𝙸𝙽𝚂𝙴𝙶𝚄𝚁𝙰𝙽𝙲𝙰 | 𝙹𝚞𝚗𝚐 𝚆𝚘𝚘𝚢𝚘𝚞𝚗𝚐
3 𝙲𝙰𝙿: 𝟶𝟷 | 𝙰 𝚅𝙸𝚂𝙸𝚃𝙰

Isa estava finalizando aquele caldo cheio de memórias, ela estava tão concentrada em deixá-lo parecido com aquele que a mãe fazia em casa, que não ouviu a porta da frente se abrir, os passos suaves eram abafados pelo carpete que veio junto com o pequeno apartamento, estando de frente para o fogão e de costas para o corredor, Isa não pressentiu que tinha alguém dentro do apartamento e que essa pessoa estava se aproximando cada vez mais da cozinha.
Enquanto ela colocava mais um pouco de sal e mexia lentamente o caldo e quando ela levava para provar se estava no ponto que queria, ela sente alguém abraçá-la por trás.
Dando um salto como susto, ela olha para a mão e a reconhece como a do namorado.
— WOOYOUNG! — ela exclama, sentindo o coração quase saltar pela boca. — Voce quer me matar do coracao?
— Claro que não. — ele diz, se aconchegando no pescoço dela. — Mas você estava tão concentrada e linda.
Ele a solta, mas a puxa para perto.
— Eu não pude resistir.
Isa revira os olhos e se afasta dos braços deles, ela não estava no clima para brincadeiras,muito menos as do namorado.
Ele franze o cenho vendo ela se afastar dele, ela nunca nega os abraços, beijos ou a aproximação que ele gosta de dar a ela, mas ele é persistente e tenta se aproximar novamente.
Com determinação, ele vai até ela novamente e a puxa para um beijo apaixonado, mas ele não esperava a reação que ela teria a seguir por esse simples gesto de amor.
Ela desviava o rosto, evitando toque dos lábios dele nos dela, empurrando ele para longe como se ele estivesse com algum tipo de vírus mortal. O olhar no rosto dela era de raiva, como se o toque dele que antes transmitia carinho e proteção, hoje fosse algo que trazia essa emoção tão negativa para ela.
Wooyoung não entendia, eles se conhecem há dois anos e estão juntos de verdade há um ano e nunca ela agiu dessa forma com ele. Ele não podia negar que essa nova atitude dela foi como um punhal cortando através do coração.
Meio sem graça com tudo o que acabou de acontecer, Wooyoung diz baixinho: — Eu senti sua falta.
Mas Isa mal dá alguma atenção a ele, voltando para o fogão e desligando o fogo. Caminhando em direção a ela, Wooyoung continua: — Amor, aconteceu alguma coisa?
Mas ainda nada, sem reações ou respostas, parecia que ele era invisível ou algum móvel parado inutilmente no meio da cozinha, dando um passo mais para perto dela, ele tira o cabelo do pescoço dela e dá um pequeno mas significativo beijo. Ele sabia que ela gostava de toques na nuca e pescoço e que esse local era uma área bastante prazerosa para ela.
Mas para infelicidade dele, a reação dela não era de prazer e sim…
— PELO AMOR DE DEUS, WOOYOUNG! — gritou, enquanto erguia uma colher de madeira. — ME DEIXA EM PAZ!
Assustando com tal explosão, Wooyoung dá um passo para trás, com medo também de ser atingido pela colher.
— PRECISO RESPIRAR. — ela diz, em desabafo. — VOCÊ É SEMPRE TÃO… PEGAJOSO.
— ∞ —
Wooyoung desvia o olhar, enquanto ouve as palavras proferidas pela boca que um dia jurou amá-lo. O pior é saber que ela pensa dele como um pegajoso, quando um dia ela disse que era justamente esse jeito “pegajoso” que ela mais amava.
— VOCÊ ESTÁ SEMPRE ME SUFOCANDO. — Isa continuou a dizer com raiva. — POR QUE SIMPLESMENTE VOCÊ NÃO VAI EMBORA?
Com a respiração acelerada e o coração bombeando sangue loucamente. Isa joga a colher na pia e vai para sala de estar, onde se senta e tenta se controlar, deixando assim, o namorado na cozinha.
Sozinho e sofrendo com as duras palavras proferidas.
Mas mesmo com o coração doendo, a preocupação com a Isa foi mais forte depois de alguns minutos na qual o silêncio foi a única presença para ambos, ele foi para a sala.
Chegando lá, ele a vê sentado no canto do sofá, com os braços em volta das pernas, o rosto escondido nos joelhos mas o fungar que vinha dela revelava que a raiva tinha se transformado em lágrimas.
Ele se senta no outro extremo do sofá, ele estava com um certo receio de chegar mais perto dela e outras palavras mais duras serem ditas. Mas o som da voz suave dele chega aos ouvidos dela.
— Você está bem, amor?
Ela levanta a cabeça e o olha, ela tinha tanta coisa para dizer mas estava emocionalmente esgotada de tudo, ela queria ficar sozinha, em paz. Ela achava que a única companhia digna naquele momento era o silêncio e os pensamentos que passavam repetidamente pela cabeça dela.
Com os olhos inchados de chorar e a garganta crua por gritar, ela diz a ele enquanto se levanta: — Sim, estou bem.
Quando Wooyoung abre a boca para dizer algo mais, ela o corta.
— Irei para o meu quarto. — ele caminha lentamente na direção do corredor que levava o quarto e a pequena sala de música. — Tranque a porta depois de sair.
Ela não olhou para trás. O som da porta do quarto se fechando foi o ponto final de uma conversa que nem chegou a começar, deixando Wooyoung sozinho na sala, com o cheiro do caldo brasileiro ainda flutuando no ar.
Uma promessa de conforto que, agora, tinha um gosto amargo.
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