocultas, as segundas intenções que se ocultavam nas sombras dos dizeres, e o incrível mistério que as letras carregam. Sempre deve-se manter alerta nessas ocasiões, ou ao menos, ter um pouco de sensibilidade para se notar as oscilações que acontecem em tais momentos.

Voltando-me agora para o rapagão de madeixas escuras e olhos místicos, creio que minha mente já esteja divagando para locais mais obscuros e desconhecidos que poderia imaginar. E todos estes pormenores se devem à toda a aura que envolve sua impecável descrição. É um completo deleito pôr-me à imaginar os prováveis futuros acontecimentos! No entanto, antes que me desvie em demasia de meu propósito, voltarei-me para a figura em questão. Algo em meus pensamentos me alerta que o rapaz representa algo muito mais sinistro e incógnito do que estas iniciais palavras nos delataram. Talvez ele não seja a mesma figura que diz ser, ou ainda que - porventura - mostre-se como o mesmo homem que chorara às sombras ao ouvir as notas de Thalía reproduzidas pelo violino. Creio que ele tenha alguma relação com Kileai, provavelmente são a mesma pessoa? Embora não tenha entendido por completo o que tal personagem - que aparece apenas nas memórias, e sonhos, da menina - tem de significância com a história em si... Contudo, acredito que tais dúvidas serão sanadas com o decorrer do tempo, o qual espero com ansiedade que passe, para desfrutar de mais e mais capítulos desta belíssima história.

Atenciosamente

V.

Thalia
Thalia Autor

Cara Leitora,

Atento-me em mencionar que Thalía é uma personagem que como Machado de Assis diria, é mais psicológica do que física. Vossas aparições são carregadas de profundo detalhismo e, acredite, o que parece sem consistência sob as atitudes, lembranças e comportamentos despojados de nossa protagonista serão, com o tempo, rapidamente identificados como conduta adotada doravante de várias características e também de profundos ensinamentos futuros que ela terá que se adequar.

O jovem mocetão que apareceu é mais perspicaz que pareceu demonstrar nesse capítulo. Suas atitudes corroboram na tese de que é fundamental conhecer o oponente antes de julgá-lo, visto que suas aparições serão frequentes daqui para frente e, acredito eu, com pequenas doses de mistério.

Para mim, como já devo ter explicado anteriormente, é necessário que haja um detalhamento de todos os personagens de forma que o enfoque pareça mais realista do que romântico, visto que tenho maior apreço por esse estilo literário -embora a história não siga nenhum desses estilos por completo, talvez só em alguns pormenores como a escrita em terceira pessoa, o enfoque problematizado no psiquê, ou a profunda dicotomia das almas dos personagens. Mas acho que você já tenha percebido isso antes, não?

Quanto as outras dúvidas, infelizmente, não poderei nem sequer tentar fazê-la pensar. Posso acabar revelando muito e isso, com certeza, não é o que eu quero fazer.

Atenciosamente,

Thalía.